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07 fevereiro 2026

"Sonhos de Trem": a fotografia encanta, mas o conflito não chega

Longa dirigido por Clint Bentley se ancora em uma abordagem existencial que privilegia como elementos centrais o silêncio, a contemplação e o tempo (Fotos: Netflix)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
"Sonhos de Trem" ("Train Dreams") é um filme visualmente belo, sensível e cuidadosamente construído, mas que encontra dificuldades em sustentar dramaticamente sua própria proposta. 

Concorrendo ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Fotografia, esta última assinada pelo brasileiro Adolpho Veloso, o longa dirigido por Clint Bentley e exibido na Netflix, se ancora em uma abordagem existencial que privilegia o silêncio, a contemplação e o tempo como elementos centrais da narrativa.

A famosa frase “ser ou não ser, eis a questão” resume bem os conflitos internos que atravessam o filme. Aqui, a dúvida não se manifesta em grandes diálogos ou decisões explícitas, mas na maneira como o protagonista ocupa o mundo. 


A trama acompanha Robert Grainier, interpretado por Joel Edgerton, um trabalhador ferroviário que, no início do século XX, tenta levar uma vida simples como lenhador em meio às rápidas transformações dos Estados Unidos. 

Ao longo do caminho, Robert vivencia o amor, a perda e a solidão, construindo uma existência marcada pela resistência silenciosa e pelas marcas deixadas pelo tempo. Edgerton sustenta o filme com uma atuação contida e introspectiva, baseada mais em gestos e silêncios do que em palavras.


A fotografia de Adolpho Veloso é o grande destaque do longa. Seu olhar contemplativo transforma paisagens naturais, relações de trabalho, a vida familiar e pequenos acontecimentos cotidianos em imagens de forte carga simbólica. Cada enquadramento convida o espectador à observação e à reflexão, reforçando o caráter introspectivo da obra.

No entanto, é justamente nessa aposta radical na contemplação que o filme encontra seu principal problema. O ritmo extremamente lento, quase hipnótico, como o movimento constante de um trem, pode afastar parte do público. 


O elenco de apoio reforça a atmosfera melancólica, ainda que seja pouco explorado dramaticamente. Felicity Jones, como Gladys Grainier, traz delicadeza e humanidade à relação afetiva do protagonista, enquanto Kerry Condon adiciona nuances emocionais importantes nos encontros que pontuam a jornada de Robert. 

William H. Macy e Clifton Collins Jr. surgem como figuras que ajudam a contextualizar o ambiente de trabalho e as relações sociais da época, mas seus personagens acabam funcionando mais como presença simbólica do que como agentes de transformação narrativa.

Tecnicamente, o filme apresenta qualidades inegáveis. A trilha sonora de Bryce Dessner desempenha papel fundamental ao desenhar o estado emocional do protagonista, alternando entre tons intimistas e momentos mais amplos, quase épicos, sem romper a delicadeza do conjunto. 


A narrativa carece de conflitos mais consistentes e de acontecimentos que provoquem mudanças significativas no protagonista. Há situações específicas que poderiam funcionar como pontos de virada, mas elas não são plenamente desenvolvidas. 

Da mesma forma, os personagens ao redor de Robert Grainier não recebem aprofundamento suficiente para ampliar o impacto emocional da história.

Temas como luto, solidão, reflexão e o aprendizado de viver conduzem a narrativa e conferem ao filme uma melancolia constante. Essa força temática transforma "Sonhos de Trem" em uma experiência sensível e, em muitos momentos, tocante. Ainda assim, ao final, permanece a sensação de que falta algo. 


A conclusão, embora coerente com o tom existencial proposto, soa mais triste do que transformadora, deixando a impressão de uma jornada que observa muito, mas se arrisca pouco dramaticamente.

Em síntese, "Sonhos de Trem" é um drama de época elegante e tecnicamente refinado, que se destaca pela fotografia, pela trilha sonora e pelas atuações contidas de seu elenco, liderado por Joel Edgerton. 

Ao mesmo tempo, tropeça na ausência de conflitos mais claros e em um desenvolvimento narrativo limitado. É um filme que convida à contemplação e à introspecção, mas pode frustrar quem busca maior densidade dramática ou uma evolução mais marcante de seus personagens. 

Bonito, sensível e silencioso, o longa permanece mais como uma experiência estética do que como uma narrativa plenamente envolvente.


Ficha técnica:
Direção: Clint Bentley
Exibição: Netflix
Duração: 1h43
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gênero: drama

22 janeiro 2026

Deu Brasil cinco vezes indicado ao Oscar 2026

(Crédito: CinemaScopio Produções)
 
 

Maristela Bretas


"O Agente Secreto" faz história novamente ao receber quatro indicações ao Oscar 2026. O filme brasileiro vai disputar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator para Wagner Moura, e Melhor Direção de Elenco. 

Depois de faturar o Globo de Ouro como Melhor Filme de Língua Não-Inglesa e Melhor Ator, o longa dirigido por Kleber Mendonça Filho se equipara a "Cidade de Deus", que também recebeu este número em 2004.

A quinta indicação de um brasileiro foi para Adolpho Veloso como Melhor Fotografia por seu trabalho em "Sonhos de Trem", produzido pela Netflix. Ele já havia sido premiado como Melhor Diretor de Fotografia na Los Angeles Film Critics Association, em 2025, e no Critics Choice Awards 2026 por esta produção, que é concorrente de "O Agente Secreto" na categoria de Melhor Filme.


Os demais indicados ao Oscar deste ano são "Pecadores", com direção de Ryan Coogler, que recebeu 16 indicações, batendo recorde do Oscar: Melhor Filme, Direção, Ator, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Fotografia, Efeitos Visuais, Som, Montagem, Direção de Arte, Canção Original, Figurino, Direção de Elenco, Roteiro Original, Trilha Sonora Original e Maquiagem e Cabelo.

Na sequência, o filme dirigido por Paul Thomas Anderson, "Uma Batalha Após a Outra, teve 13 indicações. "Frankenstein", "Marty Supreme" e "Valor Sentimental" tiveram nove cada, e "Hamnet" - A Vida Antes de Hamlet", indicado em oito categorias.


A cerimônia de entrega da 98ª edição do Oscar será realizada no dia 15 de março, em Los Angeles (EUA).

08 setembro 2025

Sai a lista dos seis filmes brasileiros que vão disputar vaga no Oscar

Fotos: Divulgação
 
 

Agência Brasil

 
A Academia Brasileira de Cinema divulgou nesta segunda-feira (8) a lista dos seis filmes finalistas para a vaga de representante do Brasil ao Oscar 2026. 

A reunião final para a escolha do filme brasileiro que vai tentar uma vaga à categoria de Melhor Filme Internacional da premiação acontece no dia 15 de setembro.

Conheça os finalistas:
- "O Agente Secreto", de Kléber de Mendonça Filho;
- "O Último Azul", de Gabriel Mascaro;
- "Baby", de Marcelo Caetano;
- "Kasa Branca", de Luciano Vidigal;
- "Manas", de Marianna Brennand
- "Oeste Outra Vez", de Erico Rassi.

Os filmes foram escolhidos a partir de uma pré-lista de 16 filmes, que havia sido divulgada pela Academia Brasileira de Cinema há cerca de um mês.

A cerimônia que entregará as estatuetas do Oscar está marcada para o dia 15 de março de 2026, em Los Angeles.