sexta-feira, 30 de setembro de 2016

"Lembrança de um Amor Eterno" tem química fraca do casal principal


Jeremy Irons é um professor que se envolve com a aluna Olga Kurylenko (Fotos: PlayArte Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Giuseppe Tornatore (de "Cinema Paradiso" - 1988) volta às telas como diretor e roteirista do romance "Lembrança de um Amor Eterno" (La Corrispondenza"), que conta ainda com uma bela trilha sonora de Ennio Morricone. O filme explora a relação entre duas pessoas com uma grande diferença de idade - a universitária e dublê de cinema Amy, papel de Olga Kurylenko, e Edward, seu orientador no curso de Astrofísica, interpretado por Jeremy Irons.

Nem o fato de morarem em países diferentes, cada um com seu estilo de vida, é capaz de diminuir a paixão de um pelo outro. Amy vive sua vida à espera dos poucos momentos que terá com Edward, das conversas pelo Skype, dos bilhetes, cartazes e presentes que chegam em momentos exatos. De poucos amigos, sua razão de viver está no amado, que a conhece melhor que ela mesma e corresponde à paixão.

A relação chega a ser obsessiva e nem mesmo a família poderia por fim a ela. O que a estudante não contava que, ao mesmo tempo em que continua recebendo mensagens gravadas do amado, recebe a notícia da morte dele durante uma conferência em que ele deveria ser o palestrante.

Começa aí um novo drama para Amy que não sabe como viver sem o amante, professor e companheiro de poucas, mas intensas, horas. Para surpresa da jovem, Edward, mesmo depois de morto, continua ditando sua vida, mantendo os antigos hábitos. Seguindo a linha romance-tragédia, "Lembrança de um Amor Eterno" se torna um pouco cansativo ao repetir situações do casal e a insistência da jovem em manter viva a imagem do amante morto.

A história fica centrada no romance pós-morte, com vai e vem de cartas, vídeos gravados em excesso e a garota fazendo cenas cada vez mais perigosas como dublê, como se não quisesse mais viver. Nem mesmo a entrada de outros atores - como a família de Edward e colegas de trabalho de Amy empolgam o enredo. Olga e Jeremy, apesar de ótimos atores, não criaram uma química muito boa como casal apaixonado, estão mais para professor e aluna.

A produção italiana é boa, mas o romance poderia ter sido mais bem explorado, assim como a fotografia, já que algumas cenas foram feitas numa região muito bonita da Itália. "Lembranças de Um Amor Eterno" deixou um pouco a desejar, não é dos melhores trabalhos de Tornatore, mas ainda assim merece ser conferido. O filme está em exibição na sala 4 do Cineart Ponteio, sessões às 16h30 e 21h15.




Ficha técnica:
Direção e roteiro: Giuseppe Tornatore
Distribuição: PlayArte Pictures
Duração: 1h56
Gêneros: Drama / Romance
País: Itália
Classificação: 14 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags: #lembrancasdeumamoreterno, #OlgaKurylenko, #JeremyIrons, #romance, #drama, #PlayArtePictures, #CinemanoEscurinho

domingo, 25 de setembro de 2016

"Cegonhas" é engraçado como a ave e fofinho como um bebê

Animação é imperdível, traz uma mensagem sobre família e as coisas importantes da vida (Fotos: Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Sem vergonha de admitir, ri do início ao fim. E acredito que o mesmo vai acontecer com outras mães, tanto as de primeira viagem quanto aquelas com filhos maiores que assistirem "Cegonhas – A História Que Não Te Contaram" ("Storks"). A animação aborda os pontos mais comuns da maternidade, tanto para o pai quanto para a mãe, mas de forma extremamente divertida (e real). E, de quebra, mostra como as pessoas estão optando por ter poucos filhos e, mesmo assim, ainda passam pouco tempo com eles. A cegonha, esta famosa ave que sempre esteve associada a bebês, perde sua função e se torna uma transportadora rápida - quase um Sedex 10.

Os diálogos das aves e dos lobos são os mais engraçados e exploram situações que muitas mães e casais já passaram, principalmente com o primeiro filho, como a manha pedindo por colo, a mamadeira da madrugada, a briga para comer a papinha, as trocas de fraldas e as noites mal dormidas. Isso sem contar o comportamento das pessoas que muda da água para o vinho quando veem um bebê "fofiiiiiiinho". Todo mundo fica meio abobalhado.

Os bebês são o centro das atenções de toda a história, mas a cegonha Junior (dublado em português pelo ator Klebber Toledo), entregadora da companhia é muito divertido. Preso a regras e convenções que proíbem as cegonhas de voltarem às antigas entregas, ele se vê numa situação complicada quando um recém-nascido sai da máquina de fazer bebês. A culpa é da amiga Tulipa (voz de Tess Amorim), uma jovem muito doida que foi criada pelas cegonhas quando uma delas não achou o endereço onde ela deveria ser deixada.

Destaque também para a matilha de lobos, aqueles animais ferozes, cruéis e sanguinários, que se transformam por completo quando o bebê sorri. Tem também o pombo Luke (voz de Marco Luque), um dedo-duro que quer ser o novo chefe da empresa de qualquer forma. Já os pinguins perdem a graça, deixam de ser bichinhos carinhos e se tornam "do mal". Valem apenas pela luta com Junior e Tulipa.


"Cegonhas – A História Que Não Te Contaram" é uma animação de família para família, que diverte adultos e crianças, com uma linda mensagem sobre a importância dos pais passarem mais tempos com seus filhos. Reforça também o conceito de que é possível conviver com as diferenças, ao formar uma família muito improvável de uma ave, uma menina e uma bebê. E alfineta de leve as relações de trabalho que exigem medidas drásticas como a demissão daqueles considerados improdutivos ou que não seguem as regras.

GALERIA DE FOTOS


A animação começa com a troca de funções: cansadas de carregarem bebês por todos os cantos do mundo, as cegonhas agora transportam pacotes para a gigante global da internet - a Cornerstore. com (Lojadaesquina.com.). Junior é o melhor entregador da empresa e está prestes a ser promovido.

Mas acidentalmente a jovem Tulipa aciona a Máquina de Bebês em seu turno, produzindo uma adorável e totalmente não autorizada bebê. Enquanto isso, na terra dos humanos, um garotinho Nando pede um irmãozinho aos pais sempre ocupados, para que possa ter com quem brincar.


Desesperado para entregar aos pais esse "presentinho de grego", antes que o chefe Hunter descubra, Junior e Tulipa, único humano criado na Montanha das Cegonhas, partem para sua primeira entrega de bebês em uma jornada selvagem e reveladora, que poderá iniciar uma família e também restaurar a verdadeira missão das cegonhas no mundo.

"Cegonhas – A História que Não Te Contaram" apresenta as novas canções originais “Kiss the Sky”, interpretada por Jason Derulo,e “Holdin' Out”, da banda The Lumineers. A animação é imperdível e está em cartaz nos cinemas de BH, Betim e Contagem, nos formatos 2D e 3D, em versões dublada e legendada.



Ficha técnica:
Direção: Nicholas Stoller (também roteirista e produtor) e Doug Sweetland
Produção: Warner Bros. Animation / Stoller Global Solutions
Distribuição: Warner Bros Pictures
Duração: 1h29
Gêneros: Animação / Comédia / Família
País: EUA
Classificação: Livre
Nota: 5 (0 a 5)

Tags: #cegonhasahistoriaquenaotecontaram, #cegonhas, #storks, #bebês, #animação, #comedia, #família, WarnerBrosAnimation, #WarnerBrosPictures, #CinemanoEscurinho

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

"Viva a França!" particulariza o desencontro de pai e filho e humaniza a guerra

Filme conta o êxodo de milhares de franceses durante a Segunda Guerra Mundial (Fotos: Jean-Claude Lother/Divulgação)


Mirtes Helena Scalioni


Difícil compreender por que traduziram "En mai, fais ce qu'il te plaît" - algo como "Em maio, faça o que quiser" - como "Viva a França!" Por mais licença poética que seja permitida nas versões de títulos de filmes, é preciso muita subjetividade para entender o ufanismo do nome. E muita força de vontade para justificar a sutileza e o motivo que levaram um filme de êxodo a se chamar assim.

Hans (August Diehl) é um alemão revolucionário e oposicionista a Hitler, que foge para a França com o filho Max (Joshio Marlon). Em Pas-de-Calais, ele se passa por belga e vai trabalhar de camponês com o prefeito Paul (Olivier Gourmet) que, diante da chegada iminente dos alemães, está liderando o êxodo dos moradores em direção ao sul, a exemplo de outras tantas vilas e povoados. Ao longo da trama, impulsionado por ataques dos alemães, Hans acaba formando um trio improvável com um soldado escocês e um cidadão francês que se recusa a abandonar sua casa com sua preciosa adega.

A história não é pura ficção e foi baseada em depoimentos de quem viveu a fuga. Em maio de 1940, cerca de 8.000 franceses deixaram suas cidades e vilas rurais tentando escapar da ocupação nazista e vagaram como andarilhos errantes pelas estradas e campos do país. Os horrores da guerra sempre foram um fértil pano de fundo para boas histórias. Em "Viva a França!" não é diferente. O drama particular de um pai que se perde do filho de oito anos num desses caminhos é o que comove e prende no filme. Embalada pela bela trilha do estrelíssimo Ennio Morricone, a história enternece, emociona e faz chorar.

Houve quem achasse "Viva a França!" repleto de clichês. Nem tanto. Por obra e graça do diretor (e roteirista) Christian Carion, há um equilíbrio convincente entre o universo macro da guerra - com seus bombardeios, aviões e batalhas - e o micro - a desesperança dos andarilhos, o desencontro de pai e filho. É nesse balanço que o longa se faz, senão imperdível, pelo menos necessário, correto. E muito, muito comovente!



Tags:#vivaafranca, #SegundaGuerra, #ChristianCarion, #AugustDiehl, #OlivierGourmet, #drama, #guerra, #histórico, #FênixFilmes, #CinemanoEscurinho

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

"Sete Homens e um Destino" é faroeste politicamente correto

Com Denzel Washington no papel principal, filme é remake de um clássico do western (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Em 1960, o faroeste "Sete Homens e um Destino" ("The Magnificent Seven") marcou época por contar em seu elenco com nomes como o de Yul Brynner, Steve McQueen, Charles Bronson, Eli Wallach, Robert Vaughn e James Coburn. Cinquenta e seis anos depois chega às telas de cinema um remake politicamente correto, com direito a mistura de raças. 

No time principal estão nomes bem conhecidos do público - Denzel Washington, Chris Pratt, Ethan Hawke e Vincent D'Onofrio como quatro dos sete pistoleiros. Para completar o grupo heterogênio, que vai sendo formado ao longo do filme participam o sul-coreano Byung-Hun Lee (como Billy Rocks), Martin Sensmeier (como o índio) e Manuel Garcia-Rulfo, o mexicano. Sem esquecer do vilão sem escrúpulos, interpretado por Peter Sarsgaard e a mocinha, papel de Haley Bennett (que parece a sósia da Jennifer Lawrence).

O filme é bem dirigido, tem princípio meio e fim, com ótimos tiroteios (para quem gosta do gênero western) e atuações convincentes, inclusive a de Pratt (como Josh Farraday) que insiste em ser o cara que não perde o hábito de fazer piada de tudo.

Denzel é sempre bom, mesmo quando faz cara de mau. Ele é Sam Chisolm, um caçador de recompensa negro, que se veste todo de preto, com direito a colete e arma invertida no coldre. E por um curto período vai virar o bom samaritano que aceita a proposta da viúva Emma Cullen (Bennett) para livrar a cidade dela do domínio do dono das minas de ouro Bartholomew Bogue (Sarsgaard).

D'Onofrio também está muito bem como o irlandês Jack Horne, que bebe todas e reza antes de cada desafio. Bem acima do peso, usando barba e mais rouco que nunca ele está quase irreconhecível.

A fotografia, graças aos recursos técnicos atuais, também é um ponto que favorece a produção, mas poderia ser mais bem explorada. Por se tratar de uma refilmagem, como aconteceu com o 1960, que por sua vez foi um remake do japonês "Os Sete Samurais", de Akira Kurosawa (1954), impossível não fazer comparações. Mesmo com o elenco do novo filme cumprindo bem seu papel, ainda perde para seu antecessor.


Para cumprir o trabalho de "limpeza" da cidade, Sam Chisolm vai recrutando ao longo do caminho os pistoleiros que irão ajudá-lo, alguns com a cabeça a prêmio. A variação étnica do grupo que vai se formando é o grande diferencial da nova produção e foi uma boa aposta do diretor Antoine Fuqua. Para completar, nada como o tema da trilha sonora original composta por Elmer Bernstein e adaptada por James Horner.

O "Sete Homens e um Destino" é um bom faroeste e vale ser visto (tanto este quanto o de 1960). O filme entra em cartaz nesta quinta-feira nos cinemas de BH, Betim e Contagem, em versões dublada e legendada.



Ficha técnica:
Direção: Antoine Fuqua
Produção: Columbia Pictures / MGM / Escape Artists /
Distribuição: Sony Pictures
Duração: 2h13
Gêneros: Faroeste / Ação
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #setehomenseumdestino, #DenzelWashington, #ChrisPratt, #VincentDonofrio, #EthanHawke, #PeterSarsgaard, #AntoineFuqua, #faroeste, #ação, ColumbiaPictures, #MGM, #SonyPictures, #CinemanoEscurinho

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

"Bruxa de Blair" causa mais ansiedade que medo

"Bruxa de Blair" é quase uma refilmagem de produção de terror que fez sucesso em 1999 (Fotos Paris Filmes/Divulgação)

Maristela Bretas


Sob a direção de Adam Wingard (“Você é o Próximo” e “O ABC da Morte”), “Bruxa de Blair” ("Blair Witch") traz às telas uma sequência do filme “A Bruxa de Blair” ("The Blair Witch Project"), de 1999. O longa retoma o formato found footage ("filmagem encontrada") em que são utilizados vídeos e filmes feitos pelos participantes da ação (no caso, o pessoal que estava caçando a bruxa). Isso inclui correria, cenas tremidas e desfocadas e o que foi recuperado das câmeras que estavam com os participantes durante o fato.

E é este estilo que foi retomado em "Bruxa de Blair", de forma a fazer o espectador vivenciar uma experiência de terror que funcionou no passado. O que não quer dizer que funcionaria tão bem no presente. Ao contrário do primeiro longa, este agora não faz a gente tomar susto ou pular na cadeira. Ele provoca uma ansiedade tremendamente grande, de fazer a gente sentir falta de ar em alguns momentos.

Mas não tem susto? Claro que tem. Mas se no primeiro longa a montagem de um filme em cima de imagens recuperadas das câmeras dos jovens desaparecidos fez um sucesso estrondoso e criou um divisor de águas nos filmes de terror, não posso dizer o mesmo da produção atual. Ela é boa, mas não me tirou da cadeira. Se antes os recursos técnicos eram escassos, neste sobra tecnologia, com uso de microcâmeras com GPS e até um drone.

A entidade continua assustadora, mesmo sem quase aparecer. Os atores são desconhecidos, apesar de convencerem nos momentos em que são atacados, sempre em um ambiente sombrio e escuro, sem mostrar sangue.  Durante todo o tempo, as cenas induzem ao medo, sem mostrar o que acontece com cada um do grupo. Apenas gritos e marcas em paredes e na mata. Isso pode funcionar com quem se assusta facilmente.

Inevitável não comparar as duas produções. "Bruxa de Blair" não é um filme ruim, mas cansa um pouco a constante troca de imagens entre as câmeras dos estudantes. Para mim, a cena mais angustiante foi a do buraco. Não vou falar mais para não dar spoiler. Saí do cinema com falta de ar. Se o objetivo do diretor era causar mal-estar ele conseguiu comigo. Mas não provocou medo.

No filme, quatro estudantes universitários se aventuram na floresta de Black Hills para desvendar os mistérios que cercam o desaparecimento de Heather, irmã de James (James Allen McCune), que muitos acreditam estar ligado à lenda da Bruxa de Blair. Ele está acompanhado da amiga Lisa (Callie Hernandez), que vai fazer um documentário para a escola, do amigo de infância Peter (Brandon Scott) e da namorada dele, Ashley (Corbin Reid). 

Eles conhecem uma dupla de moradores - Lane (Wes Robinson) e Taila (Valorie Curry) que se oferece para guia-los na floresta. Mas ao anoitecer, o grupo é surpreendido por uma presença ameaçadora e, lentamente, os jovens começam a perceber que a lenda é real e muito mais sinistra do que imaginaram. 

O filme está em cartaz em cinemas de shoppings de BH, Betim e Contagem, nas versões dublada e legendada.



Ficha técnica:  
Direção: Adam Wingard
Produção: Lionsgate
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h30
Gênero: Terror
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags:#bruxadeblair, #terror, #AdamWingard, ParisFilmes, CinemanoEscurinho

domingo, 18 de setembro de 2016

BH fica de fora da estreia da produção independente "Os Senhores da Guerra"

Longa-metragem é sobre famílias gaúchas divididas pela política (Fotos: Walper Ruas Produções /Divulgação)

Baseado na obra homônima de José Antônio Severo com direção de Tabajara Ruas, o longa-metragem "Os Senhores da Guerra" entrou em cartaz na última quinta-feira (15) em 14 praças do circuito nacional, exceto Belo Horizonte, ainda sem data para receber a produção. Trata-se de um filme sobre famílias divididas pela política – um dos temas mais atuais do Brasil. 

O filme estreou em Juiz de Fora (única cidade mineira), Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Santa Maria, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Bagé, Pelotas, Caxias do Sul (RS) e Chapecó (SC).

"Os Senhores da Guerra" narra a história verídica dos irmãos Julio e Carlos Bozano, jovens da elite gaúcha no início do século XX, cultos, unidos por profunda amizade, que se enfrentam em lados opostos na guerra civil de 1923, no Rio Grande do Sul. Julio, chimango e legalista, é prefeito de Santa Maria e recebe a missão de impedir o avanço das tropas do líder da oposição, general Zeca Neto, de quem Carlos, maragato e revolucionário, é secretário particular.

Os amores dos guerreiros carregam sonhos e esperanças em meio ao turbilhão da guerra civil. O destino coloca o líder comunista Luiz Carlos Prestes entre os irmãos Bozano. O desfecho desta disputa será na grande batalha no Passo da Cruz.

Com produção executiva de Ligia Walper, o filme recebeu dois Kikitos no Festival de Gramado de 2014: Prêmio Especial do Júri e Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para Andrea Buzato. O diretor e escritor Tabajara Ruas tem em seu currículo dez romances e está em seu quarto longa-metragem, entre eles "Netto Perde sua Alma" (2001), quatro Kikitos e 12 prêmios em festivais nacionais e internacionais.

O longa-metragem integra uma trilogia que busca reproduzir uma cultura pouco conhecida dos meios cinematográficos: a região do pampa, no sul do Brasil. A produção independente trabalha basicamente com material da região, tanto na formação da equipe quanto no conteúdo. Integram o elenco Rafael Cardoso, André Arteche, Marcos Breda, Andrea Buzato, Leonardo Machado, Marcos Verza, Elisa Brites, Miguel Ramos (que morreu em 2014) e vários outros nomes do cinema local.

O projeto, com realização da Walper Ruas Produções, teve 15 semanas de filmagem realizadas em três etapas (2011, 2012 e 2013), com uma equipe de mais de 200 profissionais, dois mil figurantes e elenco com 40 nomes conhecidos do cinema local.

Para as cenas de batalhas, mais de 500 armas foram usadas, entre elas 300 reais, fornecidas com apoio da Brigada Militar, e 200 cenográficas. As filmagens ocorreram em 11 municípios gaúchos e a equipe passou por Porto Alegre, Barra do Ribeiro, Santa Maria, São Sepé, Gravataí, Viamão, Canela, São Francisco de Paula, Caçapava do Sul, Garibaldi e Bento Gonçalves.



Ficha técnica
Direção: Tabajara Ruas
Produção: Walper Ruas Produções
Distribuição: Accorde Filmes
Duração: 1h52
Gêneros: Drama / Guerra
País: Brasil
Classificação: 14 anos

Tags: #ossenhoresdaguerra, #TabajaraRuas, #AndreArteche, #Rafael Cardoso, #JoséAntônioSevero, #guerracivil, #guerra, #drama, #WalperRuasProduções, #CinemanoEscurinho

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

"Cães de Guerra" trata com ironia o esquema mundial de venda de armas

Comédia é baseada em fatos reais e conta com a dupla Jonah Hill e Miles Teller no elenco principal (Fotos: Warner Bros. Pictures/Divulgação)

 Maristela Bretas


Há momentos em que você acredita que "Cães de Guerra" ("War Dogs") é uma comédia séria, com Jonah Hill cheirando todas e repetindo um estilo que há tempos adotou em seus filmes, do gordinho que quer ser "o cara" fazendo piadinhas para americano rir. Já Miles Teller está muito bem e segue de leve a linha cômica, mas garantindo melhor a parte dramática.


E é assim que a dupla consegue fazer um filme ágil que explora algumas mazelas do tráfico de armas internacional, em que os pequenos sem cacife entram para disputar com os graúdos, muitas vezes sem saber o risco que estão correndo. 

Hill é sarcástico e reforça com humor negro uma postura arrogante do americano. E não tem escrúpulos em envolver o amigo honesto, que se empolga com o dinheiro não tão fácil da indústria armamentista.


Baseado em fatos reais, o filme conta a história de dois amigos do tempo de escola - o massagista David Packouz (Teller) e o golpista comerciante de armas Efraim Diveroli (Hill) que se encontram 20 anos depois. Apertado com a contas e com a namorada grávida (Ana de Armas, em papel fraco), David se deixa levar pelos negócios ilegais de Efraim e se envolve com a venda de armas para o governo dos EUA e para os inimigos.


O que antes eram apenas migalhas deixadas para trás por outros comerciantes, para David e Efraim acaba se transformando numa grande jogada e a dupla conquista um contrato de US$ 300 milhões em armas a serem enviadas ao Afeganistão. Isso acaba atraindo o interesse de traficantes internacionais, entre eles, Henry Girard (com pouca mas ótima participação de Bradley Cooper).


O diretor Todd Phillips reúne vários de seus colaboradores da trilogia “Se Beber, Não Case!”, incluindo o diretor de fotografia Lawrence Sher, o designer de produção Bill Brzeski e o editor Jeff Groth. A trilha sonora é de Cliff Martinez (“Drive”, “Traffic: Ninguém Sai Limpo”) e conta com sucessos de Creedence, Aerosmith, Pitbull e 50 Cent.



Boa distração, "Cães de Guerra" é uma comédia dramática que vale a pipoca e o ingresso. O filme está em exibição nas salas 2 do Diamond Mall (sessões 15h40, 17h05 e 21h) e 8 do Pátio Savassi (19h e 21h30).



Ficha técnica:
Direção, produção e roteiro: Todd Phillips
Produção: Green Hat Films / The Mark Gordon Company
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 1h55
Gêneros: Comédia / Drama / Guerra
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 3 (0 a 5)

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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

"O Sono da Morte" - os sonhos dele serão seus pesadelos

Trama envolve novamente uma criança, com bom suspense e fatos sobrenaturais (Fotos PlayArte Pictures /Divulgação)

Maristela Bretas


Ao mesmo tempo em que apresenta clichês comuns em filmes de terror, "O Sono da Morte" ("Before I Wake") faz uma abordagem diferente, com toques de drama, suspense e sobrenatural, expondo o medo das pessoas provocados por seus pesadelos, principalmente crianças.

"O Sono da Morte", como outros filmes do gênero, traz novamente uma criança como o elemento principal da trama para atrair e sensibilizar o público. E isso acontece, mais ainda porque desta vez ela não é do mal. 

Cody, interpretado pelo simpático queridinho infantil de Hollywood, Jacob Tremblay ("O Quarto de Jack") é um órfão que passa de lar em lar adotivo até parar na casa de Jessie (Kate Bosworth) e Mark (Thomas Jane), um casal que ainda tenta curar a ferida deixada pela morte brutal do filho pequeno, Sean, dentro de casa.

Os dois querem recomeçar a vida e adotam Cody, sem saber ao certo o que houve com ele no passado, principalmente os desaparecimentos envolvendo os pais adotivos anteriores. Os três passam pelo período de adaptação, com Jessie e Mark tentando proporcionar o melhor para o novo filho.

O garoto passa a gostar de seus novos pais, mas não conta para eles que não quer dormir, com medo dos pesadelos. No início, o casal passa a ter experiências boas quando o garoto dorme e sonha, sempre com borboletas coloridas. Mas aos poucos, os bons sonhos vão se transformando em terríveis pesadelos com um ser sobrenatural - o Homem Cancro - que coloca em risco a vida de todos ao redor do jovem.

Até aí a história, mesmo surreal, tem uma consistência e aos poucos os fatos vão se explicando e caminhando para um final esperado. Só que não. Quando este chega surgem novas dúvidas: tudo não passou de um surto pós-trauma? Foram ações sobrenaturais causadas pelo dom de Cody? O que realmente ocorreu com os pais adotivos que desapareceram? Isso realmente aconteceu?

"Sono da Morte" é um suspense que vale a pena assistir, tem bons sustos, um enredo que está mais para suspense e sobrenatural que para terror. E ainda conta com a ótima interpretação de Jacob Tramblay. O filme prende até o final, esclarece o mistério como era esperado, mas deixa muitos fatos sem explicação.

Em exibição nas salas 1 do BH Shopping (sessão 22h30), 8 do Shopping Cidade (15h, 19h e 21h), 5 do Shopping Contagem (19h), 1 do Itaú Power (18h20), 1 do Pampulha Mall (15h30, 17h30, 19h30 e 21h30), 2 (14h20) e 6 (22h10) do Parteje Shopping Betim e 2 do Via Shopping (21h), em versões dublada e legendada.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Mike Flanagan
Produção: Relativity Media / Gussi Cinema / Intrepid Pictures
Distribuição: PlayArte Pictures
Duração: 1h37
Gêneros: Terror / Suspense
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

Tags: #osonodamorte, #JacobTremblay, #KateBosworth, #ThomasJane, #MikeFlanagan, #suspense, #terror, #sobrenatural, #PlayArtePictures, #CinemanoEscurinho

domingo, 11 de setembro de 2016

"O Roubo da Taça" no país da piada pronta

Comédia nacional expõe com ironia e malandragem o famoso roubo da taça Jules Rimet, em 1983, no Brasil (Fotos: Paris Filmes/Divulgação)

Maristela Bretas


Na época causou comoção nacional, o fato ganhou as manchetes dos jornais nacionais e críticas internacionais (como se não tivesse acontecido o mesmo em Londres). Mas tinha que ser no Brasil o roubo da famosa taça Jules Rimet, da conquista do tricampeonato mundial de futebol de 1970, que estava em um pedestal, onde no lugar deveria haver uma réplica, que por sua vez foi colocada no cofre da CBF. 

E o que é pior: um roubo que contou com uma parceria nada convencional. Ladrões de quinta (não tem outro nome para os envolvidos) aliados a um argentino, nosso maior adversário no futebol. País da piada pronta. Pronto, falei!

Pois foi este o tema escolhido para a produção nacional da Netflix - "O Roubo da Taça" - que está em cartaz nos cinemas. O diretor e roteirista Caíto Ortiz deu uma "pequena mudada" nos fatos reais e nos personagens, acrescentou uma namorada para o mentor do crime e transformou tudo num grande pastelão. 

Se no caso real o roubo mostrou nossa falta de segurança, o envolvimento de policiais e muita malandragem, que resultaram nos brasileiros presos e só o argentino se dando bem pois nunca "pegou cana" pelo crime, em "O Roubo da Taça" não poderia ser diferente. Com tanta trapalhada, não havia outra forma de explorar o caso que não fosse a uma comédia.

A história se passa no ano de 1983. No elenco principal está Sérgio Pereira Ayres, o Peralta (Paulo Tiefenthaler, que se destaca por sua ótima interpretação), mentor do roubo, que namora Dolores (Tais Araújo). Peralta é um simples corretor de seguros, cartola de time com acesso à CBF, aplica golpes da pirâmide nos amigos, é péssimo pagador e viciado em jogos. Ou seja, um amontoado de características do malandro brasileiro. Endividado até o pescoço, ameaçado por credores e sendo cobrado por Dolores para que se casem, ele acaba tendo a infeliz ideia de roubar o bem mais precioso do país na época - a taça Jules Rimet.

Ele procura amigos pouco confiáveis para cometer o crime, aproveitando seu conhecimento do prédio da CBF, no Rio. Peralta e Borracha (Danilo Grangheia), que na época era chamado de Chico Barbudo, entram no prédio, usam o banheiro da presidência para fazer o número 2 que dá sorte, agridem o vigilante desarmado e fogem achando que levaram a réplica da taça que estava em exposição na sala de troféus.

A surpresa vem no dia seguinte quando descobrem pelos noticiários que pegaram a Jules Rimet verdadeira, que pesava 3,8 quilos de puro ouro. A saída é tentar vender o mais rápido possível a peça. Nessa peregrinação por negociantes desonestos de joias, o elenco conta com Mr. Catra, como o malandro que fica revoltado com o roubo, e Hamilton Vaz Pereira, que faz o bicheiro Bispo, maior credor de Peralta. Até chegarem ao ourives argentino Juan Carlos Hernandez (vivido por Fábio Marcoff), que aceita comprar a taça para que ela pertença a seu país. Marcoff é outro destaque e seu personagem tem um destino no filme pouco explicado.

Do lado da CBF está Stepan Nercessian interpretando de forma divertida e sarcástica Giulite Coutinho, o presidente da entidade na época, mas que não tem seu nome falado em nenhum momento. Sem fugir do estilo policial do "vai contar tudo" aparece o investigador honesto, papel de Milhem Cortaz, que esculhamba com o presidente da CBF e não vai descansar até pegar os ladrões.

A comédia, como toda produção nacional, tem nove palavrões a cada dez palavras, é recheada de gírias e uma confirmação de que o jeitinho brasileiro pode resolver tudo sempre. O mistério, mesmo no filme, foi mantido: que fim levou a taça Jules Rimet - foi derretida ou ainda existe e está nas mãos de algum colecionador (quem sabe argentino, para nossa tristeza)?


O "Roubo da Taça" é uma produção divertida, que reúne uma infinidade de erros e trapalhadas de um crime inacreditável. As atuações dos personagens são bem conduzidas, bons figurinos e ambientação de época, e o estilo de filmagem adotado por Ortiz, com a câmera acompanhando os atores dá maior agilidade às cenas. A mistura política-futebol-ditadura tratada em jogo de imagens mostra um panorama bem superficial e sem muitas pretensões do período que vivia o Brasil nos anos 80.

Trata-se de filme para distrair, como era de se esperar de uma comédia e não desagrada. Ele está em exibição em nove salas de shoppings de BH, Betim e Contagem.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Caíto Ortiz
Produção: Netflix / Prodigo Films
Distribuição: Paris Filmes / Downtown Filmes
Duração: 1h42
Gênero: Comédia
País: Brasil
Classificação: 12 anos
Nota: 3 (0 a 5)

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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

"Um Namorado para Minha Mulher" é refilmagem divertida de comédia argentina


Caco Ciocler e Ingrid Guimarães formam o par romântico de comédia nacional (Fotos: Paris Filmes/Distribuição)

Maristela Bretas


Fazer refilmagem de filmes passados não é nenhuma novidade no cinema nacional. E "Um Namorado para Minha Mulher" (um filme de 2014, mas lançado somente agora) não fugiu à regra: é cópia da também comédia romântica argentina (tinha que ser dos "hermanos"?), "Um Namorado para Minha Esposa" (2008), que é muito divertido. Mas o nosso não ficou para trás. Ingrid Guimarães está ótima no papel de Nena, uma profissional desempregada cheia de neuras e desagradavelmente mal-humorada, para desespero de seu marido Chico, vivido por Caco Ciocler.

A história é exatamente a mesma, inclusive com o diálogo sobre os signos, um dos mais ácidos de Nena e Chico. E é toda esta acidez que faz o maridão, até então um apaixonado pela mulher com quem vive há 15 anos, pensar em se separar dela. Quanto mais amarga e desagradável Nena vai se tornando, maior é a vontade de Chico de pular fora do casamento.


Incentivado pelos amigos do futebol e sem coragem de pedir o divórcio, ele resolve contratar um amante profissional para conquistar sua mulher. É nessa hora que entra em cena Corvo, interpretado pelo sem graça Domingos Montagner, um sedutor com cara de pinga com torresmo, um cabelinho cheio de cachos e uma roupas bem bregas que não convence a mais burra das mulheres.

A história se passa dentro desse estranho triângulo amoroso, com situações bem divertidas, a maioria delas graças a Ingrid, que vem se destacando a cada comédia - um bom exemplo é "De Pernas pro Ar 1 e 2". Ela está ótima como a rabugenta Nena, que inferniza o bobalhão Chico, de Ciocler, que não precisava ter uma cara e uma postura tão idiota para fazer o papel.

Ainda no elenco estão Paulo Vilhena, como Gastão, chefe de Nena que vai dar corda para suas críticas duras ao cotidiano e às pessoas, Miá Mello, como Graça, melhor amiga da neurótica, e Marcos Veras, o amigo de Chico que não suporta Nena.

No mais, "Um Namorado para Minha Mulher" é divertido, tem cara de especial de TV, e apresenta Ingrid Guimarães como uma comediante cada vez melhor. O filme, dirigido por Julia Rezende (a mesma das comédias e "De Pernas pro Ar 2" e "Meu Passado Me Condena 1 e 2") tem atraído milhares de fãs pelo Brasil desde a sua estreia nos cinema. Vale a pena conferir. Em exibição em 21 salas de 18 shoppings de BH, Betim e Contagem.

P. S. - Por falar em crítica, endosso a opinião de alguns seguidores do Youtube. Os trailers estão ficando tão longos e mostrando tanto que acabam tirando a graça dos filmes. "Um Namorado para Minha Mulher" fez isso e ouvi muitos comentários de pessoas que falaram que estavam desistindo de ir ao cinema, pois já tinham visto a história quase toda no trailer. Acho que as distribuidoras deveriam rever esta estratégia de divulgação.




Ficha técnica:
Direção: Júlia Rezende
Produção: Paris Produções / Downtown Filmes / Globo Filmes / Miravista / Telecine Productions
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h40
Gênero: Comédia
País: Brasil
Classificação: 12 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

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