sexta-feira, 22 de maio de 2015

Reticente e atrevido, "Entre Abelhas" é para fazer pensar

"Entre Abelhas" traz o comediante Fábio Porchat em ótima e surpreendente atuação dramática (Fotos: Imagem Filmes/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Se é comédia de muitas risadas o que você procura, não vá ao cinema para ver Fábio Porchat em "Entre Abelhas". Identificado - para alguns, até exageradamente - como tragicomédia, o filme, apesar de momentos hilários, é, digamos, mais profundo. E traz o comediante em ótima e surpreendente atuação dramática.

Ao contar a história de Bruno (Porchat), que ao se separar de Regina (Giovana Lancellotti), vai paulatinamente deixando de enxergar as pessoas à sua volta, talvez o filme queira esbarrar em assuntos mais sérios, como por exemplo a solidão das grandes cidades, o egocentrismo que impera nos tempos atuais ou ainda a superexposição das celebridades, que fazem malabarismos para serem vistas.

O elenco, quase todo formado por figurinhas carimbadas do Porta dos Fundos, pode, a princípio, levar o espectador para o lado óbvio do riso. Estão lá, além do diretor Ian SBF, Marcos Veras como o amigo Davi com quem Bruno divide seu drama; Luis Lobianco como o entregador de pizzas que serve de cobaia para que a mãe do protagonista faça testes da visão do filho e outros. 

Mas não se engane: não se trata de comédia. O público até ri, mas não é comédia. E o grande diferencial é: Irene Ravache, atriz dramática que faz a mãe, está impagável e, acredite, é responsável pelos momentos mais engraçados do filme. Mais um paradoxo.

Houve quem não gostasse do final. Raso? Nem tanto. Melhor dizer "reticente", o que contribui para que "Entre Abelhas" mereça ser visto. Interessante e atrevido.  O filme está em exibição na sessão de 20h30 da sala 8 do Cineart Shopping Contagem. Classificação: 14 anos



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