quinta-feira, 21 de setembro de 2017

"Esta é a Sua Morte - O Show" é um filme que choca e faz pensar

Produção mostra a hipocrisia do ser humano com relação ao próximo e a exploração da tragédia em nome da audiência (Fotos: Cineart Filmes/Divulgação)

Maristela Bretas


Surreal, violento, provocativo e, principalmente, chocante. "Esta é a Sua Morte - O Show" ("The Show"), que estreia nesta quinta-feira, é tudo isso. Um filme capaz de fazer as pessoas ficarem incomodadas nas cadeiras de cinema, algumas até virarem o rosto para não assistirem cenas brutais. A produção é um tapa na cara, mostrando a que ponto o ser humano está chegando (e até pagando para ver) a desgraça do outro. E como isso tem sido explorado pela mídia, principalmente nos reality shows exibidos nas TVs.

Se a intenção do ótimo diretor (que também tem papel importante na história) Giancarlo Esposito era chocar, ele consegue já nos primeiros minutos de exibição. CLIQUE AQUI para ver a entrevista em que ele conta como surgiu a ideia de abordar este tema, que pode fazer pessoas amarem ou odiarem seu filme. 

A produção é muito boa, baseada na linha sensacionalista (e às vezes cruel) dos reality shows e, até mesmo de alguns programas de notícias. Mostra o lado sádico e desumano das pessoas, que estão cada vez mais ávidas por atrações que exploram o sofrimento e a degradação humana. Ao mesmo tempo em que elas se assustam com o suicídio no palco, se levantam e aplaudem, pedindo que o próximo episódio tenha mais sangue ou que a morte seja mais violenta.

Por outro lado estão as produtoras, que buscam o crescimento da audiência a qualquer custo. Se ainda não vemos na telinha cenas brutais como as deste filme, pelo andar da carruagem, este tipo de exibição não vai demorar a aparecer. E o que é pior, vai atrair público e grandes patrocinadores. "Esta é a Sua Morte - O Show" escancara a hipocrisia geral, tanto do público que assiste quanto da emissora que usa a exibição sem qualquer ética ou escrúpulo, visando apenas superar o lucro.

Ajudar as pessoas que desejam tirar a própria vida, garantindo o futuro de suas famílias. Este é o argumento inicial de Adam Rogers (Josh Duhamel), um apresentador de TV narcisista e implacável, que decide criar um programa após presenciar um crime. O reality show "This Is Your Death" mostra, ao vivo, o suicídio de pessoas que se inscrevem para morrer no palco, das mais variadas e assustadoras formas, o que desagrada alguns integrantes da equipe. Em troca, o público deve votar e doar dinheiro, que será entregue à família dos suicidas. A cada novo episódio, as mortes vão se tornando mais chocantes e Adam abandona seus princípios e as pessoas que ama, em busca do primeiro lugar no ranking das emissoras. 

No entanto, ele terá pela frente um duro crítico, Mason Washington (Esposito), um trabalhador norte-americano que se sujeita a mais de 20 horas de jornada e um salário miserável para sustentar a casa e a família e não concorda com a exploração do desespero das pessoas. Boas interpretações de Josh Duhamel ("Transformers - O Último Cavaleiro") e Giancarlo Esposito (conhecido pelo papel de "Gus" Fring, da série "Breaking Bad"). O elenco conta ainda com Famke Janssen ("X-Men"), Sarah Wayne Callies ("The Walking Dead") e Caitlin FitzGerald ("Gossip Girl"). James Franco faz uma ponta até dispensável.

Vale a pena assistir, lembrando que "Esta é a Sua Morte - O Show" é um filme com cenas fortes do início ao fim, que mostram a banalização da violência e o descaso com o ser humano. 




Ficha técnica:
Direção: Giancarlo Esposito
Produção: Great Point Media / Dobré Films / Quiet Hand Films / Octane Entertainment
Distribuição: Cineart Filmes
Duração: 1h44
Gênero: Drama
País: EUA
Classificação: 18 anos
Nota: 4 (0 a 5)

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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Bom elenco e música sertaneja não evitam "Divórcio" ruim

Comédia brasileira conta com Camila Morgado e Murilo Benício nos papéis principais (Fotos: Warner Bros. Pictures Brasil/Divulgação)

Maristela Bretas

Nem um elenco famoso é capaz de salvar a tentativa de comédia nacional "Divórcio", do diretor Pedro Amorim, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas. Apesar de ser estrelada por Camila Morgado e Murilo Benício, que estão muito bem entrosados, a produção é fraca, com roteiro sem graça e não passa de uma paródia aos hábitos excêntricos dos ricos do interior paulista, no caso, Ribeirão Preto, onde se passa a história.

O filme pode agradar àqueles que gostam de música sertaneja, mesmo que cantada em ritmo de rock, como é o caso de "Evidências", de Chitãozinho e Xororó, na voz de Paula Fernandes. Um desperdício de dois talentos, principalmente Morgado, que já fez comédias que foram sucesso de bilheteria, como "Até Que a Sorte nos Separe - Falência Final". E o próprio Benício, sempre com cara de bobo que fica engraçada em alguns momentos, quando não exagera. 

A história é simples, com humor que não chega a provocar risadas ou cenas marcantes. O apaixonado casal Noeli (Camila Morgado) e Júlio (Murilo Benício) leva uma vida humilde, até que os dois ficam ricos depois que ela cria um molho de tomate que virou sucesso nacional. Com o passar dos anos, os dois vão se distanciando e um incidente provoca a separação. O processo de divórcio envolvendo filhos e, principalmente, a grande fortuna do casal provoca uma disputa dos advogados de ambos que tentam garantir para seus clientes o domínio do patrimônio e das crianças.

Morgado e Benício já trabalharam juntos em outras produções, como América (2005) e Avenida Brasil (2012) e estarão juntos novamente no suspense "O Animal Cordial", em breve nos cinemas. Também no elenco estão Luciana Paes (faz Sofia, amiga de Noeli), Thelmo Fernandes (Milton, amigo de Julio), Gustavo Vaz (no papel do cantor sertanejo Catanduva), André Mattos e Ângela Dippe, interpretando os advogados do casal. Participações especiais de Sabrina Sato, como uma entrevistadora de celebridades e o engraçado Paulinho Serra, um técnico de computadores bem esquisitão (como sempre).

O casal principal exagera o sotaque carregado no "R" de algumas cidades do interior de Minas e São Paulo, explora em seus papéis costumes típicos de "novos ricos" que gostam de gastar muito com carros possantes, sapatos, joias, roupas em excesso e o sonho de levar os filhos à Disney nas férias. E quando resolvem se divorciar a disputa na justiça vira uma guerra armada pela divisão do patrimônio.

"Divórcio" tinha tudo para ser a comédia do ano: diretor experiente - Pedro Amorim (de "Mato Sem Cachorro", 2013, e "Superpai", 2014) - e um elenco afinado, mas não conseguiu. O chamariz para garantir boa bilheteria serão os atores principais que têm um público fiel especialmente por causa das novelas e que deverá ir ao cinema para conferir a produção. Além deles, o filme tem alguns pontos positivos, como as tomadas as cenas de perseguição nas plantações e os ataques de fúria de Noeli quando resolve partir para o armamento pesado. Confesso que esperava mais.



Ficha técnica:
Direção: Pedro Amorim
Produção: Filmland Internacional
Distribuição: Warner Bros. Pictures Brasil
Duração: 1h50
Gêneros: Comédia nacional / Romance
País: Brasil
Classificação: 12 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

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