terça-feira, 31 de março de 2015

"O Garoto da Casa ao Lado" tem clichês de sobra e final previsível, mas convence

Jennifer Lopez aproveita para mostrar, com frequência, sua ótima forma de quarentona (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Tenso, envolvente em muitas partes e conduzido de maneira correta, sem grandes novidades pelo diretor Rob Cohen, "O Garoto da Casa ao Lado" ("The Boy Next Door"), apesar de ser cheio de clichês e final previsível, prende até o fim. Jennifer Lopez, atriz principal e uma das produtoras, desempenha bem o papel de Claire Peterson, uma mulher traída pelo marido que tenta recomeçar a vida ao lado do filho adolescente Kevin (Ian Nelson). E é essa carência e o corpo sarado do vizinho garotão que a levam a perder a cabeça.

A atriz aproveita para mostrar, com frequência, sua ótima forma de quarentona, o que deverá agradar muito adolescente e aos fãs da também cantora. Em entrevista, J-Lo confirmou que filmou suas próprias cenas de sexo e que se sentiu constrangida. 

Já o Ryan Guzman, que interpreta o jovem Noah, foi estreante em cenas de sexo e contou que também ficou pouco a vontade. Apesar de novato, ele foi bem convincente como o jovem psicopata apaixonado nas cenas de loucura e violência. E vai provocar muitos "suspiros" femininos no cinema.



"O Garoto da Casa ao Lado" (uma tradução péssima, pois de garoto Guzman não tem nada) tem boas cenas de suspense, apesar de semelhantes às de outras produções do gênero. O filme conta a história da professora Claire, que carente conhece Noah, seu vizinho, com quem acaba se envolvendo e transando. Disposto a entrar na vida da quarentona, ele se aproxima do filho dela e passa a ameaçar Claire e a vida de sua família e amigos.

Um bom suspense que pode ser assistido nos shoppings Del Rey, Boulevard, Estação BH, Pátio Savassi e Metropolitan Betim.

Ficha técnica:
Direção: Rob Cohen
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h31
Gênero: Suspense
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: O Garoto da Casa ao Lado; Jennifer Lopez; Ryan Guzman; suspense; Universal Pictures; Cinema no Escurinho

segunda-feira, 30 de março de 2015

Confira o trailer legendado do filme "Pixels", que estreia no Brasil em 23 de julho



O que seria do mundo se Donkey Kong, Mário Bros e Pac Man se tornassem vilões em tamanho gigante e resolvessem atacar a Terra. Pois a Sony Pictures traz de volta esses personagens que fizeram a alegria de muito marmanjo no passado na nova produção - "Pixels,  que estreia no Brasil em 23 de julho deste ano. Seres intergalácticos interpretam um arquivo em vídeo com imagens de jogos de arcade clássicos como uma declaração de guerra, e resolvem atacar a Terra usando esses jogos como modelos para suas várias ofensivas. 


O presidente Will Cooper (Kevin James) busca ajuda de seu melhor amigo de infância Sam Brenner (Adam Sandler), um campeão de competições de vídeogames nos anos 80 - e agora um instalador de home theater - para liderar uma equipe de jogadores veteranos (Peter Dinklage e Josh Gad), derrotar os alienígenas e salvar o planeta.

O trio ainda vai contar com a ajuda da tenente-coronel Violet Van Patten (Michelle Monaghan), um especialista em tecnologia que irá fornecer aos arcaders as armas exclusivas para lutar contra os aliens.

domingo, 29 de março de 2015

"Meus Dois Amores", uma fábula entre o riso e o pensar

Manuel é um vaqueiro mineirinho falastrão que ama igualmente sua noiva Das Dô e sua mula Beija-Fulô (Fotos: Downtown Filmes/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Houve quem o comparasse com "Lisbela e o Prisioneiro" e até com "O Auto da Compadecida", mas talvez seja um exagero. Também baseado em livros como os antecessores, "Meus Dois Amores" retrata, como os demais, a singeleza do regionalismo, com seus coronéis poderosos, padres interesseiros, falsas beatas rezadeiras, pistoleiros, sargentos, feiticeiros e todo o repertório de tipos que costumam habitar o que chamam de Brasil profundo.

Adaptado de um conto de Guimarães Rosa - "Corpo Fechado" - o filme pode ser visto e apreciado por quem conhece pouco ou nada de literatura. Esse espectador vai dar muitas risadas com a história do vaqueiro Manuel, mineirinho esperto e falastrão que ama igualmente sua noiva Das Dô e sua mula Beija-Fulô. E que se vê jurado de morte pelo matador Targino depois de ter lhe vendido, malandramente, um cavalo manco e imprestável. Quase um filme de Mazzaropi.



Mas como o argumento, o mote e as ideias são de Guimarães Rosa, torna-se impossível, para quem conhece o autor, assistir ao filme sem reconhecer seu sotaque, sua linguagem. Estão lá, além dos arquétipos e recados do escritor, a dubiedade do humano em seus eternos embates e dilemas entre o bem e o mal, realidade e fantasia, Deus e o Demo. A começar por Manuel, às vezes Peixoto, às vezes Veiga, algumas vezes valente como o pai, noutras sensível como a mãe, sempre balançando entre o heroísmo e a covardia.

Elenco e figurinos contribuem para valorizar o filme. Além de Caio Blat e Maria Flor, que estão impagáveis como Manuel (Peixoto/Veiga) e Das Dô, Alexandre Borges está excelente como o matador Targino, Júlio Adrião brilha como o feiticeiro Toniquinho das Pedras, e Lima Duarte e Vera Holtz dão seus recados como o pai e a mãe de Manuel.

Também convincentes estão Milton Gonçalves, Fabiana Karla, Ana Lúcia Torres e os outros, todos devidamente mal vestidos e mal penteados como convém aos que vivem na roça. 
Ao contrário do que acontece em muitos filmes brasileiros, os responsáveis pela caracterização não se esqueceram de amarelar e estragar os dentes dos personagens, o que assegura mais veracidade às atuações. 

Mesmo que seja exagero compará-lo a duas pequenas obras-primas como são "Lisbela e o Prisioneiro" e "O Auto da Compadecida", "Meus Dois Amores" não deixa a desejar. Visto como mais uma simples comédia caipira ou como uma reflexão da obra do grande Guimarães Rosa, o filme emociona, faz rir e pensar. 

Belas paisagens e a prosódia perfeita dos atores ajudam a enriquecer essa típica fábula brasileira. Na trilha sonora, destaque para a bonita gravação de Lenine cantando a mineiríssima "Fé cega, faca amolada". "Meus Dois Amores está em exibição nas salas Cineart dos shoppings Cidade, Contagem, Del Rey e Via Shopping. Classificação: 14 anos

Tags: Meus Dois Amores; Caio Blat; Maria Flor; Luiz Henrique Rios; Guimarães Rosa; Downtown Filmes; comédia; Cinema no Escurinho

sábado, 28 de março de 2015

"Cinderela" - A magia de um belo conto de fadas

Lily James interpreta a bela jovem que perde seu sapatinho de cristal e conquista o coração de um príncipe (Fotos: Walt Disney Studios/Divulgação)

Maristela Bretas


A Disney volta a mostrar o porquê de ser única quando se trata de fazer um filme perfeito de fantasia. "Cinderela" ("Cinderella") é bonito, cativante e faz a gente se sentir num verdadeiro conto de fadas. Como no desenho criado pela produtora em 1950. Desta vez, o live-action inspirado no clássico conto de fadas escrito por Charles Perrault em 1697, exibe belas imagens e um elenco que deu vida e graça aos famosos personagens.

Depois de perder a mãe e ter sua vida perfeita abalada, Ella vê o pai se casar com uma cruel mulher. A madrasta Lady Tremaine vem morar em sua casa com as duas filhas - Anastasia e Drisella -, que a tratam mal quando o pai não está perto. Tempos depois, o pai de Ella morre, a família fica sem dinheiro e o trio da crueldade faz de Cinderella sua serva.


Um dia, a jovem encontra na floresta o jovem e belo Kit e é amor à primeira vista, sem que um saiba a origem do outro. Um baile promovido pela família real pode ser a chance dela reencontrar seu amado. Mas Cinderella é impedida pela madrasta de ir à festa. Com a ajuda de sua fada madrinha ela chega arrasando num belo vestido azul e carruagem de ouro. E conquista de vez o jovem príncipe. No bater da meia-noite, ela foge do baile antes que o feitiço acabe e deixa para trás um sapatinho de cristal. Kit agora terá de percorrer o reino para reencontrar sua donzela.

Mais uma vez, uma grande estrela, vencedora de Oscar, brilha como a nova vilã dos contos de fada. Cate Blanchett ("O Aviador") está perfeita como a malvada madrasta Lady Tremaine, que faz da vida de Cinderela um inferno, juntamente com as filhas. Ela exibe elegância, soberba, bom gosto e crueldade na medida certa da personagem.

Lily James (da série de TV "Downton Abbey") foi uma ótima escolha para o papel da doce e jovem sonhadora Ella, que durante sua convivência com as irmãs postiças passa a ser chamada por elas de "Borralheira" e "Cinderella". O príncipe também saiu de uma série de TV de sucesso - "Game of Thrones". Richard Madden dá conta do recado e encanta por seu jeito doce e apaixonado.

Num elenco, que tem nas mulheres seus maiores destaques, Helena Bonham-Carter ("Alice no País das Maravilhas"), não deixa por menos como a espalhafatosa fada madrinha de Cinderela. Pena que sua aparição tenha sido rápida - mas essencial. Holliday Grainger e Sophie McShera fazem bem Anastasia e Drizella, as irmãs postiças de Cinderela.

O grupo também conta com Stellan Skarsgård ("Thor"), Nonso Anozie ("Game of Thrones") e Derek Jacobi ("Grace de Mônaco") que interpretam o Grão Duque, o fiel amigo do Príncipe e o Rei, respectivamente.

"Cinderela" arrasa no figurino, fotografia e cenários - as filmagens foram feitas na Inglaterra. Isso sem falar na trilha sonora - a música é a mesma que embalou os sonhos de muita meninas que assistiram o desenho. O diretor Kenneth Branagh ("Thor" e "Operação Sombra - Jack Ryan"), a partir de um roteiro de Chris Weitz, acerta na condução desta obra prima ao dar vida a um conto de fadas com seus palácios, riquezas, tramas e, principalmente, fantasia. Ele consegue trazer de volta a magia, a ingenuidade e o encantamento das histórias infantis eternizadas nos desenhos da Disney. Imperdível!


Na abertura, "Frozen: Febre Congelante"

Não chegue atrasado à sessão. Na abertura, que não pode ser perdida, o curta "Frozen: Febre Congelante", uma aposta da Disney até que a segunda animação da franquia chegue às telas. "Frozen - Uma Aventura Congelante" conquistou dois Oscar neste ano - Melhor longa de animação e Melhor canção original com “Let It Go”, além de um Globo de Ouro como Melhor longa-metragem de animação. 

O filme atingiu o quinto maior faturamento de todos os tempos e o maior faturamento bruto de um longa de animação, totalizando mais de U$ 1,27 bilhão em todo o mundo. Aproveitando o curta-metragem, alguns cinemas de BH estão exibindo novamente "Frozen - Uma Aventura Congelante" - salas Cinemark dos shoppings BH, Diamond Mall, Pátio Savassi e Metropolitan Betim.



No curta "Frozen: Febre Congelante", Elsa, Kristoff e o boneco de neve Olaf estão na correria para aprontar tudo para o aniversário de Anna. E eles querem dar a ela a melhor comemoração de todas. Só não contavam com a gripe de Elsa, que pode atrapalhar toda a festa (ou deixá-la mais divertida). Fábio Porchat foi escalado novamente para dublar a voz de Olaf. A animação é dirigida por Chris Buck e Jennifer Lee, com uma canção original inédita de Robert Lopez e Kristen Anderson-Lopez.


Ficha técnica de Cinderela:
Direção: Kenneth Branagh
Produção: Walt Disney Studios
Distribuição: Disney/Buena Vista
Duração: 1h44
Gêneros: Romance/Fantasia
País: EUA
Classificação: Livre
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: Cinderela; Lily James; Richard Madden; Cate Blanchett; Kenneth Branagh; Walt Disney Studios; fantasia; romance; Cinema no Escurinho


sexta-feira, 27 de março de 2015

A sensibilidade por trás da lente de Sebastião Salgado

Sebastião Salgado apresenta seu trabalho fotográfico de 40 anos ao longo do documnetário (Fotos: Imovision/Divulgação)

Maristela Bretas


A ideia de contar a história de um dos mais renomados fotógrafos do mundo sob outro ângulo não poderia resultar em nada mais que um ótimo documentário. Merecedor de uma indicação ao Oscar, como foi. E é esta produção que estreia nesta quinta-feira nos cinemas de BH. "O Sal da Terra" ("The Salt of the Earth") conta um pouco da longa trajetória do brasileiro Sebastião Salgado e apresenta seus principais projetos fotográficos ao longo de 40 anos, até chegar ao mais recente - "Gênesis" - uma expedição que registrou civilizações e regiões do planeta pouco exploradas.

A produção começa em um de seus principais trabalhos fotográficos - Serra Pelada - para depois retornar a sua infância em Aimorés, no interior de Minas. Durante a faculdade de Economia no Espírito Santo, feita por exigência do pai que queria um filho formado, conheceu Lélia, sua mulher, companheira e parceira na divulgação dos trabalhos até hoje.


Com a Ditadura Militar, deixou o Brasil com a família e foi morar na França, país onde Salgado se encantou pela fotografia e fez dela seu trabalho e paixão, percorrendo os cantos mais remotos do planeta. O filho Juliano Ribeiro Salgado passava pouco tempo com o pai, mas já adulto, se uniu a ele para registrar as imagens de suas viagens.

E foram estas imagens e o trabalho de Sebastião Salgado que encantaram o não menos famoso cineasta Win Wenders ("Paris, Texas") que reuniu sua equipe e se juntou à família para filmar "O Sal da Terra". Da compra da primeira câmera para a esposa, que acabou ficando para ele e mudando sua vida a primeira foto tirada, Salgado, vai contanto com registros marcantes, em preto e branco, sua experiência como fotógrafo social.

São depoimentos em vídeo de familiares, inclusive do pai, da  equipe de filmagem e de personagens de diversos locais e etnias, mesclados com fotos de Salgado (algumas também do filho Juliano) que expõem tanto a beleza quanto a crueldade do ser humano, não importando o lugar do planeta. O fotógrafo deixa claro sua preocupação em expor a situação de miséria e conflitos de alguns locais na África, como Ruanda e Etiópia.

Natureza

A preocupação em dar sua contribuição ao meio ambiente o levou a "replantar" a fazenda onde viveu a infância com a família e transformá-la no que é hoje o Instituto da Terra, um modelo de trabalho ambiental reconhecido mundialmente. 


Além disso, Salgado mudou um pouco seu foco trabalho e resolveu mostrar que existem lugares e povos no Planeta ainda inexplorados (e assim deveriam ficar), dando origem ao projeto "Gênesis", como no início dos tempos.

"O Sal da Terra" é um belo documentário biográfico, principalmente pelas imagens capturadas por Salgado, mesmo as mais chocantes, e merece ser visto não só pela fotografia, mas pela forma como ele usa a lente de sua câmera para expor a dura realidade social. O filme pode ser conferido nas salas 3, do Ponteio Lar Shopping (14h10 e 18h40), e 10, do BH Shopping (17 horas e 22h20).




Ficha técnica:
Direção: Win Wenders e Juliano Ribeiro Salgado
Distribuição: Imovision
Duração: 1h50
Gêneros: Documentário/ Biografia
Países: Brasil/ França
Classificação: 12 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: O Sal da Terra; Sebastião Salgado; Win Wenders; documentário; biografia; Imovision; Cinema no Escurinho

quarta-feira, 25 de março de 2015

“O Amor é Estranho” é um drama sobre união homoafetiva, família, igreja e preconceito

George e Ben, após viverem 40 anos juntos, terão de morar em casas separadas devido à crise (Fotos Pandora Films/Divulgação)

Jean Piter


Ben (John Lithgow) e George (Alfred Molina) decidem se casar, depois de estarem juntos há 40 anos. A cerimônia é simples e singela, com a presença de amigos e familiares. Um dia muito feliz. Realização. O dia seguinte é de crise. George perde o emprego de professor de música que tinha na igreja. Sem dinheiro para manter as despesas, o casal vai morar em casas separadas de amigos até conseguir vender o apartamento e comprar um novo imóvel mais barato. 

Amor e outros conflitos

É difícil imaginar uma situação assim. Dividir a casa com uma pessoa por quatro décadas e, de uma hora pra outra, ter que se separar por dificuldades financeiras. O amor continua o mesmo; carinho, cuidado, amizade, afinidade... Esse é o maior drama do filme, contado de forma linear e com um ar bastante melancólico.

Embora ainda seja polêmica a união de pessoas do mesmo sexo, esse não é o único tema abordado na história. As dificuldades financeiras apontam para a fragilidade do modo de vida americano. Onde as pessoas gastam tudo ganham para manter um bom padrão de vida. Sem direitos trabalhistas, como no Brasil, a vida fica bastante complicada quando se perde o emprego. Coisas do capitalismo de países liberais. 

Há também uma crítica à igreja, que, assim como o povo de Minas Gerais, permite tudo, menos um escândalo. Todo mundo sempre soube que George era gay e que morava com outro homem. Mas, ao se casar e tornar isso público, ele se torna indigno de trabalhar em uma instituição religiosa tradicional. Nessa hora, deixar os alunos que viu crescer é como ver os filhos serem tomados à força. 

Sobram críticas também para a família e para os amigos. Há os que estão dispostos a ajudar de bom coração e os que viram as costas nos momentos de dificuldade. Mesmo os que estendem a mão, por vezes são insensíveis. Principalmente os mais jovens. O que não chega a ser incompreensível. É difícil morar de favor e não ter privacidade. Ao mesmo tempo, é incômodo mudar a rotina da casa por conta de um hospede. 

Vale o ingresso

Não há beijos calorosos dos protagonistas, nem cenas sexo. A história se concentra na cumplicidade e na falta que faz a pessoa amada, quando está distante. É um filme sobre preconceito e aprendizado. Emociona sem forçar a barra. E ainda tem Marisa Tomei, bonita como sempre e atuando com primor. O amor é mesmo estranho, mas, em meio a tantos pequenos conflitos nossos de cada dia, a gente nem se dá conta disso.




Ficha técnica:
Direção: Ira Sachs
Produção: Parts and Labor / Charlie Guidance
Distribuição: Pandora Filmes 
Duração: 1h35
Gênero: Drama
Países: EUA, França
Classificação: 12 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

Tags: O Amor é Estranho; John Lithgow, Alfred Molina, Marisa Tomei; Pandora Filmes; drama; Cinema no Escurinho

Cine 104 reabre de cara nova e valorizando o produto nacional

Além do investimento no DCP, o Cine 104 ganhou nova tela e novos equipamentos de som (Fotos: Divulgação)

Será reaberta nesta quarta-feira (25) a Sala de Exibição do Cine 104, localizada no Espaço CentoeQuatro na Praça da Estação. Com novos equipamentos, ela passa a exibir filmes no formato Digital Cinema Package (DCP), que oferece uma melhor qualidade de som e imagem nas projeções. E na sessão especial de reabertura, a nova sala apresenta, às 20h30, a pré-estreia do longa-metragem “O Fim de uma Era”, de Bruno Safadi e Ricardo Pretti. A sessão é gratuita, com distribuição de 50% dos ingressos para o público, 30 minutos antes da sessão. Em caso de lotação, a sessão será reprisada às 22 horas. O vento contará com a presença dos diretores do filme Bruno Safadi e Ricardo Pretti, o montador Luiz Pretti e o fotógrafo Lucas Barbi.

Já a partir de quinta-feira (26), a programação volta ao normal, com a estreia de dois filmes brasileiros premiados no circuito de festivais em 2014: “Branco Sai, Preto Fica”, de Adirley Queirós (melhor filme no Festival de Brasília), e “A História da Eternidade”, de Camilo Cavalcante (melhor filme no Festival de Paulínia).

Além dos equipamentos de projeção da sala, o Cine 104 terá como proposta priorizar a exibição de produções nacionais. Segundo Daniel Queiroz, programador do Cine 104, o formato DCP é o padrão internacional utilizado hoje pelas distribuidoras de filmes e substituto da película 35 mm nos lançamentos. "Além do investimento no DCP, o Cine 104 ganhou nova tela e novos equipamentos de som. Uma mudança que, além de proporcionar maior qualidade de exibição, ampliará as possibilidades de acesso a filmes, com um impacto positivo também na programação da sala”.

Cinema e Espaço Multiuso


Funcionando regularmente desde outubro de 2012, o Cine 104 é uma opção para o público que aprecia a diversidade da produção cinematográfica. A programação é renovada sempre às quintas-feiras, buscando sempre obras de qualidade. O espaço tem como objetivo exibir produções autorais, de cinematografias diversas, tanto de cineastas renomados quanto de revelações do cinema internacional e, principalmente, brasileiro. Abre desta forma um espaço para títulos que poderiam ficar restritos à exibição em mostras e festivais. O público passará a ter uma programação permanente de bons títulos, suprindo uma carência da cidade de salas para exibição de filmes de perfil mais artístico.

O Cine 104 mantém uma agenda permanente de atividades além das exibições, que incluem debates com diretores, sessões comentadas para escolas, minicursos, cineclube e lançamentos de filmes de Belo Horizonte.

Novos projetos

Além de uma renovação nos equipamentos de exibição, o Cine 104 aposta em uma série de projetos, sempre com o objetivo de difusão cultural e formação de público. Serão continuados e ampliados, em 2015: o "Cine 104 Mostra - O Cinema de BH", que promove lançamentos de produções locais; o "CineQuintal no 104", cineclube realizado em parceria com a Associação Filmes de Quintal; "A Escola vai ao Cinema", que promove sessões comentadas de filmes brasileiros, para adolescentes de escolas públicas; o "Sessões Comentadas", com lançamentos de filmes com a presença de diretores; e os "Encontros com Realizadores", cursos de curta duração com realizadores de destaque na cena brasileira.

Além destes projetos, destacam-se duas novas ações para 2015: a exibição de curtas na hora do almoço, no programa "Curta no Almoço 104", que promoverá sessões gratuitas às terças e sextas (13 horas e 13h30) e a abertura de inscrição para filmes independentes, de todas as durações e formatos, que não contam com uma distribuidora, e queiram ser exibidos na programação do Cine 104- “Exiba seu filme no Cine 104”.

O objetivo é receber inscrições de filmes como fazem as mostras e festivais, mas com uma seleção permanente para exibição ao longo do ano, na programação regular e em mostras especiais, ampliando ainda mais o espaço para as produções de perfil mais independente.

Programação Cine 104 – 25 a 01 de abril de 2015

Evento: Reabertura do Cine 104
Data: 25.03 (quarta-feira)
Pré-estreia do longa-metragem “O Fim de Uma Era”
Horário: 20h30
Direção: Bruno Safadi e Ricardo Pretti
País: Brasil/RJ
Duração: 1h10
Classificação: 14 anos
Com Fernando Eiras, Helena Ignez, Leandra Leal, Maria Gladys, Mariana Ximenes e Otávio Terceiro.
Sinopse – O que é essa coisa chamada amor? Essa coisa engraçada chamada amor? Quem poderá resolver seu mistério? Por que faz de mim um tolo?


 


Programação de 26/03 a 01/04

17h15 e 19 horas – "Branco Sai, Preto Fica" (estreia)
Prêmio de Melhor Filme, ator e direção de arte no 47º Festival de Brasília; Melhor Filme no Festival Mar Del Plata; Menção Honrosa na 17ª Mostra de Cinema de Tiradentes e Seleção oficial dos festivais de Hamburgo, Viena, Torino e Doc Lisboa, dentre outros.
Direção: Adirley Queirós
País: Brasil/DF
Duração: 1h30
Classificação: 12 anos
Sinopse - Tiros em um baile black na periferia de Brasília ferem dois homens. Um terceiro vem do futuro para investigar o acontecido e provar que a culpa é da sociedade repressiva.





20h40 – A História da Eternidade (estreia) 
Prêmio de Melhor filme, direção, ator, atrizes e Prêmio da Crítica no 6º Festival de Paulínia; Seleção Oficial do Festival de Roterdã 2014.
Direção: Camilo Cavalcante
País: Brasil/
Duração: 2 horas
Classificação: 16 anos
Sinopse - Em um pequeno vilarejo no Sertão, três histórias de amor e desejo revolucionam a paisagem afetiva de seus moradores. Personagens de um mundo romanesco, no qual suas concepções da vida estão limitadas, de um lado pelos instintos humanos, do outro por um destino cego e fatalista.


SERVIÇO
Cine 104
Funcionamento: de terça a domingo
Endereço: Praça Ruy Barbosa (Praça da Estação), 104 – Centro – BH
Telefone: (31) 3222-6457
Valor do ingresso: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia entrada)
Estacionamento conveniado: Park Box (Av. Santos Dumont, 218 – Centro) = R$ 5 (preço único)

domingo, 22 de março de 2015

Aberta a pré-venda de ingressos para “Vingadores: Era de Ultron”



Quem quiser sair na frente e garantir o ingresso para  “Vingadores: Era de Ultron”, já está aberta a pré-venda online e nas bilheterias dos cinemas. A sequência é uma das mais aguardadas deste ano pelos fãs dos maiores super-heróis de todos os tempos. A estreia do filme no país está marcada para o dia 23 de abril.

 Quando Tony Stark tenta reiniciar um programa de manutenção de paz, as coisas não dão certo e os super-heróis mais poderosos da Terra, incluindo Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk, Viúva Negra e Gavião Arqueiro, terão que passar no teste definitivo para salvar o planeta. Com o aparecimento do vilão Ultron, a equipe dos Vingadores tem a missão de neutralizar seus terríveis planos.



Robert Downey Jr. retorna como Homem de Ferro, ao lado de Chris Evans, como Capitão América, Chris Hemsworth, como Thor, e Mark Ruffalo, como Hulk. No grupo dos super-heróis estão ainda Scarlett Johansson, como Viúva Negra, e Jeremy Renner, como Gavião Arqueiro, Samuel L. Jackson, como Nick Fury e Cobie Smulders como agente Maria Hill. O terrível vilão tecnológico da vez é James Spader como Ultron, que busca a extinção da raça humana.

Tags: Vingadores: Era de Ultron; Robert Downey Jr; Homem de Ferro; Chris Evans; Capitão América; Chris Hemsworth; Thor; Mark Ruffalo; Hulk; Scarlett Johansson; Jeremy Renner; Gavião Arqueiro; Samuel L. Jackson; James Spader; aventura; Disney; Cinema no Escurinho

quinta-feira, 19 de março de 2015

“Mapa para as Estrelas” mostra uma Hollywood onde nem tudo são flores

O ponto forte do longa é o elenco feminino, principalmente Julianne Moore e Mia Wasikowska (Fotos: Paris Filmes/Divulgação)

Jean Piter


A jovem e misteriosa Agatha Weiss (Mia Wasikowska) chega a Los Angeles sem dar pista do que quer na cidade. Ela conhece o motorista de limusine Jerome Fontana (Robert Pattinson). Ele é um rapaz que sonha em ser ator e espera conseguir uma oportunidade dirigindo para personalidades de Hollywood. Os dois se aproximam, começam a sair juntos e a flertar um com outro.

Agatha arruma um emprego de assistente de Havana Segrand (Julianne Moore), uma atriz decadente e desesperada com o peso da idade. Ela faz de tudo para conseguir o papel principal de uma refilmagem de grande sucesso estrelado por sua mãe, décadas atrás.

Enquanto isso, o garoto Benjie Weiss (Evan Bird), uma estrela mirim de uma série de TV, enfrenta os piores dias de sua curta carreira. O sucesso precoce subiu a cabeça e o levou ao mundo das drogas e do sexo. Ele chegou a ficar internado por um breve período de reabilitação. Sua mãe e seus empresários agora fazem de tudo para que a história não chegue à imprensa e se torne um escândalo. Mas, os problemas de ego do menino podem colocar tudo a perder.




Elenco salvador

“Mapa Para as Estrelas” tem um ar sombrio, com um pouco de suspense. Fotografia um tanto escura, que cai bem com a trama. O foco é a vida sem glamour das estrelas de Hollywood. E sobre o quanto as pessoas estão dispostas a sacrificar para terem sucesso, para se tornarem astros da sétima arte. É sobre o que não se vê nas telas. O que não chega a ser uma novidade já que há muitos filmes desse tipo por ai.

O ponto forte do longa é o elenco. Mia Wasikowska desenvolve bem os desequilíbrios de sua personagem. Mas é Julianne Moore que dá mais um show de interpretação (como aconteceu em "Para Sempre Alice" e "Sem Escalas". Ela é ansiedade, choro e obsessão. Tem momentos de euforia e depressão, mas não deixa nada disso transparecer quando está em locais públicos. Uma louca com autocontrole. 

O jovem Evan Bird coloca na tela uma arrogância natural que se encaixa bem no seu papel. Parece promissor. Por outro lado, John Cusack tem o mesmo rosto de praticamente todos os filmes que já fez. As mesmas expressões faciais e entonações de sempre. Dá a impressão de que é a continuação de outro longa. 

Robert Pattinson não brilha, mas também não deixa nada a desejar. Está mais maduro, com cara de homem. Faz até a gente se esquecer que ele é o mesmo rapaz da saga “Crepúsculo”. Os outros coadjuvantes, que são muitos, fazem um trabalho discreto - como deve ser – e de ótima qualidade.

Aposta errada

Filmes que retratam os bastidores de Hollywood quase sempre dão ênfase à vida de aparências dos grandes astros. “Mapa Para as Estrelas” se distancia um pouco disso ao mostrar mais de uma história ao mesmo tempo. Histórias de pessoas que, embora ligadas ao cinema, não gozam de tanto prestígio. Se tivesse ficado nisso, talvez o resultado fosse melhor.

O diretor David Cronenberg acrescentou visões, fantasmas, paranoia, brigas e mais brigas numa espécie de quebra-cabeça. Personagens complexos demais e ao mesmo tempo quase estereotipados. Eventos inesperados que acontecem rápido demais. Talvez ele tenha utilizado tudo isso para fugir dos clichês ou, ao menos, torná-los menores. Mas não deu certo. Ficou muita coisa para um filme só. Não encanta, não choca nem emociona.

Ficha técnica:
Direção: David Cronenberg
Produção: Prospero Pictures / Integral Films
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h51
Gênero: Drama
Países: Canadá / EUA / França / Alemanha
Classificação: 14 anos
Nota: 3,0 (0 a 5)

Tags: Mapa Para as Estrelas; David Cronenberg; Julianne Moore; Mia Wasikowska; Robert Pattinson; Paris Filmes; drama; Cinema no Escurinho

domingo, 15 de março de 2015

"Para Sempre Alice" é a consagração de Julianne Moore

Julianne Moore entrou fundo em seu personagem, passando por todas as fases da doença (Fotos: Diamond Films/Divulgação)

Maristela Bretas


Ela está excelente, merecedora dos mais de 30 prêmios conquistados neste ano. De quem estou falando? Julianne Moore, a ganhadora do Oscar 2015 de Melhor Atriz pelo filme "Para Sempre Alice" ("Still Alice"), em cartaz nos cinemas e simplesmente imperdível. O filme é um soco do estômago de quem nunca pensou nesta doença que hoje atinge milhões de pessoas pelo mundo, principalmente os mais velhos - o Mal de Alzheimer. E que afeta tanto o paciente quanto aqueles que estão a sua volta.



E é esse ponto que a história de "Para Sempre Alice" explora - da descoberta da doença pela professora Alice Howland (Moore) ao estágio avançado, quando já não se lembra mais da própria família e tem dificuldade de seguir uma rotina básica, como fazer a higiene pessoal e se alimentar. Ela sofre com o avanço da doença que provoca a perda de suas funções intelectuais, impede que continue trabalhando e interfere na sua vida familiar e social.

Os primeiros sinais aparecem durante um congresso, quando a renomada professora de linguística esquece algumas palavras em sua apresentação. Uma consulta a um especialista confirma a cruel doença - rara para uma mulher de 50 anos - que vai afetar toda a família e principalmente seu casamento com John (Alec Baldwin). No entanto, o maior apoio vem de quem menos se espera: a filha caçula, Lydia (Kristen Stewart), que se aproxima da mãe.

Alec Baldwin não convence de forma alguma como o marido que até tenta entender a doença da mulher e ajudá-la, desde que isso não atrapalhe sua vida profissional. Ele continua o mesmo canastrão de quando era casado com Kim Basinger. Sua interpretação lembra Jack, personagem que ele interpretava na série de TV americana "30 Rock".

Já Kristen Stewart mostra que não é mais a Bella da saga "Crepúsculo" e garante boas cenas ao lado de Julianne. Sua interpretação já havia se destacado em outro drama - "Acima das Nuvens" -, quando contracenou com a excelente Juliette Binoche. Kate Bosworth está muito bem no papel da filha mais velha Anna, casada e estabilizada na vida, o oposto de Lydia, mas que não sabe como lidar com a doença da mãe e o risco dela ser hereditária.

Moore é a grande estrela e trabalhou duro no ano passado, em filmes ótimos, como este e "Mapas para as Estrelas" (em cartaz a partir do dia 19), e outros razoáveis, como "O Sétimo Filho". Além destes, está no elenco de "Altman, Um Cineasta Americano", "Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1" e "Sem Escalas". E já com outros dois filmes engatilhados para estrearem neste ano - "Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 2" e "Freeheld".

Baseado no romance homônimo de Lisa Genova, o mérito do sucesso de "Para Sempre Alice" fica por conta da vencedora do Oscar, que entrou fundo no personagem. No final, a impressão que se tem que a atriz está mesmo doente. Ponto para a maquiagem.

Ficha técnica:
Direção e roteiro: Richard Glatzer e Wash Westmoreland
Distribuição: Diamond Films
Duração: 1h39
Gênero: Drama
Países: EUA/França
Classificação: 12 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)



Tags: Para Sempre Alice; Julianne Moore; Kristen Stewart; Alec Baldwin; Kate Bosworth; drama; Oscar 2015; Melhor Atriz; Diamond Films; Cinema no Escurinho

sábado, 14 de março de 2015

"O Sétimo Filho" é aventura juvenil que combina com sessão da tarde

 Jeff Bridges e Ben Barnes formam uma dupla de caçadores de criaturas do mal (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Aproveitando a onda de adaptações para o cinema de obras literárias infanto-juvenis, entrou em cartaz (também na versão 3D) o filme "O Sétimo Filho" ("The Seventh Son"). A proposta não é muito diferente de outras produções do gênero. Mas perde disparada para as sagas "Harry Potter" e a menos estrondosa mas também de sucesso "Percy Jackson", apesar de ter no elenco principal dois vencedores do Oscar - Julianne Moore e Jeff Bridges.


Com efeitos especiais sem muita grandiosidade mas que sustentam o enredo, dragões cuspindo fogo, bruxas com seus feitiços, a luta entre o bem e o mal e claro, romance, "O Sétimo Filho" foi anunciado como um dos bons lançamentos do início do ano. Mas poderia ter explorado melhor a história, os efeitos especiais e, principalmente, o talento de Bridges e Moore.


Ben Barnes, que faz o jovem aprendiz de caçador de monstros, repete em várias situações seu personagem de "As Crônicas de Nárnia - A Viagem do Peregrino da Alvorada". Já Alicia Vikander (de "O Quinto Poder"), que faz o par romântico com ele, não passa de uma bruxa bonitinha mas de pouca expressão.

Tudo começa quando o único guerreiro remanescente de uma ordem mística, conhecido como Mestre Gregory (Bridges), precisa treinar um novo discípulo para ficar em seu lugar, protegendo as pessoas contra bruxas e criaturas do mal. 

Ele encontra em um pequeno vilarejo aquele que poderá ser seu sucessor, o sétimo filho do sétimo filho - Thomas Ward (Barnes). Juntos saem para caçar a mais poderosa das bruxas, a rainha da escuridão Mãe Malkin (Moore) e seu exército de monstros que ameaçam o reino.

Julianne Moore trabalhou muito no ano passado (seis filmes ao todo), mas este é o papel mais fraco que ela interpretou das três produções que estreiam neste mês - os dramas "Mapas Para as Estrelas" (em cartaz a partir do dia 26) e o excelente "Para Sempre Alice" (já nos cinemas). Ela até convence, mas na linha aventura, foi melhor em "Jogos Vorazes: A Esperança - Parte I".

Já Jeff Bridges adotou a cara e os tiques de seu personagem de "R.I.P.D. - Agentes do Além" e não largou mais. Foi assim com "O Doador de Memórias" (muito bom) e agora repete em "O Sétimo Filho": cabeludo, falando para dentro com a boca cheia (parece que está mascando fumo o tempo todo), brigão, ranzinza e lutando ao lado do bem.


Baseado na série de livros “O Aprendiz”, de Joseph Delaney, o filme deve atrair o público deste tipo de literatura e aqueles que procuram por uma distração sem muitas pretensões.




Ficha técnica:
Direção: Sergey Bodrov
Produção: Legendary Pictures
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h42
Gêneros: Aventura/Fantasia
País: EUA/Reino Unido/Canadá/China
Classificação: 12 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: O Sétimo Filho; Jeff Bridges; Julianne Moore; Universal Pictures; Legendary Pictures; aventura; fantasia; Cinema no Escurinho

quarta-feira, 11 de março de 2015

Com a mesma cara de "bad boy", Will Smith volta às telas para dar um "Golpe Duplo"

Will Smith e Margot Robbie formam uma dupla de golpistas internacionais (Fotos: Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Tudo na vida pode se transformar num grande golpe, até o amor. Só depende de quem está aplicando e da vítima. Quem ensina a melhor forma é Will Smith em "Golpe Duplo" ("Focus"), que estreia nesta quinta-feira nos cinemas de BH. Na trama ele interpreta Nicky, um mestre na arte de trapacear que desde cedo foi criado para aplicar golpes em vítimas que acham que podem tirar proveito de todas as situações. 

Até que durante uma de suas jogadas ele conhece Jess Barret (Margot Robbie), uma bela golpista novata. Como não poderia deixar de ser, os dois se envolvem no amor e no crime. Ele ensina a ela os truques do negócio, mas como neste meio, romance é carta fora do baralho, Nicky dispensa a amada sem dar qualquer explicação. 

Três anos mais tarde, eles se reencontram em Buenos Aires e descobrem que ainda estão apaixonados mas em lados opostos. Ele trabalha para o empresário argentino Garriga (Rodrigo Santoro), que mexe com corrida de carros e ela é a namorada do chefe.

Will Smith está muito bem - lembra um "bad boy" com cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança - inclusive nas cenas românticas. Mas o papel caiu direitinho para ele. Margot Robbie também se saiu bem como a golpista apaixonada. Rodrigo Santoro está mais convincente que em papéis anteriores e não ficou para trás do restante do elenco principal.

A história é ágil, divertida e até com alguns momentos de suspense, principalmente quando Nicky e seu bando estão aplicando golpes milionários. Isso tudo numa cidade como Las Vegas, onde o jogo e a ilusão andam sempre juntos. E é justamente na forma como as jogadas são armadas e finalizadas que está o maior atrativo do filme. Vale a pena ser conferido.





Com roteiro e direção da dupla Glenn Ficarra e John Requa ("Amor a Toda Prova"), o filme conta ainda no elenco com nomes como Gerald McRaney, B.D. Wong e Adrian Martinez. Uma curiosidade: a produção de "Golpe Duplo" contratou Apollo Robbins, conhecido como “O Ladrão Cavalheiro”, para trabalhar como consultor, criando e coreografando truques inéditos.

Ficha técnica:
Direção e roteiro: Glenn Ficarra e John Requa
Produção: Di Novi Pictures e Zaftig Films
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 1h4
Gênero: Suspense / Romance
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

Tags: Golpe Duplo; Will Smith; Margot Robbie; Rodrigo Santoro; Warner Bros Pictures; suspense, romance; Cinema no Escurinho

terça-feira, 10 de março de 2015

Com grande elenco, “Terceira Pessoa” é quebra-cabeça cheio de dramas

Leam Neeson muda o estilo "Busca Implacável" e faz o papel de um escritor apaixonado por Olivia Wilde (Fotos: Playarte/Divulgação)

Jean Piter


Três histórias distintas se desenrolam simultaneamente em três diferentes cidades pelo mundo. Aparentemente não há nenhuma ligação entre os personagens. Mas eles acabam se cruzando de forma inesperada e surpreendente. Filme estreia dia 12 nos cinemas.

Em um quarto de hotel em Paris, o escritor Michael (Liam Neeson) busca reencontrar a criatividade para finalizar seu novo livro. Ele passa os dias recebendo telefonemas de Elaine (Kim Basinger), a ex-mulher de um fim de casamento recente. Ao mesmo tempo, ele vive uma nova paixão, quase secreta, com a jovem e ambiciosa jornalista Anna (Olivia Wilde).

Em Nova Iorque, a ex-atriz Julia (Mila Kunis) está nos piores dias de sua vida. Sem o glamour de antes, ela vai trabalhar como camareira de um luxuoso hotel que costumava frequentar. Sem dinheiro e abalada psicologicamente, ela tenta reaver a guarda do filho por meio de uma batalha judicial. Ela conta com a ajuda da advogada Theresa (Maria Bello). Do outro lado está o ex-marido Rick (James Franco), um renomado artista plástico.

Enquanto isso, em Roma, o pilantra americano Scott (Adrien Brody) tenta dar mais um de seus golpes. Ele vive escutando, como remorso, antigas mensagens de voz em seu telefone. Seus planos mudam completamente quando ele conhece a bela Monika (Moran Atias) em um bar. Logo ele se envolve em um estranho caso de chantagem, dinheiro e mentiras para ajudar a moça a recuperar a filha dela. 




Complexidade

“Terceira Pessoa” é um filme de personagens e histórias complexas. Seu grande mérito é não ter mocinhos nem bandidos. Todo mundo é pecador. Isso dá uma face mais realista à trama. O elenco é ótimo, com atuações muito boas. Mas, há também uma série de clichês.


Paris - Michael é um escritor em crise. Premiado. Mas não consegue repetir a grandeza de seu primeiro livro. Uma ex-mulher que ainda nutre por ele algum sentimento. Um fim de casamento trágico. Uma amante mais jovem. Há muitas histórias assim por ai, não?

Roma - Um cafajeste que começa a entrar na linha ou tem atitudes nobres por conta uma mulher. Uma moça bonita e exótica que muda um homem. Pessoas normais contra a máfia...

Nova Iorque - Na outra ponta, a mãe que quer a guarda do filho, contra a vontade do pai. Uma pessoa que já teve dinheiro e fama passando por dias difíceis.

Esses clichês, entretanto, não tiram a brilho da obra. Famílias partidas, pais, filhos, amantes, ex-maridos, ex-mulheres, tragédias, trabalho, fama, glamour, trapaça, entre outros, são ingredientes que engrandecem a trama e deixam os clichês bem menores. As ligações entre as histórias têm um toque de genialidade e magia.


Elas dão um show!

Mila Kunis chama a atenção pela carga dramática empregada a sua personagem. Ela coloca uma tensão bem medida em suas falas, no seu olhar e em seus gestos. Talvez seja a melhor atuação de sua carreira, até aqui, marcada por papéis cômicos.

Olívia Wilde brilha! Do choro às loucuras por amor. A inconsequência calculada de uma mulher que, por vezes, parece ter uma crise adolescente. Que ama do jeito dela, na hora que quer, sem se importar muito com o sentimento dos outros. Que atuação!

Moran Atias é uma bela surpresa. Embora em um papel meio caricato, ela atua com uma naturalidade imensa. Kim Basinger e Maria Bello têm participações menores, mas não passam despercebidas.

A vez de Adrien Brody

Liam Neeson tem um papel maior na trama. Não decepciona, mas está longe de ser brilhante. Com o mesmo rosto e caracterização de seus últimos filmes, a maioria de ação, há um quê de canastragem em sua atuação. Por outro lado, em uma participação bem menor, James Franco faz o suficiente pra se distanciar de suas atuações cômicas.

Adrien Brody consegue ser amável e detestável ao mesmo tempo. Há uma simpatia tão grande em seu personagem que, certamente, faz todo mundo torcer pra que ele se dê bem no fim da história. Um anti-herói clássico. A melhor interpretação masculina do filme.

A fórmula do sucesso

“Terceira Pessoa” é dirigido pelo canadense Paul Haggis. Ele é o diretor e também assina o roteiro de “Crash – No Limite” (2004), vencedor de três Oscar: de Melhor Filme, Roteiro Original e Edição. Por sinal, também uma obra de personagens complexos e histórias cruzadas. Haggis também é roteirista de outras grandes produções dramáticas como “Um Beijo a Mais” (2006) e “Menina de Ouro” (2006).

Ficha técnica:
Direção: Paul Haggis
Produção: Corsan Productions / Hwy 61 Films / Lionsgate
Distribuição: Playarte Pictures
Duração: 2h17
Gênero: Drama, Romance
País: Reino Unido, EUA, Bélgica, Alemanha
Classificação: 14 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: Terceira Pessoa; quebra-cabeças; Liam Neeson; Kim Basinger; Olivia Wilde; Mila Kunis; Mora Atis; Paul Haggis; drama; Playarte Pictures; Cinema no Escurinho