domingo, 18 de outubro de 2020

"Teste de Paternidade" - ninguém deve abandonar seus sonhos

 

Alex e Ceci precisam decidir se querem o crescimento profissional ou mais um membro na família (Fotos: Netflix)


Maristela Bretas



Maternidade ou sucesso profissional? Escolha difícil na maioria das vezes que é abordada com simpatia na produção mexicana "Teste de Paternidade" ("Ahí Te Encargo"). Maurício Ochman, interpretando Alex, e Esmeralda Pimentel, como Ceci, têm uma boa química e entregam uma comédia agradável e atual, em exibição na Netflix, que trata de um dilema enfrentado por muitas mulheres pelo mundo.

Conquistando cada vez mais seus espaços no mercado de trabalho, muitas têm adiado a maternidade ou até mesmo excluído esta opção de suas vidas em troca de crescimento profissional. E mesmo com tantas executivas ocupando cargos no alto escalão de grandes empresas, o mercado ainda tem uma postura machista. 

Não são poucos os casos em que uma profissional mais capacitada deixa de ser selecionada para dar lugar a um homem sob a alegação de que "um dia aquela candidata vai querer ser mãe e no primeiro sinal ela vai trocar a empresa pela família". Ou pior - "a mulher nasceu para ser mãe, não para administrar uma empresa". 



O diretor Salvador Espinosa explora bem isso nos diálogos desde o início do filme, Da boca de Alex, um publicitário que tenta ser um cara de cabeça aberta e apoia Ceci em quase tudo, saem "pérolas" como "por que casamos se não era para ter um filho?". 

Na empresa, Ceci é a mais indicada para um cargo elevado, mas um concorrente tenta eliminá-la da disputa com o chefão usando alegações como "Acha que ela consegue, o marido vai deixar? Porque qualquer dia desses, ela aparece com uma barriga grande e vai faltar ao trabalho. Não deixaria tudo nas mãos de uma mulher, elas são emotivas".


E é o crescimento profissional que leva Ceci a adiar por prazo indeterminado a maternidade. Um filho está totalmente fora de seus planos. Ao contrário de Alex, que quer ser pai e passa a exigir da esposa uma gravidez "prá ontem". O casal, que até então tinha um relacionamento quase perfeito, começa a enfrentar problemas de entendimento entre o que cada um considera ser a sua realização de um sonho. As cobranças aumentam e o afastamento entre eles também.


Até que o pequeno Alan entra na vida do casal. Melhor dizendo, na vida de Alex, que tenta impor de todas as formas o garoto como a solução para todos os problemas e a formação da família ideal nos moldes que ele deseja. Ele é deixado em suas mãos pela mãe, uma jovem que precisa ficar fora por três dias. E agora, como contar para Ceci e fazê-la aceitar a criança? As peripécias para esconder Alan da esposa e no trabalho são as mais divertidas.


"Teste de Paternidade", mesmo sendo um filme com cara de sessão da tarde, sem grandes pretensões, aborda também gravidez precoce, o relacionamento de casais com filhos que gostariam de ter uma pausa para se curtirem, solteiras que optaram por não casar e pessoas cujo destino não permitiu terem herdeiros. 

O filme exige poucas locações, o elenco é pequeno, mas bem entrosado que entrega divertidos diálogos, especialmente a dupla principal e Rafa, amigo de Alex, um solteirão que só quer saber de encontros por aplicativo. Vale como distração.


Ficha técnica:
Direção: Salvador Espinosa
Exibição: Netflix
Duração: 1h51
Classificação: 12 anos
País: México
Gêneros: Comédia / Romance
Nota: 3 (0 a 5)

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