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| Ator interpreta um bilionário do setor petrolífero responsável por um gigantesco acidente ambiental (Fotos: Warner Bros. Pictures) |
Maristela Bretas
Estreia nesta quinta-feira nos cinemas “Digger”, que tem Tom Cruise como principal estrela e já está gerando muita polêmica entre críticos e pessoas que assistiram ao longa-metragem pelo mundo. A narrativa satírica pós-apocalíptica é diferente, pode até parecer estranha em algumas partes, mas é audaciosa e envolvente como um todo.
Especialmente pelas excelentes atuações do elenco, a começar por Tom Cruise, no papel principal. A produção, dirigida pelo premiado Alejandro González Iñárritu, responsável por sucessos como “Birdman” (2014) e “O Regresso” (2015), satiriza o mundo dos poderosos.
Toma como exemplo o setor petrolífero, mas poderia ser qualquer representante do poder econômico, cujo descaso nas decisões e a exploração desmedida da natureza, com a certeza de que sempre estarão livres das consequências, são comportamentos comuns.
Os personagens são caricatos, como o próprio Digger, interpretado brilhantemente por Tom Cruise, assim como Compson, presidente dos EUA, vivido por John Goodman; seu vice, papel de Michael Stuhlbarg; e os militares integrantes do gabinete da crise, interpretados por Robert John Burke e Burn Gorman.
Digger Rockwell (Tom Cruise) é um bilionário do setor petrolífero e de minerais que herdou os negócios da família e se acha acima de tudo e de todos. Um acidente de proporções catastróficas coloca vários países da Europa em risco, assim como os negócios das empresas Rockwell e a credibilidade dos EUA.
Determinado a provar que é o salvador da humanidade, ele embarca em uma missão frenética para evitar que o desastre que ele mesmo desencadeou destrua tudo.
Poderia ser uma história comum, mas o tom satírico adotado pelo diretor Alejandro González Iñárritu acaba virando o jogo, transformando o longa em uma produção envolvente. Não vou contar mais para não dar spoiler. Mas essa forma de narrativa tem provocado debates entre aqueles que gostaram da abordagem e do conjunto da obra e os que detestaram, considerando o filme ruim, confuso e até desnecessário.
Tom Cruise está irreconhecível, envelhecido e adotando um estilo cowboy, com um terno vinho e chapéu, imitando pistoleiros do Velho Oeste, ou usando pijama enquanto planeja a próxima ação para ter aumentar os lucros.
Digger é um homem de poucos escrúpulos, mas demonstra um lado emotivo quando está com sua preciosa companheira Maggie, uma gata idosa e doente, prestes a morrer.
O ator saiu de sua zona de conforto da franquia “Missão: Impossível” para apostar em mais uma comédia satírica — a primeira foi “Trovão Tropical” (2008) — e acertou muito bem. É uma atuação digna de disputar um Oscar.
Destaque também para o premiado Riz Ahmed, com ótima interpretação do Dr. Ganesh, especialista ambiental das empresas Rockwell. Apesar de ser uma pessoa de conhecimento avançado em sua área e de discordar das decisões do patrão, ele segue o que lhe é mandado para não desagradar quem paga seu salário.
Ahmed é ganhador do Oscar de 2022 como Melhor Curta-Metragem de Live-Action "O Longo Adeus”, que ele escreveu e estrelou. O ator rouba as cenas, inclusive as que faz com Tom Cruise, e mostra uma boa sintonia com o ator.
O mesmo acontece com John Goodman, cujo papel lembra bastante o perfil de presidentes dos EUA por suas decisões armamentistas e religiosas e pela postura de descaso com a população, especialmente a de outros países.
No elenco temos ainda a também indicada ao Oscar Sandra Hüller, como Emma, irmã de Digger, com boa atuação, e Jesse Plemons, em uma participação que completa a trama.
“Digger” tem ainda, na maquiagem (especialmente a de Tom Cruise) e na trilha sonora de Cosmo Sheldrake, um dos elementos positivos impossíveis de ignorar. As músicas são impactantes e abraçam as imagens, dando mais vida e vigor às cenas.
Outro destaque é a fotografia de Emmanuel Lubezki, que adota cores pastéis na maior parte da trama e da vida do protagonista, dando o tom envelhecido que o roteiro precisa para ambientar a história, como se fosse um clássico dos anos 1950. Os enquadramentos com muitos closes dos personagens e cenas de baixo para cima reforçam as ações e até a superioridade de alguns personagens.
Filmado inteiramente em VistaVision, o longa-metragem está disponível nos cinemas nos formatos IMAX, XD, D-Box e 2D, além de contar com acessibilidade, em versões dubladas e legendadas.
Mas, como uma boa história, “Digger” é uma comédia satírica com uma reviravolta surpreendente. A mensagem do filme é um tapa na cara da sociedade ao escancarar algo que todos sabem e fingem que não acontece porque não interessa mudar a realidade. Mesmo que isso coloque a humanidade em risco.
Ficha técnica:
Direção: Alejandro González IñárrituRoteiro: Alejandro González Iñárritu, coescrito com Alexander Dinelaris & Nicolás Giacobone, e Sabina Berman
Produção: Legendary Pictures, Warner Bros Pictures, M Productions e TC Productions
Distribuição: Warner Bros Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h07
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: ficção, comédia, drama






