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12 fevereiro 2026

“Quarto do Pânico”: suspense brasileiro aposta na tensão emocional para prender o espectador

Isis Valverde e Marianna Santos vivem mãe e filha neste thriller de suspense adaptado de um sucesso homônimo dos anos 2000 (Fotos: Floresta Produções)
 
 

Maristela Bretas

 
Mari (Isis Valverde) é uma mulher marcada por uma tragédia da violência urbana dos nossos dias. Ela e sua filha adolescente Bel (Marianna Santos), mudam-se para uma mansão luxuosa, equipada com um sistema de segurança de alta tecnologia e localizada em um condomínio fechado. 

O principal ambiente da casa é um espaço secreto, revestido de aço maciço e impenetrável, que só pode ser aberto por dentro, onde os moradores podem se esconder em caso de perigo. 

Quando supostos ladrões invadem a residência, mãe e filha se refugiam nesse cômodo, até descobrirem que é justamente ali que está escondido o que o trio de invasores - Charly (Marco Pigossi), Benito (André Ramiro) e Raul (Caco Ciocler) - deseja roubar.


Esta é a história de "Quarto do Pânico", filme dirigido por Gabriela Amaral Almeida, que chega nesta sexta-feira 13, no catálogo do Globoplay. O longa faz sua superestreia no sábado, dia 14, às 22 horas, no @Telecine Premium. No domingo (15) haverá reexibição, no Telecine Pipoca, às 20 horas.

Com roteiro de Fábio Mendes, a produção é uma adaptação brasileira do sucesso de 2002 dirigido por David Fincher e estrelado por Jodie Foster e Kristen Stewart. 

A versão original pode ser conferida nas plataformas de streaming Amazon Prime e HBO Max, por assinatura, ou na Apple TV, Youtube e Google Play Filmes por aluguel. Confira o trailer clicando aqui.


Neste remake, a trama é transportada para um contexto nacional, com fortes tensões, leituras sociais, uma estética que privilegia o suspense psicológico e um grande elenco, com que entrega excelentes atuações. 

Especialmente a jovem Marianna Santos, que assume a responsabilidade de interpretar o papel vivido na versão original por Kristen Stewart e começou muito bem.


A narrativa é claustrofóbica e tensa, prometendo deixar o espectador em suspense na maior parte da trama. Embora utilize a mesma base da história, o roteiro brasileiro reforça as questões pessoais, como a relação entre Mari e a adolescente Bel, que é diabética. 

A química entre Isis Valverde e Marianna Santos funciona bem, permitindo maior intensidade emocional nas cenas - resultado de um trabalho intenso fora do set de filmagens realizado pela experiente atriz com a jovem, como Isis contou em coletiva à imprensa.


Na mesma coletiva online, a diretora Gabriela Amaral Almeida explicou a questão da violência no filme. "O que nos interessava era entender a natureza da violência no nosso contexto, a violência urbana, de classe, de gênero. A casa invadida é também um corpo feminino violado”. 

O roteirista Fábio Mendes reforça a necessidade de criar um thriller mais próximo da realidade brasileira, cuja “violência urbana crescente tem isolado cada vez mais as pessoas”.

Cabe aos invasores, com seus perfis e motivações totalmente diferentes, imprimir a dinâmica necessária ao filme, criando o clima psicológico de ameaça constante que vai levar ao confronto entre vítimas e algozes. 


Destaque para as atuações de Marco Pigossi e André Benito, que ressaltou a importância de seu personagem como o coração do trio, aquele que estava cometendo um crime por um motivo familiar. 

O elenco conta ainda com Leopoldo Pacheco, Dudu de Oliveira, Wesley Andrade, Felipe Martins, Clarissa Kiste, Carlos Morelli.

Em alguns momentos, no entanto, a narrativa fica um pouco superficial quando comparada à versão dirigida por David Fincher. Há também certos furos, como a entrada de três suspeitos, sem autorização do morador, em um local que deveria apresentar controle de segurança redobrado.


As cenas de confronto físico não convencem totalmente, apesar do bom desempenho dos atores principais e de alguns exageros pontuais. Já a conclusão apressada acaba prejudicando a estratégia de força e tensão que construída ao longo do filme. 

Mesmo assim, a versão brasileira de "Quarto do Pânico" é uma produção bem elaborada, que aposta nas relações pessoais de seus personagens e na força emocional que elas conferem à trama. Soma-se a isso a qualidade dos efeitos visuais de qualidade e uma trilha sonora bem escolhida. Vale à pena conferir.


Ficha técnica:
Direção: Gabriela Amaral Almeida
Roteiro adaptado: Fábio Mendes
Produção: Floresta Produções
Distribuição: Sony Pictures Television
Exibição: Telecine
Duração: 1h38
Classificação: 16 anos
País: Brasil
Gênero: suspense
Nota: 4 (0 a 5)



16 fevereiro 2021

"Cidade Invisível", uma belíssima e instigante produção que conecta a realidade às lendas do folclore brasileiro

 Marco Pigossi é o policial ambiental que descobre criaturas folclóricas vivendo entre os humanos (Fotos: Alisson Louback/Netflix)

Silvana Monteiro


Criada por Carlos Saldanha, a série "Cidade Invisível", dirigida por Júlia Pacheco Jordão e Luis Carone, e roteirizada por Raphael Draccon e Carolina Munhóz, lembra bastante o seriado "Once Upon A Time" ("Era Uma Vez"). Enquanto a produção norte-americana relaciona os contos de fada infantis, a produção brasileira reúne em um espetacular enredo, as lendas populares do nosso folclore.

A série já encanta na abertura, que tende a envolver pela confluência de imagens em uma composição que prende o olhar. Carlos Saldanha consegue interligar comunidade ribeirinha, praia e ocupação urbana com muita maestria, fazendo com o que telespectador reflita sobre a invisibilidade das pessoas tanto no sentido figurado, quanto em sua real condição. 
 

 
Outro ponto positivo de "Cidade Invisível" é que os personagens que não levam os nomes específicos de suas lendas podem ser interpretados à maneira local, pela leitura regional dos telespectadores. Como por exemplo, a de Inês, vivida por Alessandra Negrini, e a de Tutu, interpretado por Jimmy London. Afinal, o Brasil tem centenas de lendas e cada delas toma características únicas.
 

 
Na história, Erick (Marco Pigossi) é um policial ambiental casado com a ativista Gabriela (Julia Konrad) e pai de Luna (Manu Dieguez). Durante os festejos em uma comunidade ribeirinha cercada pela Mata Atlântica, na região metropolitana do Rio de Janeiro, onde Gabriela desenvolve algumas atividades, uma tragédia vai por fim à tranquilidade familiar.


A partir desse ponto e do encontro de um boto rosa em praia carioca, pai e filha se tornarão o foco de um enredo cheio de mistérios e magia. A descoberta dessas criaturas folclóricas vivendo entre os humanos vai levar Erick a buscar respostas para seu passado e fazer com que ele e sua filha fiquem definitivamente ligados aos moradores do lugar.

Uma das boas surpresas da série é a interpretação do Curupira entregue por Fábio Lago, um excelente ator que estava há tempos ausente das produções. O experiente José Dumont também domina no papel de Ciço, um ribeirinho que vive na pele as crenças e lendas de sua ilha de pescadores. 
 
 
O seriado também traz caras novas e com personagens que encantam pela interpretação: Jessica Córes vive Camila, uma belíssima sereia negra, e Wesley Guimarães, vivendo Isac, que dá vida ao Saci.

Fica aqui um ponto que vale reflexão: será que tudo que vemos é realmente aquilo que acontece? Seriam os excluídos, minorias, transeuntes e pessoas em situação de rua, seres especiais de uma "cidade invisível"? Abra bem seus olhos e ouvidos e tente entender aquilo que nem sempre parece o óbvio. 
 



Ficha técnica:
Direção:
Carlos Saldanha
Exibição: Netflix
Duração: Média de 30 minutos por episódio (1ª Temporada - 7 episódios)
Classificação: 16 anos
País: Brasil
Gêneros: Drama / Fantasia / Série de TV