07 março 2015

"Dois dias, uma noite" - Individualidade versus solidariedade

Marion Cotillard é uma operária que precisa convencer seus colegas de trabalho a abrirem mão de um bônus para mantê-la no emprego (Fotos Imovision/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Dirigido pelos irmãos belgas Jean Pierre e Luc Dardenne, "Dois dias, uma noite" ("Deux jours, une nuit") é o exemplo concreto de como uma ideia e um roteiro simples podem se transformar num grande filme. Sandra (Marion Cotillard ) é operária numa fábrica em alguma cidade da Bélgica e, depois de uma licença médica, corre o risco de perder seu emprego. Na sua ausência, seus colegas votaram pela sua demissão para, em troca, ganhar um bônus de 1000 Euros mensais. Coisas de capitalismo selvagem.

Encorajada pelo marido Manu (Fabrizio Rongione), ela tem apenas um fim de semana para reverter essa situação e tentar convencer seus colegas a, numa segunda votação, abrir mão da bonificação para que ela permaneça no trabalho. A partir daí, Sandra empreende uma via crucis, batendo de porta em porta como uma pedinte, repetindo o mesmo discurso em busca do apoio dos colegas.


O velho conflito entre a individualidade e a solidariedade é, claro, a grande temática do filme, que ganha contornos intimistas com a excelente atuação de Marion Cotillard como a operária deprimida, insegura e frágil. De cara limpa, essa fantástica atriz que já encantou o mundo com sua "Piaf", envolve facilmente o espectador na sua luta desconfortável de quase mendiga, em meio a recaídas na doença e tentativas de derrotar a própria descrença. Sem jogos, sem charme. Apenas a calça jeans, a camiseta. O corpo magro e o rosto se encarregam das expressões reveladoras.

O que faz a diferença em "Dois dias, uma noite" é que não há nenhum julgamento dos personagens. Os que dizem não ao apelo de Sandra expõem seus motivos claramente e o público se vê no dilema de também tentar compreender suas razões. Afinal, numa Europa em crise, quem pode abrir mão de um bônus de 1000 Euros mensais em nome da solidariedade?

Outro destaque da história que envolve e enternece é que a cada discurso de Sandra em favor de sua permanência vislumbra-se a possibilidade de alguma mudança. Concordando ou não em votar a favor dela, seus colegas veem suas vidas sendo transformadas por aquele drama que parecia particular. Classificação: 12 anos


Tags: Dois Dias, Uma Noite; Marion Cotillard; Imovision; Individualidade; solidariedade; questão universal; Bélgica; drama; Cinema no Escurinho

"Kingsman: Serviço Secreto" mescla muito bem ação e humor refinado

"Kingsman: Serviço Secreto" é adaptação da série de HQ criada por Mark Millar e Dave Gibbons (Fotos: Fox Film/Distribuição)

Maristela Bretas


Junte a elegância de 007, cenas violentas no estilo Quentin Tarantino e a agilidade dos heróis das Histórias em Quadrinhos e você terá "Kingsman: Serviço Secreto" ("Kingsman: The Secret Service"), em cartaz nos cinemas. O filme de espionagem é ação do início ao fim, com ótimos efeitos especiais, principalmente nas lutas, que lembram quase uma dança em câmera lenta, lembrando "Kill Bill".

Entre muita pancadaria, tiros e explosões, "Kingsman" não dá tempo para uma cochilada e mescla muito bem ação e humor refinado. Destaque para os diálogos entre dois veteranos: Colin Firth e Samuel L. Jackson, herói e vilão, que trocam ameaças sem perder a classe, além de Michael Caine, como o "big boss" da agência de espionagem.


O filme, adaptado da série de HQ criada por Mark Millar e Dave Gibbons, conta a história de Gary Unwin (Taron Egerton), conhecido como "Eggsy", um rapaz rebelde mas de futuro promissor. Após ser preso e liberado é convocado pelo agente Harry Hart (Firth) para participar de um programa de treinamento de uma super mega secreta agência de espionagem britânica.

Enquanto isso, o empresário da área de tecnologia, Richmond Valentine (Jackson), cria uma poderosa arma que poderá eliminar toda a vida no planeta. Ele que tem a seu lado Gazelle (Sofia Boutella), a lutadora de pernas mortíferas e páreo duro para o grupo de espiões.

Com roteiro e direção de Matthew Vaughn (de "Kick-Ass" e "X-Men Primeira Classe"), Kingsman agrada bem, mesmo quando abusa na violência de algumas cenas. E mostra uma nova faceta de Colin Firth, como um espião do tipo James Bond com perfil ainda mais britânico, mas bom de briga. 


O filme conta ainda com rápidas participações do quase irreconhecível Mark Hammil (o Luke Skywalker, de "Star Wars - IV, V e VI"), Lady Gaga e David Beckham. Vale a pena conferir, uma das melhores estreias da semana. O filme está em cartaz em 17 salas de shoppings de BH, Contagem e Betim, nas versões dublada e legendada.




Ficha técnica
Direção: Matthew Vaughn
Produção: Twentieth Century Fox / Marv Films
Distribuição: Fox Filmes
Duração: 2h09
País: Reino Unido
Gênero: Ação/ Espionagem
Classificação: 16 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: Kingsman; Serviço Secreto; Colin Firth; Samuel L. Jackson; Michael Caine; Taron Egerton; ação; espionagem; Fox Film; Cinema no Escurinho