quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Sem nada de novo, "Mentes Sombrias" copia sucessos, tem pouca ação e nenhum clímax

Bolota, Zu, Ruby e Liam formam o quarteto que consegue escapar do campo de custódia de superpoderosos (Fotos: Fox Film/Divulgação)

Maristela Bretas


Uma mistura piorada de outras produções que conquistaram sucesso até pouco tempo atrás. Creio que seja a melhor definição para "Mentes Sombrias" ("The Darknest Minds"), filme que entra em cartaz nesta quinta-feira nos cinemas sem apresentar nada de novo. Ele entrega um roteiro fraco, com atores pouco conhecidos e diálogos que reúnem um amontoado de clichês, além de locações bem restritas e efeitos visuais medianos. Salvam algumas músicas da trilha sonora.

O espectador vai perceber logo no início que "Mentes Sombrias" copia ideias e situações de franquias anteriores do mesmo gênero, voltadas para adolescentes, como "Maze Runner" ("Correr ou Morrer"- 2014, "Prova de Fogo" - 2015 e "A Cura Mortal" - 2018), "Divergente" ("Divergente" -2014, Insurgente - 2015 e Convergente - 2016) e "Jogos Vorazes" (2012 a 2015). Mas está muito aquém desses, que conquistaram uma legião de fãs ávidos por cada sequência e que devoraram pelo mundo milhares de livros sobre as sagas.

"Mentes Sombrias" chegou com atraso (primeiro erro) e perdeu o boom do interesse juvenil por estes temas. Para piorar, é morno e sem ação, apesar de ser produzido pelos diretores Dan Levine ("A Chegada" - 2016) e Shawn Levy (série da Netflix, "Stranger Things" - 2017 - e trilogia  "Uma Noite no Museu", de 2006, 2009 e 2014). A diretora Jennifer Yuh Nelson (apesar de boas animações no currículo, como Kung Fu Panda 2 e 3) também não fez bem a lição de casa e entrega um filme que deixa o espectador esperando por uma grande ação, um clímax que vai mudar tudo. Só que isso não acontece.

A produção menospreza a inteligência até mesmo dos fãs deste gênero de filme de ficção ao mostrar um mundo apocalíptico, atingido por uma pandemia que mata a maioria das crianças e adolescentes da América. Alguns sobreviventes, como Ruby Daly, Liam, Bolota (Skylan Brooks) e a pequena e encantadora Zu (Myia Cech) desenvolvem superpoderes e são tirados de suas famílias e isolados pelo governo em verdadeiros campos de concentração para estudo e aproveitamento de seus dons. Lembra algo recente?

Claro, existem os rebeldes que vão combater o sistema, os grupos que exterminam aqueles que não acatam as ordens, o vilão psicopata com sede de poder e o casal romântico. Esta parte fica por conta de Ruby (interpretada por Amandla Stenberg , de "Tudo e Todas as Coisas" - 2017 e "Jogos Vorazes" - 2012) e Liam (o fofo, mas bem iniciante Harris Dickinson, fazendo o estilo "aquele que toda a sogra queria pra genro").

O longa acaba tão mal que praticamente exige uma continuação para explicar tudo. Não tem pontas soltas, é uma corda inteira desfiada. Inspirado no livro homônimo, "Mentes Sombrias" é o primeiro da trilogia escrita por Alexandra Bracken, que é composta ainda por "Never Fade" e "In The After Light" (ambos ainda sem tradução no Brasil). A versão para o cinema, que vale no máximo uma sessão da tarde na TV, pode desagradar os leitores da saga literária.



Ficha técnica:
Direção: Jennifer Yuh Nelson
Produção: 21 Laps Entertainment
Distribuição: Fox Film do Brasil
Duração: 1h44
Gênero: Ficção
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 2 (0 a 5)

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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

"O Quê do Queijo" feito no Serro é tema de belo documentário mineiro

Estocagem do queijo para o processo de maturação (Foto: Reprodução do documentário do IEPHA)

Maristela Bretas


Certos estão os mineiros que não dispensam "um queijim" no café. E essa tradição é ainda maior no interior. Afinal, "Roça sem queijo não dá". E foi esta tradição e a importância deste produto genuinamente mineiro (os demais estados que me perdoem, mas "queijim quinem o de Minas num tem não sinhô!"), que nasceu o belíssimo documentário "O Quê do Queijo - Um Segredo da Região do Serro", realizado para o IEPHA.

Uma viagem encantadora feita pela região do Serro, uma das maiores produtores do Estado de queijo artesanal, tombado como patrimônio imaterial. Como dizem alguns moradores entrevistados, "no Serro só não vende queijo em farmácia".



O registro sobre as diversidades deste patrimônio mineiro e suas peculiaridades ficou a cargo de dois ótimos profissionais, os jornalistas TV Paulo Henrique Rocha, responsável pela direção, roteiro e edição do material, e Leandro Borboleta, produtor do documentário. É deles também a fotografia do filme, que ainda conta com trilha sonora de Marcus Felipe Mota e som direto de Jorge Alvarenga.




O documentário mostra como o queijo artesanal da região do Serro é feito, o cuidado com as vacas, a ordenha, separação do leite, a modelagem do queijo nos recipientes para que tome a forma arredondada e todo o preparo. Uma tradição familiar mineira (assim como as receitas) passada de geração para geração, assim como as frases famosas:: "Mineiro que é mineiro não fica sem queijo" ou "Quer ver um mineiro correr? Solta um queijo ladeira abaixo".



Até mesmo o transporte no lombo de burro pelo cerrado mineiro, do campo para a cidade, ainda pode ser visto. O documentário traz ainda entrevistas com diversos produtores da região, moradores e explicações históricas e científicas de Célia Lúcia Ferreira, professora titular de Ciências Domésticas da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Tudo isso é a paixão pelo queijo do Serro.

O documentário completo pode ser conferido abaixo:



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