30 janeiro 2017

"Quatro Vidas de Um Cachorro" é filme "fofinho" de chorar em sessão da tarde


Nem toda a polêmica e ameaças de boicotes afastaram o público da produção para família sobre cachorro, amizade e lealdade (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Não adiantou toda a discussão e ameaças de boicote ao filme "Quatro Vidas de Um Cachorro". Em seu primeiro final de semana após a estreia, somente nos Estados Unidos a produção dirigida por Lasse Hallström (o mesmo de outro filme de chorar sobre cachorro - "Sempre ao Seu Lado", de 2009) que custou US$ 22 milhões arrecadou US$ 18,4 milhões.

Envolvido numa polêmica mundial de maus tratos a um dos cães participantes que dominou as redes sociais e a mídia, "Quatro Vidas de Um Cachorro" ("A Dogs's Purpose") não passa de um filme "fofinho", daqueles que você assiste numa sessão da tarde com pipoca no colo, as crianças em volta e sem vergonha de chorar.


Não fosse um vídeo (com sinais de ter sido editado) divulgado num programa de TV americano poucos dias antes da estreia mostrando um dos integrantes da equipe de produção "forçando" um pastor alemão assustado se recusando a entrar numa piscina com correnteza, ninguém jamais saberia o que, em princípio, teria ocorrido.

Protestos de entidades protetoras dos animais e ameaças de boicote, pelo visto, não afetaram tanto assim a exibição e no país de origem ele já está quase se pagando. E a produção é bacana, indicada para famílias e narrado simplesmente pelo cachorro, cujo primeiro nome é Bailey. Dá até para imaginar o que nossos animais pensam quando estão ao nosso lado.

Isso porque ele conta suas quatro reencarnações, sem nunca entender qual o sentido de sua vida, por que retorna em outras raças, às vezes outro sexo e nunca para seu primeiro dono, Ethan, a quem mais amou (interpretado quando menino por Bryce Gheisar e, quando adolescente por K.J. Apa, ambos muito bem em seus papéis). Quando adulto, o papel ficou a cargo de Dennis Quaid, hoje não tão carismático quanto no passado, mas ainda sabe se entender com os bichos.

Além de Ethan, Bailey passa por outros bons e maus donos e vive grandes aventuras ao longo dos anos. A parte polêmica do filme está na reencarnação como um cão policial. Não vou contar para não dar spoiler, mas a cena não é tudo isso que pregaram e nada que um efeito digital não resolvesse.

Para aqueles que gostam de cães, como eu, "Quatro Vidas de Um Cachorro" emociona, diverte, é fofinho, principalmente quando mostra nosso amigo canino filhotinho, e é envolvente. A maior parte do tempo tenta mostrar a amizade e a lealdade de um cão por seu dono.

Pode incomodar para alguns a falação de Bailey o tempo todo, questionando tudo - a brincadeira com o dono, suas namoradas, a comida e até sua família que ele chama de matilha. Mas cachorro é isso mesmo, conversa latindo. No caso do filme, falando. E a voz de todos eles - Bailey, Tino, Ellie e Buddy - é de Josh Gad, que tem em seu currículo como dublador nada menos que Olaf, o boneco de neve de "Frozen: Uma Aventura Congelante".

Uma produção leve, que vale a pena ver para abrir a torneira do choro e se apaixonar por nosso adorável herói canino.



Ficha técnica:
Direção:  Lasse Hallström
Produção:  Amblin Entertainment / Walden Media
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 2 horas
Gêneros: Família / Drama / Comédia
País: EUA
Classificação: Livre
Nota: 3 (0 a 5)

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27 janeiro 2017

"A Bailarina" ensina que não devemos desistir de nossos sonhos

Produção se passa no ano de 1869 em Paris, com sua efervescência e grandes obras, como a Torre Eiffel (Fotos: Gaumont Distribution/Divulgação)

Maristela Bretas


Mesmo sem os recursos visuais dos estúdios americanos, a animação franco-canadense "A Bailarina" ("Ballerina") oferece ao público uma história agradável e inocente, sem muitas desvios. Bem ao estilo Cinderela, com direito a patroa agindo quase que como a madrasta da produção Disney, a animação explora o sonho quase impossível de uma jovem órfã de ser uma grande bailarina em Paris.

O tema é simples, até comum, como seus personagens, mas há a preocupação em ensinar bons valores e passar mensagens de amizade e perseverança. Pode inclusive incentivar muitas meninas a seguirem os passos de Felície Milliner, nossa batalhadora heroína, dublada muito bem em português pela pequena atriz Mel Maia. Na versão em inglês, Elle Fanning emprestou sua voz à bailarina.

Apesar de o tema ser o balé, o importante na história de "A Bailarina" é mostrar a amizade entre dois jovens órfãos, Felície e Victor, que passam o tempo pendurados no telhado do orfanato onde vivem, planejando uma forma de fugir para Paris, onde irão realizar seus desejos - ela de ser uma bailarina e ele, tornar-se um grande inventor.

Até que a dupla, usando uma das invenções de Victor, consegue escapar e chegar à bela e envolvente capital francesa. A cidade vive o burburinho do final do século 19, com a construção da Torre Eiffel e da Estátua da Liberdade que será presenteada aos Estados Unidos. Por uma distração os amigos se separam, mas seus caminhos sempre voltam a se encontrar, enquanto cada um busca realizar seu desejo.

Felície consegue uma vaga na Grand Opera, mas para se tornar uma grande bailarina terá de batalhar muito, enfrentar inimigos cruéis e fazer novas amizades. Já Victor consegue ser ajudante do construtor Gustave Eiffel e vai aproveitar para criar novas geringonças. Entre idas e vindas, o que não falta na vida destes dois é aventura e um pouquinho de romance à moda antiga, com jantar a luz de velas e o mocinho salvando a mocinha.

Muito bacana a animação, boa opção para levar as crianças - até mesmo os meninos pequenos vão curtir as aprontações e invenções de Victor. Vale a pipoca e o refrigerante para acompanhar.



Ficha técnica:
Direção: Eric Summer / Eric Warin
Produção: Quad Films / Caramel Films
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h30
Gêneros: Animação / Família / Aventura
Países: França / Canadá
Classificação: Livre
Nota: 3,5 (0 a 5)

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