27 fevereiro 2017

Após erro histórico, "Moonlight" desbanca "La La Land" e leva Oscar de Melhor Filme

"Moonlight: Sob a Luz do Luar" conquistou três estatuetas das oito indicações  (Fotos: Diamond Films/Divulgação)

Maristela Bretas


O mico cinematográfico do ano no Oscar ficou para a entrega do prêmio de Melhor Filme. Faye Dunaway e Warren Beatty fizeram o anúncio e entregaram a estatueta, encerrando a solenidade. Já no palco comemorando o prêmio e tendo encerrado seu discurso de vitória, Jordan Horowitz, um dos produtores de "La La Land: Cantando Estações", percebeu o erro e chamou a equipe de "Moonlight: Sob a Luz do Luar" para receber o prêmio. Deu Miss Universo no Oscar!


Final da entrega do Oscar 2017 (Foto AFP)
O clima ficou ruim, com a direção e produção dos dois filmes dividindo o espaço e tentando entender o que havia ocorrido. Até que o envelope certo foi mostrado, confirmando "Moonlight" como o vencedor. 

"La La Land: Cantando Estações" foi a estrela da noite, como já era esperado da 89ª edição do Oscar. Das 14 indicações, o filme dirigido por Damien Chazelle levou seis estatuetas, seguido por "Moonlight: Sob a Luz do Luar", com três, “Manchester à Beira-mar” e "Até o Último Homem", ambos com dois prêmios.


"La La Land" conta a história da aspirante a atriz Mia (Emma Stone) e do músico de jazz Sebastian (Ryan Gosling), que lutam por oportunidades em Los Angeles e acabam se apaixonando, num belo romance musical. 

Justin Timberlake entrou cantando no Teatro Dolby, em Los Angeles, com um grupo de bailarinos e fez vários convidados dançarem. Passando depois a bola para o apresentador oficial Jimmy Kimmel, que comandou o Emmy de 2012 e de 2016. 


Ele falou um pouco da política dos EUA, brincou com alguns dos indicados e homenageou Meryl Streep, que foi aplaudida de pé pelos presentes. Ela quebrou seu próprio recorde de categorias de atuação. Ela concorreu pela 20ª vez (com o filme "Florence"), mas não conquistou seu quarto Oscar.

A cerimônia, que começou na noite de domingo e terminou na madrugada desta segunda-feira teve como primeiro prêmio anunciado o de Melhor Ator Coadjuvante, que saiu para Mahershala Ali, por "Moonlight: Sob a Luz do Luar". Durante os anúncios, as três atrizes de "Estrelas Além do Tempo" - Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe - falaram do filme e apresentaram a única das especialistas ainda viva, a matemática Katherine Johnson, que foi interpretada por Henson. 

Shirley MacLaine foi também homenageada e entrou no palco com Charlize Theron para anunciarem o escolhido ao prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Venceu o iraniano "O Apartamento". O diretor Asghar Farhadi não compareceu mas enviou uma representante que leu seu discurso com duras críticas à política anti-imigrante de Donald Trump. Muitos atores e convidados usaram um laço azul a favor dos direitos humanos.

Um grupo de turistas foi levado à cerimônia e passeou entre os convidados, tirou fotos com indicados e alguns ganhadores de Oscar da noite. Um casal teve inclusive seu casamento oficializado por Denzel Washington. A solenidade contou, como em anos anteriores, com uma homenagem aos diretores, atores, produtores, roteiristas e pessoas que trabalham no cinema e que morreram neste ano. O diretor brasileiro Hector Babenco foi um dos citados.

Veja abaixo os ganhadores ao Oscar 2017:


Melhor Filme
"Moonlight: Sob a Luz do Luar"

Melhor Diretor
Damien Chazelle ("La La Land: Cantando Estações")

Melhor Ator
Casey Affleck (“Manchester à Beira-mar”)


Melhor Atriz
Emma Stone ("La La Land: Cantando Estações")

Melhor Ator Coadjuvante
Mahershala Ali ("Moonlight: Sob a Luz do Luar")


Melhor Atriz Coadjuvante
Viola Davis ("Um Limite Entre Nós")

Melhor Roteiro Original
Kenneth Lonergan ("Manchester à Beira-mar")

Melhor Roteiro Adaptado
Barry Jenkins ("Moonlight: Sob a Luz do Luar") 

Melhor fotografia
Linus Sandgren ("La La Land: Cantando Estações")


Melhor animação
"Zootopia - Essa Cidade é o Bicho"

Melhor filme em língua estrangeira
"O apartamento" – Irã

Melhor documentário
"O.J. Made in America"


Melhor edição
John Gilbert ("Até o Último Homem")

Melhor Design de Produção
"La La Land: Cantando Estações"

Melhor Cabelo a Maquiagem
Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson ("Esquadrão Suicida")


Melhor Figurino
Colleen Atwood ("Animais Fantásticos e Onde Habitam")

Melhores Efeitos Visuais
Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones e Dan Lemmon ("Mogli: O Menino Lobo")


Melhor Canção Original
"City of stars" ("La La Land: Cantando Estações"); música de Justin Hurwitz e letra de Benj Pasek e Justin Paul

Melhor Trilha Sonora
Justin Hurwitz ("La La Land: Cantando Estações")

Melhor Mixagem de Som
Kevin O'Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie e Peter Grace ("Até o Último Homem")


Melhor Edição de Som
Sylvain Bellemare ("A Chegada")

Melhor Curta-Metragem
"Sing"

Melhor Curta-Metragem de Animação
"Piper"

Melhor Documentário em Curta-Metragem
"The White Helmets" ("Os Capacetes Brancos")





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23 fevereiro 2017

“A Grande Muralha” empolga pelas batalhas épicas e grandiosidade

O visionário diretor Zhang Yimou mistura fantasia, belíssimos efeitos visuais e toques de encanto do roteiro (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Wallace Graciano


Ainda que não seja irrestritamente chinês, “A Grande Muralha” ("The Great Wall") causou frisson ao ser responsável pelo maior orçamento da história do cinema daquele país, com quase US$ 150 milhões gastados. E os mais de 100 minutos de filme conseguem justificar bem o investimento. Mérito do diretor Zhang Yimou, que conseguiu dar uma nova cara à história de uma das sete maravilhas da humanidade ao misturar fantasia, belíssimos efeitos visuais e toques de encanto ao roteiro.

A história, em si, já traz um bom atrativo. No lugar de simplesmente contar os escritos milenares da edificação, que foi construída para evitar a passagem de invasores humanos à China, “A Grande Muralha” traz um novo universo em que monstros tentam a cada 60 anos atacar a civilização oriental.


À procura de um místico pó preto, que prometia revolucionar as estratégias de guerra, Willian (Matt Damon, que despensa apresentações) e Tovar (Pedro Pascal, o Javier Peña de “Narcos”) acabam descobrindo a barreira e seus segredos. Assim, são forçados a ficar confinados no local pelos “Guerreiros sem Nome”.


Após uma série de ataques da horda de monstros, a recém-nomeada comandante Lin Mei (Jing Tian, de “Em Nome da Lei”) opta por contar com as habilidades de guerra dos seus prisioneiros, conseguindo conter momentaneamente a investida das criaturas.


Porém, é em meio a esse contexto que “A Grande Muralha” mostra sua força. Ainda que explore demasiadamente alguns estereótipos, a película apresenta ao expectador uma história dinâmica, cercada por efeitos visuais bem produzidos e percepção de estratégias militares aliadas às coreografias ao longo do combate, o que traz um toque de realidade à fantasia.

Outro ponto relevante do longa são os figurinos do exército, bem detalhados e intensos. A precisa mistura de cores de cada ala responsável por uma ação no combate consegue, ao mesmo tempo, apresentar as diferenças do batalhão e chamar a atenção para o duelo.

Está certo que já era de se esperar algo do tipo, uma vez que Zhang Yimou já havia encantado a todos com “O Clã das Adagas Voadoras”, que se destaca pelas belíssimas coreografias ao longo da história. Porém, o diretor conseguiu andar uma casa no tabuleiro ao fazê-lo em uma produção que tentará atingir um público mais acostumado com blockbusters. A certeza é que tem muitos predicados para tal.



Ficha técnica
Direção: Zhang Yimou
Produção: Atlas Entertainment / Legendary Pictures
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h44
Gêneros: Aventura / Histórico / Fantasia
País: EUA / China
Classificação: 12 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

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