10 março 2019

"Capitã Marvel" apresenta bem a heroína com excelentes efeitos visuais e diálogos divertidos

Brie Larson é a poderosa versão feminina da Marvel que passará a integrar o grupo dos Vingadores (Fotos: Marvel Studios/Divulgação)

Maristela Bretas


Com o filme solo "Capitã Marvel ("Captain Marvel"), a ganhadora do Oscar, Brie Larson ("O Quarto de Jack" - 2015), entra para o Universo Cinematográfico Marvel para fazer a ligação entre "Vingadores - Guerra Infinita" e o esperado "Vingadores - Ultimato", com estreia marcada para 25 de abril. Mesmo sem o carisma de Gal Gadot em "Mulher Maravilha", da DC Comics, Larson entrega uma super-heroína forte, reforçando a postura da Marvel na questão da valorização da mulher, iniciada em "Pantera Negra".

Claro que, como nos demais filmes da franquia, os excelentes efeitos visuais são o destaque, além de um ótimo roteiro e direção de Anna Boden e Ryan Fleck, com a participação de Geneva Robertson-Dworet. Muita ação no início, uma diminuída no ritmo no meio e mais ação a partir do momento que Carol Danvers/Capitã Marvel (Brie Larson) descobre que é mais poderosa do que imaginava. Nas batalhas, ela dá a impressão de que está se divertindo ao descobrir cada novo poder, de fogo ou voando. O espectador terá muitos tiros, raios, perseguições de carro, batalhas aéreas e o surgimento daquela que vai mudar a história dos Vingadores.

O filme é confuso no início por causa dos flashbacks sobre a origem de Vers. Ela é uma guerreira desmemoriada treinada por Jude Law, que interpreta Yon-Rogg, comandante da Starforce. Vers, que somente após conhecer sua história verdadeira se transforma em Capitã Marvel, passa por várias etapas de descoberta até atingir seu poder máximo, como guerreira e mulher. "Capitã Marvel" não chega a abordar tão fortemente a questão da força feminina como em "Pantera Negra" e "Mulher Maravilha", mas mostra que o sexo nada frágil é que faz tudo acontecer.

Um exemplo é a atuação da atriz britânica Lashana Lynch, no papel da piloto de caça Maria Rambeau, melhor amiga de Carol Danvers. Ela é a mega foda no comando de um caça e de uma nave espacial. Quem disse que mulher não pode pilotar um caça? Ou brigar muito e ser uma superpoderosa Vingadora? Natasha Romanoff, a Viúva Negra interpretada por Scarlett Johansson, prova isso há cinco filmes da franquia, desde "Vingadores" (2012) e vai reforçar sua importância como super-heroína em "Ultimato".

No elenco masculino de "Capitã Marvel", além de Jude Law, a presença de Samuel L. Jackson, como Nick Fury, é sempre um diferencial. E é dele a maioria das frases e situações engraçadas do filme, especialmente as cenas com a "fofíssima gatinha" Goose, personagem que terá grande importância na história. Jackson quebra a seriedade de Larson com diálogos divertidos, deixando a produção mais leve. No filme também é revelada a forma como Fury perdeu o olho esquerdo. É hilária!

A produção também o agente Phil Coulson (Clark Gregg,), parceiro de Fury e que também irá comandar a S.H.I.E.L.D. no futuro (série de TV "Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D."). Ben Mendelsohn, que trabalhou com a dupla de diretores em "Parceiros de Jogo" (2015) também entrega uma boa atuação do líder Skrull, Talos. Já Lee Pace retoma o personagem Ronan, interpretado em "Guardiões da Galáxia" (2014). Outra estrela que já não brilha tanto como antes, mas tem papel importante na aventura é Annette Bening, como uma cientista que quer salvar a terra dos alienígenas.

"Capitã Marvel" conta a história de Carol Danvers, ex-piloto da Força Aérea norte-americana, que, sem se lembrar de sua vida na Terra, é recrutada pelos Kree para fazer parte do exército de elite do planeta deles. Inimiga dos metamorfos Skrull, ela acaba voltando ao seu planeta de origem para impedir uma invasão e acaba descobrindo sua verdadeira história com a ajuda do agente Nick Fury, antes de se tornar o chefe da S.H.I.E.L.D.

O filme tem de tudo - ação, diversão, ótimos efeitos visuais e apresenta bem a personagem dos quadrinhos. Além de uma linda homenagem, logo na abertura, ao eterno criador da Marvel, Stan Lee. A trilha sonora, com sucessos dos anos 90, ajuda a completar bem o clima. A ação se passa em 1995, com direito a internet discada hiper-lenta, PCs dinossáuricos, locadora de vídeo Blockbuster, o buscador era o Alta Vista, e por ai vai. Vai agradar ao público em geral, merece ser conferido.

ATENÇÃO: "Capitã Marvel" tem duas cenas extras, uma antes dos créditos muito importante e outra bem bobinha que serve como distração.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Anna Boden / Ryan Fleck
Produção: Marvel Studios
Distribuição: Buena Vista
Duração: 2h04
Gêneros: Ação / Fantasia / Ficção
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 4 (0 a 5)

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07 março 2019

"Minha Fama de Mau": descompromissado e divertido como uma festa de arromba

Chay Suede é Erasmo Carlos na biografia autorizada do rei da Jovem Guarda (Fotos: Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Que ninguém se engane: "Minha Fama de Mau" foi feito para agradar aos fãs de um ídolo - por consequência, de um movimento, a Jovem Guarda. É um filme chapa branca, produzido a partir da autobiografia escrita por Erasmo Carlos. Trata-se, portanto, de uma biografia autorizada. Arestas são aparadas, conflitos retratados com muita leveza e, acima de tudo, muita música. No final das contas, o longa é, antes de tudo, um musical. E, nesse sentido, merece elogios.

Adolescente pobre da Tijuca, Erasmo vive com a mãe no que ele chama de "casa de cômodos" - nada mais do que uma pensão, onde moram outras pessoas tão solitárias e carentes como ele e dona Diva, muito bem interpretada por Isabela Garcia, que enche de ternura essa mãe solteira e sofredora. É nesse bairro que ele conhece Tião - que mais tarde viria a ser Tim Maia - e, juntos, eles descobrem o recém-chegado rock'n'roll de Elvis Presley, Bill Halley e Chuck Berry. Ambos se metem em pequenos furtos, brigas de turmas e vivem correndo da polícia, numa clara alusão ao fato de que a música pode ter sido a salvação daqueles jovens.

O elenco é um caso à parte no filme. Estão esbanjando talento e brilhando, além de Chay Suede como Erasmo Carlos, Gabriel Leone como um Roberto Carlos nada caricato, Bruno de Luca como o apresentador Carlos Imperial, Vinicius Alexandre como Tim Maia e até uma inusitada Paula Toller como Candinha, a fofoqueira de um programa de rádio. Destaque especial para a excelente Malu Rodrigues, que consegue timbrar a voz de Wanderléa, chamando atenção em alguns números musicais, apesar da pequena participação na história.

Para compensar o politicamente correto do filme - é claro que o atrito entre Roberto e Erasmo Carlos não se resolveu daquela forma romântica e sublime - "Minha Fama de Mau" tem certas gracinhas que podem encantar o espectador, como o personagem principal às vezes falando direto para a câmera, um locutor que entra em off, pequenos trechos de filmes da época, desenhos animados e quadrinhos. Outro diferencial: uma mesma atriz, Bianca Comparato, entra em vários momentos da história, fazendo o papel das mulheres que foram importantes na vida do cantor.

Enfim, o longa dirigido por Lui Farias é leve e agrada. Não se fala em ditadura embora o filme se passe nos anos de 1960. Quem não sabia, aprende como surgiu a Jovem Guarda e o que ela significou como movimento comportamental e musical, as histórias são divertidas, as músicas são gostosas, românticas e descontraídas. Tudo bem do jeito Erasmo Carlos de ser. 
Duração: 1h56
Classificação:
Distribuição: Downtown Filmes


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