07 maio 2026

“Mortal Kombat 2” entrega lutas brutais e nostalgia gamer sem pedir desculpas

Sequência traz Karl Urban no papel de Johnny Cage, personagem conhecido da franquia que foi resgatado
pelo novo roteirista (Fotos: New Line Cinema)
 
 

Maristela Bretas

 
Passados cinco anos desde o lançamento do primeiro filme, estreia nesta quinta-feira nos cinemas Mortal Kombat 2, sequência feita sob medida para agradar aos fãs da clássica franquia dos videogames. E ela sabe exatamente o que quer entregar: violência exagerada, nostalgia e lutas coreografadas como se o controle estivesse nas mãos do público.

Desta vez, o protagonismo sai de cena para dar espaço ao ex-lutador e ator decadente Johnny Cage, vivido por Karl Urban. Mesmo em baixa na carreira, Cage é convocado para integrar os guerreiros da Terra na batalha final contra o impiedoso Shao Kahn, interpretado por Martyn Ford, que ameaça destruir o Reino da Terra e escravizar seus habitantes.


Personagem clássico dos games, Johnny Cage foi resgatado pelo novo roteirista, Jeremy Slater, que substituiu a dupla Dave Callaham e Greg Russo, responsável pelo longa de 2021 (disponível no HBO Max). A mudança funciona muito bem. 

Cage mantém o perfil debochado, arrogante e narcisista dos games, sempre se achando o homem mais bonito do grupo, mas que faz de tudo para escapar da pancadaria.

A valentia só aparece quando perde de seus inseparáveis óculos escuros de astro dos anos 1990. Karl Urban entende perfeitamente o tom do personagem e transforma Cage no grande alívio cômico do filme. 


Seus comentários absurdos arrancam risadas constantes, inclusive dos próprios companheiros de equipe, que frequentemente parecem tão incrédulos quanto o público diante das besteiras que ele fala.

A trama começa após Shao Kahn conquistar dois reinos. Agora, o Reino da Terra é o próximo alvo. Para dominar tudo, porém, ele precisa vencer o torneio Mortal Kombat contra os guardiões liderados por Raiden e reforçados pelo imprevisível Johnny Cage.

Além de Urban, o elenco ganha duas novidades importantes: Adeline Rudolph, como a princesa Kitana, e Tati Gabrielle, no papel de Jade, guerreira fiel ao exército de Shao Kahn. Até mesmo Ed Boon cocriador do game, faz uma rápida participação para agradar aos fãs mais atentos.


O diretor Simon McQuoid também retorna, acompanhado de boa parte do elenco do primeiro longa: Lewis Tan (Cole Young), Tadanobu Asano (Lord Raiden), Hiroyuki Sanada (Hanzo Hasashi/Scorpion), Joe Taslim (Bi-Han/Sub-Zero), Jessica McNamee (Sonya Blade), Josh Lawson (Kano), Ludi Lin (Liu Kang), Mehcad Brooks (Jax), Damon Herriman (Quan Chi), Chin Han (Shang Tsung), Desmond Chiam (Rei Jerrod, entre outros.

E ninguém deve se apegar demais às mortes do filme anterior. Assim como nos jogos, personagens ressuscitam sem cerimônia — embora nem todos retornem do lado certo da luta.


O sangue continua sendo protagonista absoluto. Decapitações, corpos esmagados, crânios destruídos e litros de violência gráfica transformam “Mortal Kombat 2” em um dos filmes mais brutais inspirados em videogames dos últimos tempos. 

Ainda assim, o longa encontra espaço para equilibrar o exagero com humor e fan service. As cenas de luta são o grande destaque. Coreografadas com precisão quase cirúrgica, elas reproduzem movimentos clássicos dos games e evocam a nostalgia dos fliperamas para quem cresceu nos anos 1990 tentando decorar fatalidades.


Simon McQuoid também aproveita muito bem os recursos de IMAX, principalmente no desenho de som e nos efeitos visuais. Há detalhes escondidos em cenários, golpes e enquadramentos que os jogadores mais antigos certamente vão identificar antes mesmo da batalha final começar. E, claro, a icônica música-tema da franquia aparece no momento certo para incendiar a sessão.

“Mortal Kombat 2” não está preocupado em construir uma narrativa complexa ou profunda. Sua missão é entregar entretenimento barulhento, violento e nostálgico — e nisso o filme acerta em cheio.

A franquia, aliás, está longe de terminar. Os produtores já confirmaram o desenvolvimento do terceiro longa, mantendo diretor e roteirista. Agora resta esperar pelo próximo round. Confira o filme e comente aqui o que achou.


Ficha técnica:
Direção:
Simon McQuoid
Roteiro: Jeremy Slater
Produção: New Line Cinema e Broken Road Productions
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h56
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: aventura, ação

06 maio 2026

“Aqui Não Entra Luz” - Histórias impactantes escancaram relação do Brasil com empregadas domésticas

Documentário da diretora Karol Maia expõe vivências de mulheres que atuam ou atuaram nesta função
em diversos estados (Fotos: Embaúba Filmes) 
 
 

Eduardo Jr.

 
Estreia no Cine Una Belas Artes, no dia 8 de maio, o documentário “Aqui Não Entra Luz”. Distribuído pela Embaúba Filmes, o longa é dirigido por Karol Maia e apresenta vivências de mulheres que atuam ou atuaram como empregadas domésticas. A partir delas, a obra lança foco sobre uma série de pautas ainda carentes de atenção.  

Durante pouco mais de uma hora o documentário viaja por Minas Gerais, Rio de Janeiro, Maranhão, Bahia e por último, São Paulo. Em cada local, uma trabalhadora doméstica conta suas experiências, e nos ajudam a enxergar quem somos enquanto sociedade (e também sentirmos vergonha). 

Karol Maia (Foto: Lucas Raion)

O filme também assume ares de terapia da diretora. Já de início ela nos convida a olhar para um registro familiar, feito com uma câmera caseira. A partir das memórias pessoais, de quem acompanhou o trabalho da mãe como empregada doméstica, ela levanta questões que provocam a si mesma e ao público do outro lado da tela. 

Mesmo que já tenhamos sido cutucados por Anna Muylaert em “Que Horas Ela Volta” (2015) e pelos diversos casos recentes de pessoas resgatadas de trabalhos análogos à escravidão, a obra de Karol Maia tem potencial de incomodar e fazer o público levar o assunto pra fora da sala de cinema. 

Personagens Rosarinha, Marcelina, Mãe Flor e Cris 

E essas pautas são diversas. Trabalhadores tratados como sub-humanos, a arquitetura opressora do mercado imobiliário, o perverso costume de tratar a profissional “como se fosse da família” e usurpar direitos, o trabalho doméstico como herança… Não para por aí - e ainda piora (mas vou evitar spoilers).  

A diretora se torna narradora e costura as histórias com suas percepções. O texto tem poesia, mas não ameniza a brutalidade do que ouvimos. Ela destaca que no Brasil são seis milhões de trabalhadores domésticos. E, se nos imóveis dos patrões cabem luxos diversos, para toda essa gente humilde ficam as agruras do quartinho de pouca iluminação e quase nenhuma ventilação. 


   

Se a “classe média” quer sufocar as trabalhadoras do lar (sim, no feminino, pois o longa se mostra um recorte da realidade do país, com as mulheres sendo os maiores alvos desta relação de desigualdade), habita nelas o respiro forte de quem enfrenta questões estruturais - de raça, de gênero e de classe.  

A desigualdade já foi observada pelo sistema legal do país, mas na visão de uma destas mulheres, a lei chegou tarde. Ainda assim, Karol tem a sensibilidade de dar voz à leveza e às conquistas destas trabalhadoras. 

Não se espante se notar lágrimas rolando no seu rosto com mais um vídeo caseiro, onde mãe e filha se abraçam em um momento singular. Aplausos para a diretora, que além de tirar do quartinho de empregada e trazer à luz do sol algumas histórias de um Brasil que precisa se fazer melhor, ainda tenta iluminar nossa consciência. 


Ficha Técnica:
Direção e roteiro: Karol Maia
Produção: Apiário Estúdio Criativo, coprodução Surreal Hotel Arts
Elenco: Miriam Mendes, Karol Maia, Cristiane Graciano, Marcelina Martins, Maria do Rosário Rodrigues de Jesus e Matildes Santos Pereira
Distribuição: Embaúba Filmes
Exibição: Una Cine Belas Artes
Duração: 1h20
Classificação: 10 anos
País: Brasil
Gênero: documentário