domingo, 31 de agosto de 2014

"No Olho do Tornado" segue estilo documentário e surpreende pelos efeitos especiais

Cenas dos tornados são fortes e dão a impressão de  quase realidade (Fotos: Warner/Divulgação)

Maristela Bretas

Se o diretor Steven Quale queria causar tensão com imagens fortes, ele conseguiu. Pelo menos foi o que acharam várias pessoas que estava no cinema na estreia de "No Olho do Tornado" na quinta-feira. Alguns sustos e o comentário de várias pessoas após a estreia - "o filme 'No Olho do Tornado' é tão bom quanto "Twister" (1996)". Alguns chegaram a considerar até melhor.  


Mas a produção dirigida por Steven Quale tem ótimos efeitos especiais - alguns um pouco exagerados, mas nada que um filme sobre tornados não mereça ter. 

Com elenco de nomes pouco conhecido, o filme agrada e dá seu recado. Usando a narrativa no estilo documentário, o diretor monta uma colcha de retalhos em "No Olho do Tornado" ("Into the Storm"). 

São imagens capturadas pelos caçadores de tempestades, por uma dupla "sem noção" e por moradores da pequena cidade de Silverton (Oklahoma), atingida por uma série de tornados num mesmo dia.

O filme conta a história de um grupo de caçadores de tempestades liderado por Pete (Matt Walsh, de "Para Maiores"), que conta com a assistência da meteorologista Allison Stone (Sarah Wayne Callies, da série "The Walking Dead"). 

Usando um carro de combate adaptado (parece um "brucutu"), eles passam o tempoà procura das melhores imagens de tornados, principalmente aquela que ninguém jamais conseguiu – a do olho do tornado, só obtida se a filmagem for feita no centro do redemoinho.


Enquanto todos na cidade se preparam para a formatura no segundo grau na escola, o jovem Donnie Morris (Max Deacon), filho do vice-diretor, deixa a formatura para ajudar a menina que ele paquera. E ninguém percebe a série de tornados atingindo a localidade e causando  destruição total. 

O jovem e a garota ficam presos numa antiga fábrica e o pai, Gary (Richard Armitage, da trilogia "O Hobbit") vai socorrê-los, ajudado pelo outro filho, que filma tudo o que acontece pelo caminho, e a equipe de caçadores. 

No trajeto, a dupla cruza com os caçadores de tempestades e eles terão de se unir para conseguir sobreviver à força do vento e salvar as pessoas da cidade do grande ataque.

O filme conta ainda com uma dupla que faz todo tipo de asneira para aparecer no Youtube e ganhar seguidores, inclusive enfrentar um dos tornados.

Ficha técnica
Direção: Steven Quale
Produção: Village Roadshow Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 1h29
Gênero: Ação/Suspense
Classficação: 12 anos
País: EUA
Nota: 3,5 (0 a 5)

Tags: No Olho do Tornado; ação; Warner Bros. Pictures; Cinema no Escurinho

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Luc Besson faz uma viagem frenética e alucinante em "Lucy"

Filme conta com Scarlett Johansson no papel principal (Fotos Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas

Scarlett Johansson é Lucy, uma jovem turista que se envolve com o cara errado durante uma viagem e acaba caindo nas mãos de traficantes chineses. O que ela não esperava era se tornar uma vítima da droga que deveria transportar para a Europa. Os pacotes estouram em seu estômago e ela começa a sofrer os efeitos arrasadores do entorpecente.



Se uma pessoa normal usa apenas 10% do cérebro, com o comprimido azul Lucy poderá atingir 100%. Ela passa a ter poderes que lhe permitem adquirir conhecimento instantaneamente, usar telecinesia, não sentir dor, ouvir tudo o que se passa ao redor e controlar a mente das pessoas.

O novo filme de Luc Besson mistura ficção científica, muita ação e muito delírio do diretor, responsável também pelo roteiro e produção.

Usando dezenas de imagens que parecem tiradas de algum documentário da NetGeo, vai contando em ritmo frenético a trajetória de Lucy e sua corrida contra o tempo para evitar que o restante da droga seja distribuída pelos traficantes.

Ao mesmo tempo, ela precisa se encontrar com um grupo de cientistas, coordenados pelo professor Norman, papel de Morgan Freeman, para poder contar sua experiência antes que atinja a capacidade total de seu cérebro.

O filme é bom, mas literalmente "uma viagem". Johansson está bem no papel, principalmente nas cenas em que se transforma em uma quase "Kill Bill", com direito a pistola automática, muita porrada e perseguições de carro pelas ruas de Paris, ao lado do investigador Pierre Del Rio, interpretado por Amr Waked.

Ficha técnica:
Direção: Luc Besson
Produção: TF1 Films Production
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h29
Gênero: Ficção
País: França
Classificação: 16 anos
Nota: 4,0 (0 a 5)

Tags: Lucy; França; ficção; Universal Pictures; Luc Besson, Scarlett Johansson; Morgan Freeman; Cinema no Escurinho

"Faroeste Caboclo" conquista o troféu Grande Otelo de Melhor Longa-Metragem de Ficção

                          13ª Grande Prêmio do Cinema Brasileiro

"Faroeste Caboclo" abocanhou sete troféus Grande Otelo, inclusive de Melhor Ator (Foto: Divulgação)

Marcado por muita emoção e grandes nomes do cinema nacional, a 13ª edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, contou com a estreia da categoria "Melhor Comédia". O vencedor foi "Cine Holliúdy", de Halder Gomes. Mas a grande estrela da noite, confirmando o favoritismo, foi o filme "Faroeste Caboclo", do diretor René Sampaio, que conquistou sete prêmios Grande Otelo, incluindo as categorias "Melhor Longa-metragem de Ficção", "Melhor Ator" e "Melhor Roteiro Adaptado". O filme chega às locadoras no dia 18 de setembro de 2014.



No total, foram 26 troféus distribuídos entre atrizes, atores, diretores e outros profissionais da indústria do cinema nacional, escolhidos pelos membros da Academia Brasileira de Cinema e pelo internauta, além da categoria de melhor longa-metragem estrangeiro, vencido por "Django Livre". 

Nelson Pereira dos Santos, Caca Diegues e Luiz Carlos Barreto subiram juntos ao palco para entregar os principais prêmios da noite (melhor ator, melhor atriz e melhor diretor). Eles também e anunciaram que o presidente da Academia Brasileira de Cinema, Roberto Farias será o grande homenageado do Grande Prêmio de Cinema Brasileiro de 2015. 

O grande homenageado da noite foi Domingos Oliveira. O diretor viu seu longa-metragem "Todas as Mulheres do Mundo" ganhar vida através dos atores Caio Blat e Maria Ribeiro, apresentadores do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2014.

Conheça os vencedores de 2014:

MELHOR LONGA-METRAGEM DE FICÇÃO: "Faroeste Caboclo", de René Sampaio

MELHOR LONGA-METRAGEM DE DOCUMENTÁRIO: "Elena",  de Petra Costa

MELHOR LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO: "Uma história de amor e fúria", de Luiz Bolognesi

MELHOR LONGA-METRAGEM INFANTIL: "Meu Pé de Laranja Lima", de Marcos Bernstein

MELHOR DIREÇÃO: Bruno Barreto, por "Flores Raras"

MELHOR ATRIZ: Glória Pires, por "Flores Raras"

MELHOR ATOR: Fabrício Boliveira, por "Faroeste Caboclo"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Bianca Comparato, por "Somos Tão Jovens"

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Wagner Moura, por "Serra Pelada"

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA: Gustavo Hadba, por "Faroeste Caboclo"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: José Joaquim Salles, por "Flores Raras"

MELHOR FIGURINO: Marcelo Pires, por "Flores Raras"

MELHOR MAQUIAGEM: Siva Rama Terra, por "Serra Pelada"

MELHOR EFEITO VISUAL: Daniel Greco e Bruno Monteiro, por "Uma história de amor e fúria", e Robson Sartorni, por "Serra Pelada"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Kléber Mendonça Filho, por "O som ao redor"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Marcos Bernstein e Victor Atherino - adaptado da música " Faroeste Caboclo" de Renato Russo, Legião Urbana - por "Faroeste Caboclo"

MELHOR MONTAGEM FICÇÃO: Marcio Hashimoto, por "Faroeste Caboclo"

MELHOR MONTAGEM DOCUMENTÁRIO: Marília Moraes e Tina Braz, por "Elena"

MELHOR SOM: Leandro Lima, Mirian Biderman, ABC, Ricardo Chui e Paulo Gama, por "Faroeste Caboclo"

MELHOR TRILHA SONORA: Paulo Jobim, por "A Luz do Tom"

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL: Phillipe Seabra (foto ao lado), por "Faroeste Caboclo"

MELHOR CURTA FICÇÃO: "Flerte", de Hsu Chien

MELHOR CURTA DOCUMENTÁRIO: "A Guerra dos Gibis", de Thiago Brandimarte Mendonça e Rafael Terpins

MELHOR CURTA ANIMAÇÃO: "O Menino que Sabia Voar", de Douglas Alves Ferreira

MELHOR LONGA-METRAGEM ESTRANGEIRO: "Django Livre", de Quentin Tarantino



terça-feira, 26 de agosto de 2014

Um filme para ser degustado a cada cena

Helen Mirren é o destaque do filme como a chef francesa Madame Mallory (Fotos: Walt Disney Studios/Divulgação)

Maristela Bretas

Junte uma pitada de belas imagens, a paixão pela arte de cozinhar e uma guerra de aromas e temperos. Cozinhe tudo lentamente por mais de duas horas, sempre dourando cada cena. E ao final teremos "A 100 Passos de um Sonho" ("The Hundred-Foot Journey"), um belo filme que explora a disputa entre a clássica cozinha francesa e a exótica comida indiana.



O toque final fica por conta do elenco, tendo a frente a grande vencedora do Oscar, Helen Mirren, que dá a medida certa entre drama e comédia, no embate com o ator indiano Om Puri. 


É como se o diretor Lasse Hallström usasse um pouco dos exóticos temperos do chef Hassan para dar vida e sabor a cada cena, chamando o espectador para degustar sua produção como o prato principal. Impossível não gostar. Baseado no livro "The Hundred-Foot Journey", de Richard C. Morais, "A 100 Passos de um Sonho" se passa no vilarejo de Saint-Antonin-Noble-Val, numa bela região de vales e montanhas no sul da França. 


E conta a história do jovem chef indiano Hassan Kadam (Manish Dayal), cuja arte de cozinhar chega quase à perfeição. Ele e sua família, liderada por Papa Kadam (Om Puri), chegam ao local e decidem abrir o restaurante Maison Mumbai.

Mas bem em frente está o renomado restaurante Le Saule Pleureur, premiado com uma estrela no guia de gastronomia Michelin, pertencente à arrogante chef Madame Mallory (Helen Mirren). 

A proximidade entre os concorrentes dá início a uma grande disputa de talentos e pratos criativos. Enquanto isso, a paixão pelo prazer de cozinhar une Hassan e Marguerite (Charlotte Le Bon), uma das chefs do restaurante francês.

Mesmo sendo seu maior rival, Madame Mallory acaba reconhecendo o talento de Hassan como chef e decide apoiá-lo para que ganhe o mundo fazendo o que mais gosta. Engano quem pensa que se trata de um filme apenas para os amantes da boa culinária. 


Apesar de ser uma história com enredo previsível, "A 100 Passos de um Sonho", que estreia nesta quinta-feira (28), vale a pena ser assistido do início ao fim pela forma como foi conduzido, as ótimas atuações e as belas paisagens. E ainda conta com a produção de Steven Spielberg, Oprah Winfrey e Juliet Blake.

Ficha técnica:
Direção: Lasse Hallström
Produção: Dreamworks Pictures/Amblin Entertainment
Distribuição: Disney/Buena Vista
Duração: 2h03
Gênero: Comédia/drama
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: A 100 Passos de um Sonho; Dreamworks Pictures; Helen Mirren; Manish Dayal; comédia; drama; gastronomia; Steven Spielberg; Cinema no Escurinho

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

"Os Mercenários 3" reúne elenco de peso, mas perde o estilo pancadaria debochada



Com mais atores que os filmes anteriores, produção reúne elenco de peso e novatos (Fotos: Califórnia Filmes/Divulgação)

Maristela Bretas

Faltaram pancadaria, tiros e explosões, não tem sangue e a ação deu lugar a cenas arrastadas que poderiam ter sido trocadas por mais "porrada" e diálogos debochados entre os velhos atores. Afinal era isso que se esperava de "Os Mercenários 3" ("The Expendables 3"). Mas o novo filme da famosa franquia deixou a desejar. Não chega aos pés de seus antecessores, principalmente do segundo, que é imbatível.



Nem mesmo o elenco maior (que mal cabe no pôster), com nomes de peso, conseguiu dar o gás que o filme precisava. Talvez se Sylvester Stallone (ator, roteirista e produtor) tivesse assumido também a direção, o resultado fosse melhor. 


Teria sido muito bom poder contar novamente com Chuck Norris e Bruce Willis, que deu lugar a Harrison Ford. O time de peso recebeu ainda o reforço de Wesley Snipes, Mel Gibson (está ótimo como o vilão) e Antonio Banderas.

Em compensação, o time de recrutas deixa a desejar - bombadinhos, rostinhos bonitos, mas não passam de figuração pouco expressiva. No final, a velha guarda de Stallone, conhecida dos filmes anteriores, é que faz a festa dos fãs.

No novo filme, Barney (Stallone) e seu grupo, agora reduzido, resgata da prisão um antigo parceiro mercenário - Doc - que vai ajudá-los numa missão para prender um dos maiores traficantes de armas do mundo. 


Durante a ação, Barney descobre que seu alvo é um antigo companheiro de equipe, Conrad Stonebanks (Gibson), que ele julgava ter matado. 

Para se vingar do inimigo, Barney dispensa seu antigo grupo - Christmas (Jason Statham), Gunner (Dolph Lundgren) e Toll (Randy Culture) e forma uma equipe só de novatos para ajudá-lo na caçada. 


O novo filme conta ainda com nomes do elenco antigo como Terry Crews, Jet Li e Arnold Schwarzenegger, além dos jovens integrantes: Kellan Lutz, a lutadora de UFC Ronda Rousey, Glen Powell e Victor Ortiz. 

Mas apesar de ter perdido seu estilo "atira antes e pergunta depois", o filme deverá agradar ao público que já se tornou fã do grupo de mercenários "quase bonzinhos" e bons de briga chefiados pelo ex-Rambo.

Ficha técnica:
Direção: Patrick Hughes
Produção: Nu Images Filmes/Milennium Films
Distribuição: California Filmes
Duração: 2h07
Gênero: Ação/Aventura
País: EUA/França
Classificação: 14 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

Tags: Os Mercenários 3; Sylvester Stallone; Mel Gibson; Arnold Schwarzenegger; Harrison Ford; Jason Statham; Wesley Snipes; Antonio Banderas; aventura; ação; California Filmes, Cinema no Escurinho

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

"Sex Tape: Perdido na Nuvem" é comédia de sexo, sem mentiras e um videotape

Jason Segel e Cameron Diaz formam um apaixonado casal que resolve apimentar o casamento com um vídeo íntimo (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas

Se não fosse a quantidade de bundas e sexo explícito em boa parte, a comédia "Sex Tape: Perdido na Nuvem" ("Sex Tape") seria ideal para passar numa sessão da tarde. Sem muitas pretensões, o filme que tem nos papéis principais Cameron Diaz e Jason Segel (também roteirista e produtor) aborda, de forma bem humorada e sem aprofundar muito, a situação de casais que deixam a rotina diária atrapalhar a relação sexual.



Ao mesmo tempo, insiste na importância de valores como amor, cumplicidade e família. No final, um filme agradável, com momentos cômicos, principalmente durante a caçada ao vídeo comprometedor.

Na história, Anne e Jay formam um casal que já transou muito e agora, apesar de ainda apaixonado, se vê na rotina comum de muitos casais. Com dois filhos e obrigações diversas, eles não conseguem mais fazer sexo. 

Até que numa noite, com as crianças na casa da avó, eles resolvem "apimentar" o casamento com um vídeo caseiro da relação sexual deles em várias posições apresentadas no livro "A Alegria do Sexo".

O que não esperavam era que o vídeo íntimo de três horas de duração gravado no iPad fosse compartilhado com amigos e membros da família devido a uma falha de sincronização, antes que Jack percebesse. Começa aí uma verdadeira maratona para impedir que as pessoas vejam as imagens.

Diaz e Segel tiveram uma boa sintonia, principalmente nas cenas de sexo, e confessaram que se divertiram muito. Em entrevista, a atriz que, em alguns momentos, quando ela e Jason estavam na cama ou em alguma posição engraçada, eles olhavam para cima e viam o diretor Jake Kasdan pairando sobre eles, tentando determinar como seria feita a tomada. E eles perguntavam como estavam se saindo. 

Para Diaz, foi a parte mais engraçada do filme - ela e Jason, seminus, e Jake dirigindo: "Podem fazer isso mais rápido, mais rápido, mais devagar, um pouco mais pra cima, um pouco mais pra baixo?"

Ficha técnica:
Direção: Jake Kasdan
Distribuição: Sony Pictures
Duração: 1h37
Gênero: Comédia
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 3,0 (0 a 5)

Tags: Sex Tape: Perdido na Nuvem; Cameron Diaz; Jason Segel; Jake Kasdan; Sony Pictures; comédia; Cinema no Escurinho

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Em "Antes do inverno" cada um vê o filme que quiser

 
Mirtes Helena Scalioni

A julgar pelas conversas e palpites no elevador depois da sessão, "Antes do Inverno" ("Avant l'hiver"), em cartaz no Cineart Ponteio (16h50 e 21h10) é um filme que deixa margem a muitas interpretações. Parece que cada um viu um filme diferente. 

Mais do que propor mistérios a ser desvendados, o drama do neurocirurgião que vê sua vida correta e confortável se complicar depois que uma jovem começa a lhe mandar flores, propõe reflexões. Médico bem-sucedido e bem casado com a bela Lucie (Kristin Scott Thomas), Paul (Daniel Auteuil) parece, a partir de então, se perguntar: "Foi esta mesmo a vida que escolhi e quero viver?" 



Em interpretação contida, mas excepcional, Daniel Auteuil (que já havia brilhado em "Caché"), convence e envolve como o cirurgião que é capaz de consertar cabeças, menos a sua própria, que saiu dos eixos com o aparecimento de uma marroquina misteriosa (Leïla Bekhti) que desperta nele sentimentos para os quais não há nomes. Essa dúvida gera tensão, que gera suspense. Mas não há sustos. As perguntas se acumulam mas nem todas são respondidas.

Como um bom filme francês que se preza, "Antes do Inverno", dirigido por Philippe Claudel, tem mais olhares e silêncios do que diálogos. Jantares caseiros com o despretensioso vinho de todo dia, gestos e expressões faciais substituem as palavras, ajudam a contar a história e aguçar os mistérios. 

Nesse quesito, Kristin Scott Thomas e Daniel Auteuil são mestres. Ela, como a esposa quase entediada que fica em casa cuidando de belos jardins; ele, como o profissional perfeito que começa a se envolver em mentiras para salvar uma estranha relação com a jovem misteriosa. Tudo muito discreto e sem maiores arroubos.


Como elemento complicador, há ainda o amigo de Paul, que cobiça descaradamente sua mulher Lucie, o que leva a mais dúvidas e mais mistérios. Não por acaso, o filme se passa no outono - antes do inverno - estágio onde se encontra a maioria dos personagens: no chamado outono da vida, para muitos o melhor momento para corrigir estragos e refazer escolhas.

Tags: Antes do Inverno; Daniel Auteuil; Philippe Claudel; drama; Cinema no Escurinho

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

"O Que Será de Nozes?" é uma ótima opção para as crianças

Surly é um esquilo egoísta que não gosta de dividir sua comida (Fotos: Playarte Pictures)
 
 Maristela Bretas

O ratinho é bem simpático, amigo de todo mundo e até parece com o personagem principal de "Ratatui". Já seu "melhor amigo" é um esquilo arrogante, egoísta e não liga para ninguém (nem para seu fiel amigo). Mas a dupla até que funciona e vai agradar bem a meninada na animação "O Que Será de Nozes?" ("The Nut Job").



A produção, resultado de uma parceria entre canadenses, sul-coreanos e americanos, está em cartaz nos cinemas de BH e é uma boa opção para levar os pequenos no final de semana. 

As vozes originais são de Will Arnett (esquilo Surly), Liam Neeson (guaxinim Raccon - igual ao de "Guardiões da Galáxia"), Katherine Heigl (esquilo Andie) e Brendan Fraser (o rato).

 Em "O Que Será de Nozes?", Surly é o esquilo que vive isolado dos outros habitantes do parque, tendo como único parceiro um rato todo desengonçado e trapalhão que ele trata mal. 

A falta de alimentos para o inverno faz com que ele e todos os outros animais saiam em busca de comida. Para azar de Surly e do grupo, o lugar onde poderão conseguir um bom estoque de nozes, amêndoas e castanhas - a Maury's Nut Store - pertence a um bando de assaltantes.

Surly resolve ajudar os amigos e a esquilinha Andie, mas para isso precisará de todos para conseguir colocar seu plano em prática e enganar os bandidos, , que planejam roubar um banco e usam o local como esconderijo. 

Tudo isso ao som de nada mais, nada menos que "Gangnam Style", do sul-coreano PSY. Tava com saudade? Pois então espere a surpresa no final do filme.


Ficha técnica:
Direção: Peter Lepeniotis
Distribuição: Playarte Pictures
Duração: 1h26
Gênero: Animação/Aaventura
Países: Canadá, Coreia do Sul, EUA
Classificação: Livre
Nota: 3,0 (0 a 5)


Tags: O que será de nozes; Playarte Pictures; animação; PSY; Gangnam Style;Will Arnett; Brendan Fraser; Leam Neeson; Cinema no Escurinho

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Lento, mas inteligente, "Amantes eternos" não é só mais um filme de vampiros

Adam e Eve são intelectuais. Ele adora música e ela  fala latim e gosta de plantas (Fotos: Paris Filmes/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni

Que ninguém torça o nariz para o filme "Amantes eternos" ("Only Lovers Left Alive") imaginando ser esse mais um filme de vampiro. Não é. Quase cínico, o diretor Jim Jarmusch faz crítica elaborada aos tempos atuais de cultura passageira e amores descartáveis. E parece brincar com o gênero, tão em voga, quando conta a história de um casal de vampiros tradicionais e clássicos.  



Adam (Tom Hiddleston) e Eve (Tilda Swinton) se amam há séculos, andam aborrecidos, e estão especialmente cansados dos tempos atuais, quando tudo é descartável, efêmero, sem classe e irresponsável.

Adam e Eve são intelectuais. Ele adora música, tem paixão por cientistas, só ouve som de vinis, coleciona guitarras icônicas, compõe e vive numa espécie de castelo em Detroit onde acumula suas esquisitices. Ela fala latim e gosta de plantas. 

Ambos são cuidadosos com seus segredos e fazem questão de saber a procedência do sangue que bebem. Ela, ao contrário dele, tem mais paciência com a irmã caçula que chega para trazer a frivolidade, a balada, o romance passageiro, o descuido. 

"Amantes eternos" é, no mínimo, um filme original. Tem um traço de nostalgia e cenários iluminados de forma a sugerir solidão e destruição. É lento e, por vezes, entediado como deve ser a vida de vampiros cansados de tanto viver.

Tags: Amantes eternos; vampiros; Jim Jarmusch; Tom Hiddleston; Tilda Swinton; drama; romance; Cinema no Escurinho

Michael Bay insiste em Megan Fox e estilo "Transformers" e erra feio em "As Tartarugas Ninja"

Megan Fox divide as atenções com o quarteto de tartarugas adolescentes ninja (Fotos: Paramount Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas

O diretor Michael Bay já formou seu fã-clube depois do sucesso da franquia "Transformers". Mas o filme "As Tartarugas Ninja" ("Teenage Mutant Ninja Turtles"), que estreia nesta quinta-feira em BH, é muito fraco. Até mesmo para quem vai ao cinema só para ver a Megan "ruim demais" Fox no papel principal - onde a produção estava com a cabeça!



E apesar de fraca, boba e com cenas que chegam a dar tonteira de tão rápidas que mal dá para saber o que está acontecendo, o filme foi sucesso nas bilheterias dos Estados Unidos. 

No primeiro final de semana arrecadou US$ 65 milhões. E estes números deixaram as produtoras Paramount Pictures e Nickelodeon Movies animadas o suficiente para anunciarem a sequência. 

O longa já está em andamento, produzido pela mesma Platinum Dunes, de Michael Bay. O diretor ainda não foi escolhido. Espero que troquem pelo menos a atriz. A estreia está prevista para 3 de junho de 2016. 

Muitos (e corridos) efeitos especiais do início ao fim, lutas marciais e quatro tartarugas brutamontes, cheias de hormônios da adolescência, comandadas por um rato. 

Para quem não conhece, trata-se de mais uma produção contando a história das tartarugas ninja, personagens dos quadrinhos e desenhos animados da década de 80. Anos depois, eles ganharam várias versões no cinema e agora estão de volta em mais uma produção. 

Usadas como experiência de mutação genética as quatro tartarugas acabam no esgoto de Nova York, onde crescem de forma anormal. Orientado e treinado por um rato sensei, também resultado de experimentos, o quarteto quelônio é formado por Leonardo, Rafael, Michelangelo e Donatello. 

Eles aprendem artes marciais e se transformam nos defensores da cidade contra o vilão "Destruidor". Tudo isso contando com a "grande ajuda" da jornalista April O'Neil (Fox) e seu cinegrafista Vernon Fenwick (Will Arnett).


Ficha técnica:
Direção: Jonathan Liebesman
Produção: Legendary Pictures/Platinum Dunes
Distribuição: Paramount Pictures 
Duração: 1h40
Gênero: Ação/aventura
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags: As Tartarugas Ninja; Megan Fox; Will Arnett; ação; aventura; Paramount Pictures; Cinema no Escurinho

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Robert Pattinson abandona "Crepúsculo e surpreende no violento "The Rover - A Caçada"

Guy Pearce e Robert Pattinson são os protagonistas do filme dirigido por David Michôd (Fotos Vitrine Filmes/Divulgação)

Maristela Bretas

Apesar da cara ainda lembrar o personagem sem sal e sem vida (claro!) da franquia "Crepúsculo", Robert Pattinson surpreende em sua nova produção "The Rover - A Caçada" ("The Rover"), em cartaz nos cinemas. O galã teen definitivamente deixou de lado o vampiro bonzinho e chato para mostrar que pode fazer mais e agradar a um público diferente.



No violento e às vezes monótono filme, ele interpreta Reynolds, um jovem com um atraso mental, abandonado pelo irmão e sua gangue após um assalto em que é baleado. Pattinson contracena com Guy Pearce, que vive Eric, o modelo de degradação da raça humana de um futuro próximo, cujo único bem ao qual dá valor é seu carro velho. 

E é justamente este que a gangue rouba durante a fuga do assalto, despertando em Eric uma vingança impiedosa contra os assaltantes. Durante a perseguição, conhece Reynolds e os dois se unem para destruir a quadrilha, deixando uma pilha de corpos pelo caminho.

Para quem gosta do gênero, "The Rover - A Caçada", dirigido por David Michôd, pode agradar. Para os fãs de Pattinson, uma chance de ver como o trabalho do mocinho vem evoluindo. Pearce, no entanto, é o destaque, explorando bem a fixação de seu personagem em recuperar o veículo roubado. Sem dó de matar, uma vez que não tem mais nada a perder.

Ficha técnica:
Direção: David Michôd
Distribuição: Vitrine Filmes 
Duração: 1h42
Gênero: Drama
País: Austrália/EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

Tags: The Rover - A Caçada; Robert Pattinson; Guy Pearce; drama; Vitrine Filmes; Cinema no Escurinho

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O humor perde parte de sua graça. Morre aos 63 anos o ator Robin Williams



Maristela Bretas

Morreu nessa segunda-feira, em sua casa na Califórnia, o ator Robin Williams. Ele estava com 63 anos e vinha lutando há tempos contra uma forte depressão. De acordo com a polícia, a suspeita é de que ele tenha cometido suicídio por asfixia, mas a causa e as circunstâncias da morte ainda serão investigadas.

"Gênio Indomável", com Matt Damon
O ator chegou a ser internado por diversas vezes em clínicas de reabilitação para tratamento contra alcoolismo e consumo de drogas.

Ganhador do Oscar como melhor ator coadjuvante, em 1998, por seu papel em "Gênio Indomável", Robin foi indicado quatro vezes ao prêmio e deixou sua marca em grandes comédias e dramas. 

"Uma Babá Quase Perfeita", com Sally Field
Além de emprestar sua voz para animações como "Happy Feet 1 e 2" (2005 e 2011) e "Robôs" (2005). Ele também conquistou dois prêmios Emmy do Primetime, seis Globos de Ouro, dois troféus do Screen Actors Guild e cinco Grammys.

Entre os destaques de sua carreira estão os papéis de um professor em “Sociedade dos Poetas Mortos” (1989) e da Sra. Doubtfire em "Uma babá quase perfeita" (1993). 

"Uma Noite no Museu", com Ben Stiller
Robin Williams deixa três filmes que vão estrear no Brasil: "Uma Noite no Museu 3", em que volta a interpretar o presidente Teddy Roosevelt no Museu de Cera; "Uma Nova Chance Para Amar", romance em que contracena com Annette Benning e, "O Que Fazer", comédia dramática que tem no elenco Mila Kunis.



Veja alguns dos sucessos do ator:

- “Bom Dia Vietnã” (1987)
- "As Aventuras do Barão de Munchausen" (1988)
"Bom Dia, Vietnã"
- “Sociedade dos Poetas Mortos” (1989)
- “Tempo de Despertar” (1990)
- "Voltar a Morrer" (1991)
- "Hook - a Volta do Capitão Gancho" (1991)
- “O Pescador de Ilusões” (1991)
- "Aladdin" (1992)
- "A Revolta dos Brinquedos" (1992)
- "Uma babá quase perfeita" (1993)
- "Segredos da Vida" (1993)
- "Para Wong Foo, Obrigada por Tudo" Julie Newmar" (1995)
- "Nove Meses" (1995)
- "Jumanji" (1995)
- "A Gaiola das Loucas" (1996)
- "Jack" (1996)
- "Flubber - Uma invenção desmiolada" (1997)
- “Gênio Indomável” (1997)
"Patch Adams - O Amor é Contagioso"
- "Patch Adams - O Amor é Contagioso" (1998)
- "Amor Além da Vida" (1998)
- "O Homem Bicentenário" (1999)
- "A.I. Inteligência Artificial" (2001)
- "Uma Noite no Museu - 1 e 2" (2006 e 2009)
- "Candidato Aloprado" (2006)
- "O Som do Coração" (2007)

- "O Mordomo da Casa Branca" (2013)