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17 setembro 2026

"One Piece: O Grande Pirata do Ouro": o maior tesouro não está no baú

Anime é uma aventura complementar dentro da franquia, pela primeira vez com versão dublada em
português (Fotos: Paris Filmes)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Depois do sucesso da série na Netflix, os piratas mais loucos do anime chegam dia 24 aos cinemas. "One Piece: O Grande Pirata do Ouro" ou "One Piece: O Filme", como também está sendo chamado, funciona praticamente como uma aventura complementar dentro da franquia, que não exige conhecimento da extensa cronologia.

Com versão inédita dublada em português, direção de Junji Shimizu e distribuição da Paris Filmes, não é preciso encarar mais de mil episódios da série ou conhecer a produção para acompanhar a história. Basta gostar de anime, piratas e aventura. E conferir a crítica da série no @cinemanoescurinho clicando no link https://tinyurl.com/yfsj88md


A trama parte da lenda de Woonan, um pirata que teria desaparecido levando consigo um terço de todo o ouro do mundo e escondendo o tesouro em uma ilha misteriosa. 

Anos depois, Luffy e sua tripulação entram nessa busca e acabam enfrentando Eldrago, um pirata que também deseja encontrar a fortuna e possui os poderes de uma Akuma no Mi (fruta sobrenatural do anime e mangá), capazes de transformar sua voz em ondas ultrassônicas.

O tesouro, porém, é apenas a superfície da história. Woonan funciona como uma figura lendária, semelhante ao próprio Gol D. Roger, mostrando como alguém pode continuar influenciando outras pessoas mesmo depois de desaparecer. 


A diferença está no que cada personagem faz com aquilo que recebe como legado. Woonan e Ganzo seguiram caminhos diferentes, e suas escolhas ajudam a mostrar que identidade não nasce pronta: ela também é construída pelas experiências, pelos vínculos e pelas decisões que tomamos.

Essa discussão ganha mais força através de Tobio. O menino possui uma relação de avô e neto com Ganzo e encontra nessa convivência uma referência de afeto, cuidado e família. Ao mesmo tempo, busca entender qual é o seu lugar no mundo. 

É justamente aí que o filme encontra seu ponto mais interessante: pertencimento não depende do lugar onde nascemos nem do que conseguimos possuir, mas das relações que construímos. Tobio não precisa do ouro de Woonan para saber quem é. Precisa sentir que pertence a algum lugar e que existe alguém disposto a caminhar ao seu lado.


A estrutura mais curta faz com que "One Piece: O Grande Pirata do Ouro" não tenha ação o tempo inteiro. As principais sequências acontecem no início e próximo ao final, enquanto boa parte da narrativa se dedica a apresentar a lenda e seus personagens. 

Para quem espera uma aventura acelerada, isso pode causar certa estranheza. Por outro lado, permite que a história trabalhe melhor temas como memória, legado e identidade.

O problema está justamente em alguns personagens que poderiam receber mais atenção. Eldrago é um vilão funcional, mas pouco desenvolvido. Sua obsessão pelo ouro e pelo poder aparece de maneira rápida, sem que o roteiro consiga explorar o que existe por trás dessa ambição. 


A luta contra Luffy, entretanto, compensa parte dessa fragilidade e ganha força nas sequências de ação, especialmente quando projetadas na tela grande.

No fim, "One Piece: O Grande Pirata do Ouro" está menos interessado no ouro do que parece. Woonan representa o legado de uma lenda; Ganzo, as consequências das escolhas; e Tobio, a necessidade de encontrar um lugar e pessoas que dêem sentido à própria existência. 

É uma aventura curta, divertida e acessível, que pode funcionar tanto para fãs da franquia quanto para quem está chegando agora. Porque, no fim das contas, talvez o maior tesouro de "One Piece" seja descobrir quem somos, de onde viemos e, principalmente, com quem queremos compartilhar a nossa jornada.


Mais novidades

Lançado originalmente em 2000 no Japão, “One Piece: O Grande Pirata do Ouro” é o primeiro longa-metragem animado da franquia dublado em português. A parceria entre a Paris Filme e a Toei Animation, produtora da série, prevê a exibição de outros dois nos cinemas ainda em 2026. 

Os próximos serão "One Piece: Aventura na Ilha Espiral", dia 22 de outubro, e "One Piece: O Reino de Chopper na Ilha dos Animais Estranhos", em 3 de dezembro. Em seguida, os três serão incorporados ao catálogo da Netflix.


Ficha técnica:
Direção: Junji Shimizu
Produção: Toei Animation
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 51 minutos
Classificação: 12 anos
País: Japão
Gêneros: animação, aventura, ação

01 dezembro 2023

“Digimon Adventure 02: O Início” amadurece os personagens e traz novidades

Os Digiescolhidos precisam descobrir como ajudar um misterioso Digitama que chega a Tóquio (Fotos: Tôei Animation/Plaion Pictures)


Marcos Tadeu
Narrativa Cinematográfica


Entrou em cartaz nas salas de cinema a animação “Digimon Adventure 02: O Início”, uma das mais esperadas pelos fãs da saga, que no Japão possui sete temporadas, com mais de 200 episódios. Para eles, este filme em 2023 pode representar um presente por causa da dificuldade de distribuição de animes em terras brasileiras. 

A história se passa em 2012, quando descobrimos que um DigiTama, também chamado de DigiOvo, aparece na Torre de Tóquio e um garoto sobe para tentar fazer contato com o objeto. 


Reencontramos nossos personagens Dave, Yolei, TK, Kari, Code e Ken, além de conhecermos um novo integrante - Lui Ohwada. Agora os Digiescolhidos precisam descobrir quem é e como ajudar este misterioso jovem, que afirma ser o primeiro humano a fazer parceria com um Digimon

O jovem vai desempenhar um papel fundamental na cronologia da trama. Evitarei entrar em detalhes para evitar spoilers, mas a forma como ele e seu parceiro Ukkomon existem e se revelam é espetacular. 


A inovação também ocorre com o Digimon. O filme questiona se é mecânica ou se realmente existe um elo entre o dono e seu Digimon, abordando essa relação de forma excelente.

As cenas de ação e, principalmente, as digievoluções são precisas, servindo como fan-service para aqueles que acompanharam a série na época da TV Globinho. É lindo o cuidado e a estética, agora mais sombria, escolhida no roteiro, sem medo de explorar camadas nunca vistas na franquia.


O que deixa a desejar é uma batalha. Talvez porque essa parte é bem desenvolvida e nos deixa ansiosos para ver como será a luta e sua conclusão. 

O filme termina, sem dúvida, com pontas soltas sobre a relação entre humanos e Digimons e como isso afeta o mundo.

“Digimon Adventure 02: O Início” é uma grande surpresa, adicionando frescor à fórmula sem cair no senso comum. Resta saber se a base de fãs brasileira comparecerá para garantir mais semanas nos cinemas ou se o filme será engolido por grandes lançamentos e acabará sendo deixado de lado.


Ficha técnica:
Direção:
Tomohisa Taguchi
Produção:Tôei Animation Company
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h20
Classificação: 12 anos
País: Japão
Gêneros: ação, aventura, animação