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03 fevereiro 2026

Sobreviver a um mundo em ruínas: "Destruição Final 2" é ação, suspense e exageros

Do bunker à esperança de um novo mundo, sequência encerra a jornada da família Garrity iniciada
em 2020 (Fotos: Diamond Films Brasil)
 
 

Maristela Bretas


"Destruição Final 2" ("Greenland 2: Migration") encerra a saga da família Garrity apostando em uma escala maior de ação e em um mundo ainda mais hostil do que o apresentado no filme de 2020, "Destruição Final: O Último Refúgio". 

Sob a direção de Ric Roman Waugh, a continuação se passa cinco anos após o impacto do cometa Clarke, quando a Terra segue profundamente marcada por tempestades radioativas, instabilidade geológica e pela degradação quase total da sociedade humana.

Desta vez, John Garrity (Gerard Butler), sua esposa Allison (Morena Baccarin) e o filho Nathan (Roger Dale Floyd) são forçados a abandonar a relativa segurança de um bunker na Groenlândia para enfrentar uma jornada extremamente perigosa rumo ao sul da França. 


A região surge como um possível novo ponto de esperança, um raro local onde a vida pode voltar a florescer em meio ao planeta destruído. No entanto, o caminho até lá se revela brutal: paisagens em ruínas, um deserto congelado implacável e grupos humanos dispostos a tudo para sobreviver.

Assim como no primeiro filme, o maior acerto está no foco na família. O roteiro mantém John como um protagonista movido quase exclusivamente pelo instinto de proteção, disposto a ajudar não apenas os seus, mas qualquer pessoa que cruze seu caminho em situação de perigo. 


Gerard Butler sustenta bem esse herói cansado, enquanto Morena Baccarin entrega uma Allison sensível e resiliente. A química entre os dois funciona, criando um casal crível e emocionalmente envolvente, sem cair no melodrama excessivo, mesmo nos momentos mais duros.

Tecnicamente, o filme é competente. O CGI das cenas de catástrofe e perigo é bem utilizado, reforçando a sensação constante de ameaça. O destaque fica para a sequência da travessia do cânion, que se mostra o momento mais tenso e bem construído do longa. 


Por outro lado, algumas cenas exageram na ação, especialmente a passagem por uma região em conflito armado, com tiros e explosões por todos os lados, o que acaba soando um pouco excessivo e menos verossímil.

No fim das contas, "Destruição Final 2" não pretende reinventar o gênero catástrofe. Não há grandes reviravoltas nem uma história memorável, mas o filme cumpre sua proposta de entretenimento, oferecendo ação, suspense e um desfecho aceitável para a trajetória da família Garrity. 

Para fãs de filmes catástrofe, é um encerramento digno e o ingresso não será desperdiçado.


Ficha técnica:
Direção: Ric Roman Waugh
Produção: Lionsgate
Distribuição: Diamond Films Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h39
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: ação, catástrofe, suspense, ficção

13 junho 2024

“A Ordem do Tempo” questiona o fluxo da vida e a fragilidade da existência

Obra é inspirada no best-seller homônimo do físico especialista em mecânica quântica, Carlo Rovelli, sobre o fim do mundo (Fotos: Pandora Filmes) 


Silvana Monteiro

Imagine se durante uma celebração entre amigos você descobrisse que o mundo estaria prestes a acabar. Este é o drama italiano "A Ordem do Tempo" (“L’Ordine Del Tempo”), que chega ao Cineart Ponteio, ao Centro Cultural Unimed-BH Minas e ao Una Cine Belas Artes nesta quinta-feira (13). Amigos inseparáveis, que adoram comemorar a beleza e os momentos marcantes da vida, se vêem diante desse dilema. 


A obra, distribuída pela Pandora Filmes, traz uma instigante narrativa inspirada no best-seller de mesmo nome do físico-teórico Carlo Rovelli. Dirigido pela veterana cineasta italiana Liliana Cavani, em colaboração com o roteirista Paolo Costella, o filme apresenta uma perspectiva profunda e intimista sobre a percepção humana de como o tempo é implacável. O tempo é fluxo contínuo? Ele se dá de forma cronológica? Os fatos do presente, passado e futuro estão conexões? E como lidar com ele?


Um dos grandes destaques de "A Ordem do Tempo" é a forma como a autora transmite a temporalidade dos acontecimentos na percepção dos personagens, ora prestes a acabar, ora distante e tenso. Cavani finalizou o longa em 2023, ao completar 90 anos.

A direção de Cavani, reconhecida por seu olhar atento aos dramas humanos, conduz a narrativa com um ritmo pausado e uma atmosfera de tensão latente, permitindo que o público se engaje profundamente com as questões levantadas. 


Entre os sucessos de sua carreira está o polêmico filme "O Porteiro da Noite" (1974), que retrata a relação sadomasoquista entre um ex-oficial de um campo de concentração nazista e uma de suas prisioneiras. 

No elenco, ela conta com a atuação de Alessandro Gassmann, Claudia Gerini, Edoardo Leo, Kseniya Rappoport, Richard Sammel, Valentina Cervi, Francesca Inaudi, Angeliqa Devi, Mariana Tamayo, Fabrizio Rongione, Ángela Molina e Alida Baldari Calabria. 

Ao longo da trama, os amigos e seus cônjuges começam a tecer suposições e a revelar verdades, indagações, emoções e sentimentos guardados. Essa dinâmica de interações e conflitos internos cria um retrato vívido da forma como as pessoas lidam com a iminência do fim.


A atuação é destacada, com os intérpretes conseguindo transmitir a gama de emoções e dilemas experimentados por seus personagens. A construção cuidadosa dos diálogos e a ambientação elegante contribuem para criação de um drama intimista e reflexivo.

Longe de cair em sensacionalismos ou efeitos dramáticos excessivos, o filme mantém uma abordagem contemplativa e introspectiva, explorando as complexidades da percepção do tempo e suas implicações existenciais. 

"A Ordem do Tempo" é um filme que transcende o mero entretenimento, convidando o espectador a refletir sobre a natureza do tempo, a fragilidade da existência e a busca por significado em face da finitude. Uma obra cinematográfica instigante e merecedora de atenção.


Ficha Técnica:
Direção: Liliana Cavani
Roteiro: Liliana Cavani e Paolo Costella, a partir do livro de Carlo Rovelli
Distribuição: Pandora Filmes
Exibição: sala 3 do Cineart Ponteio - sessão de 21h05; sala 2 do Centro Cultural Unimed-BH Minas - sessão às 20h30; sala 2 do Una Cine Belas Artes - sessão às 18h20
Duração: 1h53
Classificação: 14 anos
País: Itália
Gênero: drama