quinta-feira, 2 de maio de 2019

"Tudo o Que Tivemos" - Ótimas interpretações para tratar de um drama familiar sobre Alzheimer

Filme aborda a história de uma idosa que sofre da doença e as consequências para quem precisa conviver com a doença (Fotos: Divulgação)

Maristela Bretas


Somente quem vive diariamente de perto o problema do Alzheimer vai conseguir perceber como este tema afeta relações familiares e o que isso pode representar para o paciente quando ainda lhe restam flashs de lembranças. "Tudo o Que Tivemos" ("What They Had") abordar este assunto, mas de uma maneira mais branda e só não se torna um drama simples de família graças às ótimas interpretações do pequeno elenco. Entre idas e vindas, ou melhor, entre crises e momentos de quase lucidez, Ruth (Blythe Danner) é o centro da discussão familiar e desencadeia toda a ação que pode determinar seu destino.


Numa noite de forte nevasca em Chicago, Ruth sofre um surto da doença e sai de casa sem rumo e sem avisar ninguém. Desesperado, o marido Burt (Robert Forster) aciona o filho Nicky (Michael Shannon), que mora ao lado, e este avisa a irmã Bridget (Hilary Swank, que também é uma das produtoras executivas do filme), uma chef de cozinha que mora na Califórnia. Ela se vê obrigada a voltar à casa dos pais para resolver o que é preciso fazer com a mãe, diagnosticada com Alzheimer. Acompanhada da filha adolescente Emma (Taissa Farmiga), Bridget terá de decidir de que lado deve ficar - do pai, que acha que a mulher está bem, ou do irmão, que deseja enviar a mãe para uma casa de repouso.


Além deste conflito, Bridget enfrenta problemas no casamento com Eddie (Josh Lucas) e na relação com a única filha, além de ressentimentos passados que podem tornar a decisão quase impossível. O drama é o que se pode chamar de uma questão familiar, para ser resolvida entre quatro paredes. Ou seja, concentra a maior parte das cenas na casa de Ruth e Burt e os diálogos entre os cinco integrantes da família. Cada um dos atores entrega uma ótima interpretação, em especial Robert Foster, o marido que jurou nunca se separar da mulher, seguindo à risca os mandamentos do casamento tradicional - "Na alegria e na tristeza, na saúde ou na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separe". 


Já Michael Shannon, para muitos, pode representar o filho cruel, insensível, que quer internar a mãe para se livrar de um problema. Na verdade, Nick ama os pais e sempre foi aquele que cuidou de tudo e agora quer tentar recomeçar a vida. Ele culpa Bridget por ter ido embora e deixado a responsabilidades dos pais para ele. Ela, por sua vez, guarda rancores dos pais, mas ao mesmo tempo se culpa por não ter ficado mais próxima deles. Ao tentar fazer isso agora com a doença da mãe, arrasta a filha adolescente numa tentativa de reaproximação. Bons momentos entre Hilary Swank e Taissa Farmiga. 


Elizabeth Chomko, diretora e roteirista, entrega um longa bom e correto, sem ousadias no roteiro ou na produção, com clichês esperados, mas que não interferem na trama. As abordagens são bem colocadas, tanto nos momentos de tensão, quando nos simples diálogos familiares e vão de posturas conservadora e machistas a uma quebra de barreiras, "Tudo o Que Tivemos" entrega um final emocionante e libertador para todos.

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Ficha técnica:
Direção: Elizabeth Chomko
Produção: Bona Fide Productions / June Pictures
Distribuição: Diamond Films
Duração: 1h38
Gênero: Drama
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 3 (0 a 5)

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