domingo, 30 de outubro de 2016

"A Garota no Trem" discute desejos, submissão e a força de três mulheres

Emily Blunt é uma alcoólatra que viu mais do que devia da janela de um trem (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Um enredo muito bem amarrado, que entrelaça a vida de três mulheres até um desfecho não muito surpreendente, mas agrada. Assim é "A Garota no Trem" ("The Girl On The Train"), um ótimo suspense que tem como estrela principal Emily Blunt. O filme é baseado no best-seller homônimo da escritora Paula Hawkins, que atraiu milhares de leitores pelo mundo.

Blunt, que tem cara de sofrida não importando o papel (basta ver "Sicário: Terra de Ninguém" e "No Limite do Amanhã"), não deixa por menos e entrega uma ótima interpretação da divorciada alcoólatra Rachel Watson. Só ela já justifica a ida ao cinema.

Os outros papéis femininos ficaram para Rebecca Ferguson ("Missão Impossível – Nação Secreta"), também muito boa como Anna, a mulher que se casou com o ex de Rachel, e Haley Bennett ("Sete Homens e Um Destino"), como Megan, uma jovem que vive um casamento aparentemente perfeito. E para completar o grupo de superpoderosas, o filme ainda conta com Allison Janney ("Histórias Cruzadas") no papel da detetive Riley.

Se as mulheres se destacam, o mesmo não se pode dizer do time masculino, pelo menos no filme - Justin Theroux ("Dez Mandamentos Muito Loucos!"), que interpreta Tom, ex-marido de Rachel e atual de Anna, é o melhor dos três. Luke Evans ("Drácula – A História Nunca Contada") faz um Scott (marido de Megan), mediano e foi pouco explorado. O mesmo se aplica a Édgar Ramírez ("A Hora Mais Escura") que é um bom ator, mas não convence como o Dr. Kamal Abdic, terapeuta de Megan.

O diretor Tate Taylor não foge da história original e mostra na produção o peso e a complexidade que as mulheres tiveram na obra literária - força, submissão, vulnerabilidades, delírios, e desejos ocultos predominam na trama. Rachel carrega muitas destas características, mas consegue criar o suspense necessário à medida que a trama avança (mesmo nos momentos monótonos) e dar uma reviravolta, passando de uma fraca e dependente da bebida a uma mulher forte, disposta a provar sua inocência.

Na história, Rachel Watson é uma divorciada alcoólatra que vai e volta de Manhattan durante a semana, com o olhar fixo na janela do trem. Todas as manhãs e noites ela revive lembranças do tempo em que viveu com o ex-marido Tom, que agora vive em sua antiga casa com a outra esposa, Anna, e um bebê. Em seu trajeto, ela observa as pessoas que moram à beira da linha férrea, em especial o casal Megan e Luke, vizinhos de onde ela morava com Tom.

Para Rachel, o casal é o modelo do que ela esperava em seu casamento desfeito e observá-los diariamente enquanto passa de trem se torna uma obsessão. Um dia ela vê uma cena na varanda de Megan que a deixa chocada. Logo depois, a jovem desaparece e há suspeitas de que esteja morta. Rachel então conta à delegada Riley o que acredita ter visto, mas não tem certeza, já que está constantemente embriagada. Será que ela realmente viu alguma coisa? Ou poderia estar envolvida num possível crime e não se lembra?

"A Garota no Trem" é um ótimo suspense, que vai encaixando as peças como num quebra-cabeça e prende do início ao fim. A temática chega a lembrar "Garota Exemplar", outra boa produção do gênero. Merece ser conferido.



Ficha técnica:
Direção: Tate Taylor
Produção: DreamWorks Pictures / Reliance Entertainment
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h53
Gêneros: Suspense /Drama
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: #agarotanotrem, #EmilyBlunt, #RebeccaFerguson, #HaleyBennett, #PaulaHawkins, #TateTaylor, #LukeEvan, #EdgarRamirez, #suspense, #drama, #UniversalPictures, #DreamWorksPictures, #CinemanoEscurinho

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Ben Aflleck passa o tempo sozinho fazendo contas e atirando em pessoas

"O Contador" é um dos melhores trabalhos de Ben Aflleck, que divide a tela com Anna Kendrick (Fotos: Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Ação, suspense e drama na medida certa, ótima direção de Gavin O’Connor (“Desafio no Gelo”) e um Ben Affleck numa de suas melhores interpretações, no papel de um autista. Ao final, "O Contador" ("The Accountant") consegue apresentar uma trama diferente e bem interessante que deverá agradar ao público. 

Além de abordar a Síndrome de Asperger e as "limitações" que ela traz para seu portador, o filme explora, por meio de lembranças do personagem Christian Wolff (Affleck), a relação dele com os pais e o irmão. E vai crescendo ao mostrar sua afinidade com os números, as manias de limpeza e de organização e a impossibilidade de manter um convívio social, características encontradas em portadores da doença.

Ben Aflleck surpreende no papel de um contador autista, com um olhar sem vida (apesar de parecer com seu personagem de "Garota Exemplar"). Ele consegue manter essa falta de expressão mesmo nas cenas de ação. E ainda consegue usar o rosto sem emoção para passar simpatia a Christian quando este conhece Dana Cummings (Anna Kendrick, de “Amor Sem Escalas”).

Anna também está muito bem no papel da contadora e divide os louros da segunda parte do trio principal com J.K. Simmons (“Whiplash – Em Busca da Perfeição”). No elenco estão ainda Jon Bernthal (“O Lobo de Wall Street”), Jean Smart (séries de TV “24 Horas”), Cynthia Addai-Robinson (“Além da Escuridão – Star Trek”), Jeffrey Tambor (“Se Beber Não Case”) e John Lithgow (“Interestelar”).

As cenas de ação são outro ponto positivo do filme, com lutas cerco policial, muitos tiros e assassinatos frios, a queima-roupa. Junte a isso um senso ético que vai ser explicado ao longo da história: ele trabalha para criminosos internacionais, coloca suas vidas contábeis em ordem, ganha rios de dinheiro, mas vive uma vida modesta.

Outro destaque é a abordagem, mesmo sem aprofundar, do drama de portadores da Síndrome de Asperger (a mesma do jogador Messi), muitas vezes incompreendidos até pelos próprios pais. Mas se tratados adequadamente  podem levar uma vida quase normal.

Em "O Contador", Christian Wolff é uma criança problema para os pais por sofrer de Síndrome de Asperger. Por mais que especialistas tentem que ele seja colocado em uma escola especial, o pai não permite, dizendo que ele tem de se prepara para um mundo duro e cruel que não vai lhe dar moleza. A doença lhe garante uma grande capacidade para trabalhar com números e quebra-cabeças.

Adulto, Christian vive sozinho, é antissocial e possui um escritório de contabilidade em uma cidadezinha como fachada. Ele trabalha como contador autônomo para algumas das mais perigosas organizações criminosas do mundo.

Ao perceber que está sendo monitorado cada vez mais de perto pelo Departamento Criminal do Ministério da Fazenda, coordenado por Ray King (J.K. Simmons), o contador aceita um cliente legítimo: a empresa Living Robotics, de Lamar Blackburn (John Lithgow), que está apresentando uma divergência na contabilidade envolvendo dezenas de milhões de dólares, descoberta pela funcionária Dana Cummings.

Conforme Christian desvenda os registros e se aproxima da verdade, pessoas ligadas à empresa vão morrendo. Por saberem demais, ele e Dana passam também a ser perseguidos pelos matadores.

Apesar da pouca explicação sobre a transformação de  Christian, que quando menino montava quebra-cabeças de dezenas de peças em minutos, num excelente contador e exímio atirador, o filme convence, tem boas atuações e a história bem conduzida. Vale conferir.



Ficha técnica:
Direção: Gavin O’Connor
Produção: Electric City Entertainment/Zero Gravity Management
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 2h10
Gêneros: Drama / Suspense / Ação
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

Tags: #ocontador, #theaccountant, #BenAflleck, #AnnaKendrick, #JKSimmons, #GavinOConnor, #JohnLithgow, #suspense, #drama, #ação, #WarnerBrosPictures, #CinemanoEscurinho

sábado, 22 de outubro de 2016

"Kubo e as Cordas Mágicas", uma animação sensível e encantadora

A jornada do garoto Kubo é uma mistura de aventura, amizade, respeito e aprendizagem (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Poderia ser apenas mais uma animação japonesa sobre samurais, monstros e lutas. Mas "Kubo e as Cordas Mágicas" ("Kubo and the Two Strings"), é um filme sensível, emocionante tanto pela história quanto pelas belas paisagens, as batalhas empolgantes e a saga de um jovem herói que encanta do início ao fim. E a jornada do jovem Kubo é uma fábula de aventura, amizade, respeito e aprendizagem, em que ele terá de descobrir a força que tem dentro de si para vencer seus medos e os vilões.

Produzida em stop-motion pelo estúdio Laika, a animação trata de grandes valores, que surpreendeu inclusive aos dubladores originais - Charlize Theron e Matthew McConaughey. Família, perdas e superação são os pontos principais do enredo para envolver o público. E consegue.

Segundo os próprios produtores, "Kubo" é uma produção ambiciosa, empregando tecnologia avançada, bonecos enormes e uma história que vai além de apenas um combate com monstros. O filme acabou tomando proporções maiores que as esperadas pela equipe, com um resultado que só assistindo para entender e gostar.

A Universal Pictures divulgou um vídeo com depoimentos do diretor, criadores e dubladores de "Kubo e as Cordas Mágicas", contando como foi fazer esta ousada aventura e os problemas enfrentados pelo protagonista durante a trama.




Garoto esperto e de bom coração, Kubo (dublado por Art Parkinson de "Game of Thrones") passa a maior parte de seu tempo cuidando de sua mãe viúva e ganha a vida humildemente, contando histórias para as pessoas da vida onde mora junto com Hosato (George Takei), Akihiro (Cary-Hiroyuki Tagawa) e Kameyo (Brenda Vaccaro).

Certo dia, sua vida calma é interrompida quando ele acidentalmente invoca um espírito de seu passado que desce violentamente dos céus para impor uma antiga vingança. 

Em fuga, o protagonista reúne forças ao lado de dois amigos - Macaca, dublada originalmente por Charlize Theron, e Besouro, com voz de Matthew McConaughey - e sai em uma emocionante busca para salvar sua família e resolver o mistério da morte de seu pai, o maior guerreiro samurai que o mundo já conheceu.

Com a ajuda de seu shamisen – um instrumento musical mágico – Kubo irá lutar contra deuses e monstros, incluindo o vingativo Rei Lua (Ralph Fiennes) e as malvadas Irmãs Gêmeas (voz de Rooney Mara) para desbloquear o segredo de seu legado, reunir sua família e cumprir seu destino heroico.

E se já não bastasse ser um filme incrível, indicado para todas as idades, "Kubo" ainda tem em sua trilha sonora uma das músicas mais lindas de George Harrison - "While My Guitar Gently Weeps!". Imperdível.



Ficha técnica:
Direção: Travis Knight
Produção: Focus Features / Laika
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h42
Gêneros: Animação / Família / Aventura
País: EUA
Classificação: Livre
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: #KuboeasCordasMágicas, #CharlizeTheron, #TravisKnight, #animação, #aventura, #família, #emocionante, #samurai, #Laika, #UniversalPictures, #CinemanoEscurinho

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

"Inferno" é boa distração mas fica a dever para obra original

Tom Hanks interpreta novamente o professor de simbologia Robert Langdon, em parceria com Felicity Jones (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


O diretor Ron Howard e o ator Tom Hanks estão juntos novamente na terceira adaptação para o cinema de um best seller do escritor Dan Brown. Depois de "O Código Da Vinci" e "Anjos e Demônios" está em cartaz nos cinemas "Inferno", uma trama que toma como base o texto da terceira parte da obra "A Divina Comédia", de Dante Alighieri. E claro, nada como chamar o professor Robert Langdon (Tom Hanks), conhecido dos filmes anteriores, para ajudar a solucionar os enigmas.

Apesar de oferecer muita ação, boas perseguições e um elenco convincente, "Inferno" segue a mesma fórmula de "O Código Da Vinci", mas a adaptação foi a mais fraca das três até agora. Ainda bem que muitos detalhes do livro são suprimidos da versão cinematográfica, senão ficaria extremamente chata e arrastada.

Se Paris foi pouco mostrada no primeiro filme e a Praça de São Pedro, no Vaticano, concentrou as atenção no segundo, "Inferno" brilha ao explorar muito bem as belas paisagens de Florença, Veneza e Istambul. Só isso já vale o ingresso, que não precisa ser para uma sala 3D.

A adaptação de "Inferno" também se atualizou no tempo e usa tecnologia de ponta, como os drones na caçada ao simbologista e sua amiga. Tom Hanks incorpora um Langdon mais maduro e se mostra mais à vontade com o personagem. Ele é a aposta dos produtores de atrair um público que vai ao cinema só para ver o ator, mesmo que o filme não seja bom. Se Dan Brown aumentou em alguns milhões de dólares sua fortuna com os três livros adaptados, deve ao Robert Langdon vivido por Hanks.

Desta vez, o famoso simbologista acorda em um hospital  de Florença (Itália), com um ferimento na cabeça provocado por um tiro de raspão. Muito tonto, desmemoriado e tendo alucinações, ele é tratado pela médica Sienna Brooks (Felicity Jones), uma admiradora de seu trabalho desde que era criança. Langdon não se lembra de nada do que lhe aconteceu nas últimas 48 horas, nem mesmo o porquê de estar na cidade italiana.

Subitamente, ele é atacado por uma mulher misteriosa e, com a ajuda de Sienna, escapa do hospital. Ela o esconde em sua casa para tratar do ferimento. Mas Langdon encontra no bolso de seu paletó um frasco lacrado que somente ele poderá abrir. O professor e sua amiga acabam descobrindo que o estranho artefato é tão poderoso que poderá acabar com mais da metade da população da Terra.

A dupla passa a ser perseguida por quadrilhas de  criminosos internacionais e agentes da Organização Mundial de Saúde e precisará decifrar códigos e anagramas ligados ao universo de Dante Alighieri para evitar que a perigosa arma caia em mãos erradas.

Hanks é o destaque novamente, ao contrário de Felicity Jones que não convence muito como sua parceira, bem diferente da personagem do livro. Já o premiado Omar Sy, que faz o papel do agente Christophe Bruder, merecia mais destaque. Outro ponto que ficou muito a dever foi o final, bem aquém da obra original. 

Em compensação, a trilha sonora ficou a cargo do experiente Hans Zimmer, que entrega um bom produto. Mesmo com a história dando a sensação de "dèjá vu", "Inferno" convence, principalmente pelos cenários, e é uma boa distração.



Ficha técnica:
Direção e produção: Ron Howard
Produção: Columbia Pictures / Imagine Entertainment
Distribuição: Sony Pictures
Duração: 2h02
Gêneros: Suspense / Policial
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #inferno, #DanBrown, #TomHanks, #RonHoward, #FelicityJones, #Dante Alighieri, #ADivinaComedia, #suspense, #ação, #Florença, Veneza, #Istambul, #SonyPictures, #CinemanoEscurinho

sábado, 15 de outubro de 2016

Jason Statham repete o estilo ação com tiro, porrada e bomba em filme fraco

"Assassino a Preço Fixo 2 - A Ressurreição" é cheio de clichês e cenas absurdas amenizadas por belas paisagens (Fotos: Paris Filmes/Divulgação)

Maristela Bretas


Fica a dúvida se Jason Statham não se cansa em interpretar o mesmo tipo de personagem, mesmo quando ele é o vilão. De pouca fala e sorrisos escassos, ele é aquele que bate muito e apanha às vezes, mata seus alvos como se estivesse comprando cigarro na esquina, tem pontaria certeira mas quase nunca é atingido pelas balas do inimigo e ainda "pega" belas mocinhas. Pensando bem, vida de superagente, mas sem a elegância e o charme de James Bond.

Isso importa pouco. Afinal, Statham tem um público fiel que vai ao cinema para ver exatamente tiro, porrada e bomba. E ele entrega o que é esperado em "Assassino a Preço Fixo 2 - A Ressurreição" ("Mechanic: Resurrection"). Esta continuação  da produção de 2011 tem mocinho assassino, vilão assassino, mocinha ex-agente, bandido quase bonzinho e final esperado. Nada de novo mas ninguém vai poder reclamar de pouca ação. Tem de sobra, do início ao fim.

Mas o filme é mais fraco que o primeiro, cheio de clichês e cenas absurdas, que são amenizadas, algumas vezes, pelas belas paisagens onde foi rodado - do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, a uma praia paradisíaca na Tailândia. Além de Jason Statham, o elenco principal conta ainda com Jessica Alba como a mocinha, Tommy Lee Jones, fazendo Max Adams, o chefão de uma quadrilha com visual que não tem nada a ver com ele e Sam Hazeldin como o vilão pouco convincente Riah Crain.

"Assassino a Preço Fixo 2 - A Ressurreição" tem início no Rio de Janeiro (com belas imagens de Copacabana e do Pão de Açúcar), onde Arthur Bishop (Statham) vive escondido há cinco meses. Mas o matador é descoberto por Riah Crain, um velho conhecido da época em que viveu no orfanato. Ele envia seus homens atrás de Bishop para convencê-lo a retornar à vida de assassino. Crain quer que ele elimine três pessoas que atrapalham bastante seus negócios. E exige que as mortes pareçam ser acidentais.

Bishop não aceita e consegue escapar dos capangas de Crain. Ele se esconde na Tailândia, onde conhece Gina (Jessica Alba), uma ex-agente que dá aulas para crianças cambojanas. Mas é novamente descoberto e Gina levada pelos bandidos, Agora Bishop tem apenas 36 horas para eliminar em vários pontos da terra os três alvos e salvar a mocinha. Produção para quem gosta muito dos filmes de Statham.




Ficha técnica:
Direção: Dennis Gansel
Produção: Millennium Films
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h39
Gênero: Ação
Países: França / EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 2 (0 a 5)

Tags: #assassinoaprecofixo2, #Mechanic, #JasonStatham, #JessicaAlba, #TommyLeeJones, #ação, #ParisFilmes, #CinemanoEscurinho

terça-feira, 11 de outubro de 2016

"Kóblic" traz mensagem atemporal

Filme conta o ótimo ator Ricardo Darín como um piloto das forças armadas argentinas no período da ditadura (Fotos: DeaPlaneta/Divulgação)

Patrícia Cassese


Há acontecimentos históricos que, olhados à distância, mesmo que o avanço temporal não seja tão significativo assim, não raro parecem pertencer à prateleira da ficção, tão inacreditáveis que são. Os voos da morte, um dos episódios mais absurdos - não há outra palavra -  das ditaduras implantadas no continente sul-americano, certamente pertencem a essa categoria.


E é essa prática que vem à tona em "Kóblic", filme argentino de Sebastián Borensztein que estreia nesta quinta-feira na cidade com Ricardo Darín no elenco. Produções cinematográficas do nosso país vizinho que se debruçam sobre essas "páginas infelizes da nossa história" têm sido (compreensivelmente) comuns. E pertinentes, posto que servem de alerta em tempos turbulentos, nos quais muitas vezes a razão passa para um perigoso segundo plano.

Mas é necessário frisar que o pano histórico de "Kóblic" pode ser facilmente descolado do subtexto que sublinha a narrativa. Afinal, o dilema que o personagem homônimo enfrenta é totalmente atemporal: até quando devemos dar a primazia à nossa integridade ética, moral; aos nossos princípios, quando o mundo ao redor clama pela nossa capitulação e pela adesão ao time por hora vencedor no placar? Neste ponto, o impasse no qual o piloto das forças armadas se vê pode ser aplicado a um sem número de situações - inclusive cotidianas.


Ao filme, pois - ressaltando que a compreensão gradativa da situação do personagem é atrelada, pelo diretor, à inteligência do espectador, sem que nada soe como um didatismo forçado. O personagem, um piloto das forças armadas que não teve alternativa se não conduzir um avião sobre o Rio da Prata, assistindo, estupefato, à execução do propósito de um voo da morte, tenta se refugiar no interior do país para não se coadunar com algo que violenta de forma tão acintosa suas diretrizes morais.


A vida no campo, porém, não será das mais fáceis. Contratado para supostamente pulverizar inseticida nas plantações de um fazendeiro, Tomás Kóblic logo desperta a curiosidade dos locais, que passam a  suspeitar da presença do misterioso recém-chegado. Para piorar as coisas, Kóblic acaba se envolvendo com Nancy (Inma Cuesta), uma bela mulher que toca a pequena venda e o posto de combustíveis pertencentes ao seu companheiro, um homem tosco e violento, cujo sentimento de posse pela garota (que, vamos combinar, é a cara da atriz Marieta Severo mais jovem) será devidamente explicado no desenrolar da história.



Confrontado com seu passado recentíssimo, Kóblic tem que tomar uma decisão difícil - ou melhor, várias decisões árduas e intrincadas. Para norteá-lo, contará com um pequeno objeto herdado de seu pai - objetivamente inútil para a situação na qual se encontra, mas ideologicamente carregado de significados. No fundo, o que está em cena - e repetindo o que já foi dito no início desta resenha - é o quão devemos nos opor- e até estoicamente - ao que não nos faz o menor sentido, mesmo que  a luta pareça já estar previamente vencida. Uma luta moral, enfim. Classificação: 14 anos



Tags: #koblic, #RicardoDarin, #UnmaCuesta, #OscarMartinez, #suspense, #histórico, #ditadura, #Argentina, #policial, #SebastianBorensztein, #ParisFilmes, #CinemanoEscurinho

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

"12 Horas para Sobreviver" é tendenciosamente político

"12 Horas para Sobreviver - O Ano da Eleição" é o mais fraco da franquia e explora campanha nos EUA (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)


Maristela Bretas


Poderia ser mais um filme de terror da franquia "Uma Noite de Crime" ("The Purge"), mas "12 Horas para Sobreviver - O Ano da Eleição" ("The Purge: Election Year") é um filme que explora claramente a campanha política deste ano nos Estados Unidos, sem a preocupação de ser totalmente a favor da candidata Hillary Clinton, aqui representada por Elizabeth Mitchell, que faz a senadora Charlie Rowan.

Na disputa com ela à presidência dos EUA foi colocado um pastor com o dom da palavra, papel de Kyle Secor, que explora todos os chavões e símbolos religiosos para justificar a noite de matança (ou expurgo, como eles preferem chamar) que acontece uma vez por ano.

A violência é a mesma dos filmes anteriores, em menor escala para dar mais ênfase à questão política. Enquanto a senadora Charlene é colocada como a defensora dos imigrantes, negros e mulheres, seu opositor quer acabar com todos eles e deixar o país livre do que ele e seu grupo de elite consideram como escória da sociedade.

Para isso, usam facções neonazistas e incentivam a violência das gangues, sem precisarem sujar suas mãos. Eles que se matem, ajuda a resolver a superpopulação, como deixam bem claros.  entre cabeças cortadas, tiros, serras elétricas e um bando de loucos psicopatas atacando pessoas por todo o país, com o aval do governo, claro sempre surgem aqueles contrários à Noite do Expurgo, como a senadora boazinha, que faz deste lema sua campanha.

Na história, o comerciante negro Joe Dixon, o ajudante dele, o latino Marcos, uma ex-integrante de gangue vão tentar sobreviver à terrível noite. Seus caminhos acabam cruzando com o da senadora e seu guarda costas, que está tentando escapar de ser assassinada por apoiadores de seu adversário que vão usar a Noite do Expurgo para encobrir o crime e tirá-la da disputa.

O elenco é esforçado, mas pouco conhecido, sem nomes de peso para atrair público, o que ajuda a ser menos interessante. Isso sem contar o infindável uso de chavões, clichês e símbolos nacionalistas, com direito a bandeira dos EUA tremulando no mastro ao final. Bem ao estilo de Michael Bay, que é um dos produtores.

"12 Horas para Sobreviver - O Ano da Eleição" pode frustrar   quem gosta do gênero suspense e terror - ele fica muito a dever. Ele está mais para um filme de ação (muita ação). É o mais fraco de todos da franquia.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: James Del Monaco
Produção: Universal Pictures / Brumhouse Productions / Platinum Dunes
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h49
Gêneros: Terror / Suspense / Ação
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

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sábado, 8 de outubro de 2016

Uma picante, sarcástica e pornográfica "Festa da Salsicha" imprópria para menores

Animação pode não agradar ao público mais conservador, mas provoca boas risadas (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Seth Rogen, Jonah Hill e Evan Goldberg ("É o Fim" e "Vizinhos") devem ter fumado uma tora de maconha e cheirado um quilo de sais de banho (só vendo o filme para entender) quando tiveram a ideia de criar a louca e pornográfica animação "Festa da Salsicha" ("Sausage Party"). Eles também são roteiristas e dubladores e mantêm o estilo de diálogos provocantes e desbocados de outros de seus filmes, realçando o consumo de drogas até chegar a uma "suruba" de alimentos.

Se a versão original já conta com os três criadores da ideia original, roteiristas e atores, especialistas em comédias críticas para chocar o público, a parceria da Sony Pictures com o pessoal do Porta dos Fundos só aumentou o grau de insanidade da produção. 

Engraçada, picante e de humor ácido, "Festa da Salsicha" pode não agradar ao público mais conservador, mas provoca boas risadas com seus diálogos provocativos (em todos os sentidos), bem sarcásticos e politicamente incorretos, que não se perdem na adaptação brasileira.

No Brasil, a dublagem ficou por conta de Gregorio Duvivier (Barry), João Vicente de Castro (Tequila), Antonio Tabet (Chiclete), Fábio Porchat (Twinks) e Thati Lopes (Camille), além do dublador profissional Guilherme Briggs, como Frank, cuja voz original é de Seth Rogen. 

Além de Hogen e Hill (Carl), outros famosos emprestam suas vozes aos personagens como Kristen Wiig (Brenda), Bill Hader (Tequila), Michael Cera (Barry), James Franco (Torrada), Salma Hayek (Tereza del Taco), Paul Rudd, (Nick Da Vinci), Nick Kroll (Ducha higiênica), Edward Norton (Bagel), Danny McBride (Mostarda com mel) e muitos outros. Também os diretores entraram na brincadeira e colocaram suas vozes em personagens variados: Conrad Vernon é Twinks e Greg Tiernan a batata sacrificada.

Apesar da historinha que começa em uma linda manhã no supermercado, com alimentos cantando uma música bobinha de incentivo aos alimentos, os diálogos da animação vão tomando um rumo que chegam a exagerar de tantos palavrões e ofensas.

Os humanos são vistos pelos alimentos como deuses e ser escolhido por um deles é o caminho para o paraíso. O que não suspeitam é que serão cortados, ralados, cozidos e devorados quando chegarem a suas casas. 

Quando Frank, uma salsicha, descobre a terrível verdade, precisa convencer os outros alimentos do supermercado e fazer com que eles lutem contra os humanos.

Vá ao cinema preparado para ver um filme que faz uma crítica geral a questões polêmicas da sociedade, como religião, diversidade sexual, fanatismo, bullying, drogas, sexo, tudo de forma bem escrachada, que provoca boas risadas e um surpreendente final, bem de acordo com o que foi abordado em todo o filme.



Ficha técnica:
Direção: Conrad Vernon e Greg Tiernan
Produção: Columbia Pictures /-Annapurna Pictures / Point Grey
Distribuição: Sony Pictures
Duração: 1h20
Gêneros: Comédia / Animação
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 3 (0 a 5)

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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

"O Bebê de Bridget Jones" segue o divertido estilo britânico de fazer comédia

Comédia romântica tem o trio amoroso formado por Renée Zellweger, Patrick Dempsey e Colin Firth (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


O que deveria ser o último filme da personagem Bridget Jones acabou se tornando uma chamada para uma provável quarta produção, que vai ter trabalho para superar "O Bebê de Bridget Jones" ("Bridget Jones's Baby"), tão bom ou até melhor que o primeiro, de 2001. A diretora Sharon Maguire acertou novamente a mão no humor e Renée Zellweger é a personificação de Bridget Jones. Impossível imaginar a personagem sendo interpretada por outra atriz. Diretora e atriz estão juntas, como no primeiro filme, e a química funcionou muito bem.

O que muda no novo filme é a saída do britânico Hugh Grant, que dá lugar ao charmoso americano Patrick Dempsey (o único no elenco principal), no papel de Jack Qwant. Ele irá disputar o amor de Bridget com o "ficante" que nunca assume nada Mark Darcy, interpretado por Colin Firth. Dempsey entra de sola na briga, bem ao estilo príncipe Charmain, com direito a flores, bota que serve no pé da não tão donzela, no lugar do sapatinho de cristal, e até carrega a moça no colo.

Jack é o oposto de Mark, advogado tipicamente britânico, de modos comedidos, que nunca fala sobre seu amor sempre enrustido por Bridget. E acaba sempre perdendo a amada para o primeiro boa pinta que aparece, como aconteceu nos filmes anteriores. Apesar de tudo indicar que ele iria ficar com Bridget, os dois acabam se separando, o que adia os planos da solteirona de realizar seu sonho de "felizes para sempre".

Agora, aos 40 anos, a personagem já atingiu sua independência profissional, tem novos e velhos amigos - o trio que a acompanha desde o primeiro filme. Mas estes seguiram suas vidas e conquistaram seus pares. Novamente solteirona, ela se vê comemorando sozinha o aniversário apenas com um bolo e ao som de "All By Myself". E resolve partir para o "vamo vê" e cai na farra, ficando com quem ama e com quem lhe interessa.

O que a solteirona não esperava era que o resultado de ficar com dois em um curto espaço de tempo iria acabar em gravidez. E o pior, sem saber quem é o pai - Jack ou Mark. A trama se passa toda em cima deste dilema, com os dois inicialmente sem saber um do outro e depois disputando o amor, a atenção e a paternidade da criança. As cenas mais engraçadas são as consultas com a ginecologista, a não menos divertida Emma Thompson, que também é uma das roteiristas do filme. Ela dá o toque especial ao "estado delicado" da situação.

Mas a grande estrela, como não poderia deixar de ser, é Renée Zellweger, que está ainda mais hilária e melhor neste terceiro filme. Após 15 anos, desde "O Diário de Bridget Jones", que abriu a série de filmes, ela só veio melhorando. O segundo, "Bridget Jones - No Limite da Razão" não obteve o sucesso esperado. Mais madura e quase como se ela e Bridget fosse a mesma pessoa, a atriz recupera o clássico humor britânico e garante bons momentos de diversão.

E, mesmo sem ter participado desta produção, Hugh Grant deixou sua marca e a hipótese de um quarto filme, que pode mexer novamente com a vida de todos. "O Bebê de Bridget Jones" é uma ótima comédia romântica, daquelas que você sai leve do cinema. Vale a pena conferir.




Ficha técnica:
Direção: Sharon Maguire
Produção: Miramax / Studio Canal / Universal Pictures / Working Title Films
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 2h03
Gêneros: Comédia / Romance
Países: Reino Unido / Irlanda / França / EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 3,8 (0 a 5)

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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Argentino "No Fim do Túnel" é nitroglicerina pura

Joaquín é um cadeirante recluso que descobre o plano de um assalto ao banco ao lado de sua casa (Fotos: Alejandra Saurit/Divulgação)

Patrícia Cassese


É possível que, horas depois de sair do cinema, o espectador ainda se flagre tendo a sensação de estar vendo sangue respingado por toda parte. Foi dado o aviso, pois: os mais sensíveis a carnificina estão devidamente desaconselhados a assistir a "No Fim do Túnel" ("Al Final del Tunel"), produção argentina dirigida por Rodrigo Grande que entra em cartaz na cidade.

Antes de falar sobre o filme em si, vale um adendo sobre o protagonista, Leonardo Sbaraglia, ator que vem angariando familiaridade com o público brasileiro. Para quem ainda não ligou o nome às (belas) feições, trata-se do ator que interpretou o motorista endinheirado e "cool" em um dos episódios de "Relatos Selvagens", bem como o parceiro de Carolina Dieckmann na coprodução Brasil/Argentina "O Silêncio do Céu", em cartaz nos cinemas (também na capital mineira). Também deu o ar da graça em "Plata Quemada" e em "O Que os Homens Falam", para citar outros exemplos.

Aqui, Sbaraglia dá vida a Joaquín, um homem solitário (na verdade, divide o lar com um cão idoso) e cadeirante (embora tenha preservados os movimentos corporais da cintura para cima) - as explicações para essas duas características serão dadas ao espectador mais adiante, sem pormenorizações. 

Da mesma forma, o público descobre, depois, que o personagem encontra-se em dificuldades financeiras. Não bastasse, sua casa não vê sinais de arrumação há anos, e seus dias gris são preenchidos na lida com uma parafernália eletrônica, sobre a qual ele se debruça no sombrio porão - para se locomover, há um elevador.

Um dia, Joaquín é surpreendido com a chegada, de supetão, de Berta (Clara Lago, impressionantemente parecida com a cantora mineira Verônica Mendes e também com Céu) e sua filha, Betty (a menina Uma Salduende, uma graça). Ela - uma dançarina de strip-tease - foi atraída por um anúncio que oferecia uma sublocação, mas já adentra decidida a ficar, incondicionalmente, apesar do esboço de resistência de Joaquín, que estranha ver sua intimidade invadida assim, tão abruptamente.

O que acontece na sequência está na sinopse e, portanto, não seria dar spoiler falar que certo dia, em sua habitual peregrinação pelo porão, ele ausculta um movimento no entorno com a ajuda de um estetoscópio. Instigado, resolve ir além e cava um orifício, no qual introduz uma câmara que esclarece o que de fato se passa: um grupo prepara um ousado assalto ao banco que se situa próximo às duas construções até então focadas. Para tanto, constrói um túnel: o título do filme, portanto, não é só metafórico.

O ensaio de compartilhar prontamente a descoberta com sua nova inquilina é abortado no momento em que Joaquín descobre que ela não só é cúmplice , como mantém um romance com um dos líderes da operação escusa, Galereto (Pablo Echarri). Não bastasse, sublocou o quarto para dar calço à operação, que ainda conta com o apoio de um alto figurão. O assalto está devidamente cronometrado para que a explosão que vai permitir o acesso aos cofres seja efetuada junto à queima de fogos e o período festivo que pauta o fim de ano.

A reação mais esperada seria, claro, Joaquín acionar a polícia. Mas há outros tópicos em questão - inclusive, o mistério em torno de Betty, que há dois anos resolveu cerrar a boca, ao menos no que tange a seu contato com humanos, e o motivo será uma das chaves para a mudança de comportamento de um dos personagens.

No geral, trata-se de um filme perpassado todo o tempo por um alinhavo tensional que mantém o espectador em alerta, hirto na poltrona, a 220 volts. Somado ao carisma de Sbaraglia, poderíamos dizer que, dentro dessa chave, o filme funciona a contento, e valida a experiência de ir ao cinema para além do público afeito à produção argentina tradicionalmente mais relacionada a filmes com lastro histórico ou atrelados a questões mais subjetivas, comportamentais.

Há apenas dois "detalhes" que incomodam. Um deles está ligado ao excesso de violência citado no início. Ok, talvez seja um preciosismo, visto o derramamento de sangue visto atualmente em várias séries ("Narcos", "Game of Thrones" ou mesmo "Breaking Bad"), mas há uma cena particularmente arrepiante, tal qual a do extintor de incêndio em "irreversível".

O outro fica por conta do excesso de soluções pouco críveis que emergem no roteiro para dar um alinhamento lógico ao concatenamento de ideias visado, bem como para desaguar no fecho. Pelo lado do entretenimento entrelaçado ao ensejo da tensão em modo contínuo, funciona. E muito a contento. Classificação 16 anos



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