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31 janeiro 2026

O som da espera e o silêncio do mundo em "A Voz de Hind Rajab"

Filme retrata a noite de angústia de voluntários durante a chamada de uma criança palestina presa dentro
de um carro sob fogo cruzado (Fotos: Divulgação)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema


Mais do que uma estreia, o filme "A Voz de Hind Rajab" ("The Voice of Hind Rajab") em cartaz no Una Cine Belas Artes, reafirma o cinema como espaço de memória, denúncia e responsabilidade histórica. 

Dirigido por Kaouther Ben Hania e distribuído pela Synapse Distribution, o longa parte de um fato real ocorrido em Gaza, em janeiro de 2024, quando Hind Rajab, uma criança palestina de apenas seis anos, ficou presa em um carro sob fogo cruzado após um ataque que matou sua família.

Durante horas, Hind manteve contato com voluntários do serviço de emergência do Crescente Vermelho, pedindo ajuda enquanto se escondia entre os corpos dos parentes. Do outro lado da linha, havia promessas de resgate. Do lado dela, apenas o medo. A ligação termina de forma abrupta, interrompida pelo som de tiros. O socorro nunca chegou.


Desde o início, o filme deixa claro que não está interessado em neutralidade. Ao contrário, assume um posicionamento firme ao expor a violência sistemática contra a população civil palestina, especialmente crianças. 

A narrativa se constrói a partir da espera — do tempo que se arrasta, da angústia que cresce e da sensação de abandono. Ben Hania evita mostrar a violência de forma explícita, mas isso não suaviza a experiência. O horror não é visto: ele é ouvido, sentido e compartilhado com o espectador.

O trabalho de som é decisivo para o impacto do filme. Vozes frágeis, silêncios prolongados e ruídos distantes criam uma atmosfera sufocante, onde cada segundo parece mais pesado que o anterior. 

A interrupção da chamada não é apenas um recurso narrativo, mas um golpe seco, que corta qualquer ilusão de esperança. O público permanece preso à mesma espera que Hind viveu, sem saída emocional possível.


Ao assumir claramente sua posição política, o filme abre mão de nuances mais amplas do conflito. Os personagens não são desenvolvidos como indivíduos complexos, mas aparecem como extensões de um trauma real e coletivo. Essa escolha pode incomodar quem espera um drama mais tradicional, mas faz sentido dentro da proposta: registrar, denunciar e impedir o esquecimento.

O ritmo é duro e cansativo — de propósito. Não há alívio, não há pausa, não há conforto. A experiência é difícil, quase insuportável em alguns momentos, mas esse desgaste é parte essencial do filme. O desconforto não é um efeito colateral: é uma tomada de posição.

Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e escolhido para representar a Tunísia na corrida pelo Oscar 2026, "A Voz de Hind Rajab" se impõe como um filme necessário, ainda que profundamente incômodo. Não busca agradar, nem entreter. Funciona como documento político e humano, exigindo do espectador mais do que empatia, mas um posicionamento.


Ao colocar uma criança no centro da narrativa, o longa desmonta qualquer discurso que tente justificar o injustificável. Uma ligação interrompida se transforma em um grito que continua ecoando muito depois do fim da sessão.

No fim, o filme expõe uma realidade que insiste em se repetir: enquanto o conflito entre Palestina e Israel segue sendo tratado como disputa geopolítica, quem paga o preço são corpos civis, famílias inteiras e crianças que nunca tiveram escolha. 

Hind Rajab não é uma exceção trágica — é o retrato de uma violência contínua, normalizada e frequentemente silenciada. O cinema aqui não oferece consolo, porque a realidade também não oferece. O que resta é a memória — e a recusa em aceitar o esquecimento como resposta.


Ficha técnica:
Direção: Kaouther Ben Hania
Distribuição: Synapse Distribution
Exibição: Una Cine Belas Artes
Duração: 1h30
Classificação: 14 anos
País: Tunísia
Gêneros: guerra, drama

29 março 2023

"O Urso do Pó Branco" era para ser um terror trash, mas não passa de uma comédia fraca

Personagem criado em CGI garante poucos sustos e cenas de mutilações (Fotos: Universal Pictures)


Maristela Bretas


Nem comédia, nem suspense, nem ação. "O Urso do Pó Branco" ("Cocaine Bear") não passa de um filme de zoação, como muitos de baixo orçamento. 

A classificação de 18 anos deve ser só por causa da cocaína e de algumas mortes provocadas pelos ataques do urso preto. Há filmes de terror com muito mais violência.


Roteiro, atuações e até a computação gráfica usada para "dar vida" ao urso são muito fracas (talvez esse seja o objetivo dos produtores). Se possível, fuja da versão dublada. 

A intenção de Elizabeth Banks pode ter sido boa ao buscar num fato real a inspiração para este filme. A história até vale, mas ficou mais uma comédia de terror, com violência boba, piadas e situações absurdas que não chegam a provocar uma risada.


Os personagens são caricatos, não escapa um, nem as crianças. Só mesmo o urso cheirador de pó que dá um toque mais tenso ao enredo, mas poderia ser melhor. 

O filme está mais para o subgênero trash animal, do tipo "Piranha 2: Assassinas Voadoras", "Sharknado" ou o "Ataque do Tubarão de 3 Cabeças". Algumas dessas e de outras produções do tipo são até mais engraçadas.


Nem a curta participação de Ray Liotta (falecido recentemente) como o traficante Syd, pai do inexpressivo Eddie (papel de Alden Ehrenreich, de "Han Solo: Uma História Star Wars" - 2018), que também tem um filho no filme, consegue convencer.

As cenas do urso comendo ou cheirando cocaína parecem tiradas de um filme barato. Mas a atuação do monstro preto peludo convence mais que a de todos os atores. 

Garante algum suspense, arrancando membros a cada patada e espirrando sangue que mais parece ketchup na camisa. 


Baseado em fatos reais

A história é baseada no caso real do traficante Andrew Thornton que, em 1985, descartou um carregamento de 30 quilos de cocaína em uma floresta no estado da Geórgia, nos Estados Unidos. 

A carga foi encontrada e consumida por um urso preto de 80 quilos que sofreu uma overdose e morreu pouco depois.

No filme, o urso (interpretado por Allan Henry que contou com o auxílio de CGI e próteses para ficar do tamanho do animal), encontra a droga descartada na floresta pelos traficantes.


E passa a cheirar todos os pacotes de cocaína, ficando cada vez mais viciado e violento. Na busca por mais droga, ele mata todos que encontra pelo caminho - turistas, adolescentes, policiais e até os bandidos que voltam à floresta para recuperar a carga.

Se está procurando um filme médio, com algumas cenas violentas e um urso totalmente alucinado e sem controle, arrisque assistir "O Urso do Pó Branco". Boa sorte!


Ficha técnica:
Direção: Elizabeth Banks
Produção: Brownstone Productions e Lord Miller Productions
Distribuição: Universal Pictures Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h35
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: ação, comédia, suspense

10 julho 2020

"Escritores da Liberdade" - Escola de vidas e aprendizado

Hillary Swank interpreta a professora Erin Gruwell, que incentiva os alunos a superarem seus medos e preconceitos (Fotos: Paramount Pictures/Divulgação)

Silvana Monteiro - Especial para o blog


"Escritores da Liberdade" é um filme que te faz acreditar na humanidade e, mais ainda, no poder da educação. É uma história muito propícia aos tempos atuais. Apesar de ter sido lançado em 2007, somente há pouco tempo passou a compor o catálogo da Netflix. O filme é baseado no best-seller "The Freedom Writers Diaries", que reúne relatos reais da professora americana Erin Gruwell e de seus alunos.



No drama, Erin Gruwell é uma jovem professora, representada pela premiada Hillary Swank. Cheia de vontade de ensinar, ela encontra uma turma de alunos indispostos aos estudos. O comportamento deles acaba se revelando uma consequência da complexidade de suas histórias de vida. Os estudantes vivem em guetos e têm problemas que vão desde a questão socioeconômica à privação de direitos, preconceito racial e abandono afetivo.


Ela acaba se envolvendo com a história pessoal de cada um deles. Essa relação fica mais profunda quando ela pede que eles façam um diário de suas vidas. E os incentiva a superar seus medos e problemas por meio da escrita, da leitura e do conhecimento de outras culturas.

Além de lidar com o desafio de conquistar os alunos, cuja conduta é indisciplinada e arredia, a Sr. G., como é chamada por eles, vai ter que vencer a descrença do marido, a má vontade da diretora da escola e a distância dos próprios pais. 

 
Além de Hillary Swank, o elenco conta ainda como nomes conhecidos como Patrick Dempsey, Scott Glenn e Imelda Staunton. Se você gosta de obras como "Ao Mestre Com Carinho" e "Sociedade dos Poetas Mortos" vai gostar desse filme. Se deseja assistir a uma história animadora, cheia de superação e esperança, aperte o play.



Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Richard LaGravenese
Exibição: Netflix
Duração: 2h03
Produção: Paramount Pictures
Classificação: 12 anos
Gênero: Drama


Tags: #baseadoemfatosreais, #baseadoemlivros, #literatura, #professores, #alunos, #educação, #esperança, #superação, #JuntosPeloCinema, @cinemaescurinho, @cinemanoescurinho

05 julho 2020

"22 de Julho" uma história real de superação vencendo o ódio e a intolerância racial

Produção é baseada no maior ataque terrorista da Noruega, ocorrido em 2011 (Fotos: Netflix/Divulgação)

Maristela Bretas


Triste, revoltante e envolvente. Este é "22 de Julho" ("22 July"), produção de 2018 da Netflix feita a partir do maior atentado terrorista ocorrido na Noruega em 2011. No massacre, 77 pessoas foram mortas e mais de 200 feridas em dois ataques - um a bomba na sede do governo em Oslo, e outro a tiros contra um grupo de jovens num acampamento na ilha de Utoya. Ambos feitos por um fanático de extrema-direita, contrário à política de igualdade social do governo.


Baseado no livro "Um de Nós: A História de um Massacre na Noruega e suas Consequências", de Asne Seierstad, "22 de Julho" recebeu a excelente direção do indicado ao Oscar Paul Greengrass ("Capitão Phillips"- 2013, "Voo United 93"- 2006). O filme parte da experiência real - física e emocional - vivida por um dos sobreviventes, sua luta para superar as sequelas do trauma sofrido e a busca por justiça contra o autor do massacre.


Viljar Hanssen (interpretado por Jonas Strand Gravli, da série "Ragnarok", também da Netflix) é um estudante de 18 anos que estava na ilha com o irmão e levou cinco tiros do terrorista. A partir dos atentados, a produção mostra sua longa trajetória de recuperação até o reencontro no tribunal com o autor do massacre, Anders Behring Breivik (vivido por Anders Danielsen Lie), um norueguês com ideais fundamentalistas cristãos e anti-islâmicos.


Segundo declarações do terrorista apresentadas no filme, ele escolheu os alvos por considerá-los "marxistas", jovens da elite que faziam parte da Liga da Juventude. O movimento estudantil era ligado ao Partido Trabalhista, que governava a Noruega e tinha uma política de acolhimento de imigrantes. Breivik não concordava com isso e considerava tudo uma conspiração para destruir os valores da sociedade.

O verdadeiro Anders Breivik e o ator Anders Danielsen Lie,
que o interpreta no filme (Reprodução Internet)

Paul Greengrass é bem meticuloso, assim como o terrorista, contando cada detalhe da preparação dos atentados até o ataque. Tudo começa com explosão da bomba na sede administrativa do Governo, no centro da capital Oslo. Na sequência, o assassino, disfarçado de policial, segue para a ilha de Utoya onde mata dezenas de jovens com tiros de metralhadora. O estudante Viljar está com o irmão mais novo e alguns amigos participando do acampamento e se torna um dos alvos durante a fuga.


As cenas da caçada aos jovens e do massacre são bem violentas e causam revolta com o desprezo de Breivik pela vida humana. Ele é frio, sádico e tem plena consciência do que está fazendo. Durante todo o processo tenta manipular a opinião pública e até mesmo seu advogado de defesa, em favor de sua causa extremista.

O diretor também aproveitou bem as belezas naturais da Noruega, como as florestas bem verdes da região onde o terrorista morava e a mata da ilha de Utoya, palco do maior massacre. As montanhas cobertas de neve no inverno foram o fundo escolhido para a solidão de Viljar.


"22 de Julho" é uma produção feita pelos EUA, Noruega e Islândia e foi rodada no idioma inglês, apesar de todos os atores serem noruegueses, a maioria desconhecidos, mas que cumpriram bem seus papéis. O longa serve de alerta para o crescimento, em todas as partes do mundo, dos movimentos radicais extremistas, que pregam a intolerância racial, o nazismo, o fascismo e a violência, especialmente contra as mulheres. Vale a pena ser conferido.

Outra produção

Também em 2018 foi lançada outra produção sobre o mesmo tema, desta vez totalmente norueguesa, "Utoya: 22 de Julho", dirigida por Erik Poppe. A história é encenada num único plano sequência, pelo ponto de vista da personagem Kaja (interpretada por Andrea Berntzen), que brincava com a irmã minutos antes do ataque ao acampamento na ilha de Utoya. Mas por ter escolhido essa opção de filmagem, o diretor deixa de lado explicações importantes sobre o atentado, tornando a produção bem fraca em conteúdo.


Ficha técnica:
Direção, roteiro e produção: Paul Greengrass
Exibição: Netflix
Duração: 2h24
Classificação: 16 anos
Gêneros: Ação / Drama
Países: Noruega / EUA / Islândia
Nota: 4 (0 a 5)

Tags: #22dejulho, @PaulGreengrass, #ação, #drama, #Noruega, @Netflix, #baseadoemfatosreais, @cinemaescurinho, @cinemanoescurinho

29 junho 2020

"Wasp Network - Rede de Espiões": a arte de fazer um bom filme a partir de um livro

O elenco conta com nomes como Wagner Moura, Gael Garcia Bernal, Penélope Cruz, Edgar Ramirez, Ana de Armas e Leonardo Sbaraglia (Fotos: Memento Films Distribution)

Mirtes Helena Scalioni


Quando contam uma mesma história, o livro é sempre melhor do que o filme. A tese continua válida para "Wasp Network - Rede de Espiões", em cartaz na Netflix. Só que, desta vez, o longa dirigido pelo francês Olivier Assayas consegue, se não surpreender, no mínimo encantar até mesmo os que já leram o excelente "Os Últimos Soldados da Guerra Fria", do mineiro Fernando Morais, no qual a produção foi baseada. 

Ambas as obras instigam leitores e espectadores, talvez por se tratar de uma história que poucos sabiam: na década de 1990, jovens cubanos foram infiltrados em organizações de ultradireita instaladas em Miami, que tinham como objetivo minar a economia cubana e matar Fidel Castro. O grupo foi chamado, na época, de Rede Vespa.


Só para lembrar, com o fim da União Soviética, Cuba ficou sem apoio financeiro e entrou em crise. A única saída viável a médio prazo para o país de Fidel Castro era o turismo. Exatamente para impedir que essa ideia prosperasse, e na tentativa de desestabilizar o governo, grupos anticastristas estabelecidos na Flórida orquestraram inúmeros ataques terroristas à ilha, que iam desde explodir bombas em hotéis e pontos turísticos até sobrevoar cidades jogando panfletos contra o presidente cubano, ou matando plantações com venenos jogados por aviões. Ou seja: virou guerra. O que poucos sabem é que, a partir das informações obtidas por esses espiões cubanos infiltrados em Miami, muitos ataques - e consequentemente mortes - foram evitados.


Para contar essa história verdadeira, minuciosamente pesquisada e descrita por Fernando Morais em seu livro, foi montada uma equipe poderosa de produção, que uniu brasileiros, franceses, espanhóis e belgas. O elenco também é tão diverso quanto estelar. Só para ficar nos principais, "Wasp Network..." conta com o brasileiro Wagner Moura (Juan Pablo Roque), o mexicano Gael Garcia Bernal (Manuel Viramontez/Gerardo Hernandez), a espanhola Penélope Cruz (Olga Salanueva), o venezuelano Edgar Ramirez (René Gonzalez), a cubana Ana de Armas (Ana Margarita Martinez) e o argentino Leonardo Sbaraglia (Basuto), todos absolutamente brilhantes em seus papéis. 


Em certo momento, para clarear possíveis confusões de tramas e personagens, a direção faz opção por uma voz em off que, além de esclarecer, contextualiza o funcionamento da Rede Vespa.  

É difícil falar sobre o filme sem cometer spoiller. Melhor, portanto, é contar, genericamente, que embora se trate de um longa de espionagem, não há carrões, mulheres lindas de biquini, mansões ou armas poderosas. Há sim, algumas cenas de ação, como um ataque aéreo no espaço cubano, mas o que o diretor conseguiu mesmo foi fazer um thriller político com alguns toques de humanidade ao abordar questões familiares e afetivas por trás das missões.


Atenção para a cena em que Olga, a personagem de Penélope Cruz, é obrigada a deixar sua filhinha de cerca de um ano aos cuidados de uma tia. A atuação do bebê merece Oscar. Como tanto americanos quanto cubanos têm considerado que "Wasp Network - Rede de Espiões" tendeu para o lado oposto, é sinal de que as escolhas de Olivier Assayas foram acertadas. Um filme imperdível.  


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Olivier Assayas
Exibição: Netflix
Duração: 2h08
Classificação: 14 anos
Gêneros: Ação / Suspense / Drama

Tags: #WaspNetworkRedeDeEspiões, @WagnerMoura, @PenelopeCruz, @AnaDeArmas, @GaelGarciaBernal, @EdgarRamirez, @FernandoMorais, #Cuba, #espionagem, #baseadoemfatosreais, @Netflix, @cinemanoescurinho, @cinemaescurinho

05 outubro 2018

Refilmagem de "Papillon" é mais um bom filme sobre a briga pela liberdade

Charlie Hunnam e Rami Malek interpretam os papéis que na primeira versão foram de Steve McQueen e Dustin Hoffman (Fotos: José Haro/Constantin Film)


Mirtes Helena Scalioni


Remakes costumam ser perigosos por vários motivos. Um deles: todo mundo já sabe o final da história. Outro: as comparações são inevitáveis, principalmente quando a primeira versão fez muito sucesso. Esse é o caso de "Papillon", filme inesquecível dirigido em 1973 por Franklin J. Schaffner e estrelado por ninguém menos que Steve McQueen e Dustin Hoffman nos principais papéis e que agora chega às telas pelas mãos de Michael Noer.

Se agora, em pleno ano 2018, o diretor dinamarquês decide contar de novo a história de Henri Charrière, o Papillon, um homem que passa praticamente a vida inteira tentando fugir da prisão, é sinal de que o assunto continua interessando. Na verdade, o personagem, baseado na autobiografia de Charrière, é mesmo fantástico.

Sua ânsia de liberdade, sua resistência física e inteligência para criar planos mirabolantes de fuga continuam atraindo o público, que já mostrou esse interesse em produções similares como "Um Sonho de Liberdade" e "À Espera de um Milagre", ambos de Frank Darabon - para ficar só nos mais famosos.


Pequeno resumo para quem não conhece a história, baseada em fatos reais: Henri Charrière é um bandidinho chinfrim que vive na Paris dos anos de 1930. Aventureiro e exímio arrombador de cofres, vive nas altas rodas entre malandros, ladrões e prostitutas, sem qualquer preocupação com o futuro, até ser preso acusado de um assassinato que não cometeu.

Traído por ex-comparsas que montaram para ele uma armadilha, Papillon - que é chamado assim por ter uma borboleta (em francês, papillon) tatuada no peito - é condenado à prisão perpétua e levado para um presídio na Guiana Francesa, de onde ninguém jamais conseguiu fugir.

Steve McQueen e Dustin Hoffman (Divulgação)
Como todo personagem de presídio que se preza precisa de um parceiro, Charrière vira amigo e protetor de um falsário, Louis Dega, vivido na primeira versão pelo grande Dustin Hoffman e, agora, pelo também talentoso Rami Malek. E já que as comparações são inevitáveis, Charlie Hunnam se sai bem como protagonista da versão atual, embora fique a alguns quilômetros de distância do carismático Steve McQueen.


Inesquecível também a trilha sonora da versão de 1973, em especial a música-tema de "Papillon" sob a batura de Jerry Goldsmith, indicada ao Oscar como Melhor Música em 1974. Na nova versão, a trilha é toda composta por músicas francesas orquestradas, algumas com a participação de corais, sob a direção de David Buckley. Bonita, mas não causa o mesmo impacto da anterior.


O resto, todo mundo já sabe: muita violência, muito sofrimento, torturas e truculência entremeadas de lições de lealdade e companheirismo. No fundo, "Papillon", como quase todos os filmes e histórias que tratam da privação da liberdade, falam mesmo é de como o homem pode ser forte e persistente em seu sonho de ser livre, a ponto de levar uma vida inteira correndo atrás dele.
Classificação: 16 anos
Duração: 1h57
Distribuição: Imagem Filmes


Tags: #Papillon, #HenriCharrière, #baseadoemfatosreais, #MichaelNoer, #RamiMalek, #CharlieHunnam, #drama, #SteveMcQueen, #DustinHoffman, #ImagemFilmes, #liberdade,  #CinemanoEscurinho