Além da exibição em solo mineiro, produção com elenco majoritariamente negro foi selecionada para festivais no RJ e no ES (Fotos: Divulgação)
Da Redação
Minas Gerais é a próxima parada do filme “Barulho”. O curta-metragem será exibido gratuitamente no dia 12 de junho, no Cine72, no município de Alto do Rio Doce, em duas sessões: uma pela manhã e outra pela tarde. A obra retorna ao interior mineiro, após sua estreia em março, no cineclube mineiro.
Dirigido pela cineasta Karen Suzane, o filme acompanha Humberto, um viúvo solitário, preso ao luto, que vê sua rotina silenciosa ser abalada pela chegada de dois vizinhos sambistas. Entre o peso do silêncio e a leveza da música, inicia-se uma batalha invisível que o força a encarar a dor da perda, até que o som vence.
“É uma verdadeira alegria, saber que o filme está encontrando um público cada vez mais amplo, "Barulho" nos ensina a olhar pra fora e se conectar com o desconhecido que vem dos outros.”, pontua Karen Suzane, diretora do filme.
Estrelado por Carlos Francisco, ”Barulho” destaca-se por seu elenco majoritariamente negro. A produção conta com a participação especial da renomada atriz Elisa Lucinda, além dos atores Dan Ferreira, Vitor Britto, Alicia dos Anjos, Anne Belize, Joyce Bella, Mihh Moraes e Veto Martins.
“Barulho” tem roteiro de JulyFrans, Leonardo Lumas e Caio Pudenzi, sendo os dois primeiros também coprodutores. “O silêncio pode gritar mais alto que qualquer voz. Trata-se de um curta que mergulha nas dores e nas resistências da vida em comunidade, onde o samba, a memória e a saudade se cruzam em um mesmo compasso. A cada batida, uma lembrança; a cada olhar, um conflito; a cada gesto, um afeto”, comenta JulyFrans, roteirista do filme.
Após a exibição em solo mineiro, o curta segue em circuito por importantes festivais de cinema do país. Em agosto, a produção será exibida no 3º FestFlávio - Festival Nacional de Curtas Flávio Migliaccio, no Rio de Janeiro, e no 8º Festcine Pedra Azul, no Espírito Santo.
“Barulho” é patrocinado pela BB Seguros, produzido pela Maruti Blue Produções, com produção associada de Tina Tigre e distribuição da Tarrafa.
Laser, cangaceiros, sanfona e muito humor: conheça a origem do temido vilão Cabra da Peste (Fotos: Retrato Filmes)
Maristela Bretas
Quem disse que cangaceiros, extraterrestres, viagens no
tempo e muito forró não combinam? "Cordélicos - A Origem do Cabra da
Peste", animação brasileira em 2D atualmente em cartaz no Cine Belas Artes
BH, prova justamente o contrário. Baseado na série animada
"Cordélicos", lançada em 2022, o longa leva para as telonas uma
aventura tão improvável quanto divertida.
Criado por Ale McHaddo, que assina direção, roteiro e também
o desenho de alguns personagens, o filme mergulha de cabeça na literatura de
cordel, na cultura popular nordestina e em um vocabulário repleto de
regionalismos.
O resultado é uma mistura de humor, faroeste, ficção
científica e aventura, onde alienígenas aparecem aos montes — alguns deles
tocando sanfona e triângulo como se tivessem acabado de chegar de uma festa
junina intergaláctica.
A animação ganha ainda mais energia com a trilha sonora
produzida pela Music Solution, recheada de forró e ritmos nordestinos que
ajudam a dar identidade própria à história.
A trama começa em 1933, no sertão de Juazeiro do Norte, no
Ceará, aos pés da famosa estátua de Padre Cícero. É ali que conhecemos os
Cordélicos, um grupo de cinco amigos cangaceiros liderados por Capitão Rocha,
dublado por Bruno Garcia. Com ele estão Sivirino, ou simplesmente Siv, dublado
por Tadeu Mello, Bonita (Raissa Xavier), Rivonilda, a Rimbi (Carol Goes) e o
inseparável jegue Corisco.
Como toda boa aventura de cangaceiros, não falta
perseguição. O grupo vive fugindo do insistente cabo PM Firmino, dublado por
Marcelo Mansfield, e de seus dois ajudantes atrapalhados. Mas o que parecia ser
apenas mais uma correria pelo sertão muda completamente quando os amigos
encontram um misterioso portal temporal.
Em poucos segundos, eles saltam de 1933 para o ano 3333 e
descobrem um futuro dominado pelo temido Cabra da Peste, também com a voz de
Marcelo Mansfield. O vilão governa o chamado Neo Nordeste com mão de ferro e
pretende usar os cangaceiros para montar um exército capaz de dominar o mundo.
Daí em diante, vale tudo: armas a laser, naves espaciais,
criaturas alienígenas, perseguições futuristas e até citações de personalidades
como Guimarães Rosa e Gilberto Gil, lembradas pelo Capitão Rocha ao longo da
jornada. Entre uma confusão e outra, os Cordélicos precisam encontrar uma
maneira de voltar para casa e impedir os planos do tirano intertemporal.
Para aumentar ainda mais a diversão, o cantor Falcão surge
em participação especial como o hilário Falcão Espacial, ajudando os heróis
tanto no passado quanto no futuro. Explicar exatamente como tudo isso acontece
talvez seja impossível. Como diria Chicó, de "O Auto da Compadecida":
"Não sei, só sei que foi assim".
Com visual simpático, humor acessível para crianças e
diversas referências que os adultos vão captar, "Cordélicos - A Origem do
Cabra da Peste" é uma animação que celebra a criatividade brasileira ao
misturar elementos da cultura nordestina com ficção científica sem perder sua
identidade. Uma aventura arretada para toda a família.
Se você sair aperreado do cinema querendo mais, a boa
notícia é que as aventuras continuam na série "Cordélicos", que conta
com uma temporada de 26 episódios disponíveis no Prime Video e na Apple TV.
Ficha técnica: Direção e roteiro: Ale McHaddo Produção: 44 Filmes, coprodução SPCine e Prefeitura de São Paulo Distribuição: Retrato Filmes Exibição: Cine Belas Artes BH - sala 3 Duração: 1h12 Classificação: 10 anos País: Brasil Gêneros: animação, comédia
Chega aos cinemas brasileiros em 28 de maio, “Cansei de Ser Nerd”, com direção de Gualter Pupo e distribuição da (H2O Films). A comédia mistura romance, ficção científica, suspense e muitas referências ao universo geek para contar uma história sobre identidade, pertencimento e a dificuldade de continuar sendo quem você é.
Aírton (Fernando Caruso) é o tipo de nerd que nunca abandonou suas teorias. Anos depois da faculdade, ele volta ao reencontro da turma de faculdade decidido a fazer três coisas: provar sua inocência em um antigo mistério, expor um suposto culto alienígena e tentar reconquistar o amor do passado.
O resultado é uma aventura caótica que transforma paranoia, nostalgia e romances mal resolvidos em uma trama fora do comum.
O filme conversa diretamente com o público que cresceu cercado pela cultura pop. Estão ali referências a super-heróis, ficção científica, monstros clássicos e grandes franquias do cinema. Existe carinho por esse universo e isso funciona bem nos momentos mais divertidos.
Por outro lado, as referências acabam ocupando espaço demais. Em alguns momentos, elas servem mais como apoio do que como parte da narrativa, deixando temas mais interessantes em segundo plano.
No elenco estão ainda Bia Guedes (Juliana), Pedro Benevides (Ulisses), João Velho (Charles, desafeto de Aírton), Thais Belchior, Junior Vieira, Ana Carolina Sauwen, entre outros, além da participação especial de Cissa Guimarães, como Dona Têca, mãe de Aírton, e Bel Kutner, mãe de Charles.
Fernando Caruso sustenta boa parte do filme. Mesmo dentro da comédia, ele consegue trazer emoção quando o roteiro pede algo mais íntimo. Aírton funciona porque existe verdade nele: é alguém cansado de ser visto apenas como “o estranho” da história.
E talvez esse seja o melhor ponto do longa. Existe uma discussão interessante sobre a necessidade de mudar para ser aceito. Em determinado momento, Aírton tenta abandonar aquilo que o define para parecer mais comum.
O filme toca numa ferida muito humana: quantas vezes as pessoas escondem partes de si para caberem onde nunca houve espaço? O problema é que a obra quer abraçar muitos caminhos ao mesmo tempo.
Mistério, bullying, reencontro de amigos, romance, teorias conspiratórias e traumas do passado disputam atenção dentro de pouco tempo de tela.
Ainda assim, há carisma nessa bagunça. “Cansei de Ser Nerd” não é um filme perfeito e tropeça ao tentar falar de tudo. Mas acerta quando deixa de lado o exagero e olha para algo simples: o medo de não pertencer.
No fim, fica uma mensagem sincera: talvez crescer não seja deixar de ser nerd. Talvez seja parar de pedir desculpas por ser quem você sempre foi.
Ficha técnica: Direção: Gualter Pupo Produção: Hungryman e Na Paralela Filmes, em coprodução com a Paramount Pictures e Telecine Distribuição: H2O Films Exibição: nos cinemas Duração: 1h27 Classificação: 14 anos País: Brasil Gêneros: comédia romântica, ficção, suspense
Isis Valverde e Marianna Santos vivem mãe e filha neste thriller de suspense adaptado de um sucesso homônimo dos anos 2000 (Fotos: Floresta Produções)
Maristela Bretas
Mari (Isis Valverde) é uma mulher marcada por uma tragédia da violência urbana dos nossos dias. Ela e sua filha adolescente Bel (Marianna Santos), mudam-se para uma mansão luxuosa, equipada com um sistema de segurança de alta tecnologia e localizada em um condomínio fechado.
O principal ambiente da casa é um espaço secreto, revestido de aço maciço e impenetrável, que só pode ser aberto por dentro, onde os moradores podem se esconder em caso de perigo.
Quando supostos ladrões invadem a residência, mãe e filha se refugiam nesse cômodo, até descobrirem que é justamente ali que está escondido o que o trio de invasores - Charly (Marco Pigossi), Benito (André Ramiro) e Raul (Caco Ciocler) - deseja roubar.
Esta é a história de "Quarto do Pânico", filme dirigido por Gabriela Amaral Almeida, que chega nesta sexta-feira 13, no catálogo do Globoplay. O longa faz sua superestreia no sábado, dia 14, às 22 horas, no @Telecine Premium. No domingo (15) haverá reexibição, no Telecine Pipoca, às 20 horas.
Com roteiro de Fábio Mendes, a produção é uma adaptação brasileira do sucesso de 2002 dirigido por David Fincher e estrelado por Jodie Foster e Kristen Stewart.
A versão original pode ser conferida nas plataformas de streaming Amazon Prime e HBO Max, por assinatura, ou na Apple TV, Youtube e Google Play Filmes por aluguel. Confira o trailer clicando aqui.
Neste remake, a trama é transportada para um contexto nacional, com fortes tensões, leituras sociais, uma estética que privilegia o suspense psicológico e um grande elenco, com que entrega excelentes atuações.
Especialmente a jovem Marianna Santos, que assume a responsabilidade de interpretar o papel vivido na versão original por Kristen Stewart e começou muito bem.
A narrativa é claustrofóbica e tensa, prometendo deixar o espectador em suspense na maior parte da trama. Embora utilize a mesma base da história, o roteiro brasileiro reforça as questões pessoais, como a relação entre Mari e a adolescente Bel, que é diabética.
A química entre Isis Valverde e Marianna Santos funciona bem, permitindo maior intensidade emocional nas cenas - resultado de um trabalho intenso fora do set de filmagens realizado pela experiente atriz com a jovem, como Isis contou em coletiva à imprensa.
Na mesma coletiva online, a diretora Gabriela Amaral Almeida explicou a questão da violência no filme. "O que nos interessava era entender a natureza da violência no nosso contexto, a violência urbana, de classe, de gênero. A casa invadida é também um corpo feminino violado”.
O roteirista Fábio Mendes reforça a necessidade de criar um thriller mais próximo da realidade brasileira, cuja “violência urbana crescente tem isolado cada vez mais as pessoas”.
Cabe aos invasores, com seus perfis e motivações totalmente diferentes, imprimir a dinâmica necessária ao filme, criando o clima psicológico de ameaça constante que vai levar ao confronto entre vítimas e algozes.
Destaque para as atuações de Marco Pigossi e André Benito, que ressaltou a importância de seu personagem como o coração do trio, aquele que estava cometendo um crime por um motivo familiar.
O elenco conta ainda com Leopoldo Pacheco, Dudu de Oliveira, Wesley Andrade, Felipe Martins, Clarissa Kiste, Carlos Morelli.
Em alguns momentos, no entanto, a narrativa fica um pouco superficial quando comparada à versão dirigida por David Fincher. Há também certos furos, como a entrada de três suspeitos, sem autorização do morador, em um local que deveria apresentar controle de segurança redobrado.
As cenas de confronto físico não convencem totalmente, apesar do bom desempenho dos atores principais e de alguns exageros pontuais. Já a conclusão apressada acaba prejudicando a estratégia de força e tensão que construída ao longo do filme.
Mesmo assim, a versão brasileira de "Quarto do Pânico" é uma produção bem elaborada, que aposta nas relações pessoais de seus personagens e na força emocional que elas conferem à trama. Soma-se a isso a qualidade dos efeitos visuais de qualidade e uma trilha sonora bem escolhida. Vale à pena conferir.
Ficha técnica:
Direção: Gabriela Amaral Almeida Roteiro adaptado: Fábio Mendes Produção: Floresta Produções Distribuição: Sony Pictures Television Exibição: Telecine Duração: 1h38 Classificação: 16 anos País: Brasil Gênero: suspense Nota: 4 (0 a 5)
De "O Agente Secreto", com Wagner Moura, a produções latino-americanas, com programação gratuita em pré-estreias e mostras temáticas. Esta é a 19ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e o 16º Brasil CineMundi – International Coproduction Meeting, que acontece de 23 a 28 de setembro em dez espaços da capital, num total de 71 sessões de cinema.
Toda a programação é gratuita para o público. A retirada de ingressos deve ser feita nas bilheterias dos cinemas 60 minutos antes de cada sessão. Sujeito e lotação de cada espaço. Saiba mais sobre a programação completa no site oficial do evento: https://cinebh.com.br
Carlos Francisco (Universo Produção)
A abertura na noite do dia 23 será às 20 horas, no Cine Theatro Brasil, com o aguardado “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, filme que conquistou os prêmios de melhor direção, ator (Wagner Moura) e crítica no Festival de Cannes, além de ser o escolhido para disputar pelo Brasil o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2026. Será a primeira exibição do longa em Minas Gerais
MOSTRA HOMENAGEM
O tributo da 19ª CineBH será ao ator mineiro Carlos Francisco, uma das presenças mais marcantes e carismáticas do cinema brasileiro contemporâneo. Integrante do elenco de "O Agente Secreto", ele estará presente na abertura do evento e será homenageado também nos demais dias com a exibição de sessões especiais de sua filmografia.
Celebrado por sua versatilidade, Carlos iniciou a carreira no teatro amador nos anos 1980, fundou o Grupo Folias em São Paulo e estreou no cinema em 2005 com “O Casamento de Romeu e Julieta”. O ator teve participações especiais também em “Bacurau” (2019), “Marte Um” (2021) e “Estranho Caminho” (2023), “Enterre seus Mortos” (2024) e “Suçuarana” (2025).
Mostra CineMundi
Nós Somos o Nosso Futuro?
A seleção da 19ª CineBH deste ano apresenta narrativas latino-americanas a partir do tema “Horizontes Latinos: Nós Somos o Nosso Futuro?”, que reflete sobre a soberania cultural e política do cinema latino-americano e incentiva narrativas que rompam com o eurocentrismo.
Serão exibidos 101 filmes, sendo 48 longas, um média e 52 curtas-metragens, distribuídos nas mostras Território, Conexões, Vertentes, Praça, Homenagem, CineMundi, Diálogos Históricos, A Cidade em Movimento, Curtas Contemporâneos, WIP, Mostrinha, além da abertura e um cine-concerto.
A programação deste ano conta com narrativas que abordam questões sociais, políticas e culturais, ao mesmo tempo em que propõem caminhos estéticos ousados, numa seleção diversificada de obras, muitas delas inéditas no Brasil.
Mostra Territórios
Recorte latino-americano
A 19ª CineBH destaca 16 filmes nas mostras Território (competitiva) e Conexões, com produções de Brasil, Uruguai, México, Equador, Peru, Chile, Argentina, Porto Rico e Colômbia, várias delas em coproduções com países europeus e asiáticos.
A seleção da Mostra Território privilegia títulos inéditos ou com pouca circulação no Brasil, explorando perspectivas únicas do continente, com curadoria de Cléber Eduardo, Ester Fér, Leonardo Amaral e Mariana Queen Nwabasili.
- “Bienvenidos Conquistadores Interplanetários y Del Espacio Sideral” (Colômbia, Portugal, 2024), de Andrés Jurado, 95 min- “Chicharras” (México, 2024), de Luna Marán - “Huaquero” (Equador, Peru, Romênia, 2024), de Juan Carlos Donoso Gómes- “Movimento Perpétuo” (Brasil, 2024), de Leandro Alves - “Punku” (Peru, Espanha, 2025), de J. D. Fernández Molero - “Queimadura Chinesa” (Uruguai, Brasil, 2025), de Verónica Perrota - “Uma casa com dois cachorros” (Argentina, 2025), de Matías Ferreyra
Mostra Conexões
MOSTRA CONEXÕES
Novidade desta edição, a Mostra Conexões destaca a inventividade em formas amplas e serve de ampliação do panorama no continente a partir da visão dos curadores.
- “Álbum de família” (Argentina, 2024), de Laura Casabé - “Cais” (Brasil, 2025), de Safira Moreira - “Crónicas del absurdo” (Cuba, 2024), de Miguel Coyula - “Memória Implacable” (Chile, Argentina, 2024), de Paula Rodríguez - “Notas sobre um desterro” (Brasil, 2025), de Gustavo Castro - “Todo documento de civilización” (Argentina, 2024), de Tatiana Mazú González - “Todo parecía posible” (Porto Rico, Estados Unidos, 2024), de Ramón Rivera Moret - “Un cuento de pescadores” (México, 2024), de Edgar Nito
Mostra Vertentes
MOSTRA VERTENTES
Criada no ano passado para abrigar filmes brasileiros de destaque em festivais do país, em 2025 a Vertentes se ampliou para um recorte mais geral de produções contemporâneas realizadas no país.
A seleção reflete caminhos criativos em andamento, narrativas que exploram conflitos, transformações e descobertas multifacetadas. A curadoria é de Marcelo Miranda e Rubens Fabrício Anzolin e conta com pré-estreias, todas inéditas em Belo Horizonte.
- “A Voz de Deus” (2025), de Miguel Antunes Ramos - “Apenas Coisas Boas” (2025), de Daniel Nolasco - “Aqui Não Entra Luz” (2025), de Karoline Maia - “Assalto à Brasileira” (2025), de José Eduardo Belmonte - “Enquanto o Céu não me Espera” (2025), de Christiane Garcia - “Enterre seus Mortos” (2024), de Marco Dutra - “Meu Pai e Eu” (ES, 2024), de Thiago Moulin - “Morte e Vida Madalena” (2025), de Guto Parente - “Nosferatu” (2025), de Cristiano Burlan - “Paraíso” (2025), de Ana Rieper - “Um Minuto é uma Eternidade para Quem está Sofrendo” (2025), de Fábio Rogério e Wesley Pereira de Castro - “Verde Oliva” (2025), de Wellington Sari
Mostra Diálogos Históricos
MOSTRA DIÁLOGOS HISTÓRICOS
Neste ano, o destaque-homenagem será ao dominicano Nelson Carlo De los Santos Arias, com obras emblemáticas que o tornam um dos nomes mais singulares do continente.
Com curadoria de Marcelo Miranda e colaboração de Cléber Eduardo, a seleção exibe quase toda a obra de Nelson ao longo de três dias. Todas as sessões vão ter a presença do cineasta, que irá conversar com os espectadores.
- “Canciones de Cuna” (2014) - “Cocote” (2017) - “Pareces una carreta de esas que no la para ni lo’ bueye” (2013) - “Santa Teresa y Otras Historias” (2015)
MOSTRA CINEMUNDI
Celebrando os 16 anos do Brasil CineMundi – International Coproduction Meeting, com curadoria de Pedro Butcher, o recorte exibe filmes cujos primeiros projetos passaram pelo programa de coprodução, realizado anualmente em Belo Horizonte. Todos eles vêm tendo ampla repercussão no cenário mundial em anos recentes.
- “A Natureza das Coisas Invisíveis” (DF, 2025), de Rafaela Camelo, 90 min - “A Vida Secreta dos Meus Três Homens” (PE, 2025), de Letícia Simões, 75 min - “As Muitas Mortes de Antonio Parreras” (RJ, 2024), de Lucas Parente, 65 min - “Nimuendajú” (MG, 2024), de Tania Anaya, 85 min - “Suçuarana” (MG, 2024), de Clarissa Campolina e Sérgio Borges, 85 min
Mostra Praça
MOSTRA PRAÇA
A Mostra Praça acontece a céu aberto na Praça da Liberdade, sempre às 20 horas, integrando o cinema à paisagem urbana de Belo Horizonte. Para este ano, o foco está na música como elemento de ligação entre os filmes. Cada filme traduz a musicalidade como forma de resistência, invenção lúdica ou conexão cultural.
- Dia 25/09 - “Ritas” (Brasil, 2025), de Oswaldo Santana e Karen Harley - Dia 26/09 - “Lagoa do Nado - A Festa de um Parque” (MG, Brasil, 2025), de Arthur B. Senra - Dia 27/09 - “Milton Bituca Nascimento” (Brasil, 2025), de Flávia Moraes
MOSTRINHA
Para toda a família tem a Mostrinha de Cinema, com sessões no Cine Petrobras na Praça e no Cine Santa Tereza. As sessões serão acompanhadas pelos personagens da Turma do Pipoca e intervenções circenses.
DIA 27 (sábado), às 17 horas, na Praça da Liberdade: intervenção circense do Palhaço Cloro, seguida por uma sessão de curtas-metragens:
- “Menino Gepeto”, de Cláudio Constantino e Rafael Guimarães (Animação, 13min, MG, 2025);
- “Sobre Amizade e Bicicletas”, de Julia Vidal (Ficção, 12min, Brasil, 2022);
- “Sacis”, de Bruno Bennec (Ficção, 23min, MG, 2024).
DIA 28 (domingo), às 16 horas, no Cine Santa Tereza: espetáculo circense do Palhaço Pitoco e o show de mágica de Roni Rodan. Na sequência, sessão de curtas de animação acompanhada do especial Cine-Concerto Tela Sonora, que reúne música eletrônica e animações brasileiras. O programa exibe quatro obras marcantes da animação nacional:
- “O Malabarista” (Iuri Moreno, 2018);
- “Caminho dos Gigantes” (Alois Di Leo, 2016);
- “Plantae” (Guilherme Gehr, 2017);
- “Meow!” (Marcos Magalhães, 1981)
Mostrinha
MOSTRA A CIDADE EM MOVIMENTO
Com produções independentes de Belo Horizonte e região metropolitana em diálogo direto com a vivência nas cidades, a curadoria de Bruna Piantino adotou o tema “Um lugar ao sol”. Serão 13 filmes, entre curtas e longas-metragens, em sessões temáticas com rodas de conversa sobre maternidade solo, corpo-território, existências trans, arte e desejo e entrelaços geracionais, com a presença de convidados.
Curtas: - “Babilônia”, de Duda Gambogi - “Carlito(s)”, de Pedro Rena - “Escuta pra cê vê”, de Arthur Medrado e Thamira Bastos - “Não Quero ser Capeta, Não!”, de Duna Dias e Leonardo Augusto - “Pandeminas”, de Ben-Hur Nogueira - “PPL é Quem?”, de Ludmilla Cabral - “Ressaca”, de Pedro Estrada; “Mandinga”, de Mariana Starling - “Tudo o que Quiser”, de Mariana Machado - “Um Ato de Corpo Inteiro”, de Marianna Fagundes - “Vidas (ou)vidas – Yusuf”, de Luís Evo
Longas: - “Lagoa do Nado - A Festa de um Parque”, de Arthur B. Senra - “Sou Amor”, de André Amparo e Cris Azzi
Mostra A Cidade em Movimento
MOSTRA DE CURTAS-METRAGENS
Rubens Fabricio Anzolin agrupou 18 curtas-metragens selecionados em quatro sessões, com obras que exploram poéticas singulares de se relacionar com o mundo. São filmes sobre o território e o Brasil, desviando do realismo puro para mergulhar em texturas, experimentações e brechas narrativas.
- "Aparição", de Camila Freitas - "Bailinho", de Gabriel Vieira de Mello - "Confluências", de Dácia Ibiapina - "Desvios Diários: Domingo", de Bruno Risas - "Dois Nilos", de Samuel Lobo e Rodrigo de Janeiro - "Entre Aulas", de Marizele Garcia - "Goiânia: Notas Pendulares sobre a Metrópole", de O. Juliano Gomez - "Jamais visto", de Natália Reis - "Kabuki", de Tiago Minamisawa - "Lagoa Armênia", de Leonardo da Rosa - "Mãe do Ouro", de Maick Hannder - "Marmita", de Guilherme Peraro - "Moscou", de Victória Correa Silva - "Pequeno B", de Lucas Borges - "Sebastiana", de Pedro de Alencar - "Sutura", de Felipe Fuentes e Miller Martins - "Terra Mãe Mãe Terra", de Júlia Mattar - "Três", de Lila Foster
Filmes na plataforma Itaú Cultural Play
Programação online
Diversos títulos da Mostra A Cidade em Movimento da 19ª CineBH estarão disponíveis na programação online que poderá ser acessada gratuitamente na plataforma do evento cinebh.com.br.
Além disso, um recorte especial de filmes vai compor uma seleção na plataforma Itaú Cultural Play no período de 29 de setembro a 13 de outubro, em parceria com o Itaú Cultural. Acesso pelo link : https://www.itauculturalplay.com.br/
Curtas
Serviço:
19ª CineBH - Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e 16º Brasil Cinemundi – Encontro Internacional de Coprodução Data: 23 a 28 de setembro Programação: https://cinebh.com.br Ingressos: sessões gratuitas, com retirada de ingressos nas bilheterias dos cinemas 60 minutos antes de cada sessão. Sujeito e lotação de cada espaço Locais de realização: - Fundação Clóvis Salgado = Cine Humberto Mauro, Sala João Ceschiatti, Sala Juvenal Dias, Jardim Interno e Jardim do Parque; - Cine Theatro Brasil (Grande-Teatro e Teatro de Câmara); - Centro Cultural Unimed-BH Minas = sala 2 - Una Cine Belas Artes; - Cine Santa Tereza; - Teatro Sesiminas; - Praça da Liberdade; - Casa da Mostra - CineMundiLab - Rua Maripá, 43 - Serra Informações: (31) 3282-2366
Drama ficcional dirigido por Gabriel Mascaro tem no elenco os premiados Rodrigo Santoro e Denise Weinberg (Fotos: Guillermo Garza/Desvia Produções)
Maristela Bretas
Caudaloso sem ser monótono, como os rios da Amazônia; cruel e realista ao tratar da velhice, mas sem deixar que a esperança se apague. Assim é "O Último Azul", drama nacional distribuído pela Vitrine Filmes que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (28) e já acumula elogios e prêmios em festivais nacionais e internacionais.
Com direção de Gabriel Mascaro (“Boi Neon” - 2016), o longa aborda o desrespeito àqueles que um dia foram a força de trabalho do país e hoje são tratados como descartáveis.
A frase "O Futuro é de Todos", que permeia a narrativa, como um vazio slogan de marketing estampado em uma faixa puxada por um avião que sobrevoa a cidade no início e no fim do filme.
Na verdade, quem envelhece deixa de ser considerado produtivo e acaba "recolhido", como prisioneiro, em um asilo com nomes mais amenos, mas com o mesmo objetivo cruel: manter os idosos afastados da sociedade.
A Floresta como pano de fundo
Assim é a história de Tereza (Denise Weinberg), uma mulher de 77 anos que vive e trabalha em uma cidade na região amazônica até ser convocada oficialmente pelo governo a se mudar para uma colônia habitacional compulsória. Ali, os idosos "desfrutam" de seus últimos anos de vida, enquanto a juventude segue tocando o país, sem se preocupar com quem veio antes.
Antes de partir, Teresa embarca em uma jornada pelos rios da Amazônia para realizar seu maior sonho. Nesse percurso, conhece pessoas diferentes da realidade que sempre viveu e descobre que ainda pode dar novo sentido à própria vida.
Denise Weinberg está impecável ao mostrar, em Tereza, tanto a resistência quanto as dores de quem enfrenta o desrespeito, a perseguição e o descaso — inclusive da própria filha e das autoridades.
"O Último Azul" altera imagens sutis para abordar o tratamento da velhice, como frases pintadas em muros, com outras de extrema crueldade, como as cenas do veículo "cata-velho". Teresa, como tantos outros idosos, torna-se prisioneira de um sistema que controla cada passo de sua existência.
Grande elenco
É na travessia pelos rios e comunidades ribeirinhas que Teresa vai conhecer outros personagens que dividem com ela o protagonismo do filme.
- Cadu, o pescador solitário e amargo vivido por Rodrigo Santoro, entrega uma interpretação intensa e arrebatadora. É ele quem revela a Teresa os mistérios da região (e explica o nome do filme), enquanto expõe seus próprios fantasmas.
- Roberta, a barqueira e missionária interpretada com delicadeza pela atriz cubana Miriam Socarrás, estabelece com Teresa uma amizade verdadeira, marcada por maturidade, respeito, afeto e também sexualidade, que o filme mostra existir na velhice, sem amarras.
- Ludemir, interpretado pelo ator indígena Adanilo, dá ainda mais força ao elenco. Conhecido de produções nacionais e novelas, ele interpreta um mecânico que se conecta de forma especial à protagonista.
Premiações internacionais
“O Último Azul” foi vencedor de três prêmios na 75ª edição do Festival de Berlim de 2025, incluindo o Urso de Prata - Grande Prêmio do Júri. Também conquistou no Festival de Guadalajara, no México, a estatueta de Melhor Filme Ibero-Americano de Ficção e o Prêmio Maguey de Melhor Interpretação para Denise Weinberg.
Produção é uma viagem espiritual e de redescoberta, que emociona pela leveza e impacta pela dureza de suas verdades, potencializada pela riqueza de detalhes e as imagens produzidas ao longo dos rios da sempre exuberante Amazônia.
E uma trilha sonora que conta com Maria Bethânia interpretando "Rosa dos Ventos". Demais!
Ficha técnica:
Direção: Gabriel Mascaro Roteiro: Gabriel Mascaro e Tibério Azul Produção: Desvia (Brasil) e Cinevinat (México), com coprodução Globo Filmes, Quijote Films (Chile) e Viking Film (Países Baixos) Distribuição: Vitrine Filmes Exibição: nos cinemas Duração: 1h25 Classificação: 14 anos Países: Brasil, México, Chile e Países Baixos Gêneros: drama, ficção