23 janeiro 2026

"A Vingança de Charlie" - um suspense de terror sobre traumas, medos e reviravoltas

Katheleen Kenny e seu agressor centralizam todo a ação e são os únicos a aparecerem (Fotos: Sofá DGTL)
 
 

Maristela Bretas

 
Gosta de um bom suspense de terror, daqueles que prende do início ao fim. Então a dica do blog de hoje é "A Vingança de Charlie" ("Sorry, Charlie"). O filme, lançado em 2023, entrou no catálogo da plataforma Filmelier+, streaming da Sofá DGTL que pode ser acessada pelo Prime Vídeo por aluguel.

Dirigido e produzido por Colton Tran, o longa vai contando aos poucos o drama de Charlie, em ótima atuação de Katheleen Kenny. Recém mudada para uma antiga casa que recebeu de herança da avó, a jovem é atraída à noite pelo choro de um bebê no jardim. 

Ao sair da residência, a jovem é atacada e estuprada por um homem de roupa preta e máscara de caveira, que estuprava suas vítimas somente para vê-las grávidas dele. 


Meses depois, um suspeito é preso por ter atacado outras mulheres usando o mesmo método para atrair as vítimas. Mas Charlie nunca se esqueceu da voz de seu agressor e não acredita que "O Cavalheiro" (papel de Travis William Harris e voz de Connor Brannigan), como foi identificado, seja aquele que a atacou.

Ainda morando na casa, ela agora trabalha como voluntária de um serviço de apoio emocional a pessoas que sofreram algum trauma (tipo um CVV). Charlie ainda tem pesadelos com seu estuprador, especialmente por causa da gravidez indesejada avançada, resultado do ataque. 


Para piorar, ela se sente vigiada constantemente, mesmo com os amigos e familiares insistindo que é apenas coisa da cabeça dela. É essa tensão que vai tomando conta do filme. Toda a ação ocorre num espaço - a casa de Charlie.

À medida que as suspeitas de Charlie vão tomando forma e seu agressor ganha corpo, ela percebe que ele está mais perto do que imaginava. A partir daí, o longa dá uma reviravolta com um final surpreendente que deve agradar ao telespectador.

Segundo o diretor, o filme teria sido inspirado em eventos reais, o que o torna ainda mais tenso. Não bastasse a voz sussurrante e ameaçadora ao telefone do verdadeiro "Cavalheiro", a máscara de caveira ajuda a compor o perfil do assediador implacável. 


O pacote fica completo com a trilha sonora de Alexander Taylor, que conta com uma canção macabra de ninar e outras como "Now I Just Don't Care" e a música de encerramento - "I'm Still Here" ("Eu Ainda Estou Aqui").

Claro que os erros padrões dos filmes de terror acontecem, mas no caso de "A Vingança de Charlie" há pelo menos uma explicação para que todas as vítimas do agressor tenham cometido o mesmo erro. 

Segundo o filme, "estudos mostram que o choro de um bebê provoca simpatia e cuidados nas mulheres, gerando uma reação instintiva de cuidado, mesmo em indivíduos que não tiveram experiência com a maternidade". E é exatamente deste instinto que o suspeito se aproveita.


O filme é todo centrado em Charlie, que vai levando a vida tentando superar seus traumas e medos após a agressão. Por sua linha telefônica chegam diariamente ligações de seus pais, de amigos, da psiquiatra que a atende e das pessoas que procuram o serviço de apoio emocional. 

Mas nenhuma delas aparece, apenas suas vozes são ouvidas, reforçando o ambiente isolado e escuro vivido pela protagonista. Toda a ação ocorre na casa de Charlie, com destaque para a piscina no jardim. 

"A Vingança de Charlie" é um dos bons lançamentos dos catálogos de streaming para abrir a temporada de terror de 2026. Não emprega efeitos visuais grandiosos de um blockbuster, a história é interessante e os atores, mesmo pouco conhecidos, dão conta do recado. Vale conferir.


Ficha técnica:
Direção: Colton Tran
Produção: Night Night, coprodução com a Colton Tran Films
Distribuição: Synapse Distribution
Exibição: Filmelier+ disponível na plataforma Prime Video, com aluguel a partir de R$ 6,90.
Duração: 1h15
Classificação: 16 anos

País: EUA
Gêneros: terror, suspense

22 janeiro 2026

"Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno" decepciona ao tentar reproduzir famosa franquia

Longa novamente dirigido por Christophe Gans é uma adaptação do videogame "Silent Hill 2"
(Fotos: Paris Filmes)
 
 

Maristela Bretas


"Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno" ("Return To Silent Hill") estreia nesta quinta-feira nos cinemas tentando ressuscitar o prestígio de uma das franquias mais cultuadas do terror psicológico, mas acaba entregando um retorno decepcionante. 

Dirigido novamente por Christophe Gans, o longa é uma adaptação de "Silent Hill 2", um dos jogos mais aclamados da série, porém com menos impacto, menos personalidade e muito mais problemas. Até oferece um susto ou outro nos primeiros 10 minutos e mais nada.


A história acompanha James (Jeremy Irvine, de "Mamma Mia 2" - 2018), um pintor atormentado que recebe uma carta misteriosa de Mary (Hannah Emily Anderson), seu amor perdido após a separação, pedindo que ele retorne à estranha cidade de Silent Hill para um possível reencontro. 

O que ele encontra, no entanto, é uma cidade devastada por um incêndio, tomada por névoa e lembranças fragmentadas de uma comunidade tão bizarra quanto ameaçadora. Conforme James revisita memórias de seu passado com Mary, figuras tenebrosas começam a surgir, colocando sua sanidade mental à prova.


Entre essas presenças está o icônico Piramidy Head, vivido novamente por Robert Strange, uma das poucas conexões diretas com o imaginário dos jogos da Konami e do filme original. 

Também chama atenção a presença da jovem Eve Templeton, embora sua personagem seja pouco explorada pelo roteiro. Infelizmente, mesmo com elementos reconhecíveis para os fãs, o filme falha em construir tensão verdadeira ou aprofundar seus personagens.


Apesar de tentar se aproximar mais da estética e da mitologia da famosa série de videogames Silent Hill, o longa entrega uma versão diluída e confusa desse universo.

O terror psicológico dá lugar a cenas repetitivas e previsíveis, que apostam mais em criaturas grotescas do que em atmosfera. A direção de Gans parece presa ao passado, reciclando ideias sem o mesmo cuidado ou impacto visual que marcaram a série de videogames.


O roteiro, por sua vez, se perde em explicações vagas e revelações sem peso emocional. O drama de James nunca se desenvolve plenamente, e sua jornada entre culpa, amor e trauma não encontra força suficiente para envolver o espectador. O resultado é um filme que parece sempre à beira de algo interessante, mas nunca chega lá.

No fim, “Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” soa como uma continuação desnecessária. Ao tentar agradar fãs dos jogos e do primeiro longa, acaba entregando uma experiência inferior, esquecível e sem o impacto psicológico que tornou Silent Hill um nome tão marcante no terror. 

Um retorno que confirma que algumas portas talvez devessem permanecer fechadas.


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Christophe Gans
Produção: Davis Films, em parceria com Electric Shadow
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h46
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gênero: terror