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09 julho 2026

"A Gente Tenta": entre risos, frustrações e a difícil arte de construir novas histórias

Dorama tem como destaque os atores sul-coreanos Koo Kyo-hwan e Go Youn-jung que formam uma
relação de acolhimento (Fotos: Netflix)
 
 

Silvana Monteiro

 
Para quem gosta de histórias ambientadas nos bastidores do cinema, das produções audiovisuais e de personagens complexos, fica minha indicação de um dorama da Netflix: "A Gente Tenta" ("We Are All Trying Here").

A minissérie acompanha um grupo de cineastas que se reúne regularmente no bar de uma amiga e colega de profissão. Entre projetos frustrados, sonhos adiados, rivalidades, afetos e muita conversa regada a álcool, acompanhamos personagens que tentam sobreviver — e criar — em um mercado audiovisual nem sempre acolhedor.


Os destaques ficam para Hwang Dong-man (interpretado por Koo Kyo-hwan), que há décadas tenta emplacar um roteiro nas grandes produtoras, e Byeon Eun-ah (papel de Go Youn-jung), que carrega um segredo bombástico capaz de ressignificar muitas das relações ao seu redor. 

Go Youn-jung é uma atriz sul-coreana que tem em sua filmografia sucessos séries como "Alquimia das Almas" (2022-2023), "O Amor Pode Ser Traduzido" (2026) e "Em Movimento" (desde 2023). 

Já Koo Kyo-hwan, também sul-coreano, alcançou maior sucesso por sua atuação na série "D.P. Dogs Day (2021-2023, da Netflix, além da participação nos filmes "Jane" (2016) e "Invasão Zumbi 2" (2020).


A dinâmica entre eles dois, que são os mais novos do grupo, e o restante da turma, é construída aos poucos, revelando ressentimentos, admiração, inveja, amizade e sentimentos difíceis de nomear. 

No meio disso tudo, dois atores consagrados do cinema sul-coreano são disputados por sua capacidade de interpretação, mas são colocados, para além do conflito técnico, à prova de suas humanidades. 


O grande mérito da minissérie está nos diálogos, na construção dos acontecimentos e nos temas sensíveis os quais ela aborda. São daqueles que parecem simples à primeira vista, mas continuam pulsando na nossa cabeça e no nosso coração depois que o episódio termina. 

A atuação da dupla principal é impressionante, e a narrativa está repleta de referências sutis a obras consagradas do cinema, um prato cheio para quem gosta de identificar camadas e homenagens. 

A forma como os personagens são desenvolvidos, sem a história de um encobrir a outra, mantendo um ritmo convidativo e interessante, faz querer digerir os capítulos como se faz com um bom prato de comida quando se está faminto. 


Apesar do título modesto em português, a obra é muito mais rica do que parece. Além do humor e dos conflitos profissionais, a série aborda temas como autoria e coautoria, financiamento público para a cultura, maternidade, equidade de gênero no audiovisual e outras questões sensíveis, como o autoextermínio, sem cair em discursos fáceis.

É uma dessas produções que entretêm, fazem rir, provocam reflexão e deixam alguns temas e reflexões ocupando espaço na cabeça por dias. A fotografia também é um grande trunfo. Merece aplausos.


Ficha técnica:
Direção: Cha Young-hun
Roteiro: Park Hae-young
Produção: Netflix
Exibição: Netflix
Duração: 12 episódios
Classificação: 16 anos
País: Coreia do Sul
Gêneros: minissérie, dorama, romance

30 março 2026

"Ditto: Conexões do Amor" - uma experiência sensível sobre relações humanas

Os atores sul-coreanos Yeo Jin-goo e Cho Yi-hyun protagonizam este romance de ficção de 2022
(Fotos: Sato Company)
 
 

Silvana Monteiro

 
A refilmagem de "Ditto - Conexões do Amor" (2022), dirigida por Seo Eun-young, parte da narrativa de que a conexão entre os seres humanos atravessa o tempo. 

No decorrer da história é possível observar o que há de mais cotidiano nas relações: o encontro, o desencontro e inúmeras tentativas de buscar a concretização daquilo que para nós é ainda mais caro e necessário: olho no olho, frente a frente.


Protagonizada por Yeo Jin-goo e Cho Yi-hyun a obra chegou aos cinemas brasileiros por meio da Sato Company. O enredo traz a história dos universitários Kim Yong (Yeo Jin-goo) e Mo-nee (Cho Yi-hyun) que acabam se encontrando e interagindo apenas por meio das ondas de rádio, um dispositivo antigo amador encontrado por acaso, por ele. 

Ao conectar Kim Yong, em 1999, e Mo-nee, em 2022, o filme transforma a comunicação em metáfora. Além de tratar de um recurso de ficção científica, o filme nos traz uma reflexão sobre como, em qualquer época — seja por meio de rádios transceptores, redes sociais ou encontros presenciais —, seguimos tentando alcançar o outro, muitas vezes sem saber exatamente o que esperamos encontrar.


Há, nesse sentido, uma poesia discreta na forma como a história se desenrola: a vida como um campo de possibilidades, mas também de entraves. 

A condução narrativa aposta no afeto e na nostalgia, especialmente ao contrastar dois tempos que, embora próximos, revelam mudanças sutis nas formas de se relacionar.

As conversas entre os protagonistas sustentam o filme, ainda que, em alguns momentos, o roteiro se alongue mais do que o necessário. Há também escolhas previsíveis, que aproximam a obra de certos clichês do gênero romântico.


Ainda assim, "Ditto - Conexões do Amor" mantém um equilíbrio que o torna acessível. Não busca reinventar o romance nem a ficção científica, mas oferecer uma experiência sensível sobre conexões humanas. 

É bem simples e morno às vezes: uma história sobre como, apesar das distâncias, sejam elas temporais ou emocionais, seguimos buscando formas de nos reconhecer no outro.

No fim, é um filme razoável, que pode agradar tanto a quem se aproxima pela primeira vez quanto aos que carregam alguma memória afetuosa da obra original. 

Mais do que sobre o tempo, "Ditto - Conexões do Amor" fala sobre a tentativa constante, e sempre tentante, de conexões afetivas. Com certeza é uma boa pedida para dorameiras e dorameiros de plantão.


Ficha técnica:
Direção: Seo Eun-young
Distribuição: Sato Company
Exibição: Cineart Shopping Cidade
Duração: 1h54
Classificação: 12 anos
País: Coreia do Sul
Gêneros: romance, ficção

07 janeiro 2024

Entre amores e desafios: a jornada de Lim Ju-kyung em "Beleza Verdadeira"

Dorama aborda os encantos e desafios de uma jovem no mundo da aparência, vivendo um triângulo amoroso (Fotos: Netflix)


Filipe Matheus
@comentandosucessosoficial


Quem não ama uma história de amor? Agora, imagina se apaixonar pela mesma garota que seu melhor amigo gosta. Em "Beleza Verdadeira" ("True Beauty"), dorama disponível na Netflix, Lim Ju-kyung (Moon Ga-young) passa por essa situação. Complicado demais, não é verdade?

No dorama, uma estudante esconde seu passado e aprende técnicas de maquiagem que a tornam popular na escola. Lee Su-ho (Cha Eun-woo) e Han Seo-jun (Hwang In-yeop) disputam o coração da protagonista. 

Além de superar traumas do passado, ela vai começar a viver novas experiências, não só com os amigos, mas também em família. 


Os episódios abordam assuntos importantes como suicídio, bullying e relação com os pais. O melhor de tudo é a trilha sonora, que faz o espectador ficar mais apaixonado pelo enredo da série.

Primeiro amor, amizades e muita música, tudo bem produzido, dá vontade de sair do Brasil e viver na Coreia do Sul, onde é ambientada essa história.

Um ponto positivo é a atuação de Park Yoo-na ("A Man Of Reason" - 2022), uma personagem intrigante, que mostra sua personalidade forte, e também revela segredos ao decorrer dos 16 episódios.


Os demais integrantes do elenco atuam muito bem, todos os personagens têm protagonismo e as histórias se desenvolvem bem, ajudando o espectador a se envolver no enredo.

Um ponto negativo são as poucas cenas de Jin Seo-yeon (Chani) que tem uma importância essencial no dorama, mas aparece pouco, faltando contar mais sobre a história dele.

Então, não perca tempo, e venha embarcar nessa aventura, cheia de amor, pela busca da beleza verdadeira.


Ficha técnica:
Direção: Kim Sang-hyub
Produção: tvN
Exibição: Netflix
Duração: 1 temporada - 16 episódios
Classificação: 14 anos
País: Coreia do Sul
Gêneros: dorama, comédia, romance