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22 setembro 2026

CineBH completa 20 anos transformando a capital mineira em território do cinema

Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte vai ocupar oito espaços da capital mineira, com acesso gratuito (Fotos: Leo Lara/Universo Produção)
 
 

Da Redação

 
De hoje a 27 de setembro, Belo Horizonte recebe a 20ª CineBH - Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e o 17º Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução. 

A abertura será realizada no Grande Teatro do Cine Theatro Brasil, com a pré-estreia nacional de "Se Eu Fosse Vivo... Vivia", novo longa-metragem do cineasta mineiro André Novais Oliveira, produzido pela Filmes de Plástico. 

O filme marca a estreia de Conceição Evaristo como atriz e também uma das homenageadas, juntamente com a cineasta paraguaia Paz Encin. Duas mulheres com trajetórias fundamentais para a cultura latino-americana contemporânea.

(Fotos: Aline Macedo e Cristian Nuñez)

A celebração dos 20 anos inclui a Retrospectiva CineBH 20 Anos, que recupera filmes exibidos em diferentes momentos da Mostra, e o Cine-Concerto Central do Brasil, realizado em parceria com o Cine Theatro Brasil, que acontece dia 23, às 20 horas. 

Na apresentação, o clássico de Walter Salles será exibido na íntegra, com seus diálogos e efeitos sonoros, enquanto a trilha musical será executada ao vivo.

A programação vai ocupar oito espaços da capital mineira, com acesso gratuito a sessões, debates, atividades formativas, encontros profissionais, homenagens e ações especiais.

Programa A Escola Vai ao Cinema

Formação audiovisual

Ao longo de 20 edições, a CineBH exibiu 1.751 filmes em 1.216 sessões de cinema, beneficiou mais de 50 mil alunos por meio do programa Cine-Expressão – A Escola Vai ao Cinema e certificou mais de 3.800 participantes em seus programas de formação audiovisual. 

A realização também deu origem ao Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução, que, em 17 edições, apresentou 486 projetos brasileiros de longa-metragem, promoveu 3.074 encontros de negócios e contribuiu para que 158 projetos se transformassem em filmes finalizados e lançados comercialmente.

Esses números expressam uma trajetória construída a partir da continuidade. Desde a primeira edição, a CineBH compreendeu que uma mostra de cinema não deveria se limitar à exibição de filmes. 

Brasil CineMundi

Era necessário criar condições para que as obras encontrassem seus públicos, promover o debate sobre os desafios da produção e da circulação, formar novos espectadores e profissionais e aproximar diferentes gerações, territórios e modos de fazer cinema.

História cultural

Criada em 2007 com a reabertura provisória do Cine Santa Tereza, a Mostra CineBH construiu uma atuação permanente na exibição, formação, reflexão e internacionalização do audiovisual e chega à 20ª edição reafirmando Belo Horizonte como capital do cinema latino-americano.

Quando em 2007 a primeira CineBH abriu as portas do Cine Santa Tereza (fechado desde 1980), não inaugurava apenas um novo festival. Recolocava em funcionamento um cinema fechado havia 27 anos, devolvia ao público um espaço que fazia parte da história cultural e afetiva de Belo Horizonte. 

Cine Santa Tereza - Mostra CineBH de 2007

Era o início de uma trajetória baseada em uma convicção: o cinema precisa estar presente na vida da cidade, ao alcance das pessoas e em diálogo permanente com seu tempo.

Duas décadas depois, a CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte chega à 20ª edição como uma realização que articula exibição, formação, reflexão, encontro com o público, valorização da produção local e conexão do cinema brasileiro com a indústria audiovisual internacional. 

Expansão da produção cinematográfica

A CineBH foi criada pela Universo Produção em um contexto no qual a produção cinematográfica brasileira se expandia, mas ainda enfrentava grandes dificuldades para chegar ao público. 

O fechamento progressivo dos cinemas de rua, a concentração das salas em shopping centers e o preço dos ingressos haviam afastado parte da população da experiência coletiva do cinema. 

Cine Belas Artes

Belo Horizonte, que chegou a contar com cerca de 120 cinemas de rua e de bairro, viu desaparecer espaços que eram referências de convivência, descoberta e vida comunitária. 

Criar a CineBH significava responder a essa transformação, aproximando novamente o cinema brasileiro do público e devolvendo a experiência cinematográfica aos espaços da cidade.

“A CineBH começou abrindo as portas de um cinema que estava fechado havia quase três décadas. Aquele gesto mostrava que não queríamos apenas realizar uma programação em Belo Horizonte, mas participar da vida da cidade, reconhecer sua história e criar novas possibilidades de encontro entre os filmes e o público”, afirma Raquel Hallak, diretora da Universo Produção e coordenadora-geral da CineBH.

Cine Sesc Palladium

Com o passar dos anos, a Mostra ampliou sua presença territorial. Cine Santa Tereza, Praça Duque de Caxias, Palácio das Artes, Cine Humberto Mauro, Sesc Palladium, Centro Cultural Banco do Brasil, Cine Theatro Brasil, Cine Belas Artes, Minas Tênis Clube, Teatro Sesiminas, Praça da Liberdade e outros espaços culturais passaram a integrar um circuito que aproximou o cinema de diferentes regiões e públicos.

Projetos brasileiros 

Integrado à CineBH desde 2010, o Brasil CineMundi nasceu para aproximar projetos brasileiros de produtores, distribuidores, agentes de vendas, fundos, festivais, laboratórios, canais, plataformas e outros representantes da indústria audiovisual mundial. 

Consolidou-se como evento de mercado do cinema brasileiro e como ambiente de desenvolvimento, formação, intercâmbio e internacionalização.


Em 2026, o encontro registrou o recorde de 375 inscrições e selecionou 37 projetos brasileiros, provenientes de 11 estados. A programação reúne mais de 200 profissionais da indústria audiovisual e representantes de 15 países em atividades de desenvolvimento, sessões de pitching, consultorias, encontros de negócios, masterclasses e debates.

Já a mostra A Cidade em Movimento, criada em 2016, apresenta filmes realizados na capital e na Região Metropolitana, com o objetivo de aproximar realizadores, coletivos, comunidades e público. Neste ano, completa a 11ª edição com o tema “Abecedário da Existência” e a apresentação de 17 filmes.

Cinema latino-americano

Com o tema “Cinema Latino-Americano: o que será?”, a 20ª CineBH propõe uma reflexão sobre as condições de criação, produção e circulação dos filmes no continente e sobre os futuros possíveis para suas cinematografias. 

Mostra Retrospectiva 20 Anos

Mostra Território

Mostra Vertentes

A edição reúne 102 filmes, entre 49 longas e 53 curtas-metragens, produções brasileiras de 18 estados e obras de 13 países, distribuídas em 69 sessões de cinema, além da programação on-line.

As competições Horizonte e Território apresentam 12 longas-metragens de sete países: Brasil, México, Argentina, Chile, Cuba, Colômbia e Venezuela. A programação inclui ainda as mostras Vertentes, Praça, CineMundi, Homenagem e Diálogos Históricos, A Cidade em Movimento, Curtas Contemporâneos, Retrospectiva CineBH 20 Anos, Olhares da Argentina, Mostrinha e Cine-Expressão – A Escola Vai ao Cinema.

A programação apresenta também os livros “Territórios do Cinema – CineBH 20 Anos” e “O Cinema Brasileiro no Mundo – Brasil CineMundi 17 Edições”. As publicações reúnem artigos, reflexões, dados, registros históricos e diferentes perspectivas sobre cinema, cidade, formação, mercado, coprodução, internacionalização e circulação.


SERVIÇO:
20ª CineBH - Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e 17º Brasil CineMundi - Encontro Internacional de Coprodução
Data: 22 a 27 de setembro de 2026
Programação: gratuita
Locais: Fundação Clóvis Salgado (Cine Humberto Mauro, Sala Juvenal Dias, Teatro João Ceschiatti e Jardim Interno), Cine Theatro Brasil Vallourec (Grande-Teatro, Teatro de Câmara, Galerias 5º e 6º andar, Terraço), Cine Belas Artes, Cenro Cultural Unimed-BH Minas, Cine Santa Tereza, Teatro Sesiminas, Casa da Mostra e Praça da Liberdade
Informações: Site oficial do evento: www.cinebh.com.br ou pelo telefone (31) 3282-2366



27 julho 2025

Mostra Stephen King exibe 19 obras do escritor adaptadas para o cinema em sessões gratuitas

“O Iluminado”,“Carrie”, “It – A Coisa” e outros sucessos poderão ser conferidos no Cine Humberto Mauro,
de 27 de julho a 13 de agosto
 
 

Da Redação

 
O Cine Humberto Mauro exibe, de hoje ao dia 13 de agosto, a mostra “Stephen King: Do Terror ao Drama”, com 19 filmes feitos por grandes cineastas ao longo de quatro décadas, tendo como base contos, novelas e romances do autor. 

A mostra tem entrada gratuita, e a retirada de até 1 par de ingressos por CPF pode ser feita exclusivamente pela plataforma Eventim, a partir de 1 hora de cada sessão. A programação pode ser conferida no site

"Christine, o Carro Assassino"
(Crédito: John Carpenter)

“Carrie, a Estranha” (1976), “O Iluminado” (1980), “Christine, o Carro Assassino” (1983), “Louca Obsessão” (1990) e “It – A Coisa” (2017) estão entre os sucessos no cinema baseados na obra do famoso escritor. Mas, para além das tramas de horror, essas histórias trazem fortes abordagens de dilemas humanos. 

Além das adaptações cinematográficas que ajudaram a consolidar Stephen King como o “Mestre do Terror”, a programação traz ainda longas-metragens fora do gênero, mas que lidam com os horrores internos de personagens facilmente identificáveis: “Conta Comigo” (1986) e “Um Sonho de Liberdade” (1994) são exemplos representativos. 

"O Nevoeiro" (Crédito: Frank Darabont)

A curadoria propõe, assim como a obra do autor, uma travessia guiada por temas atemporais como o medo, a infância, a morte e a redenção. Da ameaça primal em “Cujo” (1983) à sensibilidade inesperada em “Doutor Sono” (2019), da violência corporal em “O Nevoeiro” (2007) à dor emocional em “Cemitério Maldito” (1989), a obra de Stephen King é um longo corredor onde portas se abrem para lugares sombrios e, por vezes, para recantos estranhamente esperançosos. 

A programação reúne filmes que, embora nascidos de um mesmo manancial literário, percorrem caminhos cinematográficos muito distintos sob direção de nomes incontornáveis da sétima arte. Como Brian De Palma, Stanley Kubrick e John Carpenter, além de pioneiras como Mary Lambert – uma das poucas mulheres a dirigir filmes de horror na década de 1980 – e cineastas contemporâneos em ascensão, caso de Mike Flanagan. 

"Doutor Sono" (Crédito: Mike Flanagan)

Além das exibições, haverá sessões comentadas, nos dias 1º/8 (“It – A Coisa”, com Yasmine Evaristo) e 5/8 (“Conta Comigo”, com Antônio Pedro de Souza). No dia 2 de agosto, o projeto “Cinema e Piano” traz uma ação especial: uma roda de conversa com apresentação ao vivo de trilhas sonoras de filmes inspirados nas obras de Stephen King.

Imagens quebradas, mas sempre familiares

Em “Carrie, a Estranha”, primeiro livro publicado por Stephen King, o autor se vale do enredo sobrenatural para tematizar o bullying na adolescência e os impactos irreversíveis que essa prática pode gerar em toda uma comunidade. No filme homônimo, Brian De Palma mantém as discussões e as amplifica por meio de uma direção estilizada e de cores fortes, montagem ritmada e trilha sonora grandiosa. 

"Carrie, a Estranha" (Crédito: Brian de Palma)

Já em “O Iluminado”, clássico do horror, Stanley Kubrick constrói uma atmosfera sufocante a partir da trama de uma família presa em um hotel abandonado durante uma rigorosa temporada de inverno. Stephen King criticou a adaptação, mas o filme se tornou um dos mais aclamados dentre as obras baseadas em suas histórias. 

Em “Christine, o Carro Assassino”, por sua vez, o escritor volta a abordar os percalços da adolescência em meio à trama de um veículo com uma consciência maligna. John Carpenter, “Mestre do Terror” no cinema, torna crível a trama inusitada, em um filme no qual a trilha sonora é o destaque.


"Cemitério Maldito" (Crédito: Mary Lambert)

Obras como “Cujo” e “Cemitério Maldito” tencionam ainda mais elementos da vida cotidiana: o primeiro, com sua claustrofobia ensolarada, transforma um cão em máquina de destruição, e a culpa em combustível narrativo. 

O segundo, talvez um dos mais perturbadores do universo criado pelo escritor, confronta o tabu definitivo — a morte de uma criança — e o desejo impossível de reversão, a partir do impulso que leva os personagens a profanar a natureza em nome dos laços afetivos. 

“Louca Obsessão” intensifica o suspense ao trazer a história metalinguística de um escritor acidentado que é mantido em cárcere por sua “fã número 1”. A interpretação de Kathy Bates, que protagoniza o filme, foi premiada com o Oscar de Melhor Atriz, feito raro para adaptações de Stephen King no cinema. 

"Louca Obsessão" (Crédito: Rob Reiner)

Entrando nos anos 2000, “O Nevoeiro”, dirigido por Frank Darabont, reintroduz o horror explícito, sendo uma adaptação célebre por seu final chocante e pessimista, e também por, como é comum no cinema baseado em Stephen King, usar do sobrenatural e do macabro para abordar as tensões em microcosmos sociais. 

Já em “It – A Coisa”, o terror é evidente e ganha uma forma monstruosa, que se esconde nos subterrâneos da cidade, mas é alimentado por algo mais real: o medo que cresce com as crianças e permanece nelas, adultas, como uma sombra persistente. A obra foi adaptada para o cinema em 2017, e ganhou sequência em 2019, com "It: Capítulo Dois", ambos dirigidos por Andy Muschietti.

"It -A Coisa" (Crédito: Andy Muschiettl)

“Doutor Sono”, por sua vez, traz o retorno do cinema e da literatura ao clássico “O Iluminado”, e as obras resultantes acabam por ser uma crônica tanto da evolução dos personagens e seus traumas permanentes quanto à proposição de um olhar cinematográfico diferente e contemporâneo ao universo de Stephen King.

Para além do cinema de gênero, as criações do autor deram origem também a adaptações como “Conta Comigo”, no qual quatro garotos partem em busca de um cadáver e acabam encontrando o fim da infância, e “Um Sonho de Liberdade” (1994), em que a prisão torna-se espaço de resistência e imaginação.

"Um Sonho de Liberdade" (Crédito: Frank Darabont)

Vitor Miranda, Gerente de Cinema da Fundação Clóvis Salgado e curador da mostra, explica que Stephen King não escreve apenas sobre monstros literais, mas também sobre o Mal que está nas entrelinhas, rondando famílias frágeis, amigos inseparáveis e cidades apodrecidas. “Seus contos e romances são como espelhos rachados que devolvem imagens deformadas, mas sempre muito reconhecíveis. E são esses reflexos que o cinema — em seus melhores momentos — também consegue mostrar com igual ou maior intensidade".

Miranda afirma ainda que "essa mostra é um convite para que o público observe como o cinema se contamina ao tocar a literatura de King — não apenas nos temas, mas na atmosfera, na ambiguidade moral e na sugestão de que o extraordinário está sempre à espreita no cotidiano”.

A mostra “Stephen King: Do Terror ao Drama” é realizada pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e Fundação Clóvis Salgado. 


SERVIÇO
Mostra “Stephen King: Do Terror ao Drama”
Datas:
De 27 de julho a 13 de agosto
Horários: Variáveis
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Classificações indicativas: Variáveis
Entrada: gratuita, com retirada de até 1 par de ingressos por CPF, exclusivamente pela plataforma Eventim, a partir de 1 hora antes de cada sessão
Programação: https://www.cinehumbertomauromais.com/