23 dezembro 2018

"Conquistar, Amar e Viver Intensamente" - bom drama com roteiro arrastado

Pierre Deladonchamps e Vincent Lacoste vivem um grande amor com dias contados nessa produção francesa (Fotos: Jean-Louis Fernandez - Les Films Pelléas)

Maristela Bretas


"Conquistar, Amar e Viver Intensamente" ("Plaire, Aimer et Courir Vite") é uma comédia dramática francesa que trata de amores mundanos e sinceros, a luta contra a morte e a esperança de que um dia alguém especial possa mudar tudo. Do mesmo diretor de "Canções de Amor" (2007) e "Bem Amadas" (2011), Christophe Honoré, a produção participou da seleção oficial do 71º Festival Internacional de Cannes em maio desse ano.

Com linda trilha musical e ótimas locações, o filme peca apenas pela longa duração, ficando sonolento em algumas cenas, apesar da bela história de amor de Jacques (Pierre Deladonchamps), um escritor e dramaturgo que vive em Paris, e Arthur (Vincent Lacoste), um jovem que está estudando em Rennes, uma cidade estudantil na região da Bretanha francesa.

Nos anos 90, Jacques, com seus 40 anos, leva uma vida discreta pela manhã, tem um filho com uma amiga e uma vida de múltiplos parceiros à noite. Mas seu maior drama é o tempo de vida que lhe resta - ele tem AIDS e é a doença que determina os rumos dos personagens e da história, reforçando a tese de que está diretamente relacionada ao homossexualismo. O escritor tem a necessidade urgente de viver e amar, é um conquistador arrogante e, apesar de sempre procurar o amor em cada esquina, não se permite um novo envolvimento, por causa de uma decepção do passado.

Um encontro casual no cinema o coloca frente a frente com Arthur, o jovem estudante que não assume perante a amiga que é gay, mas também à noite se entrega aos amores disponíveis em guetos de homossexuais e michês. E apesar de ambos evitarem o envolvimento, a atração se torna cada vez maior e o romance de dias contados é cheio de ternura, encantamento e uma luta diária para fazer o amor ser maior que o medo da morte.

Aos poucos Arthur vai quebrando as barreiras de Jacques e, com sua jovialidade e alegria, mostra a ele um outro lado da vida que não pode e não deve ser esquecida, apesar do agravamento da doença do escritor. Mas com a morte de seu ex-parceiro, vítima de AIDS, Jacques tenta se afastar de Arthur e só pode contar com o velho amigo Mathieu (sempre ótima interpretação de Denis Podalydés, de "O Melhor Professor da Minha Vida" - 2017 e "50 São os Novos 30" - 2018), para convencer o jovem a seguir seu caminho. 

O roteiro é bem conduzido, com uma história envolvente, alegre e dramática ao mesmo tempo graças à ótima interpretação dos personagens, mas que poderia ter sido contada em um tempo menor, sem esticar muitas cenas, com comentários menores, menos filosóficos e cansativos.


Ficha técnica:
Direção: Christophe Honoré
Distribuição: Imovision
Duração: 2h12
Gêneros: Comédia / Drama
País: França
Classificação: 14 anos

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21 dezembro 2018

Incrivelmente atual, "Colette" é oportuno, instigante, sensual e feminista

Keira Knightley está ótima interpretando a escritora francesa libertária dos anos de 1900 (Fotos: Mars Films/Divulgação)


Mirtes Helena Scalioni


Para se ter uma ideia do pioneirismo da escritora francesa Sidonie Gabrielle Colette, basta citar dois títulos dos seus quase 50 livros: "A ingênua libertina", de 1909, e "A vagabunda", de 1910. Sem falar da sua série mais famosa sobre Claudine, personagem baseada na própria autora, libertária, moderna e à frente do seu tempo. 

Para completar, ela se casa com Willy, escritor picareta que assina todos os escritos da mulher, convencendo-a de que ele, como homem, é o único que tem alguma chance no mercado literário. Ou seja, sua vida é praticamente um roteiro pronto. 

E como viveu a vida real como se fosse um personagem - mulher atrevida e corajosa - a história de Gabrielle só podia mesmo resultar em um filme instigante, cheio de nuances e rico como ela. E a atriz Keira Knightley interpreta isso muito bem. Impressionante como lhe caem bem os trajes de época e sua cara de menina/mulher. Não deve ser por acaso que ela atuou também em "Orgulho e Preconceito" (2005), "Desejo e Reparação" (2007), "Anna Karenina" (2012), entre outros. 

Dominic West enriquece seu Willy, dando-lhe tons sedutores, ambíguos, quase malandros. Eleanor Tomlinson como a bela Georgie, e Denise Gouggh como a masculinizada Missy, brilham como amantes da escritora, imprimindo uma sensualidade delicada e bonita nas cenas mais ousadas. Tudo na medida. Estranho é que essa boa história, contada num filme chamado "Colette", dirigido por Wash Westmoreland ("Para Sempre Alice") e produzido em parceria com a Grã-Bretanha, Hungria e Estados Unidos, seja falado em inglês. 


Embora Gabrielle Collete seja uma escritora tipicamente francesa e tenha vivido o auge da loucura e da boemia parisiense, não há nenhuma participação da França na produção, o que, por vezes, soa falso. São muitas e lindas as cenas que mostram a Paris dos anos de 1900, quase se chocando com o idioma dos personagens, todo mundo só falando inglês.


Sidonie Gabrielle Collete nasceu no interior da França em 1893 e morreu em 1954. No entanto, por incrível que possa parecer, o filme sobre sua vida permanece atual. Não são tão raros assim, nos dias de hoje, homens que exploram o talento e/ou o trabalho de suas mulheres, outras vezes depreciando-as para subjugá-las e tornarem-se eles os donos da relação. Se fosse hoje, seria correto dizer que ela viveu, durante muitos anos, um relacionamento abusivo. Por essas e outras, "Colette" é um filme oportuno e exemplar. Imperdível.
Duração: 1h52
Classificação: 14 anos
Distribuição: Diamond Films Brasil



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