sábado, 16 de janeiro de 2016

Steve Jobs, um visionário dominador 100 anos a frente de seu tempo

Steve Jobs, o homem com visão de futuro que revolucionou a tecnologia (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas e Adriana Perez


Mais uma versão cinematográfica sobre o gênio cofundador da Apple? Talvez, mas com um foco pessoal adaptada da biografia escrita por Walter Isaacson. Se em 2013 a abordagem do filme "Jobs" tentou ser minuciosa demais e acabou se excedendo e ficando arrastada em alguns momentos, em "Steve Jobs" temos dois premiados atores - Michael Fassbender e Kate Winslet - mostrando de maneira marcante o lado pessoal do visionário e dominador fundador da Apple e aliviando um o lado "sacana". 

As criações são usadas como divisores de três fases da vida de Jobs, entrecortadas por flashbacks - o lançamento do Macintosh, em 1984; o NeXT Computer, em 1988, já fora da Apple; e o retorno triunfal à empresa com o iMac, em maio de 1998.  

Se o verdadeiro Steve Jobs não era pessoalmente interessante, a escolha de Michael Fassbender agrada profundamente ao público feminino. O astro de "Macbeth" é sempre um "tesão" de homem e ajudou muito a melhorar a imagem do personagem original. Fora o aspecto físico, Fassbender está ótimo no papel, e muito parecido com Jobs em sua idade mais madura, perto do lançamento do iMac. Antes até que nem tanto, Ashton Kutcher ficou mais parecido na fase jovem quando fez o papel principal na produção de 2013.

A história foca mais os bastidores e a relação de Steve Jobs com seu antigo sócio Steve Wozniak (interpretado por Seth Rogen, muito bem fazendo um papel sério), com John Sculley, CEO da empresa (feito por Jeff Daniels), a prepotência e a estupidez com que tratava seus funcionários e a ex-namorada de faculdade e mãe de sua filha Chrisann Brennan (Katherine Waterston). 

Mas as duas mulheres que realmente marcaram sua vida e conseguiram despertar algum sentimento além da frieza e arrogância natural teriam sido a filha Lisa (que teve três intérpretes), reconhecida somente após muita briga na justiça, e Joanna Hoffman, então chefe de marketing do Macintosh (papel de Kate Winslet, digno de Oscar). Ela talvez mereça mais a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante do que Fassbender de Melhor Ator, como foram indicados.

Não estou desmerecendo sua interpretação, pelo contrário. Ele soube conduzir bem as muitas faces do gênio da Apple, principalmente o lado brilhante do visionário que revolucionou a era digital e se considerava o maestro da orquestra, que ele regia com mãos de ferro. Para ele, os membros da equipe eram apenas os músicos, incluindo os verdadeiros criadores de suas máquinas - Steve Wosniak e Andy Hertzfeld (papel de Michael Stuhlbarg).

Ponto também para o roteiro de Aaron Sorkin, que já faturou o Globo de Ouro de 2016 por Melhor Roteiro, e para a direção de Danny Boyle, que não foi indicado ao Oscar. 

"Steve Jobs" não é um filme que trata de tecnologia e das grandes invenções do personagem, mas um drama bem conduzido sobre o lado pessoal e genial de um homem 100 anos além de seu tempo. Ele queria transformar o computador em algo acessível a todos e principalmente às escolas. 

Ao mesmo tempo, não aceitava que seu sistema fosse aberto a aplicativos e dispositivos, o que desagradou a sócios e diretores da Apple. O filme explica muitas de suas atitudes e também reforça as críticas que ele recebeu até sua morte. Merece ser visto.



"Steve Jobs" está em cartaz, na versão legendada, em cinco salas de cinema de BH - 1 (sessão 21h20) e 3 do Cineart Paragem (18h50), 1 do Net Cineart Premier Ponteio (13h20 e 18h30), 1 do BH Shopping (13 horas, 15h50, 18h45 e 21h30) e 6 do Pátio Savassi (14h45, 17h30, 20h15 e 23h20).

Ficha técnica
Diretor: Danny Boyle
Roteirista: Aaron Sorkin
Duração: 2h02
Produção: Universal Pictures // Legendary Pictures / Cloud Eight Films
Distribuição: Universal Pictures
Gênero: drama / biografia
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 4 (0 a 5)

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