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07 maio 2026

“Mortal Kombat 2” entrega lutas brutais e nostalgia gamer sem pedir desculpas

Sequência traz Karl Urban no papel de Johnny Cage, personagem conhecido da franquia que foi resgatado
pelo novo roteirista (Fotos: New Line Cinema)
 
 

Maristela Bretas

 
Passados cinco anos desde o lançamento do primeiro filme, estreia nesta quinta-feira nos cinemas Mortal Kombat 2, sequência feita sob medida para agradar aos fãs da clássica franquia dos videogames. E ela sabe exatamente o que quer entregar: violência exagerada, nostalgia e lutas coreografadas como se o controle estivesse nas mãos do público.

Desta vez, o protagonismo sai de cena para dar espaço ao ex-lutador e ator decadente Johnny Cage, vivido por Karl Urban. Mesmo em baixa na carreira, Cage é convocado para integrar os guerreiros da Terra na batalha final contra o impiedoso Shao Kahn, interpretado por Martyn Ford, que ameaça destruir o Reino da Terra e escravizar seus habitantes.


Personagem clássico dos games, Johnny Cage foi resgatado pelo novo roteirista, Jeremy Slater, que substituiu a dupla Dave Callaham e Greg Russo, responsável pelo longa de 2021 (disponível no HBO Max). A mudança funciona muito bem. 

Cage mantém o perfil debochado, arrogante e narcisista dos games, sempre se achando o homem mais bonito do grupo, mas que faz de tudo para escapar da pancadaria.

A valentia só aparece quando perde de seus inseparáveis óculos escuros de astro dos anos 1990. Karl Urban entende perfeitamente o tom do personagem e transforma Cage no grande alívio cômico do filme. 


Seus comentários absurdos arrancam risadas constantes, inclusive dos próprios companheiros de equipe, que frequentemente parecem tão incrédulos quanto o público diante das besteiras que ele fala.

A trama começa após Shao Kahn conquistar dois reinos. Agora, o Reino da Terra é o próximo alvo. Para dominar tudo, porém, ele precisa vencer o torneio Mortal Kombat contra os guardiões liderados por Raiden e reforçados pelo imprevisível Johnny Cage.

Além de Urban, o elenco ganha duas novidades importantes: Adeline Rudolph, como a princesa Kitana, e Tati Gabrielle, no papel de Jade, guerreira fiel ao exército de Shao Kahn. Até mesmo Ed Boon cocriador do game, faz uma rápida participação para agradar aos fãs mais atentos.


O diretor Simon McQuoid também retorna, acompanhado de boa parte do elenco do primeiro longa: Lewis Tan (Cole Young), Tadanobu Asano (Lord Raiden), Hiroyuki Sanada (Hanzo Hasashi/Scorpion), Joe Taslim (Bi-Han/Sub-Zero), Jessica McNamee (Sonya Blade), Josh Lawson (Kano), Ludi Lin (Liu Kang), Mehcad Brooks (Jax), Damon Herriman (Quan Chi), Chin Han (Shang Tsung), Desmond Chiam (Rei Jerrod, entre outros.

E ninguém deve se apegar demais às mortes do filme anterior. Assim como nos jogos, personagens ressuscitam sem cerimônia — embora nem todos retornem do lado certo da luta.


O sangue continua sendo protagonista absoluto. Decapitações, corpos esmagados, crânios destruídos e litros de violência gráfica transformam “Mortal Kombat 2” em um dos filmes mais brutais inspirados em videogames dos últimos tempos. 

Ainda assim, o longa encontra espaço para equilibrar o exagero com humor e fan service. As cenas de luta são o grande destaque. Coreografadas com precisão quase cirúrgica, elas reproduzem movimentos clássicos dos games e evocam a nostalgia dos fliperamas para quem cresceu nos anos 1990 tentando decorar fatalidades.


Simon McQuoid também aproveita muito bem os recursos de IMAX, principalmente no desenho de som e nos efeitos visuais. Há detalhes escondidos em cenários, golpes e enquadramentos que os jogadores mais antigos certamente vão identificar antes mesmo da batalha final começar. E, claro, a icônica música-tema da franquia aparece no momento certo para incendiar a sessão.

“Mortal Kombat 2” não está preocupado em construir uma narrativa complexa ou profunda. Sua missão é entregar entretenimento barulhento, violento e nostálgico — e nisso o filme acerta em cheio.

A franquia, aliás, está longe de terminar. Os produtores já confirmaram o desenvolvimento do terceiro longa, mantendo diretor e roteirista. Agora resta esperar pelo próximo round. Confira o filme e comente aqui o que achou.


Ficha técnica:
Direção:
Simon McQuoid
Roteiro: Jeremy Slater
Produção: New Line Cinema e Broken Road Productions
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h56
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: aventura, ação

22 janeiro 2026

"Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno" decepciona ao tentar reproduzir famosa franquia

Longa novamente dirigido por Christophe Gans é uma adaptação do videogame "Silent Hill 2"
(Fotos: Paris Filmes)
 
 

Maristela Bretas


"Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno" ("Return To Silent Hill") estreia nesta quinta-feira nos cinemas tentando ressuscitar o prestígio de uma das franquias mais cultuadas do terror psicológico, mas acaba entregando um retorno decepcionante. 

Dirigido novamente por Christophe Gans, o longa é uma adaptação de "Silent Hill 2", um dos jogos mais aclamados da série, porém com menos impacto, menos personalidade e muito mais problemas. Até oferece um susto ou outro nos primeiros 10 minutos e mais nada.


A história acompanha James (Jeremy Irvine, de "Mamma Mia 2" - 2018), um pintor atormentado que recebe uma carta misteriosa de Mary (Hannah Emily Anderson), seu amor perdido após a separação, pedindo que ele retorne à estranha cidade de Silent Hill para um possível reencontro. 

O que ele encontra, no entanto, é uma cidade devastada por um incêndio, tomada por névoa e lembranças fragmentadas de uma comunidade tão bizarra quanto ameaçadora. Conforme James revisita memórias de seu passado com Mary, figuras tenebrosas começam a surgir, colocando sua sanidade mental à prova.


Entre essas presenças está o icônico Piramidy Head, vivido novamente por Robert Strange, uma das poucas conexões diretas com o imaginário dos jogos da Konami e do filme original. 

Também chama atenção a presença da jovem Eve Templeton, embora sua personagem seja pouco explorada pelo roteiro. Infelizmente, mesmo com elementos reconhecíveis para os fãs, o filme falha em construir tensão verdadeira ou aprofundar seus personagens.


Apesar de tentar se aproximar mais da estética e da mitologia da famosa série de videogames Silent Hill, o longa entrega uma versão diluída e confusa desse universo.

O terror psicológico dá lugar a cenas repetitivas e previsíveis, que apostam mais em criaturas grotescas do que em atmosfera. A direção de Gans parece presa ao passado, reciclando ideias sem o mesmo cuidado ou impacto visual que marcaram a série de videogames.


O roteiro, por sua vez, se perde em explicações vagas e revelações sem peso emocional. O drama de James nunca se desenvolve plenamente, e sua jornada entre culpa, amor e trauma não encontra força suficiente para envolver o espectador. O resultado é um filme que parece sempre à beira de algo interessante, mas nunca chega lá.

No fim, “Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” soa como uma continuação desnecessária. Ao tentar agradar fãs dos jogos e do primeiro longa, acaba entregando uma experiência inferior, esquecível e sem o impacto psicológico que tornou Silent Hill um nome tão marcante no terror. 

Um retorno que confirma que algumas portas talvez devessem permanecer fechadas.


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Christophe Gans
Produção: Davis Films, em parceria com Electric Shadow
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h46
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gênero: terror

26 outubro 2023

"Five Nights At Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim", um terror que não dá medo nem assusta

Filme é baseado no videogame criado por Scott Cawthon em 2014, que fez sucesso entre adolescentes
(Fotos: Universal Pictures)


Maristela Bretas


Uma pizzaria abandonada, um agenciador de empregos suspeito, bonecos animatrônicos que ganham vida e um desempregado desesperado para conseguir uns trocados. Tem de tudo um pouco em "Five Nights At Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim", menos terror e suspense. O longa, que entrou em cartaz nos cinemas brasileiros, apesar da expectativa pode decepcionar. Não causa medo nem assusta.


A narrativa, que tinha tudo para ser um sucesso como o sinistro videogame criado por Scott Cawthon em 2014, tem um roteiro fraco, que derruba a trama logo no início, deixando claro quem é o vilão e qual rumo a história irá tomar. 

O enredo está mais preocupado em explorar um drama familiar e perde o foco de assustar o espectador que foi ao cinema em busca de um bom terror, recheado de perseguições num ambiente sombrio. Até mesmo quem nunca teve contato com a famosa série de jogos que conquistou centenas de fãs adolescentes vai perceber claramente os clichês. 


O ponto positivo e de destaque do filme são os bonecos mecânicos, criados pela Creature Shop, de Jim Henson, que seguem o visual do game e deixaram os personagens mais reais.

Freddy (o urso que dá nome ao lugar), Chica (que parece um canário), Cupcake (um doce), Foxy (o lobo caolho) e Bonnie (a coelha) estão muito bons e chegam a ser até fofinhos, apesar de destruídos pelo abandono. Afinal, um dia eles foram a alegria da criançada no local. Mas a trama perde ao tirar o forte do jogo que é a caçada dos bonecos às pessoas que estão dentro da pizzaria. 

Outro ponto favorável é a ambientação escura e decadente da pizzaria, com luzes piscando e objetos inanimados e mobiliário encostados nos cantos. Isso ajudou a dar o aspecto sombrio que o lugar exigia, além da boa trilha sonora adequada.


O filme acompanha Mike Schmidt (papel de Josh Hutcherson, da franquia "Jogos Vorazes"), um rapaz problemático que não consegue parar em emprego nenhum. No desespero para pagar as contas e sustentar a irmã, ele aceita a proposta de Steve Raglan (Matthew Lillard, o Salsicha do filme "Scooby-Doo") para trabalhar por cinco noites como segurança da abandonada Pizzaria Freddy Fazbear. 

Já no primeiro dia, ele percebe que o turno da noite no Freddy's não será tão fácil assim e vai precisar contar com a ajuda da policial Vanessa (Elizabeth Lail, da série "Once Upon a Time") para entender o que acontece na pizzaria. 

Para piorar, sua irmã Abby (Piper Rubio) tem uma forte ligação com os bonecos. Exceto pela veterana Mary Stuart Masterson, como a tia de Mike, o restante do elenco é formado por atores e atrizes desconhecidos.


Mesmo sendo produzido pela Blumhouse, responsável por ótimos longas de terror, como "M3GAN" (2023), "O Telefone Preto" (2022) e "O Homem Invisível" (2020), a adaptação para as telonas de "Five Nights At Freddy’s - O Pesadelo sem Fim" ficou a desejar e perdeu a chance de ser um dos sucessos deste ano.  

Fica a dica: não saia antes da meteórica cena pós-crédito, que reforça a possibilidade de uma sequência, ainda tentando aproveitar o sucesso da franquia do videogame.


Ficha técnica:
Direção: Emma Tammi
Produção: Blumhouse Productions e Vertigo Entertainment
Distribuição: Universal Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h50
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: suspense, terror

20 agosto 2023

Pise fundo, foi dada a largada para a estreia de "Gran Turismo" nos cinemas

Archie Madekwe vive o jogador de videogame Jann Mardenborough que se tornou piloto profissional
(Fotos: Sony Pictures)


Maristela Bretas


"Acelerar, acelerar". Até parece Relâmpago McQueen se preparando para uma corrida. Mas a adrenalina que vai contagiar o expectador é de “Gran Turismo - De Jogador a Corredor" ("Gran Turismo: Based On a True Story"), filme que estreia nesta quinta-feira (24) nos cinemas com a promessa de ser um dos melhores lançamentos do ano de simulador de corrida baseado em fatos. Algumas salas já estão com exibição antecipadas.

Um presente para quem curte carros, roncos de motores possantes, grandes e conhecidos circuitos de corrida. "Gran Turismo" conta a história do jogador de videogame Jann Mardenborough (o britânico Archie Madekwe, de "Agente Stone" - 2023). 

Suas habilidades impressionantes com o simulador de corrida da PlayStation o levam a ser escolhido para disputar uma série de competições pela equipe Nissan e se tornar um verdadeiro piloto profissional. 


Além de mostrar grandes circuitos de Fórmula 1 conhecidos pelos aficionados - como Nürburgring e Hockenheimer (Alemanha) e Silverstone (Inglaterra) -, o longa alfineta o jogo de interesses que corre por trás dos boxes e nas pistas. Sem contar os riscos a cada curva ou lombada para quem não tem a experiência real de pilotar, como no acidente de Jann.

As cenas de ação contaram com um uso menor de computação gráfica, o que exigiu maior preparo do elenco, mas deixou o filme mais realista. Os efeitos visuais funcionam perfeitamente como no game, às vezes fica difícil diferenciar realidade da simulação nas corridas. O formato IMAX é bem explorado, especialmente nos acidentes e nas competições.


Archie Madekwe está muito bem no papel de Jann Mardenborough, que também participa da produção como dublê do ator quando ele está correndo. 

Destaque também para o talentoso e sempre simpático, mesmo quando tenta ser mal-humorado, David Harbour ("Stranger Things" - 2022 e "Noite Infeliz" - 2022) como Jack Salter, chefe de equipe que treina Jann. A sintonia entre os dois atores funciona muito bem.

Claro que, como uma história baseada em fatos reais, não poderia faltar a parte emocional. Essa fica por conta da relação de Jann com Jack e a família, especialmente com o pai, interpretado pelo ótimo Djimon Hounsou ("Shazam! Fúria dos Deuses" - 2023). Ele é Steve, o cara pé no chão que não acredita no sonho impossível do filho. 


Temos ainda Orlando Bloom ("Piratas do Caribe - A Vingança de Salazar" - 2017) que entrega o convincente Danny Moore, responsável pelo marketing da escuderia. É dele a ideia de criar o torneio da GT Academy para escolher o melhor jogador de Gran Turismo que será treinado para se tornar um piloto profissional.

Até mesmo o elenco de apoio, que conta com jovens atores como Darren Barnet (o piloto Matty Davis, da equipe de Jann) e Josha Stradowski (o piloto Nicholas Capa, da equipe rival, que dirige a maravilhosa Lamborghini Huracan STO dourada), funciona bem.

O verdadeiro Jann Mardenborough (Divulgação)

O longa não é nada discreto quanto à publicidade. A começar pela própria Nissan, que é a fabricante japonesa do GT-R Nismo dirigido por Jann, e a Playstation, responsável pelo game - não teria como contar a história sem falar dessas duas marcas. 

Temos também a Red Bull, cujo circuito é mostrado em destaque, com longas imagens, inclusive aéreas. O filme conta ainda com a participação de Geri Halliwell, uma das Spice Girls atacando aqui de atriz, no papel da mãe de Jann. Na vida real, ela é esposa de Christian Horner, chefão da escuderia.


Carros e velocidade

Já vimos inúmeras produções sobre corridas que se tornaram referências no gênero, alguns bons, outros nem tanto. Confira alguns abaixo e onde estão sendo exibidos:
- "Ford vs Ferrari" (2019 - Star+);
- "Rush - No Limite da Emoção” (2013 - Netflix);
- "Velozes e Furiosos" (franquia iniciada em 2001- Telecine);
- "Herbie - Se Meu Fusca Falasse (2005 - Disney+);
- "Senna" (2010 - para alugar em plataformas de streaming);
- “Need For Speed - O Filme” (2014 - Disney+);
- "Dias de Trovão" (1990 - Globoplay e Youtube) e muitos outros.


Sem contar animações como "Carros" (2006, em exibição na Disney+); "Turbo" (2013 - Globoplay) e as antigas séries de TV, "Corrida Maluca" (1968 - HBO Max) - como esquecer de Dick Vigarista, Mutley e Penélope Charmosa - e "Speed Racer" (1967 - Prime Vídeo), que em 2008 ganhou uma versão para cinema (HBO Max).

Mas o que importa mesmo em todas produções sobre corridas é a adrenalina e o prazer que elas proporcionam a quem assiste (e gosta). Essas sensações são bem fortes em "Gran Turismo", exatamente por focar nas disputas e nos acidentes, que são inevitáveis e marcaram a carreira do jovem piloto. 

Fica a dica: se você gosta de carros e corrida, corra para o cinema e garanta seu ingresso para conferir este lançamento da Sony Pictures.


Ficha técnica:
Direção: Neill Blomkamp
Produção e distribuição: Sony Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h14
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: ação, drama, corrida

24 abril 2023

“Nintendo e Eu” é uma comédia dramática de amizade, amadurecimento e videogame

Produção filipina é uma viagem no tempo que serve de referência para gerações futuras (Fotos: Pandora Filmes/Divulgação)


Eduardo Jr.


Os entusiastas e saudosistas dos videogames dos anos 1990 provavelmente ficarão curiosos ao se deparar com o título do novo filme do diretor filipino Raya Martin, “Nintendo e Eu” que chega aos cinemas nesta quinta-feira (27), distribuído pela Pandora Filmes.

O console japonês que foi uma febre 30 anos atrás funciona como elemento condutor no longa e provoca resgates afetivos no público. Muito semelhante ao que está acontecendo com "Super Mário Bros - O Filme", que está arrastando pais e filhos aos cinemas. 


O longa filipino é apenas uma metáfora na história de amizade, amor e descobertas. O que de fato se acompanha na telona é a evolução de um grupo de amigos na década de 90, quando começam a deixar a infância pra trás. 

O título original, “Death of Nintendo”, deixa um pouco mais explícita a proposta do roteiro.


Embora seja uma produção das Filipinas, é fácil identificar a cultura norte-americana entranhada na vida desses jovens. Percebe-se o efeito da globalização também na semelhança de “Nintendo e Eu” com outras produções de Hollywood. 

Entre as que estão mais frescas na memória do público vale citar “Stranger Things”, que também apresenta um grupo de adolescentes não muito populares buscando se afirmar no mundo. 


A referência para o diretor vem de outra produção - “Conta Comigo” (1986), que apresenta quatro garotos em busca de aventura e amadurecimento. Assim como no longa dos anos 1980, o filme de Martin também traz na receita amizade, questões familiares e dilemas juvenis. 

A diferença está na composição do grupo. Na produção filipina, uma menina integra o quarteto, e é por meio dessa personagem que a trama ganha "toques" de romance, reflexões sobre desigualdade e questões de gênero. 


Em “Nintendo e Eu”, uma série de terremotos leva à erupção do vulcão Pinatubo, deixando o país sem energia elétrica. Sem o refúgio dos jogos na televisão de tubo, o protagonista Paolo (Noel Comia Jr.) precisa sair de casa. 

É junto dos melhores amigos (e longe da mãe superprotetora) que ele percebe alguns dos dilemas da adolescência e da vida. 

A partir daí, o videogame fica em segundo plano. Apenas as músicas que remetem aos jogos surgem para trazer uma aura de comédia a algumas cenas. 


Assim como em “Conta Comigo”, os personagens de “Nintendo e Eu” também são carentes de uma figura paterna, são filhos de mães solo. Precisam encontrar, sozinhos, respostas sobre sexualidade, coragem e autoconhecimento. 

A leveza do filme está garantida por ser fácil se identificar com as situações vividas pelos adolescentes. 

E também pelos rituais de quem consumiu os games e a cultura dos anos 90, como este que vos fala (atire a primeira pedra quem nunca soprou um cartucho de videogame para que ele funcionasse!). 


Raya Martin nos propõe uma viagem no tempo, tanto pela estética como pelas referências a personalidades e à cultura da época. E vai além, ao mostrar para a geração atual que situações vividas hoje são repetições de décadas atrás, e não mistérios sem solução. 

Em entrevista, o diretor explicou que o visual do filme é, ao mesmo tempo, uma homenagem e um resgate da estética dos anos de 1990, especialmente, dos filmes. "Existe um balanço entre a artificialidade daquela década, mas também a luz natural, muito usada pelo diretor de fotografia Ante Cheng".


“Nintendo e Eu” é uma obra que flerta com o drama e com a comédia, que deixa uma ponta solta no final, mas diverte e tem potencial de fazer o público de +35 lembrar com carinho do passado. 

E refletir que, na vida, o que parece ser "game over" pode ser apenas o "restart" para uma oportunidade de renovação.  


Ficha técnica:
Direção: Raya Martin
Produção: Black Sheep
Distribuição: Pandora Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h39
Classificação: 12 anos
Países: Filipinas, EUA, Singapura
Gêneros: drama, comédia

10 abril 2023

"Dungeons & Dragons - Honra entre Rebeldes" acerta na adaptação do melhor RPG para o cinema

Longa tem ação, aventura e diversão garantidas em meio a batalhas com monstros, dragões e heróis medievais (Fotos: Paramount Pictures)


Maristela Bretas


Mais uma investida em um famoso jogo. Desta vez, a aposta acertada é "Dungeons & Dragons - Honra entre Rebeldes" ("Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves"), adaptação do famoso RPG de mesa que foi sucesso nos anos de 1970. 

Depois de "Super Mario Bros - O Filme", que está liderando as bilheterias de cinemas, “D&D”, como é mais conhecido, estreia nesta quinta-feira (13) com um elenco de peso e a reprodução fiel ao game, com muita ação, aventura e diversão.


Alguns fãs do jogo estão considerando o longa como o retorno ao RPG raiz. Uma aventura hilária e repleta de monstros, dragões, elfos, anões e criaturas fantásticas características do RPG. 

Até mesmo personagens de "Caverna do Dragão" aparecem no filme. Sem contar Bradley Cooper fazendo uma ponta como um anão.


A parte cômica fica para o protagonista Chris Pine ("Star Trek: Sem Fronteiras" - 2016 e "Mulher Maravilha 1984" - 2020,) como o bardo Edgin. Ele é um trapaceiro cheio de grandes e desastrosos planos que tem em Holga (Michelle Rodriguez, da franquia "Velozes e Furiosos") sua fiel aliada e guerreira boa de briga.

Como bons trambiqueiros, eles se metem numa grande encrenca após aceitarem um serviço com o antigo parceiro, Forge (Hugh Grant ("Glass Onion: Um Mistério Knives Out" - 2022). E acabam caindo numa cilada. 


Agora precisam juntar um grupo de aventureiros para recuperarem uma relíquia mágica, capaz de ressuscitar a esposa de Edgin e resgatar a filha dele, Kira (Chloe Coleman). 

Ambos estão em poder do agora lorde Forge, que domina o reino com seu exército e a ajuda da poderosa feiticeira Sofina (Daisy Head). 


Pelo caminho, a dupla recruta o mago Simon (Justice Smith, de "Jurassic World: Domínio" - 2022) e a druidesa Doric (Sophia Lillis, de "It - A Coisa" - 2017 e "It - Capítulo 2" - 2019). Não podia faltar o paladino Xenk, interpretado por Regé-Jean Page (série "Bridgerton" - 2021). 

Para quem nunca jogou, "Dungeons & Dragons" é um RPG com características da época medieval. Nas batalhas temos cavaleiros, espadas, lanças e exércitos de mortais e monstros.  

Mas também há uma poderosa disputa de magia quando entram em cena o mago e os feiticeiros do mal. Tudo isso com muito uso de CGI e efeitos visuais, que ajudam a entregar uma ótima produção.


Além da parte técnica temos diálogos divertidos, tanto entre Edgin e Xenk, membros de grupos inimigos, quanto entre o trapaceiro e Forge. O filme garante boas risadas, até pelas situações criadas, mesmo quando nossos aventureiros estão em perigo.

A boa trilha sonora, entregue ao compositor Lorne Balfe, responsável pelas músicas de filmes como "Missão Impossível: Efeito Fallout" (2018) e "Adão Negro" (2022), completa o conjunto da obra.


"Dungeons & Dragons - Honra entre Rebeldes" vai despertar o saudosismo nos antigos jogadores de RPG. E pode atrair novos fãs, mesmo que por meio do cinema e possíveis continuações. 

É diversão garantida para quem gosta de um bom blockbuster de ação e aventura. Até mesmo para quem nunca jogou o mais famoso game de contação de histórias.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Jonathan Goldstein (XII) e John Francis Daley
Produção: Paramount Pictures
Distribuição: Paramount Pictures Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h14
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: fantasia, aventura, ação

05 abril 2023

"Super Mario Bros: O Filme" é uma divertida volta à infância para matar saudade

Um dos personagens mais famosos dos videogames ganha sua própria aventura no cinema ao lado do irmão (Créditos: Illumination e Universal Pictures)


Maristela Bretas


Até o momento, a mais divertida animação do ano. Acho que essa é a melhor definição para "Super Mario Bros - O Filme", que estreia nesta quinta-feira nos cinemas, nas versões dublada e legendada, inclusive no formato Imax. 

Merece ser assistida especialmente por aqueles que um dia jogaram os videogames deste baixinho invocado de bigode, macacão e boné vermelhos e sua turma. 

Uma ótima diversão para todas as idades. Dá vontade de chegar em casa e pegar o Nintendo para matar a saudade. Uma grande jogada de marketing da fabricante do game.


A produção tem a participação de Shigeru Miyamoto, criador do personagem, e Chris Meledandri, fundador da Illumination (estúdio responsável pela franquia "Meu Malvado Favorito - 1 a 3", "Minions"- 2015 e "Minions 2: A Origem de Gru" - 2022).
 
Com 92 minutos de duração, o filme apresenta bem os principais personagens dos jogos, especialmente Mario. Entrega uma história que permite, até mesmo quem nunca jogou os games do herói e suas variações, entender a importância de cada um.


Em "Super Mario Bros: O Filme" temos o protagonista, um ítalo-americano baixinho que nunca desiste de uma tarefa. Com ele são apresentados também o irmão Luigi, a princesa Peach, o pequeno cogumelo Toad, o gorilão marrento Donkey Kong e o vilão apaixonado Bowser.

Os irmãos montam seu próprio negócio de conserto de encanamento no bairro do Brooklyn, em Nova York, onde vivem com a família. Um acidente acaba levando os dois para um outro mundo, separando-os em reinos diferentes. 


Mario vai para o Reino dos Cogumelos (vegetal que ele detesta comer), um lugar muito colorido, cheio de criaturas fofinhas, comandado pela Princesa Peach. Lá ele conhece também o falante Toad. 

Luigi dá azar e cai no Reino das Sombras e acaba preso por Bowser. Com seu exército de Koopas, o vilão quer dominar todos os reinos, especialmente o de Peach. Para impedi-lo, a princesa se une a Mario e Toad e vai em busca de ajuda no Reino dos Gorilas, onde estão os maiores e mais fortes guerreiros.


Para quem jogou Mario, a história não tem nenhuma novidade. Mas quando colocada numa tela grande, especialmente em Imax, ela fica muito especial. Como se a plateia estivesse jogando Mario Kart ou outro videogame do herói. Uma viagem ao passado.

A trilha sonora é bem variada e adequada a cada momento completa a ação. Claro que as músicas e sons oficiais dos games estão lá, mas temos também A-Ha e AC/DC.


Na versão original, as vozes dos dubladores são tão famosas quanto seus personagens: Chris Pratt (Mario), Jack Black (Bowser), Anna Taylor-Joy (Princesa Peach), Charlie Day (Luigi), Seth Rogen (Donkey Kong) e Keegan-Michael Key (Toad).

Mas o elenco de dubladores brasileiros supera as vozes originais e encantou fãs e produtores. Raphael Rossatto faz a voz de Mario; Carina Eiras é Peach; Manolo Rey (Luigi); Marcio Dondi (Bowser); Eduardo Drummond (Toad); Pedro Azevedo (Donkey Kong); Leo Rabelo (Rei Cranky Kong) e Rodrigo Oliveira (o mágico Kamek).


Se já não bastasse a dublagem, ainda temos cenários perfeitos, como um grande game, seguindo fiel as artes da Nintendo. O diretor ainda insere personagens conhecidos de outros games, como Donkey Kong. E ainda brinca com easter eggs e referências a séries como "Round 6". 

É ação do início ao fim, com muita aventura e diálogos divertidos. Imperdível para quem curte videogames e também quer um bom programa em família ou com amigos. Agora é esperar a continuação, anunciada nas duas cenas pós-créditos. 


Ficha técnica:
Direção: Aaron Horvath e Michael Jelenic
Produção: Nintendo, Illumination Entertainment, Universal Pictures
Distribuição: Universal Pictures Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h32
Classificação: livre
País: EUA
Gêneros: animação, família, aventura, comédia, ação

18 fevereiro 2022

Em "Uncharted: Fora do Mapa", Tom Holland se dá bem como herói de videogame no estilo Indiana Jones

Produção traz muita ação e abre espaço para outros filmes com o personagem Nathan Drake (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)


Maristela Bretas


Cada vez mais versátil, o ator Tom Holland ("Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa" - 2021) agora encarna uma versão jovem de Indiana Jones na caçada a um tesouro de US$ 5 bilhões. Ele é Nathan (Nate) Drake, o herói de "Uncharted: Fora do Mapa" ("Uncharted: Drake's Fortune"), em cartaz nos cinemas.

Ao lado de Holland está outro conhecido por filmes de muita ação - Mark Wahlberg (de "Transformers - A Era da Extinção" - 2014 e "Infinito" - 2021). Ele interpreta o canastrão Victor "Sully" Sullivan, um ladrão de antiguidades que está atrás das mesmas relíquias de Drake. Mesmo mantendo o estilo de sempre de outras produções, Wahlberg forma uma boa dupla com o herói e convence. 


A produção tem muita ação e aventura do início ao fim, com Nate despencando de um avião, sem paraquedas, ficando pendurado em castiçais ou perseguindo mocinhas em telhados de prédios. Holland está "bombadinho" e mostra boa forma física e mais segurança na interpretação. 

Graças especialmente ao seu papel de super-herói "amigo da vizinhança" e às participações no Universo Marvel. Além não perder a simpatia e o carisma de outros filmes em que participou e que são características do personagem do game.


Coincidência ou não, há cenas em que o público tem a impressão de que vão sair teias de aranha dos pulsos de Nate. Como era esperado, Holland é o destaque e segura bem o papel, semelhante ao de Harrison Ford na franquia "Indiana Jones". Foi uma ótima escolha do ator para interpretar o Nathan Drake dos jogos que ainda fazem sucesso entre jogadores.

No filme, mesmo sendo um pacato bartender, Nate é descendente do grande explorador Francis Drake e grande conhecedor de história e de antiguidades. 


Ele vai usar o que aprendeu para tentar encontrar o irmão Sam (Rudy Pankow) desaparecido há anos enquanto procurava o cobiçado tesouro perdido de Fernão de Magalhães. Mas para isso terá de se unir ao trambiqueiro e mentiroso Victor Sully e à parceira dele, Chloe Frazer (Sophia Taylor-Ali), numa jornada ao redor do mundo.


Claro que não poderiam faltar os vilões. Ponto falho para Antonio Banderas ("Os 33" - 2015, e "Mercenários 3" - 2014) , que repete a forma caricata de atuar neste gênero de filme. Ele faz o papel de Moncada, um colecionador bilionário espanhol bem previsível e bobo, até nas cenas em que deveria ser cruel. O ator está escalado para integrar o elenco de "Indiana Jones 5", previsto para 2023.

Já sua parceira Braddock (Tati Gabrielle), chefe de um grupo de mercenários e velha conhecida de Sully, garante a vilania raiz, com muitos tiros, brigas e facadas.

Game "Uncharted" (Crédito Naughty Dog/Playstation)

Para quem busca entretenimento, "Uncharted: Fora do Mapa" é uma boa opção e vale ser assistido numa sala Imax pelos efeitos visuais e locações paradisíacas. Baseado na série de games "Uncharted", da Sony para Playstation, o filme abre caminho para outras produções e aventuras com os personagens Nathan Drake e Victor Sully, como foi feita na famosa franquia criada em parceria com a Naughty Dog.

Se os próximos forem tão bons como este, poderá conquistar um público fiel e carente de filmes no estilo de Lara Croft e Indiana Jones, cujo último longa foi exibido em 1989 com "A Última Cruzada", dirigido por Steven Spielberg. Vale a pena conferir. Uma observação: não saia da sala de cinema. Há duas cenas pós-créditos, como nas produções da Marvel.


Ficha técnica:
Direção: Ruben Fleischer
Produção: Columbia Pictures / Sony Pictures / Atlas Entertainment / Arad Productions
Distribuição: Sony Pictures
Exibição: os cinemas
Duração: 1h56
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: Aventura / Ação