sábado, 22 de junho de 2019

“Democracia em Vertigem” mostra um Brasil dividido e com o futuro incerto

Documentário de Petra Costa narra os principais fatos políticos do Brasil nas últimas décadas (Fotos: Netflix/Divulgação)


Jean Piter


Sabe aquela sensação repentina de que tudo em volta está girando? A vista embaçada, o mal estar no corpo, os pés que parecem não estar no chão e a incapacidade de fazer algo para dar a fim a essa agonia? É o que podemos chamar de vertigem. E é exatamente essa a reação que o documentário “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, pode provocar. Um retrato melancólico e muito honesto da história recente do Brasil, que vai do processo de redemocratização à chegada da extrema direita ao poder, passando pelo golpe sofrido pela então presidente Dilma Rousseff.


O grande diferencial dessa obra é a crônica pessoal feita pela cineasta. Se Michael Moore faz documentários semelhantes a grandes reportagens, onde ele está ali para ouvir e questionar as pessoas, Petra inova ao ser ao mesmo tempo personagem e condutora da história. Ela narra os principais fatos políticos do Brasil nas últimas décadas. Paralelamente, conta as lembranças que tem da vida de sua família: de um lado, pais militantes de esquerda que lutavam contra a ditadura, e do outro, parentes que eram grandes empresários da construção civil. Um pé na elite e outro na clandestinidade.


Petra resume com perfeição a história recente do Brasil, em duas horas de documentário que mesclam memórias, registros jornalísticos e imagens de bastidores. A euforia da reabertura da democracia, os protestos e manifestações populares, as eleições presidenciais, o surgimento e a ascensão do Partido dos Trabalhadores (PT), o crescimento econômico e os escândalos de corrupção. Em uma narrativa que não protege ninguém e que não poupa críticas e questionamentos a nenhum dos lados. Passa pelo impeachment de Dilma, pela operação Lava Jato e a divisão do país entre coxinhas e mortadelas.


O ponto alto dessa história são as imagens do arquivo pessoal de Petra e as entrevistas exclusivas com alguns personagens. É um documentário capaz de arrancar lágrimas de tristeza, de indignação e de desesperança. Um retrato fidedigno de uma República de Famílias, de uma jovem democracia que morre um pouco mais a cada dia. Uma obra necessária e que deve ser vista por todos.


Ficha técnica:
Direção: Petra Costa
Produção: Netflix Brasil
Duração: 2h02
Gênero: Documentário
País: Brasil
Classificação: 12 anos

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segunda-feira, 17 de junho de 2019

"MIB: Homens de Preto - Internacional" muda elenco, capricha nos efeitos, mas morre na praia com roteiro

Chris Hemsworth e Tessa Thompson formam o divertido casal do quarto filme sobre a secreta agência que monitora alienígenas na Terra (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


A aposta em Chris Hemsworth e Tessa Thompson como as novas caras para "MIB: Homens de Preto - Internacional" ("Men in Black: International") tinha tudo para dar certo. Simpáticos, divertidos, entrosados e vindos de dois filmes com excelentes bilheterias - "Thor: Ragnarok" e "Vingadores: Ultimato" - a dupla ainda contou com excelentes efeitos visuais, muita ação, perseguições, boas locações e muita pancadaria. Só precisava de um bom roteiro para, 22 anos depois da primeira estreia, Chris e Tessa serem os sucessores ideais de Will Smith e Tommy Lee Jones, responsáveis pelos três filmes anteriores da franquia - "MIB - Homens de Preto" (1997), "MIB 2" (2002) e "MIB 3" (2013). E foi aí que o filme pecou e pode fazer dele o mais fraco dos quatro já feitos.


Disputar com o carisma da dupla anterior era um grande desafio e isso foi muito lembrado pelos fãs dos Homens de Preto. Will Smith era o brincalhão agente J, que no reboot dá lugar ao belo e displicente agente H (Hemsworth). Já o lado racional da antiga dupla, o agente K, interpretado por Tommy Lee Jones é substituído por Tessa Thompson, no papel da jovem e inteligente agente M. É nela e em Emma Thompson, que novamente faz a agente O, chefe da unidade de Nova York, que F. Gary Gray, substituto do diretor Barry Sonnenfeld (responsável pelos outros três filmes) centraliza as ações. Mas Gray erra ao criar situações e diálogos forçados que desmerecem mais do que valorizam os papéis femininos.


O elenco ainda conta com Liam Neeson, como ex-parceiro de H e agora chefe da unidade de Londres; Rafe Spall, o agente C, de certinho demais, e os desconhecidos irmãos Laurent e Larry Bourgeois como os dois alienígenas que servem apenas para brilhar graças aos efeitos especiais. A grande decepção fica para a participação de Rebecca Ferguson ("Missão Impossível - Efeito Fallout") no papel de uma alien bandida e sedutora, ex-amante do agente H, que aparece por pouco tempo, tem uma briga boa com a agente M e... só. Total desperdício de talento. 


Para as crianças, "MIB Internacional" inseriu na trama o pequenino alienígena Pawny, que empresta a voz de Kumail Nanjuani (da série "Silicon Valley") e se torna o "protetor" da agente M. Além de explorar (até demais) o lado cômico de Chris Hemsworth, diversos comediantes foram escolhidos para uma participação especial no filme na versão de seus países. No Brasil, Sérgio Mallandro, que também gravou um vídeo de divulgação do filme, teve seus segundos de glória numa cena relâmpago como uma dos Homens de Preto.


Na história, Tessa Thompson é Molly que presenciou, quando criança, dois agentes da MIB apagarem as memórias de seus pais após estes presenciarem a aparição de um extraterrestre. Vinte anos depois, ela consegue descobrir a sede da agência e se candidatar a uma vaga. Inteligente e muito esperta, ela é imediatamente aceita pela chefe (Emma Thompson) e se torna a agente M. Apesar da inexperiência, ela é enviada a Londres para investigar estranhas ocorrências envolvendo gêmeos alienígenas que querem se apossar de uma arma destruidora de planetas. M acaba conhecendo o herói, mas displicente, agente H (Chris Hemsworth). 


Os dois são designados pelo chefe T (Liam Neeson) para também investigarem um possível espião infiltrado na Organização que estaria ajudando os aliens do mal. Ao deixarem um aliado morrer sob sua proteção, a dupla acaba se tornando suspeita e passa a ser perseguida pela agência. Agora M e H terão de provar sua inocência e só poderão contar velhos amigos e o simpático Pawny.


Infelizmente, apesar de atores famosos, entrosados até mesmo na comicidade, muita adrenalina, uma ótima trilha sonora e ótimos efeitos especiais, "MIB: Homens de Preto - Internacional" é totalmente previsível, a começar pelo vilão facilmente identificável logo no início. A produção acaba se sustentando totalmente nos dois protagonistas, que fazem bem a sua parte e não deixam que seja um fracasso. Mesmo assim, ela corre o risco de ser apagada da memória de muitos fãs, sem precisar do desmemorizador. Vale como uma distração de sessão da tarde.



Ficha técnica:
Direção: F. Gary Gray
Produção: Columbia Pictures  / Amblin Entertainment / Parkes/MacDonald Productions
Distribuição: Sony Pictures Brasil
Duração: 1h55
Gêneros: Ação / Ficção
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 3 (0 a 5)

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