quarta-feira, 31 de maio de 2017

"Inseparáveis" - Quando a amizade é mais forte que as diferenças

Filme é adaptação argentina do grande sucesso francês "Intocáveis", de 2011 (Fotos: VerCine/Divulgação)

Paula Milagres


Dar uma chance a alguém que, teoricamente não tem mais jeito e, principalmente, tentar se salvar da tristeza, solidão e melancolia de uma vida presa em uma cadeira de rodas. Baseado em fatos reais, o filme argentino "Inseparáveis" ("Inseparables"), com adaptação e direção de Marcos Carnevale, é baseado na produção francesa "Intocáveis" (ou "Amigos Improváveis, de 2011), dirigida por Olivier Nakache e Eric Toledano.


Apesar de o enredo ser parecido, o longa argentino consegue ser diferente e singular ao mesmo tempo, tanto pela atuação do elenco, como pelas situações vividas pelos personagens, que fazem o espectador experimentar sensações que vão da comoção e revisão de valores a boas risadas.



A comédia dramática conta a história de um rico empresário, Felipe (Oscar Martínez), que se tornou tetraplégico após cair de um cavalo e que está tentando contratar um novo assistente terapêutico. A procura é incansável, já que a maioria das pessoas que disputam o cargo não consegue permanecer nele por mais de duas semanas.


Em uma dessas entrevistas, resolve dar lugar a vaga ao assistente de jardineiro, Tito (Rodrigo De la Serna), que havia pedido demissão no dia anterior. Mesmo não tendo qualificação e experiência na função, ficha na polícia e uma família problemática e moradora do subúrbio, o ex-assistente de jardineiro, aceita o desafio.

O que parecia uma missão quase impossível devido à  falta de jeito para a tarefa de Tito e olhares de reprovação dos outros funcionários da casa do patrão, se tornou uma história de amizade, companheirismo e cumplicidade entre os dois. Uma bela adaptação que faz rir e chorar, sem ser piegas. "Inseparáveis" merece ser conferido.


Ficha técnica:
Direção e adaptação: Marcos Carnevale
Produção: Argentina Sono Film / Films Del Plata / Telefe / JC Producciones
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h48
Gêneros: Drama / Comédia
País: Argentina
Classificação: 14 anos
Nota: 3,8 (0 a 5)

Tags: #inseparaveis #OscarMartínez #RodrigoDelaSerna #MarcosCarnevale #Argentina #drama #comedia #ArgentinaSonoFilm #ParisFilmes #CinemanoEscurinho

terça-feira, 30 de maio de 2017

Divulgado primeiro trailer e cartaz de “Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha”

A Universal Pictures divulgou o primeiro trailer  do drama “Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha” ("Victoria and Abdul"), dirigida por Stephen Frears, de “A Rainha”. O filme, que chega em dezembro aos cinemas brasileiros, conta em seu elenco com a ganhadora do Oscar Judi Dench, ao lado do ator indiano Ali Fazal.

A produção conta a história real de uma amizade inesperada entre a Rainha Victoria (Judi Dench) e Abdul Karim (Ali Fazal), um jovem empregado que viaja para participar do Jubileu de Ouro e é surpreendido ao conhecer a própria Rainha. Ao se aproximarem, eles criam uma aliança improvável de dedicação e lealmente mútua, que afrontará o circulo doméstico da Rainha. Quando a amizade se aprofunda, Victoria começa a ver um mundo de mudanças através dos olhos de Abdul.



Tags: #VictoriaeAbdulOConfidentedaRainha #RainhaVictoria #amizadeimprovável #UniversalPictures #CinemanoEscurinho

sexta-feira, 26 de maio de 2017

A história de dois Francos e um Real

Filme apresenta uma versão política da crise econômica enfrentada pelo país há 24 anos (Fotos: Divulgação)


Maristela Bretas


Como história pode valer para a geração atual entender um pouco o que foi a criação e as manobras políticas para a implantação do Plano Real para salvar o país da falência econômica em 1993. No entanto, "Real - O Plano por Trás da História" é um filme com informações distorcidas, tendencioso politicamente, personagens caricatos e às vezes histéricos e que está sendo lançado aproveitando o novo momento de crise enfrentado pelo país. Adaptado da obra "3000 Dias no Bunker". de Guilherme Fiúza, inicialmente seria homônimo do livro, mas teve seu nome trocado assim como o diretor  - Heitor Dhalia ("Serra Pelada") deu lugar a Rodrigo Bittencourt. 

A produção supervaloriza a figura de Gustavo Franco (muito bem interpretado por Emílio Orciollo Neto). A trama é toda baseada em decisões que ele teria tomado à época, muitas vezes contrárias a de seus superiores, inclusive o presidente. Arrogante e detestado por todos, Franco é apresentado como o autor da ideia do Real, aquele que irá contra as medidas sociais e decisões políticas para implantar o que chama de seu plano econômico. Itamar Franco é tratado como um bobo da corte cheio de manias e ataques histéricos, enquanto Fernando Henrique Cardoso é o ministro bonzinho e salvador, que acabou sendo beneficiando com dois mandatos presidenciais. 

"Real" além de histórico faz o expectador lembrar-se de outros gêneros cinematográficos: a abertura parece uma ficção científica semelhante a "Lucy" (2014); o som estridente da guitarra na trilha sonora, assinada pelo diretor e Maycon Ananias, remete claramente a "Pulp Fiction" (1994). E ainda tem um pouco de faroeste na cena em câmera lenta da equipe econômica chegando ao Planalto, com os mocinhos se preparando para um duelo.

Além de Orciollo Neto, a produção acertou também na escolha dos atores Bemvindo Sequeira (Itamar Franco), Norival Rizzo (FHC) e Tatu Gabus Mendes (Pedro Malan). Os demais que compõem a equipe econômica cumprem seu papel, sem destaque - Wladimir Candini (André Lara Resende), Guilherme Weber (Pérsio Arida), Giulio Lopes (Edmar Bacha), Fernando Eiras (Winston Fritsch) e Carlos Meceni (Clóvis Carvalho). O mesmo acontece com Paolla Oliveira, como Renata, mulher de Gustavo Franco, Mariana Lima, assessora do economista, e Cássia Kis Magro, como a jornalista Valéria que entrevista Franco sobre sua participação no Plano Real.

Para entender o plano

Vários planos já haviam sido tentados desde meados da década de 1980: Cruzado (I e II) em 1986; Bresser em 1987; Verão em 1988/1989; e Plano Collor (I e II) em 1990 e 1991, respectivamente. Todos envolviam congelamento de preços, cortes de zeros das moedas, mas ao final de cada um a inflação de preços ressurgia pior. Em maio de 1993, com Itamar Franco no lugar de Fernando Collor, o país enfrenta uma hiperinflação acumulada em 12 meses de 1.348%, desemprego recorde e vários planos econômicos fracassados.

O então presidente nomeia FHC como Ministro da Fazenda para que recupere a economia brasileira. Com sua equipe de economistas foram tomadas várias medidas, além do corte de três zeros e a entrada, em agosto do mesmo ano, de outra nova moeda - o Cruzeiro Real. O início da melhora na situação econômica do país garante a eleição de FHC à Presidência da República. Em dezembro é apresentado o plano de estabilização, que passa a valer em fevereiro de 1994 e vai até junho, quando o Real entrou oficialmente em vigor e permanece até hoje.



Ficha técnica:
Direção: Rodrigo Bittencourt
Produção: Maristela Filmes / LightHouse
Distribuição: Downtown Filmes / Paris Filmes
Duração: 1h35
Gêneros: Drama / Histórico
País: Brasil
Classificação: 14 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags: #RealOPlanoPorTrasdaHistoria #PlanoReal #hiperinflaçao #GovernoItamarFranco #FHC #GustavoFranco #politicaeconomica #EmilioOrciolloNeto #BemvindoSequeira #NorivalRizzo #RodrigoBittencourt  #drama #historico #ParisFilmes #DowntownFilmes #CinemanoEscurinho

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Warner divulga novo trailer de "Dunkirk", que estreia em 27 de julho



O vídeo mostra as tropas britânicas e aliadas e a população local se mobilizando para ir à cidade francesa de Dunkirk resgatar seus conterrâneos, que estavam cercados por tropas nazistas. 

"Dunkirk", épico de ação dirigido por Christopher Nolan, começa com milhares de tropas britânicas e aliadas cercadas por forças inimigas. Encurralados na praia e com o mar em suas costas, eles enfrentam uma situação impossível à medida que os inimigos se aproximam.

O longa é estrelado por Tom Hardy (“Mad Max: Estrada da Fúria”), Mark Rylance (“Ponte dos Espiões”), Kenneth Branagh (“Hamlet”), Cillian Murphy (“A Origem”), além do estreante Fionn Whitehead. O elenco também inclui Aneurin Barnard, Harry Styles, James D’Arcy, Jack Lowden, Barry Keoghan e Tom Glynn-Carney.




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sábado, 20 de maio de 2017

"Rei Arthur" empolga pela ação e efeitos visuais, bem no estilo Guy Ritchie

Charlie Hunnam interpreta o herdeiro do trono que foi criado nas ruas de Camelot (Fotos: Warner Bros.Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Uma fantasia com muita ação, monstros, personagens medievais e a câmera inquieta com movimentos de tirar o fôlego no estilo do diretor Guy Ritchie (o mesmo de "Sherlock Holmes"). Assim é "Rei Arthur - A Lenda da Espada" ("King Arthur -Legend of the Sword"), um filme empolgante que oferece excelentes efeitos visuais e uma boa atuação do "gatíssimo" Charlie Hunnam como Arthur, e o sempre excelente Jude Law, como o tirano Vortigern.



Hunnam passou por um treinamento pesado para ganhar músculos e aprender a lutar com espadas e se saiu bem. O vídeo abaixo mostra cenas da preparação do ator para viver o personagem Arthur, além de depoimentos do diretor Guy Ritchie, do produtor Lionel Wigram e do coordenador de cenas de ação sobre o desempenho e a dedicação do protagonista na construção do personagem.



Esta nova versão do Rei Arthur começa bem antes de ele saber sua origem real, quando o reino ainda era governado por seu pai. Não bastassem Hunnam e Law, a produção completa o belo trio masculino com a participação especial do ex-jogador de futebol David Beckham. Coisa de fazer o público feminino sacudir na poltrona.

Mas "Rei Arthur" não tem somente belezas masculinas no elenco (apesar de chamarem muita atenção). Participam ainda do elenco Eric Bana (de "Tróia"), como o rei Uther Pendragon, Djimon Hounson (o guerreiro Bedivere), Aidan Gillen e Freddie Fox (como Bill e Rubio, aliados de Arthur) Astrid Bergès-Frisbey, como a maga discípula de Merlin e Annabelle Wallis (Maggie).

Quando o pai de Arthur é assassinado pelo irmão Vortigern, este se apodera da coroa. Sem ter ideia de sua origem, o jovem é criado por prostitutas e ladrões que o ensinam a sobreviver nas ruas. A vida dele toma outro rumo quando consegue tirar a espada Excalibur de uma pedra onde ficou por anos encravada. Segundo a profecia, somente o legítimo herdeiro do trono de Camelot poderia empulhá-la e agora Arthur representava um perigo para Vortigern, que fará de tudo para eliminá-lo.

"Rei Arthur - A Lenda da Espada" faz uma abordagem diferente do famoso personagem, que já ganhou dezenas de versões em livros e produções cinematográficas sobre suas façanhas. O roteiro, desta vez, foca na dificuldade de Arthur em aceitar sua origem, o que vai lhe ajudar a controlar Excalibur. Somente com o poder desta espada o herdeiro terá poder para vencer o inimigo e fazer justiça pelo povo. Entre monstros gigantescos, lutas com espadas, batalhas do bem contra o mal e um elenco competente, o filme ainda conta com uma ótima trilha sonora. Com direito a “Babe I’m Gonna Leave You”, do Led Zeppelin. Vale a pena ser conferido.



Ficha técnica:
Direção, roteiro e produção: Guy Ritchie
Produção: Warner Bros. Pictures / Village Roadshow Pictures / Weed Road-Safehouse Pictures / Ritchie-Wigram Production
Distribuição: Warner Bros. Pictures 
Duração: 2h06
Gêneros: Ação / Aventura / Fantasia 
Países: EUA / Austrália / Reino Unido 
Classificação: 14 anos
Nota: 4 (0 a 5)

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quinta-feira, 18 de maio de 2017

"Corra!" aposta no terror para alfinetar o preconceito racial

Daniel Kaluuya é o jovem que passa por momentos terríveis durante sua visita à casa dos pais de sua namorada branca (Fotos: Universal Pictures /Divulgação)

Maristela Bretas


"Corra!" ("Get Out") é uma trama bem estruturada, com doses equilibradas de suspense, terror e comicidade. Em sua primeira experiência como diretor, o ator e comediante Jordan Peele soube juntar tudo isso para cutucar a ferida do preconceito racial da sociedade norte-americana. Um tema que conhece bem e do qual soube tirar o diferencial para sua produção para que não fosse apenas mais uma do gênero terror. Ele inclusive inseriu nos diálogos frases de racismo velado, como por exemplo, "Eles (os pais de Rose) não são racistas" ou "Meu pai teria votado no Obama pela terceira vez".

A escolha do ator britânico Daniel Kaluuya (da série "Black Mirror") para viver o fotógrafo Chris Washington foi muito boa. Ele incorpora o personagem, feliz por estar com sua amada, mas sempre receoso com a maneira como todos se comportam quando está por perto. O jovem passa o tempo trabalhando a questão de sua cor, o que fica claro em suas fotografias em preto e branco. E acha estranho quando todos se mostram "normais" com sua relação interracial com uma garota branca. O personagem sai de sua zona de conforto ao ser hipnotizado para viver a mais bizarra experiência de sua vida. E Kaluuya transita muito bem por todas essas mudanças e dá seu recado.

Também em ótima interpretação estão Bradley Whitford e Catherine Keener, como Dean e Missy Armitage, os pais simpáticos e receptivos de Rose (Allison Williams, da série "Girls"), cujo personagem tem papel fundamental na conexão da história. Destaque para Milton "Lil Rel" Howery, que oferece os momentos engraçados da trama como Rod Williams, amigo e confidente de Chris que trabalha como agente de segurança da TSA no aeroporto.

No elenco estão ainda Caleb Landry Jones no papel de Jeremy, irmão de Rose, que provoca Chris desde que se conhecem; Stephen Root como Jim Hudson, um comerciante de arte que simpatiza com o fotógrafo; Betty Gabriel e Marcus Henderson, que fazem a empregada e o caseiro negros da família Armitage e estão assustadoramente bem. Assim como Lakeith Stanfield, que interpreta Logan King, um jovem negro que vai à reunião familiar e parece um tanto perdido com sua esposa branca idosa.

Dirigido por Jordan Peele, o longa é produzido pela Blumhouse, responsável por sucessos como “Fragmentado”, “A Visita” e a série “Atividade Paranormal”. O diretor conta que fez um roteiro provocativo, dando seu toque ao gênero de thriller e horror. "Definitivamente é como os EUA lidam com o racismo e a ideia de que racismo em si é um demônio”. Veja abaixo a entrevista:


No filme, Chris é um fotógrafo que visita pela primeira vez à casa dos pais de Rose Armitage, sua namorada branca, e tem certo receio por ela não ter avisado que ele é negro. Ao chegarem, o casal descobre que não se trata de um fim de semana comum, mas a tradicional festa anual de jardim do avô falecido de Rose e que conta com a presença de moradores ilustres da comunidade. Aos poucos, Chris percebe que o comportamento exageradamente hospitaleiro da maioria dos presentes e a forma reprimida dos dois empregados negros da casa escondem uma verdade assustadora.

Se o peso na importância de cada um dos integrantes do elenco foi acertado, o mesmo não se pode dizer dos clichês, mas nada que comprometa. A duração do filme, no entanto poderia ser menor, pois as intenções dos personagens ficam claras nos primeiros 40 minutos, quando o terror e o suspense dominam a tela. O restante foi para ganhar o tempo até chegar a um final muito bom. E pelo visto, a proposta do diretor deu muito certo - "Corra!" já atingiu a marca de US$ 200 milhões de bilheteria em todo o mundo e está entre os 10 filmes de terror mais rentáveis da história do cinema. Vale a pena conferir.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Jordan Peele
Produção: Blumhouse
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h44
Gêneros: Suspense / Terror
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 4 (0 a 5)

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segunda-feira, 15 de maio de 2017

"Antes Que Eu Vá" é drama adolescente déjà-vu com bela fotografia

 
Zoey Deutch entrega uma boa interpretação da jovem que tem uma segunda chance para mudar sua vida (Fotos: Paris Filmes / Divulgação)

Maristela Bretas


Baseado no best-seller homônimo de 2010 escrito por Lauren Oliver, "Antes Que Eu Vá" ("Before I Fall") é um drama de adolescentes (apesar dos atores serem maiores de idade) que estão terminando o High Scholl e com todas as características que vêm dominando atualmente alguns filmes do gênero: festinhas com menores bebendo muito, bullying, amizades de fachada, filhos perturbados de pais separados, suicídio, amores platônicos e sexo sem compromisso. Quase um "Os 13 Porquês" ("13 Reason's Why"). Só que não.

"Antes Que Eu Vá" inicia desta forma, para em seguida a diretora Ry Russo-Young juntar tudo e adotar o estilo "e se você tivesse uma segunda chance de mudar tudo sua vida antes de morrer". A partir nesse ponto, o filme se assemelha a "Antes que Termine o Dia" (2004), com Jennifer Love Hewitt e Paul Nicholls. Até mesmo o nome da jovem é Samantha, como a protagonista da produção passada.

Se no filme de 2004 é o namorado quem tem uma segunda chance, neste é a jovem, Samantha Kingston (Zoey Deutch) que vai precisar passar a limpo seus erros e tentar ajudar os amigos a consertarem os seus antes da noite fatal. A interpretação da protagonista Zoey Deutch é muito boa e conduz a produção como esperado, além de ter um sorriso e olhos que cativam o público.

O restante do elenco também convence entrega atuações convincentes, principalmente Halston Sage (como a amiga Lindsay) e Jennifer Beals, que poderia ter sido mais bem aproveitada no papel da mãe de Sam. A diretora pisa na bola com Elena Kampouris, que faz muito bem a jovem Juliet Sykes. Apresenta uma imagem estereotipada de aluna perturbada, com longos cabelos louros desgrenhados, cara de psicopata, isolada e criticada por todos e de tendências suicidas. Parece até personagem de filmes de terror do tipo "O Chamado" (2002) ou "O Grito" (2004).

No filme, Samantha é uma linda jovem classe média alta, com as vantagens de seu padrão de vida, tem o namorado mais cobiçado da escola, é querida por colegas e desejada por outros rapazes. Aquele 12 de fevereiro deveria ser apenas mais um dia de sua vida perfeita. Mas ela chega a um final abrupto e repentino, num acidente de carro com suas três melhores amigas. Algo estranho então acontece e ela passa a reviver aquela sexta-feira por diversas vezes. Como uma segunda chance para mudar algumas coisas em sua vida, inclusive seu destino, e desvendar o mistério que envolve sua morte.

A história não apresenta novidades, mas "Antes Que Eu Vá" tem uma bela fotografia, com cenários bem escolhidos a dedo, principalmente dos locais onde foram feitos os trajetos de carro pela região montanhosa. Também a trilha sonora é muito boa e completa o clima necessário. Apesar da semelhança com outros filmes do gênero e alguns clichês como era esperado, a produção vale como uma distração numa sessão da tarde.



Ficha técnica:
Direção: Ry Russo-Young
Produção: Jon Shestack Productions
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h38
Gênero: Drama
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #AntesQueEuVa #BeforeIFall #ZoeyDeutch #JenniferBeals #RyRusso-Young #drama #ParisFilmes #CinemanoEscurinho

sexta-feira, 12 de maio de 2017

"Alien: Covenant" é a continuação de "Prometheus" com muitos clichês e pouco terror

Novo filme de Ridley Scott tem bons efeitos especiais e traz Michael Fassbender em papel duplo (Fotos: Fox Film do Brasil / Divulgação)

Maristela Bretas


Muitos espectadores que assistiram "Prometheus" (2012) podem entender "Alien: Covenant" como uma continuação que era necessária. E funcionou, esclarecendo alguns pontos que ficaram pendentes na produção anterior do mesmo diretor  Ridley Scott, que agora escalou Michael Fassbender como o protagonista da nova produção, oferecendo bons efeitos especiais. Mas o filme não assusta e nem causa o impacto do primeiro filme da saga, "Alien - O Oitavo Passageiro" (1979).

Talvez porque o espectador já tenha se acostumado com o famoso alienígena e a forma como ele surge e invade os humanos. Chegam a ser clichê algumas cenas, de tão previsíveis. O roteiro é bem semelhante de seu anterior, trocando apenas a trajetória da nave Covenant, que agora leva milhares de colonos para um planeta distante, ao contrário da Nostromo, que estava retornando para a Terra no filme de 1979 e da Prometheus, . Mas as tripulações de ambas espaçonaves desviam do caminho para atender a um chamado misterioso.

"Alien: Covenant" recria muitas situações do original, além de contar com um elenco de suporte fraco e desconhecido (que saudade de Sigourney Weaver e sua Ellen Ripley!). O enredo discute vários assuntos paralelos que ajudam a desviar ainda mais a atenção, colocando o suspense em segundo plano. Muita conversa, ação moderada ("Vida" é bem mais dinâmico) e um monte de erros da tripulação que subestima a inteligência do espectador. Fica a dúvida sobre a intenção do diretor: "Alien: Covenant" seria como a franquia "Star Wars", começando do final? Ou apenas uma continuação de Prometheus?

E onde foi parar o suspense e o terror que marcou o início da franquia? Com cenas e diálogos arrastados que abordam a origem da vida, o famoso xenomorfo alienígena feito em computação gráfica aparece pouco e em situações bem previsíveis. E cabe a Fassbender a responsabilidade de salvar o filme com uma ótima atuação dupla dos androides sintéticos David e Walter. Mesmo ele cai na armadilha das cenas excessivamente longas. São seus personagens que questionam a origem de tudo, a imortalidade, a natureza humana e seu criador, a ponto de quererem criar sua própria raça.

Na história, a Covenant está transportando mais de duas mil pessoas para colonizar o planeta Origae-6, numa galáxia distante. Uma pane no sistema da nave obriga o androide Walter (Fassbender) a acordar a tripulação antes da hora. No caminho, a equipe descobre um  planeta mais perto e em condições semelhantes às da Terra e o comandante Oram (Billy Crudup) decide ir para lá.

Ao desembarcar com um grupo descobre que o local foi o mesmo encontrado pela pesquisadora Elizabeth Shaw que integrava a equipe da nave Prometheus (do filme passado). E que o androide David (Fassbender) ainda vive lá. Mas o planeta não é tão hospitaleiro quanto pensava o capitão. Caberá aos dois sintéticos e à suboficial Daniels (Katherine Waterston) salvarem a Covenant e seus ocupantes.

Se boa parte da produção não era bem o que se esperava para a volta triunfal de Scott, o final não desagrada. Toda a ação acontece de uma vez, com boas sequências e deixando uma janela para um próximo filme do universo alien e mais algumas explicações de como tudo começou. Apesar dos pontos duvidosos, vale a pena conferir.



Ficha técnica:
Direção: Ridley Scott
Produção: 20th Century Fox
Distribuição: Fox Film do Brasil
Duração: 2h02
Gêneros: Ficção científica / Terror / Ação
Países: EUA / Reino Unido
Classificação: 16 anos
Nota: 3 (0 a 5)

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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Com roteiro ágil e bem articulado, "Dia do Atentado" surpreende e emociona

Mark Wahlberg é o policial que ajuda na caçada aos terroristas que explodiram duas bombas na Maratona de Boston em 2013 (Fotos: Karen Ballard / Divulgação)

Tom Sales


Baseado em fatos reais e nas histórias de pessoas que presenciaram o ataque com bombas na maratona de Boston, o filme "Dia do Atentado" ("Patriots Day"), que estreia nesta quinta-feira nos cinemas, tem roteiro ágil e bem articulado, surpreendendo e emocionando até quem conhece a história e acompanhou a cobertura por jornais e TVs à época. Claro que sem deixar de enaltecer os valores e símbolos do povo norte-americano. Contado a partir de histórias da véspera do ataque mostra dois pontos altos: o drama do resgate às vítimas e a perseguição aos irmãos terroristas, regada com doses certas e surpreendentes de ação.

O longa explora o horror do atentado que matou três pessoas e feriu mais de 260, em 15 de abril de 2013. Usando imagens e relatos reais, o diretor e roteirista Peter Berg mostra como a população se uniu para capturar os terroristas e superar os traumas do atentado. E conta com relatos e excelente material fotográfico e em vídeo das agências de notícias e dos órgãos oficiais de segurança dos EUA para dar maior veracidade aos fatos que duraram mais de 100 dias.

A história mostra o momento dos ataques na maratona e os posteriores, a operação de resgate e ajuda aos sobreviventes, o trabalho de especialistas para identificação e captura dos responsáveis pelas explosões e a perseguição por várias cidades do Estado de Massachusetts para evitar que eles continuassem a provocar mais mortes.

O protagonista é o ator Mark Wahlberg (também um dos produtores), no papel de Tommy Saunders, um policial que enfrenta uma fase difícil na carreira, mas que tem atuação de destaque na caça aos terroristas. Personagem fictício, ele representa os muitos agentes da Polícia de Boston que trabalharam na operação.

Já os coadjuvantes Kevin Bacon (agente especial do FBI Richard Deslauriers) e John Goodman (comissário de polícia Ed Davis) interpretaram personagens reais, assim como J.K. Simmons, vivendo o chefe de polícia Jeffrey Pugliese, e até Melissa Benoist, que deixa o papel da doce e carismática "Supergirl" para se tornar uma fria terrorista muçulmana.

"Dia do Atentado" não é nenhum filme para disputar o Oscar e foi feito para enaltecer o heroísmo e o patriotismo norte-americano, assim como a produção "As Torres Gêmeas" (2005), com Nicolas Cage. Mas vale a ida ao cinema, até pelo fato histórico, de ser o segundo que mais chocou a história dos EUA depois do 11 de setembro.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Peter Berg
Produção: CBS Films / Lionsgate
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 2h09
Gêneros: Drama / Suspense
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 3 (0 a 5)

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terça-feira, 9 de maio de 2017

"O Cidadão Ilustre" e a hipocrisia provinciana em xeque

Produção mostra a evolução e o desgaste na relação entre um escritor famoso e a população de sua cidade natal (Fotos: A Contracorriente Films/Divulgação)

Maristela Bretas


Retornar à terra natal como uma figura de destaque mundial pode não ser a melhor decisão a se tomar. Principalmente quando se deixa para trás velhos rancores. Esta é a base do filme "O Cidadão Ilustre" ("El ciudadano ilustre"), que estreia nesta quinta-feira. Pela produção, o protagonista Oscar Martínez foi premiado como melhor ator no Festival de Cinema de Veneza.


Esta comédia dramática começa na Europa, onde Daniel Mantovani (Martínez), um escritor argentino e vencedor do Prêmio Nobel, vive há 40 anos. Até que recebe um convite inesperado para voltar a Salas, povoado argentino onde nasceu e que inspirou a maioria de seus livros, onde irá receber o título de Cidadão Ilustre da cidade. O que Mantovani não esperava era que sua ilustre visita fosse trazer velhos rancores, novos inimigos e a certeza de que nunca deveria ter retornado ao lugar.



Na produção, os diretores Mariano Cohn e Gastón Duprat (de "O Homem ao Lado") expõem a questão nacionalista dos argentinos, que lutam para preservar seus costumes e desprezam aqueles que são de fora, principalmente os que de lá saíram. Maior ainda é o rancor quando aos poucos a população vai entendendo que toda a obra do ilustre escritor, baseada em histórias de moradores, foi usada de forma crítica, menosprezando a maneira provinciana que vivem.



Mantovani, que inicialmente se sente honrado com a comenda, durante longos passeios pela cidade, vai confirmando o que sempre pensou e escreveu: o mundo parou em Salas, nada mudou, as pessoas apenas seguiram o que seus ancestrais sempre fizeram, mantendo um mundinho provinciano. Para eles, um ideal de vida "pacífica" e ideal. Para o escritor, uma negação da sociedade de qualquer tipo de progresso. Exceto pelo celular que alguns usam.


O visitante famoso passa a ser tratado como "persona non grata", desperta velhos amores e rixas, inveja naqueles que nunca conseguiram deixar o lugar por falta de coragem ou competência e ódio de quem achava que ser personagem em seus livros era uma honra e não uma forma de o autor criticar a cidade e seus habitantes. Um dos pontos altos é a relação tensa de amizade e ciúmes entre Mantovani, seu amigo de infância Antonio (Dady Brieva) e Irene (Andrea Frigerio), mulher de Antônio e ex-namorada do escritor.


"O Cidadão Ilustre" tem uma fotografia envolvente, com a câmera percorrendo espaços e detalhes para compor o ambiente da cidade, como numa narrativa literária. O roteiro é correto e conduzido com clareza, levando o espectador a simpatizar também ficar incomodado com o protagonista e suas ideias, que podem inclusive colocar a vida dele em risco. Um filme que vale a pena ser conferido.



Ficha técnica:
Direção e coprodução: Mariano Cohn e Gastón Duprat
Produção: Aleph Producciones SA / Magma Cine /Television Abierta SA / A Contracorriente Films
Distribuição: Cineart Filmes
Duração: 1h57
Gêneros: Drama / Comédia
País: Argentina / Espanha
Classificação: 14 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

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quinta-feira, 4 de maio de 2017

"Guardiões da Galáxia Vol.2" é ação, emoção e boas risadas

Os guerreiros continuam unidos e brigando como uma família, agora com novos integrantes (Fotos: Walt Disney Studios/Divulgação)


Maristela Bretas

Pegue os heróis do primeiro filme (de 2014), reúna suas manias e transforme tudo isso numa grande família. Parece até a franquia "Velozes e Furiosos", cada um com seu jeito de enfrentar os inimigos e os sentimentos. Se "Guardiões da Galáxia" já foi muito bom, o segundo não tinha como ser ruim. E a Marvel acertou novamente em "Guardiões da Galáxia Vol.2" ("Guardians of the Galaxy Vol. 2"), repetindo o elenco da produção anterior e acrescentando nomes como Sylvester Stallone (no papel do saqueador Stakar), mesmo que em pequenas aparições que fazem diferença.

Um filme de ação, efeitos visuais fantásticos, os atores bem entrosados em seus papéis e diálogos muito divertidos. A grande diferença desta continuação é o lado emocional. O diretor James Gunn explorou os sentimentos por todos os lados e de todos os personagens. A começar por Peter Quill/Star-Lord (Chris Pratt) e a relação dele com seus dois pais - o biológico Ego (Kurt Russell), que o abandonou ainda menino, e o adotivo, Yondu (Michael Rooker), que lhe aplicava castigos e o ensinou a ser um saqueador.

Quill também tem uma paixão quase declarada por Gamora (Zoe Sandana), que passa o tempo todo descartando o belo mocinho. Ao mesmo tempo, ela vive uma relação de amor e ódio por sua irmã Nebula (Karen Gillan), filhas do cruel Thanos. O mais engraçado de todos do grupo e que não tem vergonha de assumir seus sentimentos é exatamente o grandalhão Drax (Dave Bautista). Partem dele as melhores frases e piadas do filme.

Se os humanos dão show de interpretação, não ficam atrás os dois integrantes diferentes dos Guardiões - o fofo e apaixonante Baby Groot (cuja voz original é de Vin Diesel), que faz a gente rir e chorar. E o mal-humorado e estressado Rocket Racoon (voz de Bradley Cooper), que está sempre provocando e brigando com os companheiros. 

Um time de defensores de primeira, que terá o apoio do atrapalhado e divertido Kraglin (Sean Gunn, irmão do diretor), fiel companheiro da equipe de Yondu, e Mantis (a atriz francesa Pom Klementieff), uma alienígena com poderes sensoriais que vai mexer com o coração e as partes baixas de Drax.

O diretor James Gunn acertou na medida em tudo, os atores estão bem entrosados, o roteiro está redondinho, o senso de humor predomina do início ao fim da produção e ainda relembra personagens nostálgicos como Pac Man e Mary Poppins (afinal, trata-se de uma produção dos Estúdios Disney). A maioria dos vilões entra para compor a história. O objetivo mesmo é explorar a emoção. É certo que "Guardiões da Galáxia Vol. 2" será um sucesso de bilheteria tão grande ou maior que seu antecessor.

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Também a trilha sonora é um destaque - afinal, Peter Quill tem um walkman e gosta de curtir músicas em fitas K7. Achei, no entanto, o repertório de "Guardiões da Galáxia" melhor que deste, apesar de a trilha sonora de Awesome Mix Vol. 2 apresentar canções que tocam o coração como "Father and Son" (Cat Stevens) - as lágrimas desceram nessa hora -, "My Sweet Lord" (George Harrison), "Brandy You're a Fine Girl", do Looking Glass (tema que faz a conexão entre Quill e Ego), "Bring It On Home To Me", de Sam Cooke, "The Chain", do Fleetwood Mac, "Mr. Blue Sky", da banda Electric Light Orchestra e, claro, "Fox on the Run", de Sweet, para as cenas de ação.

Na história, os guardiões da galáxia Quill, Gamora, Drax, Rocket e Baby Groot são contratados pelos Soberanos para resgatar poderosas baterias roubadas de seu planeta. Mas uma confusão provocada por Rocket acaba fazendo com que sejam perseguidos por seus contratantes. 

Durante a fuga, eles são salvos por um misterioso homem numa nave, que depois se revela pai de Quill. Ele quer levá-lo para viver em seu planeta. Mas Gamora e os amigos do guerreiro suspeitam das intenções de Ego e vão precisar se unir a velhos inimigos para descobrir a verdade.

Então, nada de esperar, "Guardiões da Galáxia Vol.2" merece ser visto mais de uma vez, de preferência em 3D, para aproveitar bem os efeitos visuais das paisagens do planeta de Ego e as batalhas. E não saia do cinema no final, pois o filme tem cinco cenas extras durante e após os créditos, chamando para uma possível terceira edição. Imperdível.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: James Gunn
Produção: Marvel Studios
Distribuição: Disney/Buena Vista
Duração: 2h16
Gêneros: Ação / Ficção Científica / Comédia
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

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