05 abril 2019

"Minha Obra-Prima", mais um filme argentino instigante e repleto de surpresas e suspense

Comédia reúne dois grandes atores - Luis Brandoni e Guilhermo Francella (Fotos: Eurozoom/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


De uma tacada só, o argentino Gastón Duprat coloca o espectador diante de temas tão sérios quanto abstratos como ética, arte, valores, amadurecimento, marketing, manipulação, amizade, hipocrisia. O filme em questão é "Minha Obra-Prima" ("Mi Obra Maestra"), e o diretor é relativamente conhecido do público brasileiro desde o inesquecível "O Cidadão Ilustre", de 2016. Dessa vez, ele vai um pouco mais longe, usando cinismo e suspense para contar a história de um artista plástico em fim de carreira.


Renzo Nervi (Luis Brandoni) é um velho pintor rabugento que já teve seus dias de glória, mas não consegue mais vender suas obras. Saiu da moda para a maioria dos apreciadores de arte. Menos para um discípulo que teima em aprender com ele, apesar dos seus métodos nada ortodoxos de ensinar, e para o marchand Arturo Silva (Guilhermo Francella), que insiste em recolocar as obras de Nervi no mercado. Detalhe: Nervi e Auturo são amigos há mais de 40 anos e se conhecem muito bem.


Os diálogos, inteligentes, dinâmicos e criativos são o grande trunfo de "Minha Obra-Prima" e ajudam a envolver o espectador, que vai colhendo e desfazendo pistas ao longo do filme que, a certa altura, se transforma em suspense. Brandoni e Guilhermo Francella atuam em sintonia perfeita e o jogo entre esses dois grandes atores merece todos os aplausos.


A personalidade sui generis de Renzo Nervi, revelada de forma quase histriônica pelo talento de Luiz Brandoni, numa interpretação irretocável, é, de certa forma, outra atração. Arrogante, exótico e egoísta, o pintor esbalda antipatia de uma forma tão peculiar que acaba por ganhar a simpatia do público, que começa a concordar com as atitudes extremas dele.


Surpreendente talvez seja a palavra que melhor define "Minha Obra-Prima" que, enquanto toca nas mazelas da arte, desnuda conceitos, critica a elite dita intelectual e coloca em xeque a importância e o valor do marketing nesses tempos de mídias poderosas e de celebridades em busca de fama e dinheiro a qualquer preço. O filme está em exibição na sala 1 do Belas Artes, sessões às 15h40 e 19h40.
Duração: 1h41
Classificação: 14 anos

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04 abril 2019

"Shazam!" - Um super-herói meninão que garante boas risadas e ótimos efeitos visuais

Jack Dylan Grazer e Zachary Levi entregam boas interpretações e são a diversão nesta nova produção com personagem da DC Comics (Fotos: Steven Wilke/Warner Bros. Entertainment)

Maristela Bretas


Humor, ação e muitos efeitos são os ingredientes bem dosados de "Shazam!", nova aposta com um super-herói da DC Comics que estreia nesta quinta-feira (4) nos cinemas. A fórmula funciona muito bem e deverá garantir mais uma ótima bilheteria à Warner, como outros dois sucessos da mesma família - "Mulher Maravilha" (2017) e "Aquaman" (2018) -, mostrando que estão acertando o rumo na disputa com a Marvel. Os fãs agradecem e vão esquecendo, aos poucos, produções que deixaram a desejar, como "Esquadrão Suicida" (2016).


A escolha do ótimo cômico ator Zachary Levi ("Thor: Ragnarok" - 2017) para interpretar o super-herói que usa collant vermelho com um raio amarelo no peito (não confunda com Flash, da mesma DC Comics que tem fantasia quase igual) foi muito acertada. Ele entrega um personagem engraçado, trapalhão, forte e sem noção de seus poderes, usando às vezes em brincadeiras e para ganhar uns trocados. Afinal, Shazam é apenas um jovem de 15 anos no corpo de um homem de 30. O adolescente Billy Batson é vivido pelo ator Asher Angel, que se transforma num adulto quando usa a palavra mágica - "Shazam!".



Além dos problemas da idade, Billy sofre por ter se perdido da mãe aos 6 anos e estar sempre passando por lares de crianças abandonadas. Até cair na casa do casal Victor e Rosa Vasquez e conhecer aquele que vai se tornar seu maior amigo e aliado, Freddy Freeman, interpretado pelo ótimo Jack Dylan Grazer (de "Querido Menino" - 2019 e "It: A Coisa" - 2017). Ele é um garoto com deficiência que só quer ser notado e ter um amigo super-herói, como Batman ou Superman, por exemplo. As cenas de Freddy e Shazam são as mais engraçadas do filme, afinal, como todo adolescente que quer ser adulto, eles aproveitam para experimentar tudo o que a maioridade permite fazer, como beber cerveja, por exemplo. 



Mark Strong ("Kingsman: O Círculo Dourado" - 2017) foi outro acerto para o papel do cientista Dr. Thaddeus Sivana (ou Silvana), o arqui-inimigo dos quadrinhos que quer roubar os poderes do herói. Menos conhecido do público em geral que seus irmãos de HQs, Batman e Superman, mas bem mais simpático, Shazam é bem apresentado no filme, assim como o Dr. Sivana, e como seus mundos se encontraram. 



Ambos são fortes, mas a diferença de idade e maturidade conta muito na hora das batalhas. Dr. Sivana é um adulto traumatizado e cruel enquanto Shazam é um garoto bom mas solitário em corpo de homem, que brinca de super poderes e segue tudo o que o amigo Freddy manda, muitas vezes sem medir as consequências do que está fazendo. 


Os efeitos visuais são outro destaque de "Shazam!". Muitos raios, de ambos os lados, monstros assustadores, batalhas no ar e em terra, destruição de prédios, magos com poderes e boas perseguições. Os assuntos sérios também são abordados, como o bullying à deficiência de Freddy, a busca de Billy por sua mãe natural e a relação em um lar onde todos precisam se unir para ser uma boa família. Os atores que formam este grupo também fazem um bom trabalho, com destaque para Faithe Herman, que interpreta a muito fofa Darla, a mais jovem dos "irmãos". 


"Shazam!" ganha o público principalmente pelo jeitão infantil do super-herói com peito estufado que vibra como uma criança cada vez que descobre um novo poder. O filme também faz inúmeras referências a outros personagens da DC, tanto nos brinquedos de Freddy quanto nos diálogos e especialmente no final e na ficha técnica, o que torna a produção ainda melhor, mais leve e divertida, com humor inteligente, sem cair no pastelão. Vale muito a pena conferir. 

FIQUE ATENTO: Este filme também tem duas cenas pós-créditos, a primeira mais importante.



Ficha técnica:
Direção: David F. Sandberg 
Produção: New Line Cinema / DC Entertainment
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 2h12
Gêneros: Ação / Fantasia
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 4 (0 a 5)

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