02 outubro 2016

"O Lar das Crianças Peculiares" é a essência criativa de Tim Burton

Cenários sombrios ajudam a envolver o público nesta história de fantasia (Fotos: Fox Film do Brasil/Divulgação)

Maristela Bretas


Não há como negar: "O Lar das Crianças Peculiares" ("Miss Peregrine's Home For Peculiar Children") é o melhor de Tim Burton nos últimos tempos, explorando bem a mistura de fantasia, aventura e família para conquistar tanto o público infanto-juvenil quanto o adulto. O diretor adaptou e melhorou para a versão no cinema o livro de Ransom Riggs. Encanta, assusta sem causar medo e prende o espectador do início ao fim. No filme, Burton usa e abusa de sua maior característica - o ambiente sombrio como cenário para suas histórias.

Aliado a isso, a atuação de uma grande atriz - Eva Green - orquestrando toda a ação envolvendo as crianças e as demais pessoas ligadas ao lar. Ela é Miss Peregrine, que vai fazer uma revolução na vida do jovem Jake (papel muito bem interpretado por Asa Butterfield) e também das crianças.


Bela fotografia, ótimos diálogos, uma ambientação totalmente adequada ao universo estranho (e ao mesmo tempo mágico) de Tim Burton. O longa-metragem explora bem as peculiaridades de cada uma das crianças do lar, que desempenham bem seus papéis: Emma (Ella Purnell), que precisa usar sapatos de chumbo para não voar; o garoto invisível; a adolescente que incendeia tudo o que toca; a menina de força descomunal; o menino que cultiva abelhas dentro do corpo; os gêmeos encapuzados (não vou contar seus poderes); a menina que controla a flora. Isso sem falar nas criaturas do Mal - os Etéreos.

Boas participações também do sempre genial Samuel L. Jackson como o vilão Barron, Terence Stamp como Abe, avô de Jake, e Judi Dench, como Miss Avocet, em rápida aparição, outra protetora de crianças peculiares.

Sempre deslocado, sofrendo bullying na escola e incompreendido pelos pais por não se adaptar ao mundo chamado normal, Jake só encontra consolo e carinho com o avô Abe. Desde criança ele lhe contava histórias sobre a infância em um orfanato de crianças e adolescentes com poderes especiais que eram rejeitadas por serem diferentes. Sob a proteção de Miss Peregrine, elas viviam em uma grande mansão, escondidas de seres do mal, os Etéreos, que queriam roubar seus olhos.

Após a estranha morte do avô, Jake parte com seu pai para o País de Gales, onde pretende encontrar Miss Peregrine, atendendo ao último pedido do avô, que disse que ela lhe contaria toda a história e quem ele era realmente. Ao chegar, Jake descobre que o local onde ela viveria é uma mansão em ruínas, que foi atingida por uma bomba durante a Segunda Guerra Mundial. 


Para sua surpresa, no entanto, Jake encontra as crianças peculiares que o levam por uma fenda temporal, onde Miss Peregrine vive e as protege das criaturas e da maldade do mundo exterior. 

"O Lar das Crianças Peculiares" é imperdível e leva o público a viajar na fantasia sombria e criativa de Burton. O filme está em formatos 2D e 3D, em sessões dubladas e legendadas.



Ficha técnica:
Direção: Tim Burton
Produção: 20th Century Fox / Chernin Entertainment / Scope Pictures / Tim Burton Productions
Distribuição: Fox Film do Brasil
Duração: 2h07 
Gêneros: Fantasia / Aventura / Família
Países: EUA / Reino Unido / Bélgica
Classificação: 12 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

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30 setembro 2016

"Lembrança de um Amor Eterno" tem química fraca do casal principal


Jeremy Irons é um professor que se envolve com a aluna Olga Kurylenko (Fotos: PlayArte Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Giuseppe Tornatore (de "Cinema Paradiso" - 1988) volta às telas como diretor e roteirista do romance "Lembrança de um Amor Eterno" (La Corrispondenza"), que conta ainda com uma bela trilha sonora de Ennio Morricone. O filme explora a relação entre duas pessoas com uma grande diferença de idade - a universitária e dublê de cinema Amy, papel de Olga Kurylenko, e Edward, seu orientador no curso de Astrofísica, interpretado por Jeremy Irons.

Nem o fato de morarem em países diferentes, cada um com seu estilo de vida, é capaz de diminuir a paixão de um pelo outro. Amy vive sua vida à espera dos poucos momentos que terá com Edward, das conversas pelo Skype, dos bilhetes, cartazes e presentes que chegam em momentos exatos. De poucos amigos, sua razão de viver está no amado, que a conhece melhor que ela mesma e corresponde à paixão.

A relação chega a ser obsessiva e nem mesmo a família poderia por fim a ela. O que a estudante não contava que, ao mesmo tempo em que continua recebendo mensagens gravadas do amado, recebe a notícia da morte dele durante uma conferência em que ele deveria ser o palestrante.

Começa aí um novo drama para Amy que não sabe como viver sem o amante, professor e companheiro de poucas, mas intensas, horas. Para surpresa da jovem, Edward, mesmo depois de morto, continua ditando sua vida, mantendo os antigos hábitos. Seguindo a linha romance-tragédia, "Lembrança de um Amor Eterno" se torna um pouco cansativo ao repetir situações do casal e a insistência da jovem em manter viva a imagem do amante morto.

A história fica centrada no romance pós-morte, com vai e vem de cartas, vídeos gravados em excesso e a garota fazendo cenas cada vez mais perigosas como dublê, como se não quisesse mais viver. Nem mesmo a entrada de outros atores - como a família de Edward e colegas de trabalho de Amy empolgam o enredo. Olga e Jeremy, apesar de ótimos atores, não criaram uma química muito boa como casal apaixonado, estão mais para professor e aluna.

A produção italiana é boa, mas o romance poderia ter sido mais bem explorado, assim como a fotografia, já que algumas cenas foram feitas numa região muito bonita da Itália. "Lembranças de Um Amor Eterno" deixou um pouco a desejar, não é dos melhores trabalhos de Tornatore, mas ainda assim merece ser conferido. O filme está em exibição na sala 4 do Cineart Ponteio, sessões às 16h30 e 21h15.




Ficha técnica:
Direção e roteiro: Giuseppe Tornatore
Distribuição: PlayArte Pictures
Duração: 1h56
Gêneros: Drama / Romance
País: Itália
Classificação: 14 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

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