quinta-feira, 13 de agosto de 2020

“Maudie – Sua Vida e Sua Arte” revela com sensibilidade a força da pintora canadense

Sally Hawkins apresenta uma artista sofrida por seus defeitos físicos e limitações, mas de grande talento (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Quando querem ser muito edificantes, exagerando nas tintas na hora de focalizar o sofrimento do personagem, histórias de superação costumam ser óbvias e até chatas. Talvez até para valorizar mais o momento em que ele ou ela alcançam algum êxito ou reconhecimento, filmes e livros com esse tema acabam caindo nessa armadilha. Esse não é o caso de “Maudie – Sua Vida e Sua Arte”, cinebiografia conjunta de Irlanda e Canadá sobre a artista plástica Maudie Dowley. Com direção de Aisling Walsh, o longa, em exibição na Netflix, emociona e envolve, apesar dos muitos e difíceis obstáculos vividos pela protagonista.


Estrelado por Sally Hawkins, muito elogiada por “A Forma da Água” (2018), ela faz uma Maudie sofrida por seus defeitos físicos e limitações, mas ao mesmo tempo honrada. O filme permite um bate-bola produtivo e comovente da atriz com Ethan Hawke, que interpreta o brutamonte Emery Allen, com quem ela vive. A história praticamente se resume ao encontro dos dois, que tentam construir uma vida juntos apesar das muitas barreiras que os separam. Além do casal, estão no elenco, em papéis menores, Gabrielle Rose como a Tia Ida e Kari Matchett como Sandra.


A artista plástica Maudie Dowley nasceu em 1903 na Nova Escócia, no Canadá, teve uma vida de muita pobreza e dificuldades, e tinha um talento para a pintura que não cabia dentro dela. Mesmo sofrendo de uma artrite reumatoide que limitava seus movimentos de mãos e pernas, a arte pulsava no seu corpo de uma forma quase compulsiva. E essa força, esse desejo irrefreável de desenhar, retratar, pintar, dar cor e vida a pássaros, peixes e paisagens é que fazem diferença no filme, prendendo o espectador com muito interesse até o fim. É como se a arte fosse um sopro de esperança.

Pode até acontecer de alguém ficar incrédulo diante de tanta força, apesar da pobreza, das dificuldades e do abandono. Mas a mão certeira do diretor e as atuações convincentes dos atores não deixam dúvidas sobre o poder da arte na vida dessa mulher que morreu em 1970. Ao final do filme, é inevitável uma busca na internet para pesquisar o nome de Maudie Dowley. Só isso vale o filme.


Ficha técnica:
Direção:
Aisling Walsh
Exibição: Netflix
Duração: 1h56
Produção: Sony Pictures
Classificação: 12 anos
Países: Irlanda / Canadá
Gêneros: Biografia / Drama / Romance


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