quinta-feira, 13 de junho de 2019

"Dor e Glória" - O filme mais intimista de Pedro Almodóvar

Durante o Festival de Cannes, Antonio Banderas disse que ‘teve que matar tudo o que era’ para fazer o filme (Fotos: Manolo Pavón/El Deseo/StudioCanal) 

Carolina Cassese 

Correspondente no Festival de Cannes


Foi dessa maneira que a crítica definiu "Dor e Glória", o mais novo longa do aclamado diretor espanhol, lançado internacionalmente em maio, no Festival de Cannes deste ano. Com história centrada na vida de Salvador Mallo, diretor de cinema em declínio que relembra sua infância na cidade de Valência, a produção chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (13). A narrativa autobiográfica encerra uma trilogia que inclui "A Lei do Desejo" (1987) e "Má Educação" (2004).


O elenco é composto por astros como Antonio Banderas, Penélope Cruz, Asier Etxeandia, Leonardo Sbaraglia e Cecilia Roth. Em Cannes, Banderas recebeu, merecidamente, o prêmio de melhor ator. Em uma coletiva de imprensa, declarou que ‘teve que matar tudo o que era’ para fazer o filme: “Cheguei com uma bagagem hollywoodiana que o personagem não precisava. O que ele precisava era de um Banderas que eu não imaginava ter ainda dentro de mim. Tive de recuperá-lo então. E foi lindo", disse. 


Em entrevista ao El País, Almodóvar não poupou elogios ao ator principal: “Antonio passou por três cirurgias de coração aberto, e essa experiência, embora ele não alardeie isso, fica marcada. Felizmente, é ator. E para um ator, assim como para um escritor, não existem as experiências ruins. Até a pior se transforma em outra coisa diante do computador ou em um palco”.

O protagonista, que passa por um prolongado bloqueio criativo, parece estar constantemente solitário e exausto. Quando uma cinemateca espanhola decide resgatar o seu principal longa, ele se vê obrigado a revisitar o filme e acaba retomando laços com o principal ator da produção, Alberto Crespo (Asier Etxeandia). Os dois mantêm uma relação repleta de altos e baixos. 


Na trama são abordados temas como o processo de imigração para a Espanha, os primeiros amores, problemas de saúde e a relação com o cinema."Dor e Glória" é um jogo de espelhos: não se sabe bem onde começam e quando se encerram as semelhanças entre Salvador Mallo e Almodóvar. A autoficção, garante o diretor, foi o ponto de partida. Os flashbacks, que se passam na Espanha pós-Guerra Civil, são inegavelmente autorreferentes, mostrando um garoto “diferente dos demais”, apaixonado pela literatura e por cinema. Impossível não destacar a (sempre) marcante presença de Penélope Cruz, que interpreta Jacinta, a intensa mãe de Salvador.


A temática do despertar da sexualidade, sempre presente nos filmes de Almodóvar, é emblemática em "Dor e Glória". Também são dignos de nota outros elementos característicos do diretor, como a presença de figuras femininas fortes e as paisagens vivas do interior da Espanha. O diretor de fotografia José Luis Alcane e o desenhista Antxón Gómez conferem à produção uma riqueza de cores digna de aplausos. 

O plano final apresenta um fechamento surpreendente para uma trama intensa, viva e passível de identificação pelo espectador. Depois de três anos de hiato, Almodóvar retorna, no seu melhor estilo, com uma história poderosa - e muito honesta. 
Duração: 1h52
Classificação: 16 anos
Distribuição: Universal Pictures



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sexta-feira, 7 de junho de 2019

"Patrulha Canina: Super Filhotes" aposta na fórmula da TV para agradar aos pequenos fãs

Sucesso na TV a cabo, versão para o cinema da série exibida pela Nickelodeon é dividida em quatro histórias (Fotos: Nickelodeon/Divulgação)


Mirtes Helena Scalioni


Se depender da distribuidora Paris Filmes, que vai exibir a animação em 435 salas de 385 cinemas de todo o Brasil, "Patrulha Canina: Super Filhotes" ("Paw Patrol: Mighty Pups") vai ser um sucesso. Dirigido por Charles E. Bastien, a produção aposta na fidelidade dos milhares de fãs aos cachorrinhos atrevidos, que há anos divertem a criançada em episódios exibidos no canal a cabo Nickelodeon.

Para aumentar ainda mais a possibilidade de acerto, o filme foi devidamente editado no Brasil, para contar com a participação de uma dupla bastante conhecida do público infantil e pré-adolescente. A atriz Lorena Queiroz (de ‘Carinha de Anjo’) e o cantor Pedro Miranda (do "The Voice Kids") fazem intervenções interagindo com o espectador, comentando o que está rolando na história e até propondo alguns testes.


A não ser pelos superpoderes que os cachorrinhos ganham após terem contato com um meteoro que cai exatamente na Baía da Aventura, (de ‘Carinha de Anjo’) se parece muito com o que as crianças estão acostumadas a ver na TV a cabo. Entre outras habilidades, Chase pode correr super-rápido, Rocky cria ferramentas de energia, Skye pode voar, Rubble ganha super força, Everest pode congelar as coisas, Marshall consegue controlar o calor e Zuma a água. Juntos eles se tornam os Super Filhotes


Na produção infantil, o prefeito Humdinger e seu sobrinho Harold continuam sendo os vilões maldosos e ambiciosos de sempre, porém atrapalhados e pouco inteligentes. A novidade: o filme é praticamente dividido em quatro episódios. No fim de cada história, depois que o inevitável final feliz é celebrado pelos cães e seus amigos, Lorena e Pedro Miranda fazem uma pequena esquete e, imediatamente, começa uma nova trama, com outro tema.


Crianças menores vão ficar cansadas. São 85 minutos de filme e, embora sejam quatro histórias diferentes, a estrutura se repete: os vilões aprontam, alguém que se sente lesado ou em perigo chama a Patrulha Canina que, sempre atenta, sai correndo para socorrer. E tudo, absolutamente tudo que os cãezinhos fazem para salvar alguém, conta com o funcionamento ágil e preciso de máquinas poderosas.

A tecnologia é um item precioso nas tramas da Patrulha Canina, cujo trabalho maior é dar ordens: "esguichar cimento", "levantar mastro", "carregar barras", "interditar estradas" e por aí vai. Tudo é imediatamente obedecido por ferramentas mirabolantes que, automaticamente, se desdobram, se armam ou desarmam e lançam coisas, atiram fogo, obstruem estradas... Animação para os pequenos fãs apenas.

Ficha técnica:
Direção: Charles E. Bastien
Produção: Nickelodeon
Distribuição: Paris Filmes 
Duração: 1h25
Gêneros: Aventura /Animação
Classificação: A partir de 3 anos


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