quinta-feira, 21 de novembro de 2019

"A Grande Mentira" e os segredos que cada um de nós carrega

Trama reúne os premiados Helen Mirren e Ian McKellen num golpe que vai mudar suas vidas (Fotos: Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


 Helen Mirren e Ian McKellen formam o casal perfeito. De um encontro arranjado por meio de um aplicativo eles dão início ao que se tornará "A Grande Mentira" ("The Good Liar") na vida de ambos. O filme, que estreia nesta quinta-feira reúne dois atores mais que excelentes numa trama bem amarrada, usando flashbacks na medida certa, para envolver o público na trama. 


Apesar de ter menos de duas horas de duração, o longa, em alguns momentos fica arrastado, mas consegue fazer o público, durante todo roteiro, ficar imaginando diversas reviravoltas para o grande golpe que está prestes a ser aplicado. McKellen está ótimo como o trapaceiro Roy Courtnay, que vive de dar golpes em pessoas com dinheiro, auxiliado pelo velho amigo Vincent (Jim Carter), tão trambiqueiro quanto ele.


O roteiro foi pensado nos mínimos detalhes (às vezes até exagera, deixando a narrativa lenta). Mas são as interpretações do casal principal e a sintonia entre eles que merecem todo destaque do filme. Dois talentos premiados reunidos uma envolvente história de amor, trapaças e vingança. A todo o momento o público fica na expectativa de que um deles vai virar o jogo ou está tramando alguma coisa. Afinal, quem na verdade está mentindo e quem é o trapaceiro? Quais os segredos eles escondem de seu passado?



A experiência de Helen Mirren e Ian McKellen faz toda a diferença, especialmente nas cenas em que estão juntos. Também o ator Russell Tovey conduz muito bem no papel de Stephen, neto de Betty, que tenta impedir que a avó caia num golpe armado pelo misterioso Roy, que ela conheceu num site de encontros. Para se aproximar da viúva rica, ele até se muda para a casa dela. A partir daí, muita água passa por baixo da ponte, num verdadeiro jogo de gato e rato entre os protagonistas.

"A Grande Mentira" é um ótimo drama, especialmente pela dupla principal e pelo tom de suspense que cria. Vai agradar àqueles que desejam assistir uma produção com belos figurinos, bem dirigida e com boas locações em Londres e Berlim. 


Ficha técnica:
Direção: Bill Condon
Produção: New Line Cinema / Bron Studios
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 1h50
Gênero: Drama
Nacionalidades: EUA / Canadá
Classificação: 16 anos
Nota: 4 (0 a 5)

Tags: #AGrandeMentira, @Helen Mirren, #IanMcKellen, #drama, @agencia_espacoz, #WarnerBrosPictures, @wbpictures_br, @cinemaescurinho, @cinemanoescurinho

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

"As Panteras" mostram as garras e a força da mulher na versão 2019

Kristen Stewart, Ella Balinska e Naomi Scott, sob o comando de Elizabeth Banks, entregam uma homenagem à série original (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Uma versão mais engajada na luta pela valorização da mulher, unindo força, inteligência e beleza. Assim é o terceiro filme de "As Panteras", dirigido, roteirizado, produzido e estrelado por Elizabeth Banks (de "Brightburn: Filho das Trevas" - 2019). Com boas cenas de lutas e de perseguições, a produção que entra em cartaz nesta quinta-feira nos cinemas é uma homenagem à série original de TV, trazendo boas lembranças e surpresas, mas abandonando o lado machista das Charlie's Angels.


A produção tem humor, muita ação, bons efeitos especiais e interpretações que não chegam a ser marcantes, mas surpreendem em alguns casos. Kristen Stewart está muito no papel da pantera Sabina Wilson, uma agente forte, decidida e segura. Ela também é ela a responsável pelos diálogos e situações cômicas. A estrela da franquia "Crepúsculo" perdeu a carinha da inocente Bela e vem se impondo a cada filme que protagoniza. Até os vilões de "As Panteras" reconhecem que ela é uma mulher independente e resolvida.


O mesmo acontece com Jane Kano, personagem da estreante Ella Balinska, parceira de Sabina como uma das agentes do misterioso Charlie. Com pose e estatura de modelo, a jovem se sai muito bem no papel, esbanjando sedução quando dança e mostrando ser a mais experiente agente, tanto como atiradora quanto em lutas. Melhor que muito homem. A mais fraquinha e sem sal do trio é Naomi Scott (a Jasmine, de "Aladdin" - 2018 e também intérprete de Kimberly, a ranger rosa de "Power Rangers" - 2017). No filme ela é Elena Houghlin, uma cientista especializada em tecnologia que precisa ser protegida pelas Panteras, integrantes da Agência Townsend de espionagem.


Da história nascida para a TV - três Panteras, o chefe Bosley e o chefão Charlie (daí o nome "Charlie's Angels") - sobraram a ideia original e, especialmente, a inesquecível e marcante música tema orquestrada. Dezesseis anos depois de "As Panteras Detonando" (2003), a agência cresceu, agora tem atuação internacional e reúne as mais bem treinadas agentes do mundo, que atuam onde são mandadas. Não existe mais um só Bosley, mas várias partes do planeta cada um com sua equipe.


Elizabeth Banks, que tem boa atuação como uma Bosley (ou Boz, numa associação a boss) não perde a cara de vilã e passa sempre a impressão de que vai puxar o tapete de alguém. Como diretora fez um bom trabalho, reforçando do início ao fim a importância das mulheres na trama e na vida real. O roteiro, também dela, tem alguns furos, mas parece ter sido feito por uma fã da antiga série, que resolveu recontar a história das "Anjos de Charlie" numa versão atualizada e "femininamente" correta.

A trilha sonora é um dos destaques do filme. Puxada pela música tema orquestrada - "Charlie's Angel" -, criada para a série de TV, ela marcou a geração entre os anos de 1976 e 1981. Para o filme atual foi chamado um trio da pesada para interpretar a canção "Don't Call Me Angel", - Ariana Grande, Miley Cyrus e Lana Del Rey


Os personagens masculinos são colocados em segundo plano, alguns em papéis dispensáveis e outros fragilizados (como Alexander Brok, papel de Sam Claflin) ou apenas para compor cenário, como o cientista Lasgston (papel de Noah Centineo). Djimon Hounsou ("Capitã Marvel" - 2019) tem participação rápida, mas importante na trama como um dos chefes da agência. Já Patrick Stewart, o Bosley principal, não perdeu o jeito de Professor Charles Xavier, da franquia "X-Men", só que sem a cadeira de rodas.

À esquerda, elenco da série de TV; à direita,as atrizes dos primeiros filmes para o cinema (Foto/Montagem)
Três gerações de Panteras

Para quem está conhecendo agora as poderosas espiãs, vale um pouco de recordação. As primeiras panteras, da clássica série de TV, foram as atrizes Jaclyn Smith, Kate Jackson e a inesquecível loura Farrat Fawcett-Majors. Ao longo das temporadas da série, elas foram sendo substituídas por Cheryl Ladd, Shelley Hack e Tanya Roberts, mas sem o mesmo carisma e glamour das primeiras..


No ano de 2000 o trio de espiãs ganhou a versão cinematográfica com um elenco atraente e de peso - Cameron Diaz, Drew Barrymore (uma das produtoras) e Lucy Liu, na divertida e explosiva produção "As Panteras". Já o segundo filme com elas e Demi Moore -  "As Panteras Detonando" (2003) - foi bem fraquinho. No reboot deste ano, a proposta é uma volta ao passado, com um trio que não é tão carismático como os anteriores, mas dá conta do recado. O blog @cinemanoescurinho recomenda para os saudosistas e quem gosta de um filme de ação com pitadas cômicas.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Elizabeth Banks
Produção: Brownstone Productions / Sony Pictures
Distribuição: Sony Pictures
Duração: 1h59
Gêneros: Ação / Comédia /Espionagem
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #CharliesAngels, #DontCallMeAngel, #ElizabethBanks, #Kristen Stewart, #NaomiScott,  @SonyPicturesBR, #ação, #comédia, espionagem, @cinemaescurinho, @cinemanoescurinho, @espacozmkt, @cineart_cinemas