Mostrando postagens com marcador #StanleyTucci. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #StanleyTucci. Mostrar todas as postagens

30 abril 2026

Mais atual do que nunca: "O Diabo Veste Prada 2" mostra que o poder nunca sai de moda

Esperada sequência mantém o elenco original, além de trazer participações especiais de novas celebridades (Fotos: 20th Century Studios)
 
 

Patrícia Cassese

 
Passados 20 anos da estreia nas telas, os cinemas de todo o Brasil recebem nesta quinta-feira (30) a esperada sequência "O Diabo Veste Prada 2" ("The Devil Wears Prada 2"), que tem como epicentro o retorno de Andrea Sachs (Anne Hathaway) à redação da "Runway", ainda capitaneada por Miranda (Meryl Streep).

O elenco da sequência (comandada por David Frankel, mesmo diretor do primeiro) conta novamente com outros atores centrais do filme de 2006 - Emily Blunt (a secretária Emily) e Stanley Tucci (Nigel, assessor de Miranda). Um pequeno detalhe: o tempo parece não ter passado para eles. 

Por outro lado, acopla Kenneth Brannagh (marido de Miranda), Lucy Liu (a bilionária Sasha Barnes) e Patrick Brammall (o novo namorado de Andrea), entre outros. 

Os fãs do filme original certamente se lembram do enredo, mas vamos lá, colocar em repasse. Nele, a jovem jornalista Andrea Sachs acalenta a pretensão de trabalhar em uma revista prodigiosa de Nova York, onde almeja fazer reportagens de vulto. 


No entanto, acaba parando na "Runway" (uma publicação de moda não estava de modo algum em seu radar), e contratada para ser a segunda secretária da toda-poderosa Miranda (a primeira é Emily), mulher a quem todos temem, evitando mesmo pegar o mesmo elevador que ela. 

Em um ambiente de extrema vaidade e luxo, Andrea corta um dobrado para atender aos infinitos caprichos da chefe (como ser desafiada a conseguir um original de um novo volume da saga Harry Potter antes da publicação) e, não bastasse, tentar manter o namoro e as amizades em dia. 

Em meio a tudo isso, diante do olhar implacável e rascante de Miranda, entende que, para continuar por ali, precisa também mudar seu modo de se comportar e, principalmente, de se vestir. Não é spoiler lembrar que, após a temporada de moda de Paris, Andrea acaba entendendo que seu ciclo por ali está encerrado, partindo para novos desafios profissionais.


"O Diabo Veste Prada 2" tem início com o nome de Andrea Sachs sendo anunciado como o vencedor entre os concorrentes a um prestigioso prêmio jornalístico. A noite, que deveria ser motivo de júbilo, porém, é arruinada pela demissão de vários jornalistas do veículo, Andrea inclusa. 

Pior: a demissão é feita por Whatsapp, ou seja, da maneira mais impessoal possível - trabalhadores de todo o mundo sabem que a tática tem sido comum nesses novos tempos. Com lágrimas nos olhos, ela sobe ao palco e, após receber o citado prêmio, faz um discurso potente que rapidamente viraliza.

Entre os que o visualizam o vídeo está Irv Ravitz (Tibor Feldman), dono do grupo que detém a "Runway", e seu filho, Jay, vivido por B.J. Novak. Entendem, ali, que estão diante de uma oportunidade e tanto: contratar Andrea Sachs para comandar um núcleo de reportagens especiais, visando deter a queda no prestígio da revista. 


Apenas "se esquecem" de contar o plano a Miranda. Ao ver uma entusiasmada Andrea adentrar a redação assim, do nada, a ficha - tanto a de Miranda quanto a de Nigel - demora a cair. E eis que Andrea se vê mais uma vez lutando para conquistar a aprovação da ex-chefe.

E onde entra Emily nessa história? Bem, a antiga secretária, que nunca perdoou Andrea por ir em seu lugar na Semana de Moda de Paris, agora trabalha para a Dior e namora um ricaço disposto a atender todos os desejos da bela. Se o mundo dá voltas, Emily é um exemplo. Agora mais poderosa que Miranda, ela no fundo acalenta um sonho muito particular quanto a "Runway".

"O Diabo Veste Prada" (Foto: Divulgação)

O filme de 2006

Lançado em 2003, o livro "O Diabo Veste Prada", de Lauren Weisberger, não tardou a se tornar best-seller - e muito do interesse pela leitura veio do fato de a autora ter trabalhado por algum tempo como assistente da toda poderosa Anna Wintour, figura mítica do mundo da moda. 

Como não poderia deixar de ser, ficou evidente que, mesmo com pinceladas ficcionais, a editora de moda descrita na obra - a temida Miranda Priestly - era uma representação da poderosa editora da "Vogue" norte-americana, enquanto a, digamos assim, mocinha da história, Andrea Sachs, uma jovem jornalista à procura de emprego em Nova Iorque; a da própria Weisberger. Na esfera ficcional, a "Vogue", porém, virou "Runway".

Em um caminho quase orgânico no mercado, o êxito de vendas do livro despertou a atenção dos estúdios cinematográficos e, em 2006, estreava o filme de mesmo nome, dirigido por David Frankel. 

Em cena, Meryl Streep dava vida a Miranda, enquanto Anne Hathaway, a Andrea (Andy) Sachs. O elenco se completava com atores de talento mais que reconhecido, como Emily Blunt e Stanley Tucci, além de trazer participações especiais de celebridades como Gisele Bündchen.


Temas atuais

O novo filme ganha muitos pontos ao abordar como as coisas mudaram no mundo nestas duas décadas entre um filme e outro - e aí não estamos falando só das demissões cada vez mais impessoais, mas de avanços tecnológicos, IA... 

Um ponto tratado é o próprio declínio das revistas impressas - alguns vão se lembrar dos (bons) tempos em que algumas edições ou títulos costumavam simplesmente esgotar nas bancas. 

Outro ponto que conversa bastante com a realidade é quando o herdeiro de Irv contrata profissionais que nada sabem do mercado, mas que ostentam ares de consultores, detentores da sabedoria quando a pauta é tentar salvar a empresa. 

Não bastasse, "O Diabo Veste Prada 2" aborda uma opção recorrente no "mundo real" do trabalho quando a ideia é "salvar" empresas: demitir os funcionários mais antigos de casa, portanto, os mais velhos.


A questão corte de despesas nas empresas, aliás, traz um momento particularmente divertido, quando Miranda está para embarcar no avião rumo à Semana de Moda de Milão. Sim. Se no primeiro filme o destino fashionista era Paris, neste, é a meca italiana, com direito a belas imagens do Lago de Como e de um frame particularmente belíssimo: o de Meryl Streep em uma galeria Vittorio Emanuele II vazia. 

Mas a cena mais emblemática do longa é a que se passa em um estúdio no qual o famoso afresco "A Santa Ceia", de Michelangelo, foi reproduzido. Evidentemente, as filmagens não poderiam jamais, em tempo algum, serem feitas junto à obra-prima original, que se encontra na igreja Santa Maria delle Grazie. 

No entanto, é o simbolismo da obra (pintada entre 1495 e 1498) e o contexto em que aparece em cena que verdadeiramente importam. Em meio à discussão sobre os novos tempos, diante do irrefreável avanço tecnológico, o capolavoro de Michelangelo, que atravessa os séculos mantendo seu misticismo e o poder de atrair milhares de interessados em visitá-lo (as reservas devem ser feitas com meses de antecedência), está a lembrar que as máquinas jamais vão substituir de todo o talento do homem, tampouco alcançar o status de arte.

Lady Gaga e Doechii (Divulgação)

No quesito participações especiais, os fashionistas não vão sair de "O Diabo Veste Prada 2" entendiados... Além de Donatella Versace e Lady Gaga, tem Heidi Klum, Marc Jacobs, Stefano Gabbana, Domenico Dolce e a belíssima modelo canadense Winnie Harlow, porta-voz do vitiligo, entre outros não menos glamourosos.

Outro ponto de destaque do longa é a trilha sonora com músicas inéditas de Lady Gaga, especialmente no dueto com a rapper Doechii na faixa dançante "Runway". Apesar dos rumores, foi desmentido o dueto de Gaga com Madonna, que só retorna na conhecida "Vogue", do primeiro filme. 

A seleção musical conta ainda com Dua Lipa na música "End of An Era"; Raye cantando "Worth It"; SZA interpretando "Saturn"; Olivia Dean, com "Nice To Each Other"; Miley Cyrus e Brittany Howard fazendo dueto em "Walk of Fame", entre outros intérpretes do pop. 

Com tantos ingredientes na receita, "O Diabo Veste Prada 2" tem artilharia para agradar a variados públicos, dos fãs de moda aos adeptos do bom entretenimento. E é óbvio que parte desse acerto se deve, como já pontuado, ao talento dos atores envolvidos - afinal, Meryl Streep não veio ao mundo a passeio. 


E se nesses 20 anos as caras de Miranda Priestley continuaram por aí, circulando em memes e gifs populares nas redes, certamente não será diferente desta vez - até porque, ela repete bordões, frases e olhares do filme matricial, para delírio dos espectadores.

Como não dá para não colocar um porém, esse fica por conta de o frenesi que a personagem Andrea exibe no curso da parte 2 da história uma familiaridade com o universo dos ricos e poderosos, bem como com os figurinos de grifes inalcançáveis aos meros mortais. Mesmo sendo um pouco dissonantes ao perfil intelectual que a "saga" inicialmente propõe para caracterizar a jornalista. 

Mas vamos relevar esse "detalhe". Se a vida demanda momentos de lazer e diversão, e o cinema entra muitas vezes como uma boa opção para tal, ir a "Diabo Veste Prada 2" é decisão acertada. Um entretenimento de primeira.


Ficha técnica:
Direção: David Frankel
Roteiro: Aline Brosh McKenna
Produção: Walt Disney Pictures e 20th Century Studios
Distribuição: Disney Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2 horas
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: comédia, drama

22 janeiro 2025

"Conclave" - um jogo de poder, fé e reviravoltas

Ralph Fiennes interpreta o cardeal Lawrence, que vai comandar a reunião da cúpula da Igreja Católica para escolher o novo Papa (Fotos: Diamond Films)


Maristela Bretas


Um dos momentos mais importantes da Igreja Católica, retratado em várias produções cinematográficas e obras literárias, ganha mais uma versão nas telonas. Desta vez, cabe à ótima atuação, digna de Oscar, de Ralph Fiennes interpretar o coordenador da escolha do novo Papa em "Conclave".

O filme, dirigido por Edward Berger, estreia nesta quinta-feira (23) nos cinemas e tem recebido elogios por festivais e premiações onde foi exibido. O longa lembra outra produção, "Anjos e Demônios", de 2009, com Tom Hanks, por envolver uma investigação durante a escolha do novo Pontífice. 


Mas "Conclave" vai além, dando espetadas nada leves em questões como o papel da mulher no alto escalão da igreja, a visão religiosa sobre as áreas pobres ou em conflito e, especialmente, o jogo do poder para conquistar a liderança do Vaticano e dos países católicos. 

Além de Fiennes, a escolha acertada de Stanley Tucci, Isabella Rossellini, John Lithgow e Carlos Dienz fez toda a diferença. Sem contar a ambientação. Não espere conhecer Roma e o Vaticano por fora. No máximo a entrada da Basílica de São Pedro.


Mas mesmo a trama se passando em um ambiente fechado e austero (quase uma clausura de luxo), é possível ver um pouco do interior dos belíssimos ambientes do Vaticano, como a Capela Sistina, com seus afrescos, vitrais e pinturas das paredes e dos tetos. 

Tudo isso mostrado no momento certo, sempre associado a uma possível mudança na situação. Parece até que todos os envolvidos estão sendo vigiados pelos anjos.

A história começa a partir da morte do Papa e os cardeais do mundo todo são convocados para a escolha do sucessor do Pontífice. Assim como uma votação política para cargos públicos, o conclave divide os religiosos em aliados e inimigos velados, com campanha acirrada feita por seus apoiadores. 


Junto a isso, claro, estão as intrigas, os segredos comprometedores e as jogadas sujas para ver quem vai levar o trono. 

Ralph Fiennes interpreta o cardeal Lawrence, que por decisão do Papa falecido deverá comandar a escolha do sucessor e conduzir o Conclave. Ele só não esperava encontrar tanta sujeira por baixo dos tapetes do Vaticano. O que parecia uma eleição praticamente definida, vai ganhando novos contornos e candidatos.

Para piorar, Lawrence vive um momento de dúvidas sobre sua fé na Igreja Católica. O que pode colaborar em uma investigação mais afastada dos fatos e denúncias que vão surgindo a cada nova cena.


As mulheres, apesar de colocadas como simples serviçais dos cardeais, têm um papel importante na trama, provocando grandes reviravoltas. É o caso de Isabella Rossellini, que vive a Irmã Agnes.

A disputa no Vaticano vai contar com Stanley Tucci no papel do cardeal Bellini, John Lithgow, Sergio Castellitto e Lucian Msamati interpretando, respectivamente, os cardeais Tremblay, Tedesco e Adeyemi. Os quatro querem o lugar do Papa a qualquer custo.

A novidade do elenco é o ator estreante e arquiteto mexicano Carlos Dienz, como o cardeal Benitez. Ele é um religioso que atuou em áreas de grandes conflitos armados e conhece uma realidade que a maioria dos membros da igreja nunca se interessou em saber. 


"Conclave" é um filme de reviravoltas e detalhes, nem sempre sutis. Apesar de ser um longa previsível (todo mundo sabe que uma hora o Papa vai ser escolhido e a fumaça branca vai sair da chaminé da Basílica), entrega um bom suspense mesclado com drama. 

Fica uma pulga atrás da orelha do início ao fim sobre as reais intenções de todos os clérigos, especialmente o cardeal Lawrence. Um filme que vale a pena ser conferido nos cinemas. 

O longa pode garantir o primeiro Oscar de Melhor Ator para o britânico Ralph Fiennes, após duas indicações passadas como Melhor Ator Coadjuvante, em "A Lista de Schindler" (1993) e "O Paciente Inglês" (1996).

Fiennes e o longa começaram bem a temporada de premiações deste ano, conquistando seis estatuetas do Globo de Ouro, entre elas, a de Melhor Filme Dramático e a de Melhor Ator em Filme Dramático.


Ficha técnica:
Direção:
Edward Berger
Produção: FilmNation Entertainment e Indian Paintbrush
Distribuição: Diamond Films
Exibição: nos cinemas
Duração: 2 horas
Classificação: 12 anos
Países: EUA e Reino Unido
Gêneros: suspense, drama

11 janeiro 2023

Com ótimas credenciais, "I Wanna Dance With Somebody" revive trajetória de Whitney Houston

Produção sobre a icônica cantora recebeu uma brilhante interpretação de Naomi Ackie (Fotos: CTMG/Divulgação)


Patrícia Cassese


Nos últimos anos, várias produções cinematográficas têm se debruçado sobre a trajetória de grandes fenômenos da música, como Freddie Mercury (1946-1991), Elton John (1947 -) e Elvis Presley (1935-1977) - a saber: "Bohemian Rhapsody" (2018), "Rocketman" (2019) e "Elvis" (2022).

Outro título recente que se filia a esse veio foi "Judy: Muito Além do Arco-Íris" (2020), embora, no caso, o foco fosse uma persona que desenvolveu carreira bem sucedida tanto na música quanto no cinema: Judy Garland (1922-1969).

Nesta quinta-feira (12), dia em que "I Wanna Dance With Somebody: A História de Whitney Houston" adentra os cinemas de todo o país, é hora de o espectador saber um pouco mais sobre a história da cantora norte-americana Whitney Elizabeth Houston, falecida precocemente em 11 de fevereiro de 2012, aos 48 anos.


Para quem não se lembra, a cantora foi encontrada afogada na banheira de um hotel (Beverly Hilton) em Los Angeles. O laudo pericial apontou que, além de uma cardiopatia, Whitney havia consumido cocaína e outras drogas (algumas legalizadas, que ela utilizava inclusive com prescrição médica).

Tal como nos exemplos de filmes citados anteriormente (evidentemente, há dezenas de outras produções da sétima arte dedicadas a ícones da música, mas estamos fazendo um recorte entre alguns dos mais recentes), Whitney Houston teve uma carreira de sucesso não só em seu país de origem, mas no mundo todo.


Canções de seu repertório, como "I Will Always Love You", seguem sendo bastante executadas nas rádios. Aliás, sobre o hit, "I Wanna Dance" revela um fato que nem todos os fãs da interpretação da diva conhecem: a canção foi escrita e gravada por Dolly Parton, em 1973, tendo não só alcançado o topo da parada country nos meses seguintes como novamente em 1982, quando a cantora e atriz a regravou para o filme "A Melhor Casa Suspeita do Texas".

Sim, detalhes como esse estão entre os bons chamarizes da nova produção de Kasi Lemmons (de "Harriet", filme de 2019), que, cumpre frisar, tem roteiro do neozelandês Anthony McCarten, o mesmo que escreveu o já citado "Bohemian Rhapsody".


Mas o filme está longe de satisfazer apenas os fãs de Houston. O primeiro acerto a ser mencionado é a escolha da protagonista: Naomi Ackie, que, vale dizer, é britânica. Uma pesquisa na trajetória da moça conta que, apesar dos poucos papéis na sétima arte, a atriz tem feito bonito no que tange a indicações. Certamente não será diferente aqui.

Dona de uma beleza estonteante, Naomi consegue transitar pelas várias fases e estados da cantora (do início da carreira ao final, da pureza do início da carreira ao reconhecimento do declínio da extensão vocal, passando pelo espectro das drogas) com brilhantismo.

Embora as interpretações musicais vistas na tela tragam a voz original de Whitney Houston, Naomi é também cantora e caprichou em suas interpretações (depois sobrepostas) para conferir veracidade às cenas.


O restante do elenco não fica aquém, a começar do excepcional Stanley Tucci envergando as vestes do produtor Clive Davis - que, diga-se de passagem, é um dos produtores do filme. 

Aqui, um pequeno desvio da análise do filme: aos 62 anos, Tucci sempre foi aquele ator que, mesmo não estando no papel de protagonista, dá farta contribuição ao êxito de produções como "O Diabo Veste Prada" (2006) ou "O Terminal" (2004).

Neste momento, ele mostra claramente sua potência na excelente série de suspense "Inside Man" (Netflix), onde dá vida a um preso no corredor da morte que, por sua inteligência e sagacidade, acaba ajudando na elucidação de outros crimes de difícil solução para a polícia. Anote na sua agenda, vale demais.


Como Clive, Tucci está simplesmente perfeito. E uma curiosidade: ao contrário da mítica figura do produtor e/ou empresário que explora o artista até extrair tudo o que ele tinha a oferecer, para então descartá-lo, Clive se mostra um dos mais devotados parceiros de Whitney Houston.

Ele acolheu e acatou seus desejos, ainda que esses, a início, possam soar como caprichos - como quando ela decide que quer porque quer fazer cinema. É ele também que a alerta quanto à necessidade de uma reabilitação, citando o exemplo de Judy Garland (por isso a menção ao filme no início desta matéria).

Hoje com 90 anos, Clive Davis é aquela espécie de Midas da indústria. Responde como descobridor do Aerosmith e de Janis Joplin, além de ter trabalhado, na Arista, gravadora que fundou, com ícones como Patti Smith, Barry Manilow, Aretha Franklin, Dionne Warwick e Annie Lennox, para citar alguns.


Todos os outros atores do elenco se mostram escolhas corretíssimas, mas vale destacar particularmente a atriz Tamara Tunie, como Cissy Houston, a mãe da cantora, que na primeira cena aparece como uma tutora quase implacável, mas que se revela plena de afetos e orgulho da cria.

E, ainda, Nafessa Williams (como Robyn Crawford, a grande parceira - afetiva e na carreira, como assistente-executiva - da cantora); Ashton Sanders (como Bobby Brown, marido de Whitney) e Clarke Peters (dando vida ao pai da diva, John Houston). 

Os dois últimos, os grandes responsáveis pelas maiores dores de cabeça na vida de Whitney Houston - tendo o pai dilapidado uma parte absurda da fortuna da cantora.


Na condução dessa cinebiografia, Kasi Lemmons faz escolhas bem interessantes. Ao falar de "O Guarda-Costas" (1992), filme de Mick Jackson que estourou nos cinemas de todo mundo, o parceiro de tela de Whitney Houston, o astro Kevin Costner, não aparece sendo vivido por nenhum ator: no lugar desse artifício, o espectador vê uma cena do filme.

Idem para a menção à antológica participação da cantora no programa de Oprah Winfrey, em 2009, depois de sete anos sem conceder entrevistas (após a mal sucedida experiência ocorrida em 2002, quando foi entrevistada por Diane Sawyer, da ABC News). 

"A melhor entrevista que já fiz na vida", disse posteriormente a icônica apresentadora. “Para mim, Whitney era a voz. A gente poderia escutar Deus por meio dela cantando. O coração era pesado, mas o espírito era agradecido pelo seu dom”.


Outra decisão é não falar sobre a trágica morte da única filha de Whitney Houston. Bobbi Kristina Brown (no filme interpretada por várias atrizes, como Bria Danielle Singleton) faleceu em 26 de julho de 2015, com apenas 22 anos de idade. 

Em janeiro daquele ano, ela foi encontrada inconsciente na banheira de sua casa, em Atlanta. Bobbi chegou a ser reanimada, mas sua atividade cerebral já havia sido bastante afetada.

Em junho, diante da irreversibilidade do quadro, ela passou a receber cuidados paliativos, vindo a óbito no mês seguinte. A necropsia apontou como causas da morte uma pneumonia e má irrigação de sangue no cérebro, consequências, na verdade, de ter ficado muito tempo imersa na banheira, desacordada - o que, por sua vez, teria sido provocado pelo uso de drogas. O corpo de Bobbi foi enterrado ao lado do de Whitney.


Whitney Houston (Reprodução)

Em tempo: nos últimos anos de vida, Whitney conseguiu pagar suas dívidas e ainda deixou um valor considerável para a filha. Com a morte dessa, o dinheiro acabou ficando para a mãe e os irmãos da cantora, Michael e Gary. 

Hoje aos 89 anos, Cissy - que também se firmou como cantora - é tia materna das intérpretes Dee Dee Warwick e Dionne Warwick. Já a madrinha de Whitney Houston era ninguém menos que Aretha Franklin. 

Confira, a seguir, alguns dos marcos da carreira de Whitney, listados pela Wikipedia, a partir de várias fontes:

* Seu álbum de estreia, Whitney Houston, foi o primeiro de uma cantora a vender 25 milhões de unidades, com as vendas dos discos certificadas. 

* "Whitney", seu segundo disco, tornou-se o primeiro a estrear no topo dos mais vendidos nos EUA e Reino Unido simultaneamente.

* Única artista com sete singles consecutivos a atingirem a primeira posição nas paradas de sucessos dos EUA, o recorde mantém-se até hoje.

* Whitney foi a primeira artista feminina a ter 3 singles número #1 de um álbum (Whitney Houston - 1985).

* Whitney foi a primeira artista feminina a ter 4 singles número #1 de um álbum (Whitney - 1987).

* "The Star Spangled Banner" foi a única versão do hino nacional norte-americanos a ser certificada platina, vendendo mais de 1 milhão de cópias.

* A maior certificação inicial de qualquer álbum pela RIAA foi para "The Bodyguard", cuja primeira certificação foi para as vendas de mais de seis milhões de cópias.

* "The Bodyguard" foi o segundo álbum mais vendido por uma artista feminina estrangeira no Brasil, mais de 1 milhão de cópias.

* "The BodyGuard" foi o 4º álbum mais vendido de todos os tempos.

* "The Bodyguard" foi a maior trilha-sonora do mundo vendendo mais de trinta e três milhões de exemplares de 1992 a 1999.

* "The Bodyguard" foi a trilha-sonora mais vendida da história, totalizando mais de quarenta e quatro milhões de cópias vendidas em todo o mundo.

* "The Bodyguard" foi a primeira trilha-sonora a vender mais de 1 milhão de cópias em apenas uma semana.

* "The BodyGuard" foi o álbum mais vendido da década de 1990.

* "I Will Always Love You", segundo single mais vendido da década de 1990, com 10 milhões de cópias em todo o mundo.

* "I Will Always Love You" foi a 2° música de maior sucesso da história.

* "I Will Always Love You" foi a música mais executada entre 1992 e 1993.

* "The Bodyguard" foi o primeiro álbum pop a vender um milhão de cópias na Coreia.


* "The BodyGuard" foi o filme que mais fez sucesso tendo uma cantora como protagonista.

* Whitney ganhou um recorde de oito American Music Awards em 1994. Ela está empatada somente com Michael Jackson, que ganhou oito da AMA em 1984.

* Artista feminina com mais American Music Awards ganhos de todos os tempos, num total de vinte e dois.

* Whitney ganhou um recorde cinco World Music Awards na cerimônia em 1994, apenas igualada por Michael Jackson em 1996.

* Whitney foi a única artista com três álbuns a permanecer no topo do Top 200 da Billboard por mais de dez semanas "Whitney Houston" (14 semanas), "Whitney" (11 semanas) e "The Bodyguard" (20 semanas).

* Whitney tem a mais longa estadia no número um da Billboard Top Gospel Albuns Chart, quando "The Preacher's Wife" permaneceu 26 semanas.

* Recorde de 25 Billboard Music Awards vencidos.

* 20 Singles de Ouro e 7 Singles de Platina.

* Álbum Gospel mais vendido da história: "The Precher’s Wife".

* 32 canções no Top 10 da Billboard.

* 19 singles #1 mundialmente.

* Artista Feminina mais premiada da história certificada pelo 
Livro Guinness dos Recordes (Guinness World Record) em 2006.

* Artista que mais músicas teve interpretadas no American Idol, com mais de 1.150 das 70.000 audições durante o show da terceira temporada. A canção "I Have Nothing" foi interpretada na final 6 vezes, mais do que qualquer outra.



Ficha técnica:
Direção: Kasi Lemmons
Produção: TriStar Pictures / Sony Pictures
Distribuição: Sony Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h26
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: biografia, musical, drama