quinta-feira, 21 de abril de 2016

"Ave, César!" critica atores canastrões, jornalistas fofoqueiras e donzelas de mentirinha

Mirtes Helena Scalioni


Na glamourosa e um tanto falsa Hollywood dos anos de 1950, o principal executivo da Capitol Pictures, Eddie Mannix (Josh Brolin) vive um dos dias mais difíceis de sua vida. O principal ator da maior superprodução do estúdio, Baird Whitlock (George Clooney), é sequestrado por uma organização bizarra chamada "Futuro". Seria dramático se não fosse cômico. E aí entra em cena o talento dos irmãos Coen - Joel e Ethan - que se armaram de ironia para escrever e dirigir "Ave, César!" ("Hail, Caesar!") uma comédia tão deliciosa quanto crítica.

Não por acaso, "Ave, César!" é o nome da tal superprodução, bem nos moldes de Hollywood. E não é apenas o sequestro do ator canastrão Baird Whitlock que atormenta a vida já atribulada de Eddie Mannix. Comandante severo do estúdio, ele ainda tem que achar tempo - e jeito - para administrar a gravidez de DeeAnna Moran, uma atriz que posa de donzela, interpretada pela bela Scarlett Johansson, minimizar a falta de talento do ator de faroestes Hobie Doyle (Alden Ehrenreich) que tenta mudar de gênero e driblar a fome de notícias de duas jornalistas gêmeas ávidas por fofocas, Thora e Thessaly Thacker (interpretadas por Tilda Swinton).

Só mesmo das cabeças de Joel e Ethan Coen para brotar um roteiro como este, que beira o cinismo. Como trata-se de uma produção entre EUA e Reino Unido, o longa tem sua marca registrada no mais fino humor inglês. E são tantas as pequenas tramas, todas carregadas de ironia, que às vezes torna-se difícil acompanhar todas. Não se pode esquecer que a história se passa nos anos de 1950, auge da caretice e do falso moralismo americano, quando era preciso combater, a todo custo, o perigo do comunismo. E é claro que isso tudo foi prato cheio para a mordacidade dos diretores.

Vale ressaltar que, no final das contas, apesar de importantes, todos os atores têm papéis pequenos no filme - o que prova, mais uma vez, o prestígio dos Coen. Também faz parte do elenco Ralph Fiennes que, com o brilho de sempre, faz um diretor sério - Laurence Laurentz - às voltas com atores que não sabem interpretar. As historinhas e tramas são intercaladas por números musicais esplêndidos, no melhor estilo Hollywood. Houve quem achasse deslocadas as danças, sapateados e cantorias. No fundo, foi uma bela homenagem.

A comédia "Ave César!" pode ser conferida nas salas 1 do Belas Artes (sessões as 14 e 19 horas), 3 do Pátio Savassi (19h15) e 3 do Net Cineart Ponteio (14h30 e 18h40), em versão legendada. Classificação: 12 anos




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