domingo, 22 de janeiro de 2017

"Manchester à Beira-mar" emociona e justifica as muitas apostas para o Oscar 2017

O filme acontece num inverno gélido e nebuloso numa cidade do litoral americano (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Talvez resida exatamente na discrição o grande trunfo de "Manchester à Beira-mar". Há quem não goste. Mas é preciso admitir que não seja por acaso que tanto o filme quanto seu protagonista, Casey Affleck, esteja na lista dos favoritos para o Oscar 2017. Affleck foi, inclusive, o vencedor do Globo de Ouro como Melhor Ator de Filme Dramático. Alguma coisa isso há de significar.

É certo que o filme, a certa altura, torna-se lento e, consequentemente, longo. Definitivamente, não se trata de uma trama de ação. E isso, às vezes, angustia o espectador. Mas parece ser esse mesmo o objetivo do diretor e roteirista Kenneth Lonergan. É devagar que o espectador vai descobrindo motivos e justificando comportamentos de personagens que, a princípio, parecem inexplicáveis.

"Manchester à Beira-mar" é todo feito em flashbacks, mas o presente acontece num inverno gélido e nebuloso numa cidade do litoral americano. E as imagens, de cores pálidas, ajudam a deixar o público em estado de agonia. Até os - poucos - momentos de riso são nervosos.

Nada é gratuito no filme. Casey Affleck é Lee Chandler, zelador num condomínio em Boston, que recebe a notícia da morte do irmão Joe (Kyle Chandler) e parte para Manchester para o funeral. Lá, descobre que se tornou tutor do sobrinho Patrick (Lucas Hedges) por ordem expressa deixada pelo morto. A relação que surge a partir daí, entre tio e sobrinho adolescente, enriquece o longa que, em nenhum momento, escorrega para a gritaria ou para o dramalhão. Há emoção, claro, mas com leveza, profundidade e delicadeza.

A interpretação do protagonista Casey Affleck é contida na medida certa, quase misteriosa. E isso ajuda a criar certa expectativa no público. Na verdade, todo o elenco atua de forma discreta e intimista, inclusive Michelle Williams, que aparece poucas vezes como Randi, a ex-mulher de Lee. "Manchester à Beira-mar" é sutil. Na verdade, um filme de poucas palavras.  Classificação: 14 anos



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