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09 fevereiro 2026

"O Morro dos Ventos Uivantes" - fotografia exuberante para uma adaptação diferente e sexualizada

Margot Robbie e Jacob Elordi são os protagonistas dessa história de amor impossível e possessivo,
adaptada do clássico literário escrito por Emily Brontë (Fotos: Warner Bros. Pictures) 
 
 

Maristela Bretas

 
A nova versão do clássico literário "O Morro dos Ventos Uivantes" ("Wuthering Heights"), de Emily Brontë, dirigida pela vencedora do Oscar de 2021, Emerald Fennell ("Bela Vingança" - 2020) e estrelada por Margot Robbie (Catherine/Cathy Earnshaw) e Jacob Elordi (Heathcliff), tem uma belíssima fotografia, mas falha em vários quesitos

O longa, que entra em cartaz nos cinemas nesta quinta-feira (12), vem acumulando críticas das mais variadas há dois anos desde que foi anunciado, muitas delas não muito positivas. 

Especialmente pela escolha do casal e a narrativa adotada por Emerald, também roteirista, que afirmou que "estava contando a maior história de amor de todos os tempos de outra forma". 


Uma versão mais sexualizada, explorando pontos mais picantes do romance escrito em 1847 que não haviam sido abordados em outras versões. Um bom exemplo é a frase "Be with me always - take any form - drive me mad" (na tradução "Esteja sempre comigo - assuma qualquer forma - me enlouqueça"). A mudança, no entanto, pode desagradar alguns fãs do clássico.

O filme continua contando a história de Catherine/Cathy Earnshaw e Heathcliff, o órfão adotado pelo pai dela, que nutrem, desde a infância, uma louca paixão não resolvida que segue até a fase adulta. 


Mas Cathy faz de Heathcliff um brinquedo, mesmo sendo apaixonada pelo jovem, que morreria por ela. Do amor juvenil à obsessão, este romance, que se passa no século XIX, vai destruir a vida de ambos.

Ao querer uma vida de luxo e riqueza, Catherine acaba se casando com o vizinho aristocrata Edgar Linton (Shazad Latif) e afasta Heathcliff de sua vida por considerá-lo inferior. Ele vai embora e retorna tempos depois em busca de vingança contra as famílias Earnshaw e Linton. 

Sua volta, no entanto, torna a paixão do casal violenta e obsessiva, provocando o declínio de ambos e de todos ao seu redor.


A narrativa é lenta, sem brilho (exceto pelo figurino da atriz), se prende a momentos de sexo para abordar o "amor impossível" dos jovens. Com isso, deixa "buracos" que desagradam. 

Cathy é o exemplo da aristocracia vitoriana que, mesmo falida, trata Heathcliff como seu "bichinho de estimação" (palavras do pai dela no filme), apesar do amor que sente por ele, mas não assume. 

Outro furo foi o destino de Heathcliff após deixar a fazenda: ele sai da casa de Cathy na condição de empregado quase escravo, e volta rico. O que fez nesse tempo que passou longe? Como conseguiu melhorar tanto de vida? Apenas uma argola na orelha deixa a indicar que se tornou um pirata (será?). 


Margot Robbie entrega uma ótima atuação de garota mimada (quase uma "Barbie" vitoriana com trajes exóticos), mas foge completamente da idade da personagem literária, que era uma adolescente e mais nova que Heathcliff. No filme, ela aparenta ser mais velha que ele (e é, na verdade, sete anos). 

Situação semelhante à do personagem de Jacob Elordi ("Frankenstein" - 2025), que tem uma atuação mediana, sem brilho nem fúria nos olhos, mesmo nos momentos intensos de paixão desenfreada. Como em outras mais de dez adaptações do clássico, Heathcliff é branco, quando deveria ser um jovem cigano negro ou mestiço. 


O mesmo aconteceu com a versão de 1939, com Laurence Olivier e Merle Oberon, dirigida por William Wyller. Não foi a primeira para o cinema, mas é a mais famosa e faturou o Oscar daquele ano como Melhor Fotografia/Preto e Branco. 

Se Emerald Fennell depender da fotografia, o Oscar pode vir e será muito merecido. O excelente trabalho com as imagens envolve e segura o filme, especialmente nos cenários abertos. 

Algumas cenas poderiam ser menores, ficam cansativas às vezes e esticam o filme para uma duração de 2h16 desnecessária pela abordagem adotada.


O elenco coadjuvante entrega boas atuações, especialmente Hong Chau, como Nelly Dean, governanta de Cathy. Assim como os jovens Owen Cooper (da série "Adolescência" - 2025) e Charlotte Mellington, que interpretam Heathcliff e Catherine jovens, Alison Oliver, como Isabella Linton, e Martin Clunes, como o pai de Cathy.

Já a trilha sonora original apresenta 12 músicas de Charli XCX com estilos bem provocativos e sensuais, como a dark "House", em parceria de John Cale, a potente "Chains of Love" e a envolvente "Wall of Sound", tocada em momentos especiais dos protagonistas.

"O Morro dos Ventos Uivantes" é um romance dramático que atravessa gerações atraindo milhares de seguidores que ainda vêm na obra escrita por Emily Brontë um modelo de amor impossível que só aumentou com o passar dos anos.


Se escrito hoje seria tema de discussões acaloradas pela relação passional e tóxica, marcada por violência, ciúme, racismo e diferença de classes sociais. E como no filme, só poderia acabar em tragédia. 

Agora é saber se o orçamento de US$ 80 milhões dessa nova adaptação será compensado pela bilheteria, garantindo mais um sucesso para a diretora. Especialmente porque a produtora LuckyChap, da atriz Margot Robbie, recusou uma oferta de US$ 150 milhões feita pela Netflix para que o longa fosse lançado nos cinemas em vez de ir direto para o streaming.

Particularmente, a fotografia foi o que mais me agradou. Assista e comente aqui o que achou.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Emerald Fennell
Produção: Media Rights Capital (MRC), LuckyChap Entertainment, Lie Still
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h16
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: drama, romance