terça-feira, 25 de julho de 2017

Carregado de nonsense, "Perdidos em Paris" leva o público às gargalhadas com um humor ingênuo e terno

Comédia franco-belga pode ser conferida no Belas Artes e no Net Cineart Ponteio (Fotos: Potemkine Films/Divulgação)


Mirtes Helena Scalioni


Mesmo que pareça um pouco fora de moda, vale a pena ver "Perdidos em Paris" ("Paris Pieds Nus"), nem que seja para relembrar e homenagear um tempo de mais romances e maior leveza. Quase nada no filme tem a ver com a realidade e talvez resida aí seu encanto. Para completar, o longa escancara uma Paris - linda, como sempre - florida, iluminada e cheia de charme. Precisa mais?


Uma série de coincidências - nem todas racionalmente aceitáveis - provoca o encontro, em Paris, de Fiona (Fiona Gordon) e Dom (Dominique Abel). Ela é uma jovem meio tonta, que deixa uma estação glacial no Canadá, onde trabalha, para tentar socorrer uma velha tia que lhe escreve da Europa, pedindo socorro, pois querem levá-la para um asilo. Ele, um vagabundo morador de rua que vive de pequenos golpes. A partir daí, as estripulias se multiplicam em dezenas de tropeções, tombos e desencontros e o espectador vai aceitando, devagar, que está diante de um filme de palhaços - no melhor sentido que essa expressão possa ter.


Desengonçados, feios e trapalhões, Fiona e Dom - que são Fiona Gordon e Dominique Abel, diretores, roteiristas e produtores do longa - levam o público a altas gargalhadas. Se, no início, há um estranhamento pelo excesso de nonsense, aos poucos o espectador entra no ritmo do humor ingênuo que, em muitos momentos, lembra Charles Chaplin ou Jerry Lewis. Nesse quesito, é impagável a cena da caixa de som no barco restaurante, cuja retumbância coloca em uníssono os movimentos dos clientes nas mesas.


Impagável também é a cena da dança, com a câmara focalizando apenas os pés de Martha e Norman, ambos interpretados por artistas veteranos do cinema francês. Ela, para quem não se lembra, é a excepcional Emmanuelle Riva, que viveu Anne, protagonista de "L'Amour", papel pelo qual foi indicada ao Oscar em 2013. Riva morreu em janeiro deste ano. Ele é Pierre Richard, comediante muito conhecido na França.


Nesses tempos duros de violência e conflitos, um pouco de ingenuidade faz bem à mente e ao fígado. O público agradece e aplaude. Cinema do bem. Classificação: 12 anos



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domingo, 16 de julho de 2017

"Meu Malvado Favorito 3" mostra a força da família e os Minions ainda melhores

Gru ganha um irmão gêmeo e enfrenta seu pior inimigo nesta nova aventura (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas

Eles já haviam provado, desde o primeiro filme, que seriam a atração especial da franquia. E não poderia ser diferente em "Meu Malvado Favorito 3" ("Despicable Me 3"), o quarto filme com os bonequinhos amarelinhos de macacão azul que adoram banana e falam uma língua incompreensível que todo mundo entende. A história é sobre Gru e seu irmão gêmeo Dru, mas os Minions (cujas vozes são novamente do diretor Pierre Coffin) fazem a grande diversão da nova animação. E são temidos até por grandes vilões.


"Meu Malvado Favorito 3" é muito divertido e novamente explora a relação de família. No primeiro, Gru, o maior vilão de todos os tempos, se rende a três lindas órfãs Edith, Agnes e Margo e deixa a vilania. No segundo, já mais caseiro, cuidando das filhas, ele se rende ao amor ao conhecer Lucy e ainda conta com um empurrãozinho das filhas. Mas a vilania não saiu do sangue do maior dos malvados e até seus fiéis ajudantes, os Minions, sentem falta do antigo patrão e fazem de tudo para que ele pratique alguma maldade. 



A notícia da existência de um irmão gêmeo pode mudar toda a vida de Gru e trazer de volta a alegria aos bonequinhos amarelos que não aguentam mais a vidinha pacata e sem graça do chefe. E são as cenas com os Minions as mais engraçadas, principalmente quando resolvem conversar em seu idioma "diferente" e partem para uma nova vida, longe da família e cheia de aventuras e até prisões.


A relação de família está presente durante toda a animação, desde o momento, tanto na união de Gru (dublado por Leandro Hassum) com os Minions quanto na ligação dele com o irmão recém-descoberto e com Lucy (dublada por Maria clara Gueiros) e as crianças. O tema é bem explorado pelos diretores, dando a dimensão esperada para cada situação. Agnes continua sendo a mais fofinha de todas e encanta com seu olhar apaixonante e sua obsessão por unicórnios.


A experiente agente secreta Lucy, agora esposa de Gru, quer se tornar uma mãe verdadeira e tenta de todas as formas conquistar as crianças. Ao contrário do irmão, Dru (também dublado por Hassum) é a imagem do sucesso - farta cabeleira loura, rico e adorado por todos, o que chega a despertar inveja em Gru. Para Dru, o irmão é seu modelo de vilão, como era o pai, e quer que Gru lhe ensine a ser do mal.


Além da questão de família é muito bem explorada no enredo, a escolha do inimigo não fica para trás. Balthazar Bratt (principalmente na dublagem de Evandro Mesquita) é um vilão que não evolui no tempo, tanto nas roupas quanto na música dos anos 80, que ele usa como trilha sonora em cada aparição ou luta. Ele nunca aceitou o fim do seriado com seu personagem Evil Bratt e para se vingar entrou para o mundo do crime. Gru, agora do bem, é seu maior alvo. Em sua primeira aparição anos depois, Gru e Lucy são chamados para capturar Bratt, mas acabam demitidos por deixá-lo escapar.


"Meu Malvado Favorito 3" é uma grande aventura, com momentos "fofiiiiiiiiinhos" e divertidos que garantem boas gargalhadas, muitas sacanagens dos Minions e mensagens bacanas da família Gru. Merece ser visto e curtido. Recomendo para toda a família e todas as idades.



Ficha técnica:
Direção: Pierre Coffin / Kyle Balda
Produção: Illumination Entertainment 
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h30
Gêneros: Aventura /Animação / Comédia
País: EUA
Classificação: Livre
Nota: 4 (0 a 5)

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