domingo, 19 de julho de 2015

"Neruda - Fugitivo" se resume a mostrar a fuga do poeta chileno pelos Andes

Mirtes Helena Scalioni


Quem gosta do poeta chileno não deve perder "Neruda - Fugitivo" que está em cartaz na sala 3 do Usiminas Belas Artes, sessões de 17h20 e 21h10. Mas que ninguém espere um ótimo filme sobre o poeta e seu conflito político com o presidente do seu país, Gabriel Videla. O que se salva são os muitos poemas, que aparecem durante todo o longa. A narrativa não prende nem esclarece. 

Uma pena, pois trata-se de um episódio pouco conhecido da vida do escritor. O ano era 1948 quando Videla começou a perseguir os comunistas, entre eles o senador poeta, que não media palavras para atacar o governo e a censura. Dirigido por Manuel Basoalto, que fez também o roteiro, o filme se perde em flashbacks mal colocados e parece ter sido feito apenas para exaltar Neruda, apresentado como um velhinho gente boa que foge dos poderosos malvados. Parece o caso do biógrafo que se apaixona pelo biografado. Nenhum questionamento.

"Neruda - Fugitivo", em alguns momentos, dá a impressão de ter sido mal editado. Arrastado, às vezes cria confusão na cabeça do espectador, outras vezes se torna repetitivo mostrando as muitas reuniões de pessoas do partido tentando ajudar o poeta na sua fuga. Além dos poemas, salva o filme também a fotografia, com belas paisagens dos Andes, por onde Neruda passou em sua fuga rumo à Argentina. Outro detalhe que não ajuda: a tradução é sofrível e repleta de erros de português. Sinceramente, o poeta merecia coisa melhor. Classificação: 12 anos


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