sexta-feira, 17 de maio de 2019

"Uglydolls" é mais uma animação cheia de mensagens e intenções

Moxy e sua turma saem em busca de aventuras e novos amigos que queiram adotá-los como são (Fotos Tobis Film/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Moxy e seus amigos são Uglydolls e vivem em uma cidade toda colorida chamada Uglyville onde, claro, todos os bonecos são feios. Um tem apenas um olho, outro não tem orelhas, outro é desengonçado. A própria Moxy é banguela e seus poucos dentes ressaltam na sua boquinha. Mas como ninguém liga para conceitos de beleza na terra dos bonecos feios, até porque ninguém jamais saiu dali para conhecer outros lugares, todos são felizes e sorridentes. 

A única insatisfeita parece ser Moxy que, embora acorde todos os dias cantando, alegre, otimista e cheia de esperança, tem a intuição de que há algo além dos limites da sua vila. Ela questiona, quer mais. Seu sonho é pertencer a alguma criança e ser amada por ela.


Como todas as animações atuais há tiradas engraçadas e até sarcásticas em "Uglydolls", filme que entrou em cartaz em Belo Horizonte nessa quinta-feira. Principalmente depois que Moxy e sua turma conseguem chegar ao Instituto da Perfeição, comandado por Lou, um chefe que esbanja vaidade. Com cara e trejeitos de pop star, ele não hesita em humilhar os que considera feios e diferentes.

Mas certas sutilezas só são compreendidas por adultos. Crianças maiores, acima dos dez anos, podem até entender uma ou outra piada, uma ou outra ironia. As menores vão apreciar apenas as músicas e dancinhas e correm o risco de ficarem cansadas. Não que o filme seja monótono. Pelo contrário, é movimentado. Mas até o excesso de corre-corre, as fugas, as idas e vindas podem cansar os muito pequenos.


Outra dificuldade para os menorzinhos são os nomes, tanto dos lugares quanto dos personagens. Nada foi traduzido na versão dublada. Os bonecos têm nomes complicados como Ugly Dog, Wage, Babo e Lucky Bat, que podem até ser conhecidos por uma ou outra criança como bonecos, mas não são exatamente brinquedos populares no Brasil. Ou seja: os muito pequenos vão fatalmente precisar da ajuda de algum adulto para esclarecer que "ugly" significa feio em inglês, e "dolls" quer dizer bonecos. Na versão nacional da animação, Aline Wirley, João Côrtes, Rincon Sapiência e Paula Lima dão voz aos personagens Moxy, Lou, Ugly Dog e Mandy, respectivamente.

João Côrtes, Paula Lima, Aline Wirley e Rincon Sapiência (Foto: Divulgação)

Há pelo menos duas mensagens bem explícitas em "Uglydolls". A primeira parece dizer: seja curioso, aventure-se, não desista dos seus sonhos, atreva-se, alargue seus horizontes. A segunda, talvez mais clara do que a primeira, fala da aceitação do que é diferente, da beleza que pode haver por trás da imperfeição, de preconceitos. Não deixa de ser uma ótima intenção, principalmente nesses tempos de intolerância com o que é estranho e foge dos padrões. Mais do que doutrinar a criançada, talvez a intenção da diretora Kelly Asbury tenha sido a de levantar dúvidas e questionamentos.

Se saírem do cinema perguntando coisas aos adultos que os levaram à sessão, o filme já terá cumprido sua função. Atualmente, os desenhos animados parecem ter sempre alguma intenção por trás da história. Difícil encontrar um que tenha o único objetivo de divertir.
Duração: 1h27
Classificação: 6 anos
Distribuição: Diamond Films


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