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15 outubro 2026

“Dentro da Baleia” sufoca no suspense, mas afunda no drama familiar

 
Thriller de sobrevivência com Austin Abrams e Josh Brolin é baseado no romance “Whalefall”, de
Daniel Kraus (Fotos: 20th Century Studios)
 
 

Maristela Bretas

 
A proposta era boa: deixar o espectador angustiado e até sufocado ao acompanhar o desespero do protagonista. Até a metade do longa, as cenas em que o mergulhador é engolido pelo animal e tenta escapar de dentro dele prendem a atenção e convencem.

Mas, da metade para frente, “Dentro da Baleia” (“Whalefall”) abandona o suspense de sobrevivência, até então tenso e bem conduzido, para se transformar em uma história arrastada sobre a relação mal resolvida entre pai e filho. O impacto se perde, e a baleia passa a ser apenas um pano de fundo. O filme estreia nesta quinta-feira nos cinemas.


Baseada no romance “Whalefall”, de Daniel Kraus, que também assina o roteiro, a produção conta com ótimos efeitos visuais, mas peca ao desviar o foco para os flashbacks do protagonista. As lembranças se prolongam mais do que a carga de um cilindro de oxigênio e a paciência de quem está assistindo permitem.

A trama acompanha Jay Gardiner (Austin Abrams), um jovem que viaja até a costa da Califórnia para tentar fazer as pazes com a própria consciência. Para isso, mergulha no mar em busca dos restos mortais do pai, Mitt Gardiner (Josh Brolin), que está desaparecido.


Mesmo alertado sobre os perigos, Jay insiste em levar sua missão adiante. Só não contava que seria engolido por uma gigantesca baleia-cachalote, de 25 metros e 60 toneladas. Com apenas uma hora de oxigênio, ele trava uma luta desesperada pela sobrevivência.

Preso dentro do animal, o jovem também embarca em uma jornada emocional de luto e reconciliação com o pai. São as lembranças e os ensinamentos deixados por ele que poderão ajudar Jay a encontrar uma saída.


Austin Abrams e Josh Brolin, conhecido por interpretar o vilão Thanos em “Vingadores: Guerra Infinita” (2018) e “Vingadores: Ultimato” (2019), já haviam trabalhado juntos em “A Hora do Mal” (2025). Também integram o elenco Elisabeth Shue, John Ortiz, Jane Levy e Emily Rudd, mas seus talentos são pouco aproveitados.

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O filme é claustrofóbico e não recomendo a experiência para quem não suporta lugares fechados e apertados. Algumas cenas, realmente angustiantes, funcionam e sustentam a tensão.


Outras situações, porém, irritam por serem absurdas e facilmente evitáveis. É claro que a estupidez humana é capaz de coisas que até Deus duvida, e o roteiro deixa isso bem evidente nas decisões de Jay.

Merecem elogios a atuação e a entrega física de Austin Abrams na luta pela sobrevivência, assim como o trabalho de Josh Brolin. São os dois que ajudam a sustentar uma história dividida entre o thriller de suspense e o drama familiar. 

Destaque também para a fotografia de Aaron Morton e a trilha sonora de Joseph Trapanese, que contribuem para tornar o ambiente ainda mais desesperador.


O principal problema está na condução da segunda metade. O diretor Brian Duffield parece preso à história original, escrita pelo próprio Daniel Kraus, e aposta mais nos flashbacks do que na luta pela sobrevivência. 

O resultado é um longa arrastado, previsível e cansativo no desfecho, com direito a uma mensagem de união familiar bem ao estilo dos estúdios produtores. A produção também tem lançamento previsto na plataforma Disney+ após sua passagem pelos cinemas.

“Dentro da Baleia” é um filme com boas ideias e potencial para ir muito além do que entrega. Mas, infelizmente, perde em impacto até para a história bíblica de Jonas e a baleia e para a animação “Pinóquio”. 

A cachalote — com seu esôfago — e a lula gigante merecem ser consideradas as grandes coadjuvantes da produção. Sem elas, nada aconteceria e tudo não passaria de um drama familiar.


Ficha técnica:
Direção: Brian Duffield
Roteiro: Daniel Kraus
Produção: 20th Century Studios, Imagine Entertainment, 3 Arts Entertainment, Jurassic Party Productions
Distribuição: Walt Disney Studios e 20th Century Studios
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h46
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: suspense, drama

06 agosto 2025

“Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda” prova que um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar

Jamie Lee Curtis e Lindsay Lohan estrelam a sequência desta divertida comédia, perfeita para assistir
com uma pipoca no colo (Fotos: Walt Disney)
 
 

Maristela Bretas

 
De volta ao corpo errado — e ao coração do público. Quem disse que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar? Em “Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda” (Freakier Friday), Jamie Lee Curtis e Lindsay Lohan provam que sim e voltam como Tess e Anna Coleman, mãe e filha que já enfrentaram uma troca de corpos no sucesso de 2003, “Sexta-Feira Muito Louca”. 

Agora, 22 anos depois, a confusão vem em dose dupla! A sequência estreia nos cinemas nesta quinta-feira (7) e promete encantar não só aos fãs como também uma nova geração.


Desta vez, além de Tess e Anna, duas novas personagens também terão suas identidades trocadas: Harper (Julia Butters), filha de Anna, e Lily (Sophia Hammons), filha do noivo de Anna.

O motivo da nova troca? Nada de biscoito da sorte chinês. Quem causa a bagunça é uma vidente trambiqueira durante uma festa — e o resultado é hilário.

Novas trocas, novos dilemas

A história gira em torno do novo relacionamento de Anna com Eric Davies (Manny Jacinto). O problema é que as filhas Harper e Lily — inimigas declaradas na escola — não aceitam bem a ideia de estarem na mesma família e a possível mudança de Los Angeles para Londres.

Apesar de se odiarem, Harper e Lily, presas nos corpos de duas adultas, acabam se unindo para tentar impedir o casamento dos pais e a mudança da família de Los Angeles para Londres. 


Mas a troca traz também responsabilidades de trabalho, criação dos filhos e até mesmo a troca por um guarda-roupa, completamente diferente do que estavam acostumadas a usar. 

O mesmo acontece com Tess e Anna, nos corpos de adolescentes, vivendo os problemas na escola, os colegas, as aulas e atividades físicas. Com uma vantagem: com a disposição de um corpo jovem.

Nostalgia com toque moderno

A química entre Jamie Lee Curtis e Lindsay Lohan continua intacta — e isso dá o tom cativante do filme. Ambas estão também envolvidas como produtoras executivas, o que mostra o carinho que têm pelo projeto e por seus personagens.

Curtis, aos 66 anos, comentou que este era o momento perfeito para retomar a história, já que Lohan, agora com 39, pode interpretar uma mãe com propriedade, enquanto ela assume o papel da avó.


Além das protagonistas, o filme traz de volta rostos conhecidos do primeiro longa, como Chad Michael Murray (Jake, o crush de Anna), Mark Harmon (Ryan, marido de Tess), Stephen Tobolowsky (Sr. Bates). Até a banda fictícia Pink Slip com o hit “Take Me Away” está volta.

Uma comédia leve e divertida

Sob a direção de Nisha Ganatra, “Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda” aposta em um tom leve, com momentos quase uma comédia pastelão — o tipo de humor que agrada crianças, adolescentes e adultos com saudade dos anos 2000.

A história entrega exatamente o que promete: diversão, boas atuações, e claro, um final feliz no melhor estilo Disney — com direito a erros de gravação nos créditos finais para fechar com chave de ouro.

Vale a pena assistir? Claro! Se você é fã do original, vai se emocionar com as referências e reencontros. Se está conhecendo agora, vai dar boas risadas e, quem sabe, se apaixonar por essa dupla icônica. Prepare a pipoca: “Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda” é uma comédia que faz jus ao nome — e ao legado.


Ficha técnica:
Direção: Nisha Ganatra
Produção: Walt Disney Company
Distribuição: Walt Disney Studios
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h51
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: comédia, família

27 novembro 2022

Quinze anos depois, "Desencantada" é uma continuação que perde o encanto

Novo longa reúne personagens do primeiro filme, com Amy Adams ainda como protagonista (Fotos: Walt Disney Pictures)


Marcos Tadeu
Narrativa cinematográfica


"Desencantada" ("Disenchanted"), o filme mais aguardo da sequência de "Encantada" (2007), que você pode conferir crítica clicando aqui, chegou ao Disney+ no dia 16/11. E veio com a grande promessa que iria manter os moldes do filme anterior, trazendo uma Giselle diferente do que estamos acostumados. Vale lembrar que mais de 15 anos se passaram para o elenco original e seus personagens.

Na trama, continuamos literalmente depois do "felizes para sempre" e de alguns anos. Giselle e Robert (novamente interpretados por Amy Adams e Patrick Dempsey) agora são pais da pequena Sofia, enquanto Morgan (Gabriella Baldacchino) começa a enfrentar a fase da adolescência. 


Nossa protagonista descobre que a vida em Nova York não é um conto de fadas, o que a deixa muito cansada, ainda mais agora que tem que cuidar de uma bebê. Foi aí que teve a ideia de se mudar para Moronvile. 

Nancy e Edward (Idina Menzel e James Marsden, também do primeiro filme) vão visitar a família e deixa uma varinha de desejos de Andalasia. Mas somente quem pode usá-la é uma filha do antigo reino. 

Morgan, por outro lado, questiona por estar longe e não se sentir parte daquele novo lugar. Sua relação com a madrasta também muda.  Robert também sofre por trabalhar em Nova York e ter de se adaptar. 


Talvez o ponto mais positivo seja o primeiro ato do filme, que consegue trazer um contexto sobre o que o público irá esperar. Esses minutos iniciais nos levam a crer que ainda estamos com todos aqueles personagens de 2007. 

Porém, ao chegar na segunda parte, existe uma tentativa tão grande em mudar os rumos da história que tudo fica muito artificial, chato, vira praticamente outro filme.


Notamos que Giselle usou a varinha de Andalasia como forma de voltar a ser o que era antes e, principalmente, para ter um bom relacionamento com Morgan. Nossa protagonista se torna vilã, mas de uma maneira muito forçada. 

Amy Adams transita muito bem entre mocinha e madrasta má, porém isso não é suficiente para que o enredo ande de forma natural.


A desconstrução da personagem parece até interessante em um primeiro momento, mas logo se perde. Talvez fosse mais legal se o filme contasse como Giselle vive sua vida de adulta em Nova York. 

A produção abandona ou torna bobo os personagens e tudo fica muito sem nexo. Até Morgan tem uma mudança radical de comportamento,

Nancy, mostrada em duas ou três cenas, talvez seja a mais coerente em toda a sua história, mas ainda assim, a atriz Indina Mezel é prejudicada pelo roteiro fraco. Edward também é quase esquecido, vemos pouco de suas ações ao longo da trama.


As músicas da trilha sonora não têm a mesma força de ser "chiclete" e grudar na cabeça como o filme original. Também o figurino é bem exagerado, mais do que o comum.

É impossível não fazer comparações com a primeira produção, que teve referências a personagens e objetos da Disney colocadas de maneira pontual. Aqui existe uma necessidade extrema de ficar "arrotando referências" em toda obra, o que a deixa cansativo. 


Num terceiro momento, há outro ponto negativo: a necessidade de esclarecer o porquê Giselle de ela se tornar uma vilã. E ainda canta ao explicar isso ao amigo Pipe, quase chamando o espectador de burro.

Até com relação às vilãs, vemos que existe competitividade entre as mulheres. em "Desencantada" conhecemos Malvina Monroe, interpretada por Maya Rudolph, que está excelente em seu papel. 

Apesar de sua motivação ser apenas a de tomar a varinha do desejo para si e querer mostrar autoridade sobre Giselle, essa rivalidade entre as duas soa fraca e sem graça.


Tanto os cenários como o CGI parecem menos profissionais e mais artificiais. No longa original era possível ver algumas coisas que se misturavam ao cenário real. Mas no novo filme tudo é tão forçado e exagerado ao extremo que fica difícil "comprar a ideia".

"Desencantada" apesar de mágico e fabuloso, não consegue ser uma continuação à altura de "Encantada". Vale a pena conferir se for muito fã de Amy Adams, que também produtora desse segundo longa. Ela sim, carrega o filme nas costas e com classe, fora isso é uma produção que desencanta a quem assiste.


Ficha técnica:
Direção: Adam Shankman
Produção: Walt Disney Pictures / Entertainment
Exibição: Disney+
Duração: 2h01
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: comédia, fantasia, aventura, família

08 novembro 2022

"Encantada" redescobre o "felizes para sempre" com magia e diversão

Live-action traz para os dias de hoje a fantasia do conto de fadas das princesas (Fotos: Walt Disney Studios)


Marcos Tadeu
Blog Narrativa Cinematográfica


Misturar live-action com animações já vinha se tornando uma prática em Hollywood desde "Uma Cilada para Roger Rabbit" (1988'), "Space Jam: O Jogo do Século" (1996) e "Looney Tunes: De Volta à Ação" (2003). Mas foi no ano de 2007, com "Encantada" ("Enchanted") que a Disney decidiu brincar com esse formato em suas princesas e escolheu Gisele para ser a protagonista da história. 

E deu tão certo que a produção faturou US$ 340,5 milhões de bilheteria e o prêmio de Melhor Filme de Família do Critics's Choice Award de 2008.


Na história conhecemos Giselle (Amy Adams), princesa no reino de Andalasia, que sonha em casar e viver o feliz para sempre com seu príncipe perfeito. Já o Príncipe Edward (James Marsden) é um jovem aventureiro que gosta de caçar ogros. Após salvar Giselle de um deles, confessa a seu assistente Nathaniel (Timothy Spall) que deseja se casar com Giselle. 


Tudo parecia perfeito, se o príncipe Edward não fosse enteado da rainha Narissa (Susan Sarandon), que não aceita que ele se case com uma pobre menina que gosta de falar com animais. A rainha então tem a ideia de se disfarçar para enganar a futura princesa, que é lançada em um poço, parando em um bueiro em plena Nova Iorque nos dias de hoje.


É muito interessante como que nessa introdução, todos os elementos de mocinhos, par romântico e vilões são bem apresentados. Giselle tem as mesmas aspirações que princesas clássicas como Branca de Neve, Aurora e Cinderela. 

O príncipe Edward também segue os padrões dos príncipes Encantado, Phillip, Henry.  Até as vilãs são uma singela homenagem à Rainha Má, Malévola e Lady Tremaine.


No mundo real, Giselle é obrigada a viver uma vida mais pé no chão, literalmente. Ela conhece Robert (Patrick Dempsey), que a leva para sua casa. Esse estranhamento da jovem é muito bem colocado na obra. 

As únicas coisas que ela sabe fazer é arrumar a casa, cantar com ratos e pombos para ajudar a limpar a bagunça do local e criar vestidos das cortinas do apartamento. 

Robert, além de ser noivo de Nancy (Idina Menzel) tem uma filha, chamada Morgan (Rachel Covey), que vê em Giselle a possibilidade de criar laços, por causa do falecimento de sua mãe.


O maior barato do filme é ver como Giselle faz com que Nova York. O olhar bondoso e inocente de nossa protagonista faz com que o espectador se apaixone por sua trajetória. Isso se deve muito ao carisma e simpatia de Amy Adams. 

Existem boas cenas como as passadas no parque, no restaurante italiano e no quarto de Edward. Esse bom humor nos desenhos ainda é uma assinatura carimbada do estúdio.


O alívio cômico é dado por Nathaniel, capanga da rainha Narissa, e Pipe, o esquilinho parceiro de Giselle. Enquanto um tenta atrapalhar não deixando que os pombinhos apaixonados se encontrem, o animalzinho faz de tudo para uni-los. 

A jovem passa o tempo tentando reencontrar o príncipe Edward, que também sai em busca dela. Além disso, Robert e Nancy, também começam a questionar seus sentimentos e ele passa a ver Giselle como sua outra metade. 


Na música "How Do She Know You Love Her" a princesa canta exatamente isso para ele questionando se, de fato, existe amor ali ou só uma paixão.  No roteiro ao colocar Edward e Giselle frente a frente, podemos notar que ambos estão em momentos diferentes e a jovem não o ama mais. 

Isso se confirma em mais uma valsa ao som de "So Close" quando Robert e Gisele se deixam levar pelo amor. Há uma quebra ali, um sentimento de não se sentir mais parte daquela pessoa.

Outro grande diferencial da narrativa é que não é a princesa que precisa ser salva. Além de descobrir o amor verdadeiro, ela luta por sua vida ao ser sequestrada pela rainha Narissa. Uma cena muito bem feita e coreografada.


Nos aspectos técnicos do filme temos que destacar a incrível e forte atuação de Amy Adams, que carrega o filme nas costas junto com Indina Mezel. Não menos importante estão as interpretações de Patrick Dempsey e James Mardsen. 

A trilha sonora de Alan Menken, que já assinou grandes obras do estúdio Disney traz canções viciantes que dão vontade de cantar sempre. Os figurinos, assinados por Mona May, também não ficam atrás e reforçam o padrão Disney de princesas, principalmente na cena do baile.


Talvez o único aspecto negativo, é o pouco tempo da história da rainha Narissa. Se a vilã fosse para Nova York durante o andamento da história, talvez fizesse com que o público comprasse suas motivações, mas nada que atrapalhe a experiência da obra.

"Encantada" redescobre o "felizes para sempre" de forma magistral, até sua conclusão. Um filme divertido e cheio de canções que nos inspiram a sonhar, mesmo em meio a uma vida cotidiana cheia de desafios.


Ficha técnica:
Direção: Kevin Lima
Produção: Walt Disney Pictures / Sonnenfeld / Josephson Productions
Distribuição: Walt Disney Pictures
Exibição: TV e Disney+
Duração: 1h51
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: live-action, fantasia, aventura, família