terça-feira, 24 de abril de 2018

Rede Cineart realiza sessão especial de cinema para crianças com câncer

Convidados são crianças beneficiadas pela Casa de Acolhida Padre Eustáquio (CAPE) e suas famílias (Foto: Rede Cineart/Divulgação)


Nesta quarta-feira (25), a Rede Cineart promove sessão de cinema exclusiva às 9 horas, no Cineart Boulevard Shopping para crianças com câncer e suas famílias beneficiadas pela Casa de Acolhida Padre Eustáquio (Cape) e lança a nova forma de arrecadar fundos para a instituição. Além da doação de parte dos recursos da comercialização do Kit Sorriso Cineart, o público poderá doar o troco das compras feitas nas bilheterias e bombonieres da rede de cinema, por meio da campanha Troco Cape. O repasse é feito por sistema automatizado, direto para a conta corrente da Cape.

A parceria firmada entre a Rede Cineart e a Cape teve início em 2016, com o objetivo de arrecadar fundos que viabilizem a manutenção dos atendimentos prestados gratuitamente a mais de 200 crianças, entre 0 e 18 anos, vítimas do câncer e outras doenças não infecciosas. Na Casa de Acolhida Padre Eustáquio, a infraestrutura parece a de uma escola moderna, com acolhimento em tempo integral, e direito a suítes de hospedagem, lavanderia industrial, brinquedoteca e playground.

“Queremos manter o nosso compromisso em apoiar projetos sociais, porque entendemos que este também é o nosso papel. Esta nova campanha, do ‘Troco Cape’, amplia não só o repasse de recursos, mas as oportunidades de ajudar dezenas de famílias do nosso Estado. Nossa expectativa é que o valor ajude não só a manter, mas diversificar ainda mais os serviços oferecidos pela Casa”, explica o gerente da Rede Cineart, Lúcio Ottoni. 

Entre as novas demandas apresentadas pela CAPE estão: aquisição de nova van para ampliar o serviço de transporte, reforma das dependências e ampliação do atendimento multidisciplinar para as crianças, adolescentes e seus familiares. Atualmente, a infraestrutura da CAPE comporta 30 suítes para hospedagem, cinco refeições diárias, transporte, brinquedoteca e playground, além da oferta de atendimento com psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, acupunturistas, fonoaudiólogos e nutricionistas. Palestras mensais, oficinas de artesanato e recreação também compõem a grade.


Kit Sorriso

O Kit Sorriso Cineart consiste em um baldão de pipoca mais dois refrigerantes, “somados à alegria de muitas crianças”. A campanha foi desenvolvida pela agência Uhuru, levando em consideração a alegria que se revela no sorriso – tanto das crianças auxiliadas e dos seus familiares, quanto das pessoas que tomam a decisão de ajudar, em um momento e lugar em que estão se divertindo. No baldão estão estampadas diversas carinhas sorridentes.

Tags: #RedeCineart, #KitSorrisoCineart, #Cape, #CasadeAcolhidaPadreEustáquio, #TrocoCape, #CinemanoEscurinho

sexta-feira, 20 de abril de 2018

O que mais intriga em "Arábia" é o incômodo que ele provoca

Filme independente trata com intimidade com o tema dos despossuídos (Fotos: Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Ao acompanhar a saga de um típico brasileiro pobre em busca de um rumo na vida, o espectador se vê diante de uma verdade que machuca e dói. A forma como os diretores mostram essa trajetória em "Arábia", de um jeito quase doméstico de tão simples, parece aproximar mais ainda o público da realidade: é assim que o Brasil trata seus jovens.


É assim, a esmo e sem eira nem beira, que vivem os que não tiveram a sorte de nascer no mínimo, numa família classe média. João Dumans e Affonso Uchoa, os diretores e roteiristas, são de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. E ao contarem, de forma corajosa e quase desajeitada, a história de Cristiano (Aristides de Souza), colocam o dedo na ferida e mostram intimidade com o tema dos despossuídos. Nenhum charme, nada de Hollywood.


Para assoprar uma certa leveza, o filme é todo permeado por canções icônicas que ajudam a contar essa história triste. Apresentados ora pelos próprios atores em seus raros momentos de lazer e descanso, ora por seus intérpretes profissionais, estão lá recados de Raul Seixas, Noel Rosa, Dorival Caymmi, Renato Teixeira. "Amanhecer é uma lição do universo/que nos ensina que é preciso renascer..." Viva o cinema independente.

Arábia ainda pode (e deve) ser conferido nas salas 3 do Belas (sessões de 14h e 17h20) e 7 do Cineart Contagem (18h40). Classificação: 16 anos // Duração: 1h37



Tags: #Arabiaofilme, #AristidesdeSouza, #AffonsoUchoa, #JoaoDumans, #drama, #KatasiaFilmes, #VastoMundo, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho

quarta-feira, 18 de abril de 2018

"7 Dias em Entebbe" - Mais um (bom) filme de Hollywood

Daniel Brühl e Rosamund Pike formam o casal que sequestrou  um avião de passageiros em 1976 (Fotos: Diamond Films/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Talvez se possa dizer que, com "7 Dias em Entebbe", o brasileiro José Padilha tenha se rendido definitivamente ao chamado cinemão. Esse seu mais recente longa, sobre o sequestro de um avião entre Tel-Aviv e Paris, na década de 1970, coloca o profissional no rol dos diretores assumidamente comerciais.

Isso não significa que o filme seja ruim. Pelo contrário: estão lá todos os elementos esperados em um entretenimento bem feito: muita ação bem distribuída, suspense, política - correta e equilibrada - emoção e até um certo didatismo para quem quiser saber mais sobre o eterno conflito entre Palestina e Israel. 

O voo 139 da Air France foi desviado por um grupo de jovens revolucionários pró-palestina em junho de 1976, pousando em Entebbe, na Uganda de Idi Amin, onde permaneceu uma semana. As tentativas de negociações com o governo israelense, pouco afeito a abrir precedentes, as condições precárias do lugar onde os quase 200 passageiros e tripulantes ficam e as inevitáveis desavenças entre os sequestradores, a maioria jovens e despreparados, vão envolvendo o espectador.

Tudo indica que Padilha teve o cuidado de não tomar partido. No início, o conflito entre árabes e judeus é cuidadosamente explicado. Quase uma aula de história - embora alguns enxerguem, ao final, um discreto favoritismo para Israel.

Entre as atuações, destaques para Daniel Brühl como o jovem alemão idealista Wilfried, e Rosamud Pike como a também revolucionária Brigitte Kuhlmann - outra alemã, mas com discurso mais afiado. Do lado israelense, Eddie Marsan se sai muito bem como o líder Simon Peres. Na trilha sonora, a surpresa fica por conta da autoria: Rodrigo Amarante, do grupo Los Hermanos. Para que o filme ficasse perfeito e digestivo, não faltam crianças e idosos entre os passageiros, o que, fatalmente, enternece o público.

Também estão lá as eternas discussões ideológicas dos jovens que escolheram o caminho da revolução nos conturbados anos de 1970, o engenheiro de voo, que, com sua praticidade e engenho, se contrapõe ao excesso de palavras e ideias, as divergências entre os mandatários do governo de Israel no processo de negociação, as dúvidas de um jovem soldado entre o amor e a pátria e até uma apresentação de dança contemporânea.


Durante todo o longa, as cenas do sequestro e da estada e espera em Entebbe são intercaladas com os ensaios e depois com a estreia do espetáculo - lindo, por sinal. Mas essa não é exatamente uma ideia original. Traz uma certa estética à narrativa pesada, mas não é novidade.

Claro que vale assistir a "7 Dias em Entebbe", até para se lembrar e conferir um pedaço - muito bem contado - dessa história que já dura tanto tempo. Mas é bom que se saiba: trata-se de mais um filme politicamente correto de Hollywood.
Duração: 1h47



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quinta-feira, 12 de abril de 2018

"Rampage - Destruição Total" é aventura com muita ação e cara de sessão da tarde

Dwayne Johnson e seu amigo gorila são as grandes estrelas desta produção dirigida por Brad Peyton (Fotos: Warner Bros. Pictures/Divulgação)


Maristela Bretas


Dwayne Johnson gostou de produzir filmes baseados em antigos videogames e retorna às telonas pela segunda vez neste ano com o "arrasa quarteirões" "Rampage - Destruição Total", que estreia nesta quinta-feira nos cinemas. O filme foi inspirado no jogo homônimo de 1986, que atraiu pouca atenção dos gamers de plantão à época. 

A produção cinematográfica tem o ator, um dos mais bem pagos de Hollywood, como protagonista, ao lado de um gorila albino gigantesco; Naomie Harris, no papel de uma pesquisadora sem emprego; Malin Akerman, bem fraquinha como vilã, e Jeffrey Dean Morgan, cheio de caras e bocas como um agente do FBI.

Johnson está se especializando em filmes de ação e aventura e não economiza em tiros, bombas e destruição de boa parte de Chicago. E claro, conta com a extraordinária ajuda de muita computação gráfica para mostrar o ataque dos gigantescos monstros. "Rampage" tem tudo isso e a cara de um bom filme de sessão da tarde, com direito a pipoca. Segue a mesma linha de outra produção do ator - "Terremoto: a Falha de San Andreas" (2015), também dirigido por Brad Peyton.


Lembra bem os filmes de heróis e monstros japoneses do tipo Power Rangers (2017), Ultraman e Ultraseven, com  criaturas gigantescas enfrentando exército e mocinhos, deixando um rastro de destruição total. O enredo fraco é sustentado pelos excelentes efeitos especiais produzidos pela Weta Digital, empresa cinco vezes vencedora do Oscar e responsável por filmes como "Planeta dos Macacos: O Confronto" (2014) e a trilogia "Senhor dos Anéis". Não menos destrutivo está "The Rock", que tenta resolver suas dificuldades na conversa por sinais e distribuindo muita porrada quando fica contrariado.


Mas a grande estrela do filme é George, o gorila albino. Ele é grande por natureza, feroz quando precisa, mas de olhar doce e carinhoso. E ainda provoca boas risadas quando resolve aplicar o que aprendeu com os humanos no zoológico onde vive.


Na história, Davis Okoye é um primatologista (Dwayne Johnson) que criou George desde bebê e o considera seu melhor amigo e "da família". Um experimento genético, batizado como Rampage, atinge George e outros animais predadores pelo país, que se transformam em monstros gigantescos e arrasadores. Davis terá de contar com a ajuda da pesquisadora Kate Caldwell (Naomie Harris) para descobrir um antídoto, conter as criaturas e salvar George.

O público não poderá reclamar de ação em "Rampage - Destruição Total". Tem de sobra e vai agradar quem procura por uma diversão que soube explorar bem os efeitos em 3D e Imax. Vale conferir sabendo que se trata de um blockbuster produzido para entreter quem gosta deste gênero de filme.



Ficha técnica:
Direção: Brad Peyton
Produção: New Line Cinema // Warner Bros Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures Brasil
Duração: 1h47
Gêneros: Aventura / Ação
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags: #RampageDestruicaoTotal, #Rampage, #DwayneJohnson, #NaomieHarris, #BradPeyton, #WarnerBrosPictures, #espaçoz, #cinemas.cineart, #Imax, #cinemanoescurinho

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Abusando do sensorial, "Um Lugar Silencioso" tem tudo para ficar para a posteridade

Emily Blunt é a mãe que luta de todas as formas para proteger os filhos de uma criatura bestial que é atraída pelo som (Fotos: Paramount Pictures/Divulgação)

Wallace Graciano


Filmes de terror sempre abusaram do sensorial. Para prender os expectadores nas poltronas, com frequência os diretores exageraram nos cortes rápidos e no “sobe som”. Porém, a fórmula se tornou exaustiva, vez ou outra variando entre os roteiros com ou sem a presença de fantasmas ou da "azeitona na empada”. E é justamente ao fugir dessa seara que "Um Lugar Silencioso" ("A Quiet Place") tem tudo para, talvez, ser um dos grandes filmes do gênero da história.

Dirigido por John Krasinski, que já havia comandado três episódios da série “The Office”, a película é uma das mais audazes do gênero dos últimos tempos. Enquanto a evolução tecnológica permite imagens límpidas e cada vez mais reais, o que possibilitaria enquadramentos angustiantes para os amantes do terror, este filme destaca-se por abusar do som para explorar o lado sensorial quase que claustrofóbico, que prende o expectador na cadeira de forma angustiante.

Krasinski consegue, em uma mesma cena, trazer a tensão dos sussurros, a leveza dos sons da natureza e o horror pela morte iminente. A sutileza em que ele varia os quadros faz com que o expectador não tenha fôlego para racionar, vivendo em uma imersão pouco proporcionada pelas últimas obras. Aliado a isso, soma-se o roteiro simples, mas intenso, de Bryan Woods, Scott Beck e John Krasinski, que justificou todo o trabalho da direção. Ao longo da trama, não há espaço para pensar, somente agir, em puro instinto de sobrevivência.

Krasinski também atua, mas, nesse quesito, quem se destaca é Emily Blunt (sua esposa na vida real e na obra), que, além da química perfeita com o protagonista, consegue retratar toda a dor e sofrimento de uma mãe que tenta salvar suas crias. O filme se passa em um cenário pós-apocalíptico. A grávida Evelyn Abbott (Blunt) e o marido Lee (Krasinski) tentam manter vivos seus dois filhos Regan (Millicent Simmonds) e Marcus (Noah Jupe) em um mundo onde o menor ruído pode despertar uma criatura bestial, cega, mas que é atraída por sons e não perdoa quem está em seu caminho.

Emily Blunt conta como ela se identifica com a personagem. "Para mim, como mãe, representa meu maior medo. Quem somos nós se não conseguirmos protegê-los? É sobre o que eles terão que superar. É um filme muito tenso e assustador”, opina a atriz. Clique aqui para ver o making off.

Após perder um de seus filhos, eles se isolam em uma fazenda no meio-oeste dos EUA tentando criar um plano para contra-atacar a criatura, em meio à tensão de manter o instinto de sobrevivência alerta. É nesse miolo que o expectador é preso a cada quadro. "Um Lugar Silencioso" foge à tônica do gênero. A película é um entretenimento sufocante, porém belo, que precisa ser visto. É uma obra para a posteridade.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: John Krasinski
Produção: Paramount Pictures / Platinum Dunes
Distribuição: Paramount Pictures
Duração: 1h30
Gêneros: Suspense / Terror
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: #UmLugarSilencioso, #JohnKrasinski, #EmilyBlunt, #terror, #suspense, #ParamountPictures, #espaçoz, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho

quinta-feira, 29 de março de 2018

"Jogador nº 1" - Uma produção Spielberg para ver, relembrar e curtir

Wade Watts terá de enfrentar vários desafios no mundo virtual para ganhar o jogo e conquistar a garota por quem é apaixonado (Fotos: Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Ter Steven Spielberg como diretor já é mais do que meio caminho para um ótimo filme, principalmente se a proposta for para entretenimento - "ET - O Extraterrestre" é inesquecível e marcou uma geração. E o gênio da diversão gastou uma cota considerável de competência e criatividade para entregar "Jogador nº 1" ("Ready Player One"), o melhor filme/animação/ficção do ano até o momento.


Baseado no livro homônimo escrito por Ernest Cline, que também participa como roteirista, a produção vai fazer muito marmanjo se sentir criança novamente ao rever velhos conhecidos do passado. Somente Spielberg seria capaz de construir o maior "easter egg" do cinema, colocando numa mesma produção figuras como as gêmeas do clássico do terror "O Iluminado", o famoso Batmóvel de Adam West, o DeLorean de "De Volta para o Futuro", Chuck, o boneco assassino, o temível Freddy Krueger, King Kong, o T-Rex de Jurassic Park, a aventureira Lara Croft, Street Fighter e milhares de personagens dos quadrinhos, do cinema e, principalmente, dos videogames.


"Jogador nº 1" faz as boas lembranças brotarem da memória, o filme é uma aula de cultura pop. Será preciso assistir várias vezes para conseguir identificar todos os conhecidos participantes que aparecem como avatares dos jogadores na vida real - cada um escolhe o personagem que desejar para participar do jogo. E estes heróis e vilões estão nas batalhas campais, nas disputas de rua e na frente da tv jogando. Bobagem tentar explicar o prazer de jogar num Atari, trocando cartuchos e usando um joystick de apenas um manche e um botão. Só entende quem já viveu esta inesquecível experiência.


Ao mesmo tempo em que proporciona diversão, "Jogador nº 1" é também uma crítica ao isolamento do mundo real provocado pelo uso sem controle da tecnologia. Milhares de pessoas deixam de lado suas vidas para passar o dia jogando "Oasis", um game que cria um universo paralelo de realidade virtual. Cada um foge de seu drama diário verdadeiro para se tornar um super-herói, o vilão predileto ou, simplesmente pessoas comuns que não precisam se preocupar com nada. Tudo é virtual e o jogador faz o que quiser com seu avatar.


Se o início do filme deixa a impressão de que se trata apenas uma grande animação sobre games, a caçada ao Easter Egg vai atraindo mais o público que reencontra a cada nova cena um velho conhecido. Se não bastasse o roteiro, a direção, a computação gráfica, "Jogador nº 1" ainda apresenta uma trilha sonora arrasadora com sucessos do passado, apesar de ser ambientando em 2045.

Tudo acontece em Columbus, nos EUA, dividido entre duas realidades: a população miserável que vive em barracos montados em estruturas de metal abandonadas, semelhantes a uma estante. E o mundo tecnológico que controla a todos, e onde vivem dois grandes amigos nerds, que enriqueceram com a criação do game Oasis.



Wade Watts (Tye Sheridan), como o resto da humanidade, prefere a realidade virtual do jogo ao mundo real. Quando um dos criadores do jogo, o excêntrico e tímido James Halliday (Mark Rylance) morre, ele lança um desafio para os jogadores: aquele que encontrar três chaves e vencer o jogo irá herdar trilhões de dólares de Halliday, além do controle da empresa.

Entre fugas e perseguições contra os demais competidores, Watts, cujo avatar se chama Parzival, descobre que, para vencer, terá de se unir a alguns amigos virtuais, mas desconhecidos na vida real. E ainda apaixonar-se por Samantha (Olivia Cooke), a garota "mais descolada" que já conheceu e que usa o avatar Artemis. Ponto positivo para os demais componentes do clã High Five, de Artemis - Lena Waithe, Win Morizaki e Philip Zhao.


Claro que nada disso seria possível sem um bom vilão. No caso dois - Sorrento (Ben Mendelsohn), o dono da empresa IOI e concorrente da Oasis, e i-R0k (voz de T.J.Miller) , um gigante cibernético atrapalhado que divide com Sorrento os momentos mais engraçados do filme. Perguntar se vale a pena pagar o ingresso da sala #Imax para ver "Jogador nª 1" é até bobagem. Só vale, seja pelos efeitos visuais são ótimos, com cenas bem ágeis, especialmente no "modo game". Uma sessão da tarde, no futuro, que vale a pena ver de novo, diversas vezes, e que ainda conta com uma ótima sonora que pode ser conferida completa clicando aqui.



Ficha técnica:
Direção: Steven Spielberg
Produção: De Line Pictures / Village Roadshow Productions / Random House Films / Reliance Entertainment
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 2h20
Gêneros: Ação / Aventura / Ficção
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: #JogadorN1, #ReadyPlayerOne, #videogame, #Oasis, #TyeSheridan, #MarkRylance, #StevenSpielberg, #açao, #aventura, #ficção, #WarnerPictures, #espaçoz, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho




quarta-feira, 28 de março de 2018

"Nada a Perder" - A biografia romanceada de um líder evangélico

Produção aborda surgimento da igreja e perseguições de concorrentes para justificar a prisão do bispo em 1992 (Fotos: Divulgação)

Maristela Bretas


Baseado no livro homônimo, "Nada a Perder - Contra Tudo. Por todos" é a biografia autorizada de um dos mais conhecidos e polêmicos líderes de igreja evangélica no mundo que estréia nesta quinta-feira nos cinemas com forte marketing de divulgação. A produção da Paris Entretenimento se passa nos anos 60 a 90 e é dividida em três etapas a partir da infância cercada pelo bullying de colegas devido a um problema nas mãos.

Já o adolescente é um rapaz comum, com amigos, namorada e emprego, que tem criação cristã com incursões pela umbanda graças ao pai. É nesta fase da vida que começa a questionar sua fé nas demais igrejas e deixa tudo para dedicar seu tempo à evangelização, que começa com uma caixa de som numa praça pública. O filme também exalta a participação de sua mulher Ester, que o acompanha desde o tempo em que era um jovem de classe média baixa e com quem teve duas filhas.


A arrastada história, narrada em primeiríssima pessoa, começa a partir da prisão do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em 1992 pela Polícia Federal na frente da mulher e da filha mais nova. O roteiro é fraco, com poucas explicações sobre a trajetória e o enriquecimento rápido do personagem e muita exaltação à capacidade dele de pregar o evangelho, segundo o filme, a quem quer que fosse. Ao contrário de seus concorrentes - a Igreja Católica, a quem culpa por sua prisão, e outros líderes evangélicos, como seu cunhado.

As acusações de charlatanismo, curandeirismo e estelionato é sempre colocada na boca dos inimigos, de forma a permitir que o personagem sempre se defenda e seja exaltado pelos fiéis, para quem "Nada a Perder", assim como os livros, são destinados. Muitas passagens ficaram vazias e outras bem romanceadas. 


O intérprete do personagem principal é Petrônio Gontijo, que assimilou bem a postura, o modo de andar e conversar do líder evangélico e entrega uma ótima interpretação. No elenco estão ainda Dalton Vigh (juiz), Beth Goulart (mãe do protagonista), André Gonçalves (o cunhado bispo), Eduardo Galvão (um representante da Igreja Católica), Day Mesquita (Ester Bezerra). Até mesmo o cantor Latino tem uma pequena participação que mostra como era sua vida como morador de rua e que virou seguidor do bispo.

Se o filme peca no roteiro, a reconstrução de época foi bem trabalhada pelo diretor Alexandre Avancini, explorando belas locações em pontos históricos do Rio de Janeiro e São Paulo. A trilha sonora é aplicada em crescente, de forma a envolver o público como acontece em um culto. E é para este público que o filme é direcionado. E, assim como a obra literária, terá uma continuação já confirmada e, possivelmente até uma terceira.


Ficha técnica:
Direção: Alexandre Avancini
Produção: Paris Entretenimento
Distribuição: Downtown Filmes / Paris Filmes
Duração: 2h10
Gêneros: Biografia / Nacional / Drama
País: Brasil


Tags: #NadaAPerderContraTudoPorTodos, #EdirMacedo, #bispo #IURD, #PetronioGontijo, #drama, #biografia, #nacional, #evangelho, #ParisEntretenimento, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho

domingo, 25 de março de 2018

"A Melhor Escolha" - Um drama sensível e crítico sobre amizade, convenções e a hipocrisia da guerra

Bryan Cranston, Steve Carell e Laurence Fishburne se reencontram para após 30 anos para enterrar o filho de um deles (Fotos: Metropolitan FilmExport/Divulgação)

Maristela Bretas


Três ex-fuzileiros navais que lutaram no Vietnã, três vidas que tomaram rumos diferentes e que agora se reencontram para relembrar coisas boas e ruins do passado. Trinta anos depois, a guerra une este trio em "A Melhor Escolha" ("Last Flag Flying"), filme que tem grandes interpretações de Steve Carell, Bryan Cranston e Laurence Fishburne.

Carell é Larry "Doc" Shepherd, um vendedor de loja triste e solitário que sai a procura dos amigos do tempo da guerra usando a internet. O primeiro a ser localizado é Salvatore "Sal" Nealon (papel de Cranston), dono de um bar decadente que vai ajudá-lo a encontrar Richard Mueller (interpretado por Fishburne), agora um respeitável reverendo numa cidade do interior dos EUA.

Estes três homens totalmente diferentes terão de reaprender o significado de amizade e união para ajudar Larry a enfrentar seu maior drama - enterrar o único filho, morto na Guerra do Iraque. Entre recordações, piadas e críticas às convenções militares e até mesmo religiosas, e à hipocrisia criada para justificar a participação dos EUA em conflitos que não diziam respeito, "A Melhor Escolha" tem uma ótima direção de Richard Linklater (o mesmo de "Boyhood - Da Infância à Juventude" - 2014) e é baseado no livro homônimo do escritor Darryl Ponicsan, que auxiliou na condução do roteiro.

O filme oferece momentos de comicidade bem mesclados com o drama, sem cair na pieguice. O personagem de Cranston é aquele que fala o que pensa, é inconveniente às vezes, mas e também o mais engraçado e não aceita mentiras para justificarem um erro. Carell deixa seu lado comediante e entrega ótima interpretação do pai amargurado com a morte do filho, mas que vê nos momentos com os amigos uma luz no fim do túnel para retomar sua vida. O Mueller, de Fishburne, que um dia foi o maior "aprontador" da tropa e que deu uma reviravolta, precisa aprender a aplicar na vida real os ensinamentos que prega a seus fiéis.

Destaque para Yul Vazquez como o Coronel Willits, que recebe os pais dos soldados mortos e tem de preparar todo o procedimento do funeral seguindo as normas das Forças Armadas. E também Cicely Tyson, que teve participação pequena mas marcante como a Sra. Hightower, mãe de um soldado morto no Vietnã.

Claro que não falta a exaltação aos símbolos dos EUA, como a bandeira e às forças armadas. Até porque, é uma história com três ex-combatentes. Mas "A Melhor Escolha" explora as consequências da guerra (não importa qual), como ficam aqueles que lutaram, suas famílias. Alfineta, mesmo sem aprofundar, a capa de mentiras e meias verdades do que acontece com quem está ou passou pelo campo de batalha e o porquê de participar de um conflito armado. Ao mesmo tempo em que usa a necessidade de uma mentira para evitar um sofrimento maior.

Cada um dos amigos carrega consigo uma lembrança dos tempos de Marinha - humilhação, honra por ter pertencido aos fuzileiros e grandes farras e bebedeiras. Em comum,apenas o que os separou: uma grande culpa. Este é um dos pontos falhos do roteiro de Linklater e Ponicsan. O assunto é mencionado em situações diferentes mas não há uma explicação direta e clara. Os três conversam, há pedidos de desculpa, mas não é esclarecido o que realmente aconteceu que levou Larry à prisão e à expulsão da Marinha. E você sai do cinema com dúvida sobre a origem do fim de uma amizade. Se o objetivo do diretor era reunir os amigos e "colocar tudo em pratos limpos", isso ficou a desejar.

Em compensação, a jornada de reencontro para enterrar o filho de Larry ficou ótima. Uma grande aventura com boas risadas, situações semelhantes ao tempo em que eram jovens e até o reconhecimento de um erro, mesmo que tardio. O diretor soube dar a sensibilidade na medida certa para mostrar o amor de pai e filho, a lealdade entre amigos e a tradição militar para entregar um final que emociona.

"A Melhor Escolha" é um drama muito interessante que trata principalmente de valores, independentemente do estilo de vida de cada um. O filme vale a pena ser conferido, com excelentes atuações do trio principal, fotografia impecável e uma ótima trilha sonora de Graham Reynolds.



Ficha técnica:
Direção, roteiro e produção: Richard Linklater
Produção: Amazon Studios / FilmNation Entertainment / Detour Pictures
Distribuição: Imagem Filmes
Duração: 2h04
Gêneros: Comédia / Drama
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 3,8 (0 a 5)

Tags: #AMelhorEscolha, #SteveCarell, #BryanCranston, #LaurenceFishburne, #drama, #comédia, #amizade, #guerra, #ImagemFilmes, #espaçoz, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho

sexta-feira, 23 de março de 2018

A sutileza e a previsibilidade de "Por Trás dos Seus Olhos"

Filme explora a relação possessiva e de dependência entre Blake Lively e Jason Clarke (Fotos: Mars Films/Divulgação)

Wallace Graciano


O contraste é belo. Te expõe aos mais diversos mundos ainda não habitados e revela as histórias mais densas de forma sutil. E é nessa conta que Marc Forster nos traz "Por Trás dos Seus Olhos" ("All I See Is You"), que tenta levar em camadas as nuances que envolvem um relacionamento com a vida de uma pessoa que enfrenta uma limitação física.

Nesse caso, Forster conta a história de Gina, interpretada por Blake Lively (de "Águas Rasas" - 2016, "A Incrível História de Adaline" - 2015 e a série de TV "Gossip Girl"), uma mulher cega desde a infância após um acidente traumático que, além da visão, lhe tirou os pais. Ela busca energias em uma vida desvitalizada pelo seu marido James (Jason Clarke, de “A Maldição da Casa Winchester” - 2018 e "Evereste" - 2015), um homem que a tirou das paisagens paradisíacas do mediterrâneo espanhol para levá-la à bucólica Bangcoc, na Tailândia.

Envolto em um relacionamento de dependência, James se mostra extremamente compreensível com as limitações da esposa. Porém, essa paciência esconde um conformismo de alguém que não vive grandes aventuras e sofre com a decepção de não conseguir dar a ela um primogênito, seu grande sonho. Ao mesmo tempo, Gina busca reações sensoriais para tentar aproveitar o pouco que a vida lhe dá – aqui fica um parêntese para os recursos utilizados por Forster para nos levar ao mundo da protagonista.

A vida dos dois, entretanto, vira ao avesso quando Gina consegue um transplante de córnea. A partir desse momento, o diretor abusa das câmeras em primeira pessoa para estender a narrativa pelo ponto de vista da protagonista, evidenciando a prisão que ela se encontra. Explorando o sensorial, ele nos transporta para cada nova relação que Gina tem com cores e sua visão do olho direito, recuperada com a cirurgia.

Porém, como o filme é um grande contraste, seu ritmo intenso e arrebatador do início se transforma em um plot twist previsível, onde se vê James retraído com as descobertas de sua esposa, que se mostra sufocada pela impossibilidade de tê-lo a cada descoberta.

A sutileza em contar cada detalhe da vida de Gina e nos transportar a eles é digno de aplausos, mas "Por Trás dos Seus Olhos" merecia um roteiro melhor elaborado, que não fosse tão carregado de clichês e previsibilidade.


Ficha técnica:
Direção, roteiro e produção: Marc Forster
Produção: Sc Entertainment
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h50
Gêneros: Drama / Suspense
Países: EUA / Tailândia
Classificação: 14 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #PorTrasDosSeusOlhos, #Blake Lively, #JasonClarke, #MarcForster, #drama, #suspense, #ParisFilmes, #espaçoz, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho

quinta-feira, 22 de março de 2018

"Círculo de Fogo - A Revolta" é a sequência que saiu pior que a encomenda

John Boyega e Scott Eastwood são os pilotos dos Jaegers, os gigantescos robôs de combate (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Gostaria de poder elogiar "Círculo de Fogo - A Revolta" ("Pacific Rim Uprinsing"), segundo filme após cinco anos da estreia do ótimo "Círculo de Fogo" (2013), dirigido pelo premiado Guillermo del Toro ("A Forma da Água"). Mas a nova produção apresenta falhas que somente quem está muito disposto a ver um filme que mais parece uma cópia piorada de "Transformers" vai se sentir a vontade no cinema. Uma pena, poderia ser uma sequência mais bem aproveitada. O diretor Steven S. DeKnight até tentou isso ao mostrar as cidades depois da batalha com os alienígenas, mas deixou que a história se perdesse por falta de criatividade.


O filme não é de todo ruim. Tem pancadaria entre velhos e novos robôs com tamanhos e armamentos variados, monstros gigantes (alguns do primeiro filme), vilões e diálogos clichês e ótimos efeitos de computação gráfica que sustentam toda a ação. Mas também mostra cenas de lutas que ficam confusas, provocando tontura por serem muito rápidas. E as atuações são medianas, mesmo de atores conhecidos como o protagonista John Boyega ("Star Wars - O Despertar da Força" - 2015 e "Star Wars - Os Últimos Jedi"- 2017), que faz o papel de Jake Pentecost, e Scott Eastwood ("Velozes e Furiosos 8" - 2017), como Nate Lambert.



Uma novidade no elenco que se destaca é Cailee Spaeny, que interpreta Amara, a jovem nerd fodona do pedaço que luta muito, constrói robôs e ainda acha um tempo para salvar o mundo dos temíveis kaiju. Os atores Rinko Kikuchi (Mako), Burn Gorman e Charlie Day (os cientistas Hermann Gottlieb e Newton Geiszler) que participaram do primeiro filme também estão de volta. Já o novo grupo de pilotos  Jaeger só está lá para fazer quórum e levantar a bola para Caille aparecer.



A história avança no tempo - dez anos depois do ataque alienígena - mas regride em enredo. Ele é fraco, cheio de furos e mensagens patrióticas e ainda tenta copiar, para pior, o estilo Michael Bay de fazer cinema que, apesar de não agradar a muitos, atingiu sucesso de bilheteria com a franquia "Transformers" de 2007 a 2017. Criatividade não foi o forte do diretor Steven S. DeKnight (responsável por boas produções para a TV, como "O Demolidor"), mas errou a mão em "Círculo de Fogo - A Revolta", ficando muito aquém de seu antecessor. Acho que faltou uma orientação maior de Guillermo del Toro.

Tudo começa com Jake (John Boyega), filho de Stacker Pentecost (Idris Elba), responsável pelo comando do programa Jaeger (supermáquina gigantes pilotadas por humanos) e herói morto na batalha. Promissor talento do programa de defesa, Jake abandonou o treinamento e entrou no mundo do crime, vasculhando ferros-velhos em busca de peças de robôs abandonados.


Perseguido após não encontrar uma peça valiosa, ele encontra o esconderijo de Amara (Cailee Spaeny), que clandestinamente está construindo um Jaeger de porte pequeno. Ambos tentam fugir usando o robô, mas acabam sendo capturados. Para escapar da prisão, eles são enviados ao treinamento de pilotos Jaeger, onde Jake reencontra sua irmã de criação Mako (Rinko Kikuchi). Apesar da tranquilidade aparente, o governo e a empresa responsável pelos Jaeger continuam construindo Jaegers mais poderosos ma expectativa de um possível novo ataque. O que eles não imaginam é que o perigo pode estar dentro do próprio grupo.


Precisa assistir o primeiro para entender o segundo filme? Seria bom, até porque ele é bem melhor. E quer queira ou não, "Círculo de Fogo - A Revolta" deixa a sensação de ser uma mistura de "Transformers - O Último Cavaleiro"  (2017) com "Power Rangers". E quem perde no final, sem dó nem piedade, é novamente a cidade de Tóquio, que vê seus prédios caírem como dominós durante a batalha entre Jaegers e os aliens, chamados agora de Precursores. E se após ler sobre todos estes pontos ainda estiver a fim de ver este filme, não tenha mais dúvidas: vá ao cinema e aproveite mais este blockbuster.



Ficha técnica:
Direção: Steven S. DeKnight
Produção: Universal Pictures / Legendary
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h51
Gêneros: Ação / Ficção científica / Aventura
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

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