sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Melhor que o primeiro, "Annabelle 2 - A Criação do Mal" é terror assustadoramente bom

Filme conta a origem da temida boneca do mal que aterroriza os moradores de uma casa (Fotos: Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Muito melhor que o primeiro, até mesmo nas cenas de terror previsíveis. "Annabelle 2 - A Criação do Mal" ("Annabelle: Creation") explica como surgiu a famosa boneca demoníaca que aterrorizou três filmes - "Invocação do Mal", "Invocação do Mal 2" (2016) e "Annabelle" (2014). Este último veio na rabeira do sucesso dos outros dois e acabou faturando US$ 257 milhões nas bilheterias de todo o mundo, mas continuou deixando no ar a origem da personagem que dá medo de tanta feiura.

Foi preciso um segundo filme, produzido por James Wan ("Invocação do Mal 2") e bem dirigido por David F. Sandberg (o mesmo de "Quando as Luzes se Apagam") para que Annabelle tivesse finalmente sua história contada. O filme tem clichês, claro, como todos do gênero terror. Mas vi muito marmanjo dando pulo na cadeira do cinema e fingindo de bobo.


A boneca Annabelle é o centro das atenções, e o diretor usa e abusa de sua cara medonha para criar os momentos mais tensos e violentos do filme. A tensão causada pela expectativa de seu aparecimento nas mais diversas situações domina a trama e envolve todos os demais personagens, que estão à sua mercê.

Muitos vão dizer que "Annabelle 2 - A Criação do Mal" é somente mais um filme de terror, sem grandes novidades. Não é bem assim. O enredo prende do início ao fim, os sustos são constantes e o que não faltam são aquelas situações que dá vontade de bater nos personagens por serem tão burros e entrarem sempre onde não deve. Não tenha vergonha de adivinhar algumas cenas bem clichês - são nelas que acontecem os melhores sustos.

Uma tragédia ocorrida há 12 anos faz um casal abrir sua casa para abrigar a freira Charlotte (Stephahie Sigman, da série "Narcos") e seis meninas desalojadas de um orfanato - Janice (Talitha Bateman, de “A 5ª Onda”), Linda (Lulu Wilson, de “Livrai-nos do Mal”), Nancy (Philippa Coulthard, de “Jogos do Apocalipse”), Carol (Grace Fulton, de “Badland”), Tierney (Lou Lou Safran, de “A Escolha”) e Kate (Tayler Buck, da série "American Crime Story").


O pai Samuel Mullins (Anthony La Paglia, da série "Without a Trace"), um habilidoso artesão de bonecas agora é um homem de pouca conversa e a esposa Esther (Miranda Otto, de "Homeland") sempre está trancada em seu quarto. O que as novas moradoras não sabem é que eles escondem um terrível segredo do passado que vai colocar suas vidas em perigo. Esse segredo tem nome e uma cara ameaçadora e se chama Annabelle, uma boneca criada por Samuel.

Sem dúvida, muito melhor que o primeiro. Um terror de verdade, que foca na boneca demoníaca, dispensando a necessidade de atores caros - a maioria é conhecida por trabalhos em séries de TV americanas. Além do produtor e do diretor, diversos integrantes da equipe estão familiarizados com o gênero, o que garante o ótimo resultado. Destaque para o roteiro, escrito por Gary Dauberman, responsável pela nova versão de "It - A Coisa", que estreia em breve.

O filme utiliza poucos e ótimos efeitos visuais e explora bem os "cantos escuros" da casa e dos medos dos personagens, garantindo muita tensão, bons sustos e cenas de arrepiar. Sem risco de decepção por quem curte o gênero terror, "Annabelle 2" merece ser visto.



Ficha técnica:
Direção: David F. Sandberg
Produção: New Line Cinema / Atomic Monster / Safran Company
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 1h50
Gênero: Terror
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 4 (0 a 5)

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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Com elenco impecável e roteiro enxuto, Sofia Coppola surpreende com "O Estranho que Nós Amamos"

Diretora cria um clima de suspense, sensualidade e tensão em remake com montagem feminina (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Quem viu a primeira versão, de 1971, de Don Siegel, pode estranhar "O Estranho que Nós Amamos" ("The Beguiled"), agora sob direção de Sofia Coppola. Mais delicada e sutil, a montagem atual é feminina, talvez até politicamente mais correta, embora mantenha com convicção o clima de tensão e, claro, de desejo, que faz da história um filme de drama e suspense. Tudo emoldurado por uma fotografia e figurinos impecáveis. 

Em 1864, em algum lugar da Virgínia, sul dos Estados unidos, uma das alunas da escola feminina da Sra. Martha encontra por acaso, no bosque onde colhia cogumelos, um homem ferido. Em plena guerra civil, esse soldado inimigo que fazia parte dos confederados, foi acolhido naquela espécie de pensionato onde viviam duas professoras e cinco alunas. Atraídas e carentes, elas não hesitam em construir desculpas para manter o ferido na casa enquanto ele se recupera. E é essa presença masculina que gera os conflitos e fortalece a tensão, brilhantemente criados com poucos diálogos e muitos olhares.


Os que assistiram à montagem anterior podem dizer, com propriedade, que Clint Eastwood foi um hóspede mais másculo, talvez até mais atrevido e com mais testosterona do que Colin Farrell, que faz o cabo John McBurney agora. Mas não se pode negar que Colin não decepciona e dá seu recado ao imprimir um sotaque mais galanteador do que garanhão ao personagem. 

Outros destaques são Nicole Kidman como a Sra. Martha, que comanda a escola com rigor e disciplina, e sua ajudante, a romântica Edwina, muito bem interpretada por Kirsten Dunst, cujo olhar, apesar de recatado, não consegue esconder o tesão. Estão ainda no elenco Angourie Rice, Elle Fanning, Emma Howard e Oona Laurence, que carregam, com elegância e a discrição que a época exigia, os fantásticos figurinos de época da produção.

Merecidamente, Sofia Copolla já ganhou um prêmio de direção em Cannes por essa bela versão de "O Estranho que Nós Amamos". Já tem gente falando que ela merece o Oscar por surpreender com um roteiro enxuto e de poucas locações, deixando o espectador, em alguns momentos, completamente paralisado. Classificação: 14 anos




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