segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Com Oscar de Melhor Atriz, "O Quarto de Jack" consagra Brie Larson e uma história envolvente e tocante

Mãe e filho passam anos encarcerados e fazem de seu quarto um mundo diferente (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


O que torna "O Quarto de Jack" ("Room") fora do comum e contundente não se resume ao fato de ele contar a história de mãe e filho que vivem no cativeiro durante anos, confinados num pequeno cômodo. A história surpreende principalmente na sua segunda metade, quando ambos têm que enfrentar a liberdade. Sim, os dois conseguem fugir do algoz e carcereiro que os mantém - e contar isso não é nenhum spoiler.

Resumindo: aos 17 anos, Joy (Brie Larson) é sequestrada por um homem que a mantém presa num quarto. Dois anos depois, ela tem um filho do sequestrador, o "velho Nick" (Sean Bridgers), que continua visitando-a e subjugando-a periodicamente. 

É nessa prisão que o pequeno Jack (Jacob Tremblay) cresce e chega aos cinco anos, tendo como companhia apenas a mãe e um aparelho de TV. Não é preciso dizer que a realidade dele é distorcida e limitada, embora não pareça angustiante ou claustrofóbica, mérito da mãe que, com amor, consegue preencher todas as lacunas e responder todas as perguntas.

Houve quem encontrasse semelhanças entre "A Vida É Bela", comédia em que pai e filho vivem num campo de concentração, e "O Quarto de Jack". Pode ser. Nos dois casos, é o amor que transforma e dá leveza e graça às penúrias e perigos do cativeiro. A diferença é que, neste de agora, o filme é narrado sob a ótica da criança. De dentro do armário onde dorme, Jack acompanha com naturalidade as visitas do "velho Nick" à sua mãe.

"O Quarto de Jack" é baseado no livro "Room", de Emma Donoghue que, por sua vez, foi inspirado no conhecido Caso Fritz, de 2008, quando veio à tona o episódio do austríaco que, durante 24 anos, manteve a própria filha presa em casa. 

O que a autora criou a partir desse drama - foi ela a responsável pelo roteiro do filme - mais a direção delicada e até poética de Lenny Abrahamson fazem do longa um filme para não ser esquecido. Por um bom tempo, o espectador vai se questionar sobre as idiossincrasias que fazem do humano um ser surpreendentemente inusitado.

A excelente atuação de Brie Larson lhe garantiu a estatueta de Melhor Atriz do Oscar 2016, além de outras premiações do mundo cinematográfico. Sem contar a interpretação do garoto Jacob Tremblay, uma incrível e simpática revelação que encantou a todos durante suas participações em entregas de prêmios de Hollywood.

"O Quarto de Jack" ainda está em exibição nos cinemas de BH e pode (deve) ser conferido nas salas 2 do Belas Artes (sessão de 15 horas), 1 do Diamond Mall (17h20), 3 também do Diamond Mall (14h40), 2 do Pátio Savassi (16h30, 19h15, 22h15) e 3 do Net Cineart Ponteio (17h15, 18h30 e 20h50), na versão legendada. Classificação: 14 anos


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