22 janeiro 2026

"Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno" decepciona ao tentar reproduzir famosa franquia

Longa novamente dirigido por Christophe Gans é uma adaptação do videogame "Silent Hill 2"
(Fotos: Paris Filmes)
 
 

Maristela Bretas


"Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno" ("Return To Silent Hill") estreia nesta quinta-feira nos cinemas tentando ressuscitar o prestígio de uma das franquias mais cultuadas do terror psicológico, mas acaba entregando um retorno decepcionante. 

Dirigido novamente por Christophe Gans, o longa é uma adaptação de "Silent Hill 2", um dos jogos mais aclamados da série, porém com menos impacto, menos personalidade e muito mais problemas. Até oferece um susto ou outro nos primeiros 10 minutos e mais nada.


A história acompanha James (Jeremy Irvine, de "Mamma Mia 2" - 2018), um pintor atormentado que recebe uma carta misteriosa de Mary (Hannah Emily Anderson), seu amor perdido após a separação, pedindo que ele retorne à estranha cidade de Silent Hill para um possível reencontro. 

O que ele encontra, no entanto, é uma cidade devastada por um incêndio, tomada por névoa e lembranças fragmentadas de uma comunidade tão bizarra quanto ameaçadora. Conforme James revisita memórias de seu passado com Mary, figuras tenebrosas começam a surgir, colocando sua sanidade mental à prova.


Entre essas presenças está o icônico Piramidy Head, vivido novamente por Robert Strange, uma das poucas conexões diretas com o imaginário dos jogos da Konami e do filme original. 

Também chama atenção a presença da jovem Eve Templeton, embora sua personagem seja pouco explorada pelo roteiro. Infelizmente, mesmo com elementos reconhecíveis para os fãs, o filme falha em construir tensão verdadeira ou aprofundar seus personagens.


Apesar de tentar se aproximar mais da estética e da mitologia da famosa série de videogames Silent Hill, o longa entrega uma versão diluída e confusa desse universo.

O terror psicológico dá lugar a cenas repetitivas e previsíveis, que apostam mais em criaturas grotescas do que em atmosfera. A direção de Gans parece presa ao passado, reciclando ideias sem o mesmo cuidado ou impacto visual que marcaram a série de videogames.


O roteiro, por sua vez, se perde em explicações vagas e revelações sem peso emocional. O drama de James nunca se desenvolve plenamente, e sua jornada entre culpa, amor e trauma não encontra força suficiente para envolver o espectador. O resultado é um filme que parece sempre à beira de algo interessante, mas nunca chega lá.

No fim, “Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” soa como uma continuação desnecessária. Ao tentar agradar fãs dos jogos e do primeiro longa, acaba entregando uma experiência inferior, esquecível e sem o impacto psicológico que tornou Silent Hill um nome tão marcante no terror. 

Um retorno que confirma que algumas portas talvez devessem permanecer fechadas.


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Christophe Gans
Produção: Davis Films, em parceria com Electric Shadow
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h46
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gênero: terror

Deu Brasil cinco vezes indicado ao Oscar 2026

(Crédito: CinemaScopio Produções)
 
 

Maristela Bretas


"O Agente Secreto" faz história novamente ao receber quatro indicações ao Oscar 2026. O filme brasileiro vai disputar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator para Wagner Moura, e Melhor Direção de Elenco. 

Depois de faturar o Globo de Ouro como Melhor Filme de Língua Não-Inglesa e Melhor Ator, o longa dirigido por Kleber Mendonça Filho se equipara a "Cidade de Deus", que também recebeu este número em 2004.

A quinta indicação de um brasileiro foi para Adolpho Veloso como Melhor Fotografia por seu trabalho em "Sonhos de Trem", produzido pela Netflix. Ele já havia sido premiado como Melhor Diretor de Fotografia na Los Angeles Film Critics Association, em 2025, e no Critics Choice Awards 2026 por esta produção, que é concorrente de "O Agente Secreto" na categoria de Melhor Filme.


Os demais indicados ao Oscar deste ano são "Pecadores", com direção de Ryan Coogler, que recebeu 16 indicações, batendo recorde do Oscar: Melhor Filme, Direção, Ator, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Fotografia, Efeitos Visuais, Som, Montagem, Direção de Arte, Canção Original, Figurino, Direção de Elenco, Roteiro Original, Trilha Sonora Original e Maquiagem e Cabelo.

Na sequência, o filme dirigido por Paul Thomas Anderson, "Uma Batalha Após a Outra, teve 13 indicações. "Frankenstein", "Marty Supreme" e "Valor Sentimental" tiveram nove cada, e "Hamnet" - A Vida Antes de Hamlet", indicado em oito categorias.


A cerimônia de entrega da 98ª edição do Oscar será realizada no dia 15 de março, em Los Angeles (EUA).