segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Êxodo - Deuses e Reis: Uma versão mais realista do “Príncipe do Egito”

Christian Bale interpreta um Moisés guerreiro, que lutou pelos egípcios e depois contra eles para salvar os hebreus (Fotos: Fox Film/Divulgação)


Jean Piter 

O povo hebreu vive escravizado há 400 no Egito. O faraó teme que o número de escravos cresça a ponto de se sentirem fortes e se rebelarem. Ele então ordena que todos os bebês hebreus do sexo masculino sejam afogados. Moisés é colocado em uma cesta no rio, na esperança de ser salvo. O plano dá certo. O menino é resgatado pela irmã do faraó e criado na família real. Quando se torna adulto, ele recebe a missão de libertar o seu povo. 

Essa é uma história bem conhecida entre cristãos e judeus. E não é a primeira vez que a vida de Moisés vai parar nas telas do cinema. Além do clássico “Os Dez Mandamentos” (1956) com Charlton Heston, foi produzida também a animação da Dreamworks, “O Príncipe do Egito” (1998), sem falar em “Moisés” (1995) com Ben Kingsley no papel principal, filme lançado direto para a TV. A grande diferença de “Êxodo” é o realismo. 




O diretor Ridley Scott traz uma versão menos romantizada de Moisés; um herói mais humano em uma relação conflituosa com o deus dos hebreus. Os grandes acontecimentos bíblicos são mostrados de uma forma quase racional. O figurino e a maquiagem são bem acertados; soldados egípcios alinhados, escravos com roupas sujas, rostos queimados de sol, marcas de expressão, cabelos sujos e barbas compridas. Os efeitos especiais também são usados na medida certa. 

Christian Bale brilha mais uma vez no papel principal, guiando o povo hebreu rumo a Canaã, a Terra Prometida. Joel Edgerton segura bem no papel de “vilão”. A relação de amizade entre Moisés e Ramsés é um ponto que não deixa o filme ir ao extremo do bem contra o mal. 

Quase perfeito!

Depois que Mel Gibson fez “A Paixão de Cristo” (2004), os mais exigentes amantes do cinema nunca mais viram filmes épicos com os mesmos olhos. Ou melhor, com os mesmos ouvidos. Na produção, as falas são em latim e aramaico, línguas faladas na época. Sem falar que as cenas em que Cristo é chicoteado são de um realismo assustador. 

Em “Êxodo”, egípcios e hebreus falam inglês, o que é compreensível por se tratar de uma superprodução que tem ambição de se tornar um recordista de bilheteria. Também quase não há sangue nas batalhas, o que nem faz falta, já que a classificação é 14 anos. Esses dois pontos, porém, não tiram os méritos do filme. É grandioso e faltou pouco para ser perfeito. 

Ficha técnica:
Direção: Ridley Scott
Produção: Chernin Entertainment/Scott Free Productions
Distribuição: Fox Film do Brasil
Duração: 2h31
Gênero: Épico, Ação 
País: EUA/Reino Unido/Espanha
Classificação: 14 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)