Mostrando postagens com marcador #literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #literatura. Mostrar todas as postagens

05 maio 2026

"A Menina Que Queria Ser Pedra" transforma livros antigos em uma rara experiência cinematográfica

Novo filme do artista visual, cineasta e músico Jackson Abacatu propõe desacelerar o olhar em tempos
de excesso (Fotos: Divulgação)
 
 

Da Redação

 
No próximo dia 7 de maio (quinta-feira), às 19 horas, o Cine Santa Tereza, em Belo Horizonte, recebe a estreia do curta-metragem "A Menina Que Queria Ser Pedra", novo trabalho do artista visual, cineasta e músico Jackson Abacatu. 

Com cerca de duas décadas de atuação nas artes e no audiovisual, o diretor mineiro apresenta um filme que une literatura, animação e matéria em uma experiência estética singular.

Um dos grandes destaques do filme está na forma como ele é construído. Utilizando páginas de livros antigos como base para a animação, Abacatu cria cenas a partir da disposição desses livros em diferentes posições, tamanhos e camadas, um processo pouco usual no cinema contemporâneo.


Cada movimento é inicialmente desenvolvido em animação 2D e, em seguida, projetado e pintado manualmente sobre o papel com nanquim. As páginas são então organizadas em composições físicas - que variam de um a vários livros simultaneamente - e capturadas em sequência.

O resultado é uma estética única, em que texto, imagem e materialidade coexistem, criando uma experiência visual quase tátil, marcada por sobreposições, texturas e múltiplas camadas de leitura.


As inspirações do filme

O projeto nasceu a partir de um conto escrito pelo próprio diretor, influenciado pelas leituras do escritor Walter Hugo Mãe. A proposta também dialoga com artistas visuais como William Kentridge e Ekaterina Panikanova, conhecidos por explorar a relação entre desenho, tempo e suporte físico.

Essa convergência entre literatura e artes visuais se reflete na narrativa do filme, que acompanha o diálogo entre duas crianças, um menino inquieto e uma menina serena, em uma reflexão sensível e existencial sobre percepção, tempo e transformação.

Mais do que contar uma história, "A Menina Que Queria Ser Pedra" propõe uma experiência. Em um cenário marcado pelo consumo acelerado de conteúdo e pela fragmentação da atenção, o filme convida o espectador a desacelerar. 


A pedra surge como símbolo central dessa reflexão — representando permanência, silêncio e um tempo diferente do ritmo humano contemporâneo.

A obra sugere que falta-nos um pouco dessa sensação de “pedra”: a capacidade de pausar, contemplar e mergulhar profundamente em uma experiência artística seja no cinema, na música ou em qualquer forma de expressão.

A proposta sensorial se estende à trilha sonora. O filme incorpora uma marimba de pedra (litofone), construída pelo próprio diretor, além de elementos como piano e handpan, criando uma atmosfera sonora leve e imersiva, que acompanha o ritmo contemplativo da obra.


20 anos de experimentação artesanal 

Em 2026, Jackson Abacatu completa duas décadas dedicadas à criação artística. Formado em Cinema de Animação e Escultura pela Escola de Belas Artes da UFMG, o artista mineiro construiu uma carreira marcada pela inquietude criativa e pela recusa em se fixar a uma única linguagem ou técnica. 

Ao longo desses 20 anos, dirigiu 18 curtas-metragens e 18 videoclipes, além de lançar dois álbuns de músicas autorais - números que revelam uma produção consistente e diversificada.

No cinema de animação, Abacatu transitou por técnicas como recorte, 2D tradicional, stop motion, animação em areia e pintura em vidro, sempre priorizando o processo artesanal e a experimentação estética. 


Essa versatilidade rendeu reconhecimento em festivais nacionais e internacionais, com exibições em países como Canadá, Portugal, Argentina, Espanha, Tanzânia e Irlanda, além de prêmios como no 7º Prêmio BDMG Cultural, FCS de estímulo ao curta-metragem de baixo orçamento e Melhor Animação no 33º Festival Guarnicê de Cinema – São Luis-MA, além de Melhor Animação Brasileira no Baixada Animada (RJ).

Obras como "Tembîara" (2011), com sua profunda ligação à cultura indígena e à língua tupi, e "O Homem que Pintava Músicas" (2013), que entrelaça animação e linguagem musical, ilustram outros traços permanentes de sua obra: a conexão com a natureza, a sensorialidade e a busca por experiências contemplativas. 

"A Menina que Queria Ser Pedra" chega como uma síntese madura dessa trajetória - e uma celebração de 20 anos de cinema feito com intenção, autoria e olhar próprio.


Serviço:
Direção e produção: Jackson Abacatu
Estreia: 07 de maio, às 19 horas
Local: Cine Santa Tereza - Rua Estrela do Sul, nº 89, Bairro Santa Tereza - Belo Horizonte
Produção: Etama Produções
Duração: 9 min, com tradução em Libras
Classificação: livre
Categorias: Curta-metragem, animação
País: Brasil

29 abril 2024

Documentário “Verissimo” adentra a intimidade do tímido e excepcional escritor gaúcho

Produção de 2016 dirigida por Angelo Defanti é definida como "coerente" com a personalidade do escritor (Fotos: Boulevard Filmes)


Eduardo Jr.


Há quase oito anos, o escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo teve seu cotidiano retratado em um documentário dirigido por Angelo Defanti. Sua primeira exibição ao público foi na Mostra Competitiva de Longas Brasileiros no Festival É Tudo Verdade. 

Agora, “Verissimo”, chega aos cinemas nesta quinta-feira (2), distribuído pela Boulevard Filmes, para mostrar a rotina do introvertido autor de algumas das mais engraçadas crônicas já publicadas. 

Mas não espere muitos momentos de humor dessa produção. Para quem se encanta e se diverte com os textos saídos da mente criativa do autor de “Comédias da Vida Privada”, “Ed Mort” e “Todas as Histórias do Analista de Bagé”, o longa pode ser decepcionante.


O diretor e suas câmeras se instalaram na casa do escritor para acompanhar a rotina do cronista, em setembro de 2016, 15 dias antes do aniversário de 80 anos de Verissimo. 

E não há muita emoção em assistir um octogenário caladão observar sentado à movimentação da casa, fazendo fisioterapia ou escrevendo ao computador. 

Para alguns pode ser uma resposta para o questionamento sobre como Verissimo consegue ser tão engraçado e observador. Talvez por seu jeito, de falar menos e ouvir mais, o escritor consiga captar tantas coisas e elaborar respostas bem-humoradas. 


Aliás, o humor aparece nas entrevistas. O escritor se diz desconfortável em ser entrevistado, mas não sabe dizer não, e as perguntas algumas vezes rendem respostas engraçadas. 

A sabedoria para preencher páginas também serve para divertir platéias. Mas parece não salvar o gaúcho do desconforto nas sessões de autógrafos. 


No final das contas, talvez o documentário possa ser definido como ‘coerente’ com a personalidade do retratado. É calmo, leve. Até na própria festa de 80 anos, Verissimo só interage quando perguntado. 

É mais dado a expor suas ideias digitando no computador, em noites silenciosas como ele mesmo. Continua morando em Porto Alegre e cuidando da saúde.


Ficha técnica:
Direção: Angelo Defanti
Produção: Sobretudo Produções, Lacuna Filmes, Canal Brasil
Distribuição: Boulevard Filmes, Vitrine Filmes e Spcine
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h27 minutos
Classificação: livre
País: Brasil
Gênero: documentário

12 junho 2023

SescTV estreia 3ª temporada da Série Super Libris dia 15 de junho

A temporada completa com 21 episódios ficará disponível sob demanda e vai revelar o universo da leitura e da literatura (Fotos: SescTV)


Da Redação


O canal SescTv estreia nesta quinta-feira (15 de junho), às 19h30, a 3ª temporada da série Super Libris, dirigida pelo escritor, cineasta, roteirista e jornalista brasileiro, José Roberto Torero. O primeiro episódio a ser exibido será “Saraus literários: a classe operária vem ao paraíso e a poesia vem de Paraisópolis”. 


No mesmo dia, a temporada completa, que conta com 21 novos episódios, será disponibilizada sob demanda pelo https://www.sesctv.org.br/superlibris.

A nova temporada da produção reúne nomes consagrados da literatura brasileira, como Maurício de Souza, Arnaldo Antunes, Dráuzio Varella, Laerte, Amara Moira, Paulo Scott, Sérgio Vaz, Roberta Estrela D’Alva, entre outros.    


A produção, que teve sua primeira temporada lançada em 2015, deflagra o universo da leitura e da literatura por meio de entrevistas com autores brasileiros e profissionais da área. Apresenta temas como os caminhos da criação do livro, técnicas, estilos literários, críticas, influências, referências de escritores novos e consagrados.


Os episódios trazem, respectivamente, as seguintes temáticas: “Saraus literários: a classe operária vem ao paraíso e a poesia vem de Paraisópolis”; “Slam – Duelo de versos”; “Livros que não são livros”; “Impróprio para menores”; “Romances e desromances”; “O novo velho cordel”; “A literatura juvenil está ficando adulta”; “O politicamente correto na Literatura Infantil”;“Literatura, gênero e transgênero”; “Quadrinho não é coisa (só) para crianças”; “Por que as crianças gostam de sentir medo?”


Na sequência, os episódios “Poesia, essa inútilessencial”; “Onde estão os negros na literatura brasileira”; “Literatura e Espiritualidade”; “Distopia – O futuro do presente passado a limpo”; ‘As autobiografias também mentem”; “A Vida, a Morte e Médicos Escritores”; “A Personagem Feminina na Literatura Contemporânea”; “A Literatura como missão”; “A escrita como terapia”.


Serviço:
Estreia da Série Super Libris: Episódio “Saraus literários: a classe operária vem ao paraíso e a poesia vem de Paraisópolis”
Data: 15/06/2023
Horário: 19h30
Direção: José Roberto Torero
Duração de cada episódio: média de 28 minutos
Exibição do primeiro episódio online: sesctv.org.br/noar
Exibição da série completa (on demand): sesctv.org.br/superlibris
Classificação: livre
País: Brasil
Gêneros: documentário / literatura

10 julho 2020

"Escritores da Liberdade" - Escola de vidas e aprendizado

Hillary Swank interpreta a professora Erin Gruwell, que incentiva os alunos a superarem seus medos e preconceitos (Fotos: Paramount Pictures/Divulgação)

Silvana Monteiro - Especial para o blog


"Escritores da Liberdade" é um filme que te faz acreditar na humanidade e, mais ainda, no poder da educação. É uma história muito propícia aos tempos atuais. Apesar de ter sido lançado em 2007, somente há pouco tempo passou a compor o catálogo da Netflix. O filme é baseado no best-seller "The Freedom Writers Diaries", que reúne relatos reais da professora americana Erin Gruwell e de seus alunos.



No drama, Erin Gruwell é uma jovem professora, representada pela premiada Hillary Swank. Cheia de vontade de ensinar, ela encontra uma turma de alunos indispostos aos estudos. O comportamento deles acaba se revelando uma consequência da complexidade de suas histórias de vida. Os estudantes vivem em guetos e têm problemas que vão desde a questão socioeconômica à privação de direitos, preconceito racial e abandono afetivo.


Ela acaba se envolvendo com a história pessoal de cada um deles. Essa relação fica mais profunda quando ela pede que eles façam um diário de suas vidas. E os incentiva a superar seus medos e problemas por meio da escrita, da leitura e do conhecimento de outras culturas.

Além de lidar com o desafio de conquistar os alunos, cuja conduta é indisciplinada e arredia, a Sr. G., como é chamada por eles, vai ter que vencer a descrença do marido, a má vontade da diretora da escola e a distância dos próprios pais. 

 
Além de Hillary Swank, o elenco conta ainda como nomes conhecidos como Patrick Dempsey, Scott Glenn e Imelda Staunton. Se você gosta de obras como "Ao Mestre Com Carinho" e "Sociedade dos Poetas Mortos" vai gostar desse filme. Se deseja assistir a uma história animadora, cheia de superação e esperança, aperte o play.



Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Richard LaGravenese
Exibição: Netflix
Duração: 2h03
Produção: Paramount Pictures
Classificação: 12 anos
Gênero: Drama


Tags: #baseadoemfatosreais, #baseadoemlivros, #literatura, #professores, #alunos, #educação, #esperança, #superação, #JuntosPeloCinema, @cinemaescurinho, @cinemanoescurinho