sábado, 30 de janeiro de 2021

Websérie "Parques de BH" traz de volta a beleza e o verde da nossa Cidade Jardim

O Parque Jacques Cousteau, no bairro Betânia, com sua variedade de plantas, foi o escolhido para abrir o projeto (Foto: Lilian Nunes/Coreto Cultural/Divulgação)


Maristela Bretas


Este 30 de janeiro foi a data escolhida para o lançamento da websérie "Parques de BH", produzida pela Coreto Cultural. E o primeiro cenário escolhido para abrir o projeto, de muito verde e plantas de cores variadas, foi o Parque Municipal Jacques Cousteau, localizado no bairro Betânia, Região Oeste da Capital. 

Com roteiro e direção de Lilian Nunes e Chico de Paula, que também assina fotografia e montagem, o público vai conhecer histórias, hábitos e personagens desse importante espaço público da cidade. A trilha sonora original é do músico Marcelo Dai,  com participação de Maurício Tizumba. Para acessar a websérie basta clicar no link ou acessar o site www.coretocultural.com.br.

(Crédito: Mônica Costa/Coreto Cultural)

Viabilizado com recursos do edital Quatro Estações da Belotur, o projeto consiste numa websérie para divulgar a beleza dos parques e ampliar o potencial turístico de Belo Horizonte, que já foi conhecida como Cidade Jardim. São 38 milhões de metros quadrados de áreas verdes, sendo 14 milhões deles formados por espaços públicos municipais - 75 parques, mais de 750 praças e jardins e cerca de 210 espaços livres de uso público.

(Crédito: Lilian Nunes/Coreto Cultural)

Mas por que a escolha do Jacques Cousteau para abrir o projeto? "Ele tem uma história singular, passou de lixão a viveiro de mudas e hoje é referência de paisagismo. Também é um dos preferidos pelos ciclistas, lugar de encontros e comemorações. Fica às margens do Anel Rodoviário, com fluxo intenso, e é pouco notado… A ideia era descentralizar e disponibilizar informação sobre um espaço rico mas pouco conhecido, para gerar interesse e intensificar a visitação", explica a idealizadora do projeto Lilian Nunes.

(Crédito: Mônica Costa/Coreto Cultural)

Chico de Paula conta como foi desnudar o espaço através da lente de sua câmera. "Descobrir o parque através das pessoas que o frequentam, das histórias e afetos ali contidos, revela uma personalidade que é daquela natureza - completamente integrada com as pessoas que ali convivem. É tudo só um elemento: as pessoas, os bichos, as árvores, o vento… O Jacques Cousteau tem uma personalidade admirável, delicada e ímpar”.

(Crédito: Lilian Nunes/Coreto Cultural)

Trabalhar uma produção cinematográfica como essa, em plena pandemia, foi um desafio prazeroso para a equipe. "Poder registrar e divulgar os parques, nesse momento, é mais que um projeto, é uma necessidade. Porque são fundamentais à manutenção da nossa sanidade, e são locais onde ainda se pode manter o distanciamento e usufruir de tudo o que eles podem oferecer. Se, por um lado, temos menos usuários, por outro a natureza se mantém deslumbrante e é um momento mais propício para registrar o espaço com todas as restrições e cuidados necessários. Nesse momento, os parques, por exemplo, estão mais limpos, mais bem cuidados, se renovando para receberem cada vez melhor os visitantes. E precisamos criar esse hábito de frequentar os belos parques que temos na cidade", afirmou o diretor.

(Crédito: Lilian Nunes/Coreto Cultural)

O que não faltam são historias para contar do Parque Jacques Cousteau. A bióloga e gerente de Parques do Barreiro e Oeste da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, Edanise Reis, passou quase toda a sua vida profissional no espaço. E ajudou a plantar jacarandás, paus-brasil, ipês e tantas outras espécies que hoje contempla sob copas monumentais. 

(Crédito: RNonato)
                                                                                                     

(Crédito: Bruno Castro/Coreto Cultural)

Histórias de filhotes resgatados, cujos pais confiam em alimentar a prole diariamente nas mãos da gestora. Pessoas que visitam o parque pela primeira vez e comumente escolhem colaborar ao retornar. Crianças que crescem orgulhosas por terem uma árvore para visitar e cuidar por toda a vida. “São lições eternas: plantios de afeto, colheitas de respeito”, orgulha-se a gerente do Parque.

Marcelo Dai, cantor e multi-instrumentista, foi convidado a criar a trilha original da websérie para traduzir o Jacques Cousteau através de suas próprias sonoridades: melodias, ruídos, cantos e batidas descobertos e registrados em cantos e recantos do parque. Para ele, a música e a natureza se entrelaçam. "Criar usando elementos da terra, da água e do ar possibilita uma conexão livre e repleta de leveza. Nos inspira a buscar sons genuínos, a voltar no tempo e, até mesmo, a mudar a perspectiva dele", diz o compositor.

(Crédito: Lilian Nunes/Coreto Cultural)

Sobre os próximos parques a serem mostrados pela Coreto Cultural no projeto "Parques de BH", Lilian Nunes explica que ainda estão sendo articulados, dependendo da captação de recursos. "O Jacques Cousteau já foi o espaço que alimentava toda a cidade de mudas. Hoje, é o Jardim Botânico, que fica no Zoológico. Pensamos em fazer um link entre essas histórias".

(Crédito: Lilian Nunes/Coreto Cultural)

"Qualquer contato que possamos ter com ambientes que nos aproximem de um conceito mais integrado de meio ambiente, nos deixa mais perto de um desejo de usufruto e, consequentemente, proteção. O audiovisual é uma ferramenta poderosa e múltipla em suas possibilidades, e pode ser um meio fundamental para que a gente se aproxime mais da natureza. Podemos abordar e focar em princípios, como a sustentabilidade, que são essenciais a esse desejo e necessidade de preservação. Ele nos aproxima e traz conhecimento sobre o que aborda, e te dá uma sensação de familiaridade com os ambientes a que te expõe. Isso é um pré-requisito pra que a gente crie vínculos com o mundo em que vive", concluiu Chico de Paula.

(Crédito: Lilian Nunes/Coreto Cultural)

Um pouco do Parque Jacques Cousteau

O Parque Jacques Cousteau surgiu de uma gleba de terreno de 468.500 metros quadrados que, por 20 anos, foi um dos maiores lixões de Belo Horizonte. Em 1971, transformou-se no Parque Vila Betânia e, em 1976, quando já era conhecido como Horto Municipal, foi transformado em Reserva Biológica e principal viveiro de produção de mudas da capital mineira.

(Crédito: ArquivoPúblico)

O Jacques Cousteau abasteceu ruas, praças e parques de Belo Horizonte com espécies arbóreas e ornamentais. Fundado em 1991, o Jardim Botânico da cidade funcionou por nove anos dentro do Parque Jacques Cousteau, até a construção de sua sede própria, na região da Pampulha. Em 2001, o Jardim Botânico foi transferido para sua localização atual, dentro da área onde funciona também o Jardim Zoológico, onde está concentrada a produção de espécies de grande porte para atender às necessidades de BH.

(Crédito: Mônica Costa/Coreto Cultural)

Hoje, com 335 mil metros quadrados, o Parque Jacques Cousteau conta com mais de 70 espécies arbustivas e ornamentais, além de ricos compostos orgânicos que contribuem tanto para a beleza do paisagismo quanto para a saúde dos pulmões da nossa eterna cidade jardim.

(Crédito: Lilian Nunes/Coreto Cultural)

Ficha técnica:
Direção: Lilian Nunes e Chico de Paula
Duração: 31 minutos
Exibição: pelo site https://www.coretocultural.com.br
Informações: @coretocultural
Classificação: Livre
País: Brasil
Gêneros: Documentário

Serviço:
Parque Municipal Jacques Cousteau

Localização: R. Augusto José dos Santos, 366 - bairro Betânia
Horário de Funcionamento: de quinta a domingo, das 8 às 17 horas
Entrada: Gratuita
Informações: (31) 3277-5972

5 comentários:

  1. Ótimo texto e bela iniciativa. Precisamos incentivar o contato e cuidado com a natureza para construir uma cidade mais acolhedora.

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  2. Muito bacana o projeto e o texto, fiquei com vontade de conhecer o parque.

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  3. Iniciativa muito bacana, devidamente registrada pelo Cinema no Escurinho. Quero muito conhecer esse parque e seguir a websérie.

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  4. Vale a pena, tem uma bela área verde, muitas plantas e tranquilidade. Coisas que estamos precisando muito.

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  5. O texto nos convida não apenas a acompanhar a websérie, mas sobretudo a conhecer o parque em questão. O isolamento social provoca uma sensação de cárcere perigosa emocionalmente. Muitas pessoas desconhecem estes espaços naturais que asseguram a liberdade. Parabéns a todos,da iniciativa à divulgaçã!

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