sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Rasas relações, solidão profunda

Ansel Elgort descobre o amor após conhecer uma jovem controlada pela mãe (Fotos: Paramount Pictures/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni

Com narração de Emma Thompson, que parece colocar a humanidade e o planeta Terra em seus devidos e insignificantes lugares, "Homens, Mulheres e filhos" retrata a sociedade moderna atolada em diálogos pobres de facebooks e whatsapps. Não foram poucas as pessoas que se lembraram de "Beleza Americana" quando assistiram ao instigante "Homens, Mulheres e Filhos". Não sem razão: ambos são o retrato impiedoso da sociedade americana - em princípio - que, por sua vez, espelha o que as famílias vivenciam em todo o mundo de hoje. Mais do que isso, ambos alertam para a falta de diálogo que campeia nestes tempos modernos e da consequente hipocrisia a que essa escassez leva.




Como em outros filmes mais ou menos recentes, a produção primeiro revela os personagens e seus dramas pessoais para, aos poucos, ir trançando as histórias. Estão lá um casal maduro em crise vivido por Adam Sandler e Rosemarie DeWitt, a mãe superprotetora (Jennifer Garner) que censura computador e celular da filha (Kaitlyn Dever), a mãe permissiva (Judy Greer) que entra num vale tudo para tornar a filha famosa, o adolescente solitário (Ansel Elgort) que prefere os jogos sexuais do seu lap top ao convívio dos amigos e colegas, a menina que aprende na internet a se tornar uma excelente anoréxica e por aí vai. Lá e cá, alguém cita Carl Sagan, o físico autor de "Pálido ponto azul", best seller que nos faz lembrar do quão pequenas são as nossas vidas, a humanidade, nosso planetinha.

O diretor canadense que assina o longa, Jason Reitman, sabe do que fala. É dele outro trabalho que tem a juventude como tema, "Juno". E mesmo não tratando só de jovens, "Homens, Mulheres e Filhos" escancara e desnuda grupos familiares sem pudores para repensar sobre a internet, hoje personagem principal de quase todas as famílias, para o bem ou para o mal.


É como se o diretor convidasse o espectador a refletir sobre as relações humanas a partir das redes sociais, seus poderes, confiabilidade e consequências. A falta de privacidade e, ao mesmo tempo, a oferta de verdadeiros self services de gente pela rede leva o público a se perguntar: aonde vamos parar?

O filme está em exibição na salas da rede Cineart dos shoppings Del Rey (19 horas), Boulevard (18h50) e Ponteio  (16h10 e 21 horas), Belas Artes Cinema (14 horas e 21h20) e salas Cinemark do BH Shopping (13h40) e Diamond Mall (16h10, 18h40 e 21h20). 
Classificação: 16 anos



Tags: Homens, Mulheres e Filhos; Adam Sandler; Emma Thompson; Ansel Elgort; Paramount Pictures, drama; Cinema no Escurinho