27 janeiro 2026

"Song Sung Blues": uma história de superação ao som de Neil Diamond

Hugh Jackman e Kate Hudson protagonizam a dupla "Lightning & Thunder" que conquista fama levando aos
palcos um show dedicado ao músico (Fotos: Focus Features)
 
 

Patrícia Cassese

 
Não se trata, claro, de um expediente obrigatório. No entanto, pesquisar ao menos um pouco sobre o filme a que se vai assistir colabora, e muito, para a fruição - principalmente se a produção em questão se debruça sobre fatos reais. É o caso de "Song Sung Blue", que estreia no dia 29 de janeiro deste 2026 nos cinemas do Brasil. 

De pronto, o título já vai dizer muito às pessoas de espírito nostálgico, mesmo que sequer tivessem nascido à época: trata-se do título de uma canção homônima de Neil Diamond que estourou mundialmente no inicinho dos anos 1970 - foi lançada em 1972, dando sequência a uma série de hits emplacados pelo artista norte-americano, hoje octogenário, como "Sweet Caroline" (1969) e "I Am... I Said" (1971).


Vale dizer que, no recente Globo de Ouro, o longa-metragem dirigido por Craig Brewer foi classificado na categoria musical ou comédia, colocando o nome de Kate Hudson - que o protagoniza junto a Hugh Jackman - como candidata a melhor atriz. O prêmio, você se lembra, acabou indo (merecidamente) para Rose Byrne, por "Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria". 

Se entendemos que foi uma imensa forçação de barra dizer que esse último título se enquadra no gênero comédia, é também estranho ver "Song Sung Blue" rotulado de musical. É que, ainda que a música seja a espinha dorsal da empreitada, ela está totalmente vinculada à história real - e não, não há números de dança coreografados, reunindo elenco e figurantes, tal como em "Emilia Perez" (2024), para citar um exemplo recente.


A história real sobre a qual "Song Sung Blue" se baseia é a de um casal de Milwaukee que, no auge do sucesso de Neil Diamond, cria um espetáculo em homenagem ao artista. 

O início flagra justamente o encontro dos dois, nos bastidores de um show que apresenta covers dos artistas em voga na época, como Elvis Presley e James Brown. São performances levadas muito a sério pelos empenhados intérpretes, ainda que em cada um habite o sonho de fazer fama para além daquilo. 

Ao se cruzarem nas coxias, Mike (Jackman), que se apresenta como Don Ho, e Claire (Hudson), que solta a voz a bordo do repertório de Patsy Cline, se aproximam e, em pouco tempo, criam a dupla "Relâmpago & Trovão" (Lightning & Thunder"), que passa a levar aos palcos um show dedicado a Diamond. 


E sim, o relacionamento não se limita apenas ao profissional - não tarda, os dois juntam as escovas de dente, numa ação que arrebanha também os dois filhos de Claire e, eventualmente, a filha de Mike. 

O que ambos não sabem, ali, naquele momento de felicidade, é que a vida reservaria ao casal momentos muito, muito trágicos, incluindo um acidente que muda drasticamente o destino de todos. 

Por outro lado, guarda também surpresas do âmbito do inacreditável, como o da dupla abrir um show para o Pearl Jam, a convite do próprio Eddie Vedder.


É importante frisar que a história incrível desse casal da vida real já havia sido levada à tela por meio de um documentário, dirigido por Greg Kohs - que, fica a dica, está disponível no YouTube. Craig assistiu à produção conduzida por Greg e, impressionado, partiu para contar a história com atores. E sim, as escolhas de elenco são bem acertadas. 

Jackman e Hudson se mostram extremamente empenhados, assim como o elenco de apoio, que traz desde veteranos, como Jim Belushi, a bons expoentes da nova geração, como os jovens Ella Andersen, King Princess (cantora, compositora, instrumentista e produtora) e Hudson Hensley, que fazem os filhos do casal. 

Outro ator que os fãs de "White Lotus" vão se deliciar em rever é Michael Imperioli, que integra a banda que acompanha Mike - na série da HBO, ele marcou presença na segunda temporada, passada na Itália.


Embora não seja um filme pretensioso no sentido de trazer inovações na sétima arte ou ficar marcado na história do cinema, assim como a passar o rodo na temporada de prêmios, "Song Sung Blue" não vai fazer o espectador sentir ter desperdiçado seu tempo nos cinemas. 

Principalmente se, como dissemos no início, adentrar a sala escura sabendo que o que será mostrado ali, na telona, é a representação de um episódio real. 

Isso porque, em determinado momento, quem ignorar essa particularidade certamente vai se fazer uma pergunta do tipo "mas como ele não agiu assim ou assado?". E, óbvio, ninguém consegue perscrutar o que se passa na cabeça do outro.

No frigir dos ovos, "Song Sung Blues" é um filme sobre resiliência. Sobre enfrentar adversidades, provações da vida, e tentar superá-las da maneira que dá, já que a vida assim o exige. 


Tudo isso ao som do repertório de um artista - Neil Diamond - cuja voz potente ressoou muito nas rádios brasileiras, inclusive em versões, como a de Diana (1948 - 2024) para "I Am... I Said". Recentemente, "Porque Brigamos" também ganhou cover (excelente) de Bárbara Eugênia. 

Certo, talvez o filme peque um pouco na parte final, ao incorrer com força no melodrama - justamente por isso, recomendamos, aos mais sensíveis, levar um pacotinho de lenços de papel. Como se trata de vida real, quem quiser saber o motivo, basta recorrer ao caso real. Mas, ainda assim, recomendamos. 

O talento dos dois atores centrais merece ser conferido - e as músicas do artista reverenciado, clamam por serem cantadas pelo público - mesmo que, óbvio, baixinho, para não atrapalhar quem está do lado.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Craig Brewer
Produção: Focus Features, Davis Entertainment
Distribuição: Universal Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h13
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: musical, drama

25 janeiro 2026

“Dinheiro Suspeito”: suspense da Netflix testa a amizade de Matt Damon e Ben Affleck

Além das duas estrelas, longa policial baseado em história real conta com um bom elenco formado
por atores e atrizes premiados (Fotos: Netflix)
 
 

Maristela Bretas

 
Há atores que dificilmente você imagina fazendo o papel de vilão. Eles já nasceram com cara de mocinho, mesmo quando tentam fazer cara de mal. Ben Affleck é um exemplo disso em "O Contador" (2016). 

Outro que não perde a cara de "filho de vó" é Matt Damon. Como seu papel em "Jason Bourne" (2016), que apresenta o ator bem afiado no papel do superagente. 

A dupla também trabalhou junta em outra produção de sucesso - "AIR: A História Por Trás do Logo" (2023), que conta a criação da linha de tênis para basquete Air Jordan, da Nike.


Agora, no suspense policial "Dinheiro Suspeito" ("The Rip"), um dos lançamentos da Netflix de 2026, como saber qual deles é o vilão? Com mais de duas horas de duração, recheado de reviravoltas e com um bom elenco de apoio, os dois queridinhos de Hollywood entregam boas atuações e muita química. Damon e Affleck são velhos amigos e sócios no Artists Equity, estúdio que produziu o filme. 

O longa conta a história de um grupo de policiais da equipe tática da Divisão de Narcóticos de Miami que descobre um esconderijo com milhões de dólares em dinheiro vivo - uma tentação capaz de virar a cabeça do mais correto dos policiais. 

E agora: entregar o dinheiro ou dividir entre a equipe? A operação pode colocar em xeque a confiança e a união do grupo? Em quem confiar?


A produção é baseada em uma história real sobre uma operação conduzida em 2016 por Chris Casiano, à época chefe da Narcóticos da polícia do Condado de Miami-Dade e amigo do diretor Joe Carnahan. 

Durante uma investigação de tráfico de drogas, a equipe de Casiano encontrou escondido na parede de uma casa a quantia de US$ 24 milhões (R$ 128,9 milhões) em dinheiro vivo e preciso aguardar a chegada de reforços para remover a fortuna.

O filme também presta uma homenagem ao filho de Casiano, Jake William, que morreu aos 11 anos vítima de leucemia e foi a inspiração para o personagem de Matt Damon, que perde um filho para o câncer. 


A atuação do elenco é um dos destaques. Merece atenção a participação da premiada Teyana Taylor, vencedora do Globo de Ouro 2026 como Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação em "Uma Batalha Após a Outra" e agora cotada para disputar o Oscar na mesma categoria. 

Também estão no elenco Steven Yeun ("Minari - Em Busca da Felicidade" - 2021), vencedor do Emmy, do Globo de Ouro e do Critics Choise de 2024 como Melhor Ator; Catalina Sandino Moreno ("Bailarina - Do Universo John Wick" - 2025), indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 2005; além de Sasha Calle (a Supergirl de "The Flash" - 2023) e Kyle Chandler ("Manchester a Beira-mar" -2017).

O filme tem mais suspense do que ação, poucas locações, poucos efeitos visuais e sem grandes perseguições. O final é muito bom, mas não chega a surpreender. 


Afinal, como revelou Matt Damon em entrevista de divulgação do filme, "a Netflix solicita a repetição de informações cruciais da trama, até 4 vezes, em produções como 'Dinheiro Suspeito', para garantir a compreensão do público, que assiste a conteúdos distraído com celulares e redes sociais".

Mesmo assim, esses pontos não estão interferindo nos números de "Dinheiro Suspeito". Desde a sua estreia, em 16 de janeiro, o longa vem liderando o ranking global da plataforma e já é considerado o maior lançamento da Netflix em 2026. São mais de 41 milhões de visualizações em quase 90 países. 

Eu gostei e recomendo. Confira e me conte aqui o que achou.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Joe Carnahan
Produção: Artists Equity
Exibição: Netflix
Duração: 1h52
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: suspense, drama, policial, ação