domingo, 17 de janeiro de 2021

“Borgen” mostra uma sociedade civilizada e evidencia os bastidores da política e da imprensa dinamarquesas

Série é dividida em três temporadas com dez episódios cada (Mike Kollöffel / DR Fiktion /Netflix)


Mirtes Helena Scalioni

 
Um único prédio monumental no centro de Copenhague abriga o Parlamento, os gabinetes dos líderes partidários e do Primeiro-ministro, além da Suprema Corte. Esporadicamente, quando necessário, abre as instalações específicas para receber também a Rainha Margarida II. É nesse lugar, o chamado Palácio de Christiansborg, que se desenrola a maior parte da série “Borgen”, tendo como pano de fundo a trajetória da primeira mulher a assumir o cargo de primeira-ministra da Dinamarca.


Dirigida por Soren Kragh-Jacobsen e Rumie Hammerich, a série "Borgen" tem argumento fictício, mas revela com clareza o modo de vida de um país civilizado, onde a primeira-ministra anda de bicicleta e de táxi, busca os filhos na escola, cozinha e lava a louça junto com o marido (já que não têm empregada), participando ativamente da vida doméstica. As mulheres têm os mesmos direitos que os homens e os encontros casuais de sexo são vistos com normalidade e sem preconceitos.
 
 
 
Além do modo de vida do povo dinamarquês, a série mostra como funciona a política por lá, com seus acordos, trocas e conchavos entre os partidos. Tudo muito claro e natural. São tantas as reuniões, conversas e jogos que, por vezes, o público pode ficar em dúvida se o objetivo da política é sempre o bem comum ou se, algumas vezes, os que militam nela buscam apenas o poder.

 
Essa pergunta pode ser feita em várias ocasiões e o mérito da dúvida é todo de Sidse Babett Knudsen, atriz que conquistou o Prêmio Emmy Internacional de Melhor Atriz pelo seu papel de Birgitte Nyborg, a primeira-ministra. Carismática, ela transita muito bem entre o Parlamento e a vida doméstica, entre as intermináveis reuniões e os encontros afetivos ou sexuais com o marido Philip, interpretado na medida por Mikael Bir Kjaer.

 
Entranhada à trajetória de Birgitte, corre a trama do núcleo da imprensa, que notícia praticamente tudo o que acontece ou envolve o Palácio de Christiansborg. Nessa turma, estão, principalmente, os jornalistas Kasper Juul (Johan Philip Asbalk) e Katrine (Birgitte Hjort Sorensen), cada um com sua história familiar, sua vida, seus problemas e seus amores. Há momentos em que cabe perguntar: é a imprensa que vive em função da política ou a política que vive em função da imprensa? 


Ao longo da série, o público aprende também como funciona, por exemplo, o coração de uma TV, com a correria habitual dos jornalistas, as censuras, a busca pela audiência, as brigas internas e os dilemas éticos tão peculiares à profissão.

Com tantos bons temas, é lamentável que “Borgen” tenha se perdido a partir da última temporada. São três etapas de 10 episódios cada, mas a terceira parece ter sido escrita por outro roteirista. O perfil psicológico dos personagens não obedece nenhuma coerência, alguns têm sua participação inexplicavelmente reduzida, outros simplesmente desaparecem. Uma ou outra trama também fica sem desfecho. Seria melhor ter terminado na segunda temporada. Uma pena.


 Ficha técnica:
Direção:
Soren Kragh-Jacobsen e Rumie Hammerich
Exibição: Netflix
Duração: 58 minutos (está na 3ª temporada, com 10 episódios cada)
Classificação: 14 anos
País: Dinamarca
Gêneros: Drama / Série de TV

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