domingo, 23 de setembro de 2018

"22 Milhas" tem muita ação, mas roteiro confuso para uma história simples

Mark Wahlberg é o líder de uma equipe de elite que precisa cuidar de um misterioso informante (Fotos: Diamond Films/Divulgação)

Maristela Bretas



Mark Wahlberg repete seu jeito "Transformers de ser" como o mocinho que vai resolver a parada toda com muito tiro e porrada, auxiliado por outros brutamontes. Em "22 Milhas" ("Mile 22"), ele é o líder de uma unidade secreta de elite dos EUA, a Overwatch, chamada sempre quando nem as forças militares nem a diplomacia são suficientes para resolver um conflito. 

A missão do grupo é levar um misterioso informante por um trajeto de 22 milhas até o local de embarque para os EUA onde este irá liberar informações confidenciais sobre uma carga de material radioativo roubada. História simples, sem mistério. Mas o roteirista quis complicar e acabou fazendo de "22 Milhas" um filme extremamente confuso, cheio de rodeios sem explicação, que só permite ao expectador entender a trama depois da metade da exibição.

Tem muita ação, com certeza, bem ao estilo de Wahlberg, mas até o mocinho musculoso tem falas fracas, como se fosse um iniciante. Quando fala, apresenta um personagem antipático e destemperado, como se tivesse com raiva do mundo ou de ter feito o filme, diferente de outros que já interpretou. Pior é ouvir o agente James Silva, papel do ator, gritando o tempo, com comentários machistas sobre a colega de equipe separada que tem uma filha pequena que mora com o pai.

A proposta de "22 Milhas" lembra vagamente a história de "Protegendo o Inimigo" (2012), que teve no elenco Ryan Reynolds, Denzel Washington e Vera Farmiga, que entregaram interpretações bem melhores que Mark Wahlberg, John Malkovich (desperdício de talento) e Lauren Cohan prejudicados pelo roteiro fraco e confuso até na locação - a produção se apresenta como num país no sudeste asiático, mas foi todo filmado na Colômbia (????). O mesmo que gravar em Copacabana e dizer que é uma praia no Taiti. Tudo bem, dos males o menor.

Dirigido por Peter Berg, “22 Milhas” tem ainda no elenco a lutadora de WWE Ronda Rousey e o ator, lutador, coreógrafo de lutas e dublê Iko Uwais, como o policial tailandês Li Noor que tem os segredos do Césio desaparecido e só entrega sua localização após receber asilo nos EUA. Uwais tem uma atuação que se sobressai e está muito melhor que o ator principal, além de dar um show de luta.

Não espere uma história coerente, "22 Milhas" é para aqueles que gostam de muita ação, mesmo que não entendam porque em algumas situações ela está acontecendo. Não foi uma boa investida de Mark Wahlberg e Peter Berg, parceiros em outras boas produções, como “O Grande Herói” (2013) e “O Dia do Atentado (2017), esta última com roteiro ágil e bem articulado que surpreende e emociona.



Ficha técnica:
Direção: Peter Berg
Produção: Film 44 / Closest to The Hole Productions
Distribuição: Diamond Films
Duração: 1h35
Gêneros: Ação / Suspense
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags: #22Milhas, @Mile22Movie, #Mark Wahlberg, #IkoUwais, #LaurenCohan, #JohnMalkovich, #RondaRousey, #ação, #DiamondFilms, #RedeCinemark, #CinemanoEscurinho

sábado, 22 de setembro de 2018

"Ferrugem" - O ímpeto pelo clique, difícil de ser controlado

Tati (esquerda) é a protagonista que passa a sofrer bullying depois de ser exposta na internet (Fotos: Globo Filmes/Divulgação)


Carolina Cassese


O vazamento de um vídeo íntimo, que contém uma cena de sexo entre a Tati e seu ex-namorado, desencadeia os principais acontecimentos de "Ferrugem", longa de Aly Muritiba, que está em cartaz no Belas 3 (sessão das 18 horas). O filme não só mostra os desdobramentos do ocorrido como também se propõe a investigar a maneira como a geração hiperconectada se relaciona. A representação de adolescentes de classe média em "Ferrugem" é verossímil e escapa de estereótipos, mas, para o espectador, não é tarefa fácil construir uma relação genuína de empatia com qualquer um dos personagens, já que os mesmos são construídos de maneira rasa.

A premissa do longa se assemelha com a de "Depois de Lúcia" (2012), filme mexicano dirigido por Michel Franco, também centrado em uma adolescente que, após ter um vídeo íntimo divulgado, sofre bullying pesado por parte dos seus colegas de escola. A produção mexicana, no entanto, impacta e atordoa mais o espectador. "Ferrugem" é dividido em duas partes. A primeira, contada a partir de Tati (Tiffanny Dopke), retrata o bullying que a protagonista passa a sofrer depois de ser exposta na internet. Na segunda, acompanhamos Renet (Giovanni de Lorenzi), um garoto recluso que se envolve brevemente com Tati e é um dos suspeitos de ter vazado o vídeo. Um acontecimento drástico separa os dois atos. 

A disparidade entre eles é evidente. O primeiro, colorido e dinâmico. O segundo, pela visão (ou pela culpa) de Renet, monocromático e lento. A instantaneidade permeia a primeira parte do longa. Após o vazamento do vídeo, Tati escreve para Renet e, segundos depois, o chat do Facebook notifica: “mensagem visualizada”. Nada de resposta. A ansiedade logo consome a protagonista. “Você vai me ignorar?”. Nada de resposta. Em outra cena, é também uma notificação que dá o recado de que o vídeo de Tati está em um site pornô. Pouco tempo depois, a protagonista não resiste e checa a tal página, visualizando, inclusive, os comentários horrendos. O ímpeto de clicar não é facilmente controlável. Quando Tati sai da sala de aula, após ser ridicularizada em uma apresentação de trabalho, os sons que escutamos são difusos.

As imagens também não são nítidas, representando o olhar turvo característico de quem acabou de passar por uma situação humilhante. Envergonhada, a adolescente passa a faltar às aulas. O isolamento social é um sintoma recorrente do comportamento depressivo, que acomete também a garota Alejandra em "Depois de Lúcia". A angústia está claramente presente em Tati, mas especialmente por conta do ritmo que dita o primeiro ato, não é possível conhecer a protagonista a fundo. Os rabiscos do banheiro feminino da escola da garota, típicos de qualquer colégio do Ensino Médio, compõem uma ambientação pertinente para a narrativa. Enquanto no espelho está escrito “você é linda”, de batom (mensagem que recentemente passou a marcar presença em muitos banheiros por conta das crescentes discussões sobre empoderamento), no azulejo ao lado uma garota é chamada de vadia.

A geração que compartilha textões feministas nas redes sociais ainda esbarra com comportamentos machistas arraigados. A amiga de Tati é fonte de apoio e sororidade, mas se sente na obrigação de obedecer ao namorado quando o mesmo diz que ela deveria ficar longe de sua colega. O filme deixa claro que as consequências de um vídeo íntimo vazado são diferentes para homens e mulheres, já que o ex de Tati segue com sua vida normalmente (no máximo ouvindo um comentário engraçadinho sobre o tamanho de seu pênis), enquanto a garota é completamente exposta e estigmatizada. Não se pode afirmar, no entanto, que a discussão sobre o machismo é profunda. A raiz do preconceito não está em pauta.

Aly Muritiba acerta em não mostrar os pais de Tati. Os dois se contentam com respostas vagas da menina e não percebem que há algo de errado com o seu comportamento.  Apesar de viverem na mesma casa (um ambiente bem clean, decorado inclusive com fotos grandes de Tati na sala), a conexão entre a adolescente e os pais é praticamente inexistente. Em "Ferrugem", as ausências e os silêncios são mais potentes do que qualquer aparição ou diálogo. Isolada, Tati tira a própria vida. Consciências pesadas e turvas. Inicia-se, então, o segundo ato do filme. Após o trágico ocorrido, o pai de Renet leva a família para uma casa à beira-mar. A lentidão da segunda parte pretende evidenciar a aflição de Renet. As locações são bem escolhidas e a direção de fotografia, que expressa melancolia, não deixa a desejar.

Por outro lado, a cena em que o protagonista pede desculpas a Tati, por meio de um recado na caixa postal, soa tosca e quase irritante. Algumas perguntas importantes também não são respondidas, dentre elas: o que de fato motivou Renet a espalhar o vídeo? Impulso? Algum tipo de vingança? É interessante perceber que as personagens mulheres são mais empáticas do que os homens. Enquanto David, pai de Renet e também professor, se sente no direito de pegar e esconder o caderno de Tati, a fim de apagar indícios contra o filho, a mãe, Raquel, se impõe: “isso é justo com a menina?”. Neste momento, o tempo abre. Narrativa e estética dialogam constantemente, muitas vezes até de maneira óbvia (como nessa cena da discussão entre David e Clarice, em que a conexão entre desembaçar o vidro do carro e resolver a relação dos dois é explícita). O primo de Renet ridiculariza a atitude drástica de Tati, enquanto a irmã do protagonista demonstra, mesmo que de relance, ter alguma empatia com o ocorrido.

O sensacionalismo da mídia e a cultura do espetáculo rondam a narrativa. Um programa de televisão tem acesso às gravações da câmera da escola, que mostram Tati se matando. Horas depois, o vídeo viraliza no WhatsApp. O primo de Renet recebe o conteúdo e pretende consumi-lo como entretenimento. Renet, em um primeiro momento, se nega a ver as imagens, mas, em cena posterior, decide acessar o vídeo. Novamente, a ânsia pelo clique é voraz. A segunda parte é contemplativa. O difícil é inferir que o personagem Renet tem profundidade o suficiente para ser contemplado em planos tão longos. Fica a sensação de que "Ferrugem" apresenta dois filmes (muito diferentes) em um só. A disparidade entre um ato e outro, como foi dito anteriormente, não diz respeito apenas à mudança de protagonista, mas também ao ritmo, à montagem e paleta de cores.

A transição é abrupta. O primeiro se aproxima de uma "Malhação", enquanto o segundo, mais sombrio, investiga um personagem sem conseguir adentrar de fato em seu universo. Se por um lado o longa acerta com sua direção cuidadosa e com o preciso trabalho de som, por outro peca com a construção dos personagens, já que não é possível compreender as motivações dos mesmos, e também com a superficialidade dos muitos debates apresentados – como a prática de slut shaming, o distanciamento entre pais e filhos, o isolamento social e uma possível depressão.
Duração: 1h45
Classificação: 14 anos



Tags: #Ferrugem, #TiffannyDopke, #GiovanniDeLorenzi, #AlyMuritiba, #depressão, #bullying, #drama, #GloboFilmes, #OlharDistribuição, #CinemanoEscurinho

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

"O Banquete", filme-cabeça sobre lavação de roupa suja da elite

Produção nacional dirigida por Daniela Thomas foi filmada em um único cenário praticamente (Fotos: Imovision/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Dá para arriscar, de cara, que "O Banquete", dirigido por Daniela Thomas, tem sim um parentesco com "O Banquete de Platão", obra escrita por volta dos 380 anos A.C. Na verdade, há referências claras à obra do filósofo, sendo a principal delas o tema, exaustivamente debatido nos dois jantares: o amor. Em ambos, os discursos sobre masculino/feminino/homossexualidade/androginia/completude são eloquentes. Mas, no caso do filme brasileiro, há ainda muita sedução, cantadas e - por que não dizer - sacanagens.

O filme começa com o jovem Ted (Chay Sued em atuação na medida) organizando uma bela e requintada mesa de jantar. Entre os arranjos, a câmera flagra uma flor carnívora devorando, com rapidez e agilidade, um pequeno e desavisado mosquito que pousou nela. Um indício claro de que, no banquete que aconteceria ali, pessoas e histórias poderiam ser sumariamente devoradas.

Aos poucos, o filme vai mostrando ao espectador que a finalidade originalmente dita para a festa - a comemoração de 10 anos de casamento do jornalista Mauro (Rodrigo Bolzan) e da atriz Bia Moraes (Mariana Lima) - é mera desculpa para uma homérica lavação de roupa suja. E dá-lhe confissões, traições, revelações, jogos, loucuras.

Em entrevistas, a diretora Daniela Thomas tem revelado pelo menos duas particularidades do seu filme. A primeira: o personagem Mauro, que passa a festa toda com medo de que a polícia chegue para prendê-lo, é baseado no jornalista e diretor da Folha de São Paulo, Otávio Frias Filho (recentemente falecido), que viveu situação semelhante quando, assim como Mauro, publicou uma carta aberta aos brasileiros revelando sua indignação com o então presidente Fernando Collor de Mello, no fim da década de 80.

Outra revelação de Daniela foi a dificuldade de filmar em um mesmo lugar fechado, um único cenário praticamente, o que fez valorizar o trabalho dos atores. Nesse caso, ela tem razão de sobra. As atuações, até pela proximidade e intimidade com a câmera, são extraordinárias.

Drica Morais está cínica e perversa como Nora, a dona da casa; Caco Ciocler dá um show como o marido sempre bêbado de Nora; Fabiana Gugli está muito convincente como a insegura Maria; Gustavo Machado dá seu recado como o cronista homossexual Luck; Georgette Fadel está ótima como a também homossexual Claudinha; Bruna Linzmeyer se revela como a stripper Cat Woman e Mariana Lima faz tudo certo como a diva do teatro Bia Moraes.

Enfim, "O Banquete" é um filme-cabeça, de discursos e citações, quase uma peça de teatro. Não é todo mundo que gosta de trabalhos assim, que podem soar herméticos e inacessíveis. Mesmo assim, vale. Não só pela interpretação dos ótimos atores, mas também para uma boa reflexão sobre a nossa elite dita intelectual, que vivencia uma verdadeira catarse enquanto brinda e se embriaga com um caríssimo vinho italiano. O filme está em cartaz no Belas 3 (sessões 16h e 21h40) e Net Cineart Ponteio nas salas 2 (14h20) e 3 (15h20 e 19h20).
Classificação: 14 anos
Duração: 1h44
Distribuição: Imovision



Tags: #OBanquete, #DanielaThomas, #DricaMorais, #CacoCiocler, #suspense, #nacional,  #Imovison, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho

terça-feira, 18 de setembro de 2018

"O Predador" é refilmagem com bons efeitos visuais e elenco com pouco carisma

Produção apresenta um alienígena com o sorriso da morte mais assustador e novos dreads na cabeça (Fotos: 20th Century Fox/Divulgação)

Maristela Bretas

Shane Black relembra os tempos de sargento Richard Hawkins, de "O Predador" (1987) e retoma a famosa franquia como roteirista e diretor desta nova versão do ser alienígena mais monstruoso do cinema. Se há 31 anos, ele lutou ao lado de Arnold Schwarzenegger (que fez o papel do major Alan Schaeffer) na caçada aos invasores do espaço, hoje Black coloca seu lado irônico para recontar a história que foi sucesso na época a sua maneira, utilizando inclusive o tema musical original.

Os fãs da franquia não devem gostar muito das mudanças. Mas uma coisa foi melhorada - o sorriso da morte da fera ficou mais assustador e com mais dreads na cabeça. Em "O Predador" ("The Predator"), que acaba de ser lançado nos cinemas, o ser alienígena tem DNA humano com a força e o corpo do antigo inimigo dos terráqueos.

Os efeitos visuais ficaram muito bons, mas o roteiro não corresponde ao esperado, prejudicando inclusive o elenco, que também não é muito carismático. Até mesmo Jacob Tremblay, o menino prodígio de "O Quarto de Jack" (2013) e "Extraordinário" (2017) foi transformado num clichê da criança que vai resolver tudo. Ele é um garoto com autismo, filho do herói Quinn McKenna, um ex-fuzileiro naval interpretado pelo fraco Boyd Holbrook ("Logan" - 2017).

Quinn McKenna é o típico mocinho que acha que vai matar com tiros de pistola um ser super forte e inteligente, que tem a capacidade de desaparecer. Se o personagem não conquista o público, acontece o contrário com o grupo de desajustados comandados por ele para combater o predador. Cinco ex-combatentes do exército, cada um com sua loucura, proporcionam as cenas e diálogos mais divertidos do filme. E também os questionamentos mais sérios, principalmente sobre quem é o verdadeiro inimigo e os verdadeiros assassinos.


Claro que o Predador é a estrela do filme, um personagem bem interessante, mas deixa o expectador menos tendo que seu antecessor da década de 8, que só queria caçar e matar com requintes de crueldade. Esse também separa corpos e tem prazer em ver muito sangue e fazer suas vítimas sofrerem. Mas não é nada comparado ao conterrâneo que vem à Terra caçá-lo, mais forte e brutal.

"O Predador" 2018 também tem em seu elenco a atriz Olivia Munn ("Oito Mulheres e Um Segredo" - 2017) como a cientista chamada para investigar o retorno dos predadores ao planeta.  Mal aproveitada, fica parecendo que o diretor escalou uma mulher para um papel de destaque no filme para não ser chamado de machista.

O novo filme começa com uma perseguição entre naves alienígenas que traz à Terra um novo predador. Ele acaba sendo capturado por humanos, mas um dos militares, Quinn McKenna, que estava em operação na área, rouba o capacete e bracelete do alienígena. A bióloga Casey Brackett (Olivia Munn) é chamada para examinar o ser recém-descoberto, mas ele consegue escapar do laboratório após uma matança geral. 

Ao tentar recapturá-lo, Casey encontra McKenna, que está em um ônibus com ex-militares com problemas. Juntos, eles buscam um meio de sobreviver e, ao mesmo tempo, proteger o Rory (Jacob Tremblay), filho de McKenna, que está com os artefatos alienígenas pegos pelo pai.

Mesmo com um ritmo frenético no início, diálogos divertidos e muita ação na metade da exibição e um final bem aquém do esperado, sem o mesmo impacto do primeiro filme, "O Predador" é um bom entretenimento. Vale a pipoca e o ingresso no cinema e praticamente revela uma possível continuação. Fica um alerta: a versão 3D é muito escura e atrapalha a visualização de algumas cenas. O 2D pode ser uma opção melhor.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Shane Black
Produção: 20th Century Fox / Dark Castle Entertainment
Distribuição: Fox Film do Brasil
Duração: 1h45
Gêneros: Ação / Ficção
País: EUA
Classificação: 18 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #OPredador, #BoydHolbrook, #JacobTremblay, #alienigena, #ShaneBlack,#OliviaMunn, #suspense, #ação, #FoxFilm, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

“Festival Remaster, Clássicos do Cinema Brasileiro” refazendo história na telona

Evento acontece em sete capitais brasileiras exibindo ícones do cinema nacional remasterizados (Fotos: Afinal Filmes/Divulgação)


O Cine Belas Artes e outras oito salas de cinema de sete cidades brasileiras - Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Salvador - recebem entre os dias 20 e 26 de setembro a primeira edição do “Festival Remaster, Clássicos do Cinema Brasileiro”, com a exibição de ícones do cinema nacional remasterizados. O evento remonta 
experiência de quando esses filmes estrearam, proporcionando uma rara oportunidade de rever – ou até mesmo assistir pela primeira vez – na tela grande, clássicos altamente significativos para a nossa cultura, valorizando o cinema, a nossa memória e nossa história. 

Serão exibidos os filmes "Vidas Secas" (1963), de Nelson Pereira dos Santos; "O Homem da Capa Preta" (1986), de Sergio Resende; "República dos Assassinos" (1979), de Miguel Farias Jr; "Luz Del Fuego" (1982), de David Neves; "Vai Trabalhar Vagabundo" (1973), de Hugo Carvana; "O Assalto Ao Trem Pagador" (1962), de Roberto Farias; e os documentários "Os Doces Bárbaros" (1977), de Jom Tob Azulay; e "Carmem Miranda: Banana Is My Business" (1995), de Helena Solberg.

Segundo Alexandre Rocha, um dos realizadores do Festival Remaster, trata-se de uma homenagem aos cineastas brasileiros em toda a força de sua vitalidade original, trazendo seus sucessos de volta às salas espalhadas pelo Brasil, agora remasterizados com qualidade digital. Filmes que marcaram época, foram premiados e aclamados pelo público, levaram milhares de pessoas ao cinema, emocionaram e são referências para várias gerações. 

Serão sete dias corridos, com projeções que a maioria das pessoas não teve a oportunidade de ver na tela dos cinemas. “Queremos dar caráter de nova estreia a estes filmes, ao revistarmos títulos tão relevantes. É uma nova experiência na sala de cinema”, conta Vitor Brasil que produz o Festival Remaster.


A partir de 8 de outubro, o Festival Remaster continua na grade do Canal Brasil, que exibirá sempre as segundas e terças, à 0h15, películas que fazem parte do festival, em uma faixa especial do canal. Idealizado pelos produtores Alexandre Rocha, Cristiana Cunha, Marcelo Pedrazzi e Vitor Brasil, o Festival Remaster é uma produção da Afinal Filmes.

PROGRAMAÇÃO - DE 20 A 26 DE SETEMBRO
20/09 - 15h30 e 19h30 - "Vidas Secas", de Nelson Pereira dos Santos
21/09 - 15h30 e 19h30 -"O Homem da Capa Preta", de Sergio Resende
22/09 - 15h30 e 19h30 - "Os Doces Bárbaros (doc), de Jom Tob Azulay
23/09 - 15h30 -"República dos Assassinos", de Miguel Farias Jr.
             19h30 - "Luz Del Fuego", de David Neves
24/09 - 15h30 e 19h30 -"Carmem Miranda: Bananas Is My Business" (doc), de Helena Solberg
25/09 - 15h30 e 19h30 -"Vai Trabalhar Vagabundo", de Hugo Carvana
26/09 - 15h30 e 19h30 - "O Assalto ao Trem Pagador", de Roberto Farias 

A programação pode ser conferida no Facebook do Festival Remaster: https://www.facebook.com/festivalremaster



Tags: #FestivalRemasterClassicosdoCinemaBrasileiro, #FestivalRemaster, #cultura, #memória, #filmesremasterizados, #classicos, #BelasArtes, #GloboFilmes, #Espaçoz, #CinemanoEscurinho

sábado, 15 de setembro de 2018

"Hotel Artemis" - Um entretenimento que vai bem com uma pipoca

Jodie Foster protagoniza este suspense futurista ambientado quase na íntegra dentro de um hospital para criminosos (Fotos: Matt Kennedy/Diamond Films)

Matheus Ciolete


O filme se passa em 2028 em uma Los Angeles pós-apocalíptica quando há uma rebelião da população, sobretudo contra a empresa Cintra Clearwater, devido a dificuldades causadas pela privatização da água. A enfermeira (Jodie Foster), com a ajuda de seu fiel escudeiro Everest (Dave Bautista), é responsável por um dos hospitais clandestinos que, utilizando tecnologia futurística, tratam criminosos: o Hotel Artemis.

É uma noite agitada e o “hotel” está funcionando em sua capacidade máxima, recheado de bandidos cuja única informação a princípio é o nome do quarto em que estão. São os mais importantes para a trama: Acapulco (Charlie Day), um traficante de armas sem educação; Nice (Sofia Boutella), que faz o tipo “tão gata quanto letal” comum aos filmes de ação hollywoodianos; os irmãos Waikiki (Sterling K Brown) e Honalulu (Brian Tyree Henry), respectivamente o irmão competente e honrado e o incompetente e sem princípios.

As coisas começam a ficar complicadas quando aparecem dois hóspedes inesperados: Orion (Jeff Goldblum), o chefão do crime da cidade, e Mo (Jenny Slate), uma policial que a enfermeira conhecia desde antes da farda. A partir daí a trama de "Hotel Artemis" começa a se desenrolar e vemos as reais intenções de cada personagem durante o longa.

Apesar de a maior parte da ação se passar em um local fechado, o próprio hotel, não há a sensação de aprisionamento ou claustrofobia que costumam ser inerentes a filmes onde a área de ação é limitada e carece de locações amplas e variadas. Ponto positivo que se estende como elogio à direção de Drew Pearce, também roteirista do filme.

A estreia do diretor em longas metragens é marcada por sequências construídas com planos que conseguem alguma profundidade devido à exploração dos corredores do Hotel Artemis. Isto, alternando com algumas tomadas aéreas e às poucas cenas no exterior do prédio fazem tanto o filme quanto o espectador respirarem durante os 97 minutos de exibição.

Toda a trama se desenrola durante apenas uma noite em L.A. e, por isso, em alguns momentos, o filme parece andar rápido demais. Assim alguns personagens devem em profundidade e deixam evidentes as possíveis viradas de roteiro, contribuindo para a previsibilidade do filme.

Uma tentativa digna de nota é a de ressaltar o momento crítico da ação com o auxílio da fotografia. Quando o caldo realmente entorna no hospital, todo o clima é alterado por meio da iluminação vermelha que diegeticamente advém das luzes de segurança do prédio, acionadas quando a energia cai, e que marcam uma mudança na intensidade do filme.

A partir daí, quando o sinal vermelho é ligado, o clima esquenta e a ação se desenrola. As personagens mostram suas habilidades especiais e dividem o filme em duas partes: antes e depois da luz vermelha. Na primeira, onde os personagens se apresentam e a tensão começa a se formar, e na segunda, onde os problemas começam a ser resolvidos, geralmente da forma mais violenta possível. Por fim, e no fim, há ainda a epifania da enfermeira que segue seu caminho em meio à imagem enevoada, sugerindo que o futuro é inevitável e turvo para quem descobriu que “é mais difícil sair que entrar”. 

As superficialidades dos personagens, que deixam o roteiro óbvio demais, são o grande ponto negativo, mas o filme se salva pela boa produção, vide fotografia e direção, bem como pelas boas sequências de luta, em especial as vividas por Nice, e acaba tendo um saldo positivo.

Vale a pena assistir "Hotel Artemis" para quem não espera muito mais de um filme que diversão e um balde de pipoca. Apesar de ter estreado na última quinta-feira nos cinemas brasileiros, a previsão é de que o DVD e o Blu-ray de "Hotel Artemis" comecem a ser vendidos no dia 9 de outubro nos EUA.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Drew Pearce
Distribuição: Diamond Films
Duração: 1h35
Gêneros: Ação / Suspense / Ficção
Países: EUA / Reino Unido
Classificação: 16 anos

Tags: #HotelArtemis, #JodieFoster, #DaveBautista, #DrewPearce, #SofiaBoutella, #CharlieDay, #suspense, #ação, #DiamondFilms, #Cinemark, #CinemanoEscurinho

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

"O Paciente - O Caso Tancredo Neves" desvenda os bastidores da morte que abalou o país

Filme conta como foram os últimos 39 dias de vida e sofrimento do presidente eleito que não tomou posse (Fotos: Globo Filmes/Divulgação)

Maristela Bretas

A história por trás da morte mais polêmica do país dos últimos 30 anos chega hoje aos cinemas brasileiros e serve como exemplo de como a manipulação política e o ego excessivo de uma equipe médica transformaram a vida de um grande estadista em um sofrimento infindável. "O Paciente - O Caso Tancredo Neves", sob a direção de Sérgio Rezende, é baseado no livro homônimo, do historiador Luis Mir. 


O filme revela, após 30 anos, os bastidores médicos dos últimos dias da vida do primeiro presidente civil, eleito pelo colégio eleitoral no Congresso Nacional, pós-ditadura militar. Depois de 39 dias de internação e uma sucessão de avaliações e procedimentos médicos errados, Tancredo Neves morreu no dia 21 de abril de 1985, sem nunca ter sido empossado.

Com interpretação comovente do experiente Othon Bastos, a produção reforça a ansiedade do presidente eleito com o destino da nação, caso não tomasse posse, suas angústias e o medo do retorno da ditadura militar que não daria posse a seu vice, José Sarney. A produção relembra frases e discursos marcantes do político, sempre reforçando que ele precisava melhorar e tomar posse na Presidência para garantir a democracia no país. Mas a que mais emociona é quando ele diz "Eu não merecia isso". Othon Bastos faz arrepiar.

Othon Bastos e Sérgio Rezende na pré-estreia
em BH Foto: Maristela Bretas
Sérgio Rezende (responsável por sucessos como "Em Nome da Lei", "Zuzu Angel" e "O Homem da Capa Preta") soube captar muito bem a história literária, pesquisada por anos por Luiz Mir. Em entrevista na pré-estreia especial em Belo Horizonte, no Cineart Boulevard, o diretor chamou Tancredo Neves de conciliador. "Depois de 21 anos de ditadura, era o único homem capaz de reunir as forças políticas e resinstaurar a democracia. Eu acho que neste momento radical que o país está vivendo, nós precisamos de alguém com equilíbrio que some no lugar de dividir". 

Esta é a terceira parceria de Rezende com o ator Othon Bastos. "Ele é um monumento, um ator que está vivo criativamente, que comove a equipe inteira, movimenta o set de filmagem e é sempre um privilégio trabalhar com ele", declarou. 
Othon Bastos, também presente à pré-estreia, contou que foi muito emocionante interpretar o político porque pegou esse momento da vida dele que o destino mudou. "Quando a gente não completa o que faz na vida, a gente diz que foi destino. Foi uma perda enorme, eu acho que o Tancredo faz uma falta enorme nesse país, uma pessoa digna, um grande político. Foi um prazer enorme interpretá-lo. Hoje não existe um grande político no país, nós estamos vivendo o momento da pusilanimidade, da covardia, da fraqueza".

Também brilhou na produção a atriz Esther Góes, no papel de Risoleta Neves, esposa de Tancredo, A personagem foi apresentada como uma mulher forte, que ficou ao lado do marido durante a vida toda e que exercia grande influência em suas decisões. O elenco conta ainda com Paulo Betti, como o vaidoso e insensível médico Henrique Pinotti (último a operar o presidente), Otávio Muller (Dr. Renault), Leonardo Medeiros, (Dr. Pinheiro Rocha, primeiro a operar Tancredo), Emiliano Queiróz (médico da família) e Emílio Dantas, como o assessor de imprensa Antônio Britto, papel bem fraquinho se comparado ao que representou o jornalista na ocasião dos eventos.

Com rápida reconstituição de época, utilizando o recurso de imagens da passagem da ditadura militar, a escolha pelo Colégio Eleitoral, o povo nas ruas pedindo democracia e rezando para que o presidente melhorasse. "o Paciente - O Caso Tancredo Neves" é uma aula de história de um momento delicado do país. A abordagem principal é a doença que atingiu o político às vésperas de sua posse e toda a sequência de diagnósticos duvidosos, de egos médicos inflados (quem ia ser o herói que salvaria o presidente) e de interesses políticos (situação e oposição). 

Um "E.R" brasileiro, com direito a levar o presidente para o Pronto Socorro do Hospital de Base de Brasília porque todo mundo dava ordem, mas não sabia o certo a fazer. Tancredo foi o político que conseguiu unir uma nação, mas virou um joguete nos últimos dias de sua vida. Um bom exemplo foi a famosa foto posada numa sala do hospital escondendo os aparelhos para mostrar ao país que o presidente eleito estava bem seria empossado.

"O Paciente - O Caso Tancredo Neves" é uma aula de história que deve ser conferida pela nova geração que não viveu aquele momento. E também a recuperação de um momento que foi importante e mudou o país para quem viveu todo o drama na época, mas desconhecia a verdade sobre o tratamento médico dado ao presidente e ao homem Tancredo. Vale muito conferir, principalmente pelas ótimas atuações do casal principal.



Ficha técnica:
Direção: Sérgio Rezende
Produção: Globo Filmes / Morena Filmes
Distribuição: Downtown Filmes / Paris Filmes
Duração: 1h40
Gêneros: Biografia / Drama
País: Brasil
Classificação: 12 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

Tags: #OPacienteOCasoTancredoNeves, #OPaciente, #OthonBastos, #EstherGoes, #MorenaFilmes, #SergioRezende,  #GloboFilmes, #ParisFilmes, #PauloBetti, #biografia,#cinemas.cineart, #DowntownFilmes, #EspacoZ, #CinemanoEscurinho

terça-feira, 11 de setembro de 2018

"Mostra In-Edit Brasil - 10 anos" traz a BH seleção especial de documentários musicais



Pela primeira vez Belo Horizonte recebe, de 14 a 23 de setembro, no Sesc Palladium, a Mostra In-Edit Brasil - 10 anos, um recorte do In-Edit Brasil, primeiro festival brasileiro dedicado ao gênero do documentário musical, realizado desde 2009, em São Paulo. Com entrada gratuita, a Mostra exibirá uma seleção especial com 11 filmes brasileiros que foram destaque nos 10 anos de história do Festival. 


Entre os títulos selecionados estão os vencedores do prêmio do júri e votação do público, nas dez edições do evento realizadas na capital paulista. A curadoria da Mostra In-Edit Brasil - 10 Anos é de Marcelo Aliche, diretor artístico do evento desde sua 1ª edição. A sessão de abertura na sexta-feira (14), às 19h30, exibirá o filme “Fevereiros”, de Marcio Debellian, vencedor do prêmio do júri da edição 2018 e ainda inédito no circuito comercial.

Outros filmes inéditos no circuito e que estarão em cartaz na Mostra são “Dê Lembranças a Todos”, sobre Dorival Caymmi, menção honrosa na edição 2018; e “Eu, Meu Pai e Os Cariocas”, de Lúcia Veríssimo, vencedor do júri na edição 2017. Outro destaque, inédito em Belo Horizonte, é o filme “O Piano que Conversa”, de Marcelo Machado, prêmio do público em 2017. 


O pianista Benjamim Taubkin, retratado no documentário, estará presente à sessão, marcada para terça-feira (18), e fará uma aula-show na quarta (19), às 20h, no Teatro de Bolso. Na apresentação, Taubkin estará acompanhando dos músicos Paulo Santos, integrante do extinto grupo Uakti e de Nelson Soares e Marcos Moreira, do duo experimental O Grivo, ambos de Belo Horizonte.

Sobre o In-Edit Brasil

Com origem em Barcelona, o In-Edit chegou ao Brasil, em 2009. Desde então, foram realizadas dez edições em São Paulo, e já passou pelo Rio de Janeiro e Salvador, chegando pelo primeira vez a Belo Horizonte. A cada ano, em São Paulo, são exibidos cerca de 60 filmes, nacionais e estrangeiros, inéditos no circuito comercial do país, além de retrospectivas e mostras especiais. 

O IN-EDIT BRASIL atua na difusão de obras inéditas e no resgate de títulos históricos, fomentando o mercado audiovisual do Brasil. Todos os anos, o filme brasileiro de maior destaque na competição ingressa no circuito In-Edit de festivais pelo mundo, levando a cultura brasileira a países como Grécia, Chile, Colômbia, México e Espanha. 

MOSTRA IN-EDIT BRASIL 10 ANOS  

"Fevereiros" - Márcio Debellian, Brasil, 2017 - 1h14
A relação entre Maria Bethânia e o carnaval é notória. Desde sua infância, em Santo Amaro da Purificação (BA), a cantora sempre cultuou essa festa, que marcou sua formação. Em 2016, a escola de samba Estação Primeira de Mangueira rendeu-lhe uma grande homenagem e acabou ganhando o título, após um jejum de 13 anos. Nesse processo, Bethânia recorda suas primeiras festas e também a importância da espiritualidade em sua vida.
Datas e horários exibição: 14/9 (sexta), às 19h30, e 23/9 (domingo), às 19h30


"Dê Lembranças a Todos" - Irmãos Di Fiori, Brasil, 2018 - 1h13
Dorival Caymmi – junto com Jorge Amado – foi um dos inventores do imaginário baiano. Suas músicas, repletas de referências ao mar e a pessoas de sua terra, cativaram o público pela simplicidade e beleza e o transformaram num personagem mitológico. Em seus 94 anos de vida, Caymmi compôs, cantou, escreveu, ilustrou e pensou sua Bahia, mesmo longe dela. Seus familiares, parceiros, amigos e fãs relembram os detalhes de sua história, que o transformou em um dos pilares da cultura brasileira.
Datas e horários exibição:15/9 (sábado), às 17h30 / e 21/9 (sexta), às 15h30

"Olho Nu" - Joel Pizzini, Brasil, 2013, 1h41
Ney Matogrosso encanta o Brasil e o mundo há mais de quatro décadas. Sua poderosa interpretação musical deixou uma marca no imaginário brasileiro. Neste filme, Ney, aos 70 anos, revê sua vida pessoal e também sua carreira no sentido mais amplo. Para ilustrar, mais de 300 horas de material que faz parte de seu arquivo pessoal de Ney, formando um retrato de um artista maduro, que nunca precisou provar nada pra ninguém, e que hoje se sente profundamente recompensado por isso.
Datas e horários exibição:15/9 (sábado), às 15h30, e 21/9 (sexta), às 19h30

"Eu, Meu, Pai E Os Cariocas" - Lúcia Veríssimo, Brasil, 2017 - 1h52
Os Cariocas são uma marca na história da música brasileira. Iniciado 1946 o grupo esteve em atividade até 2016. Tudo graças ao maestro Severino Filho, líder da formação e músico extraordinário. Idealizado, dirigido e narrado pela atriz Lúcia Veríssimo, filha do maestro, o filme não é apenas uma homenagem ao pai, mas também um minucioso retrato sociopolítico e musical deste período. Com um material de arquivo riquíssimo e depoimentos de grandes nomes da música brasileira, Lúcia nos mostra uma produção musical que é parte do inconsciente coletivo brasileiro.
Datas e horários exibição:15/9 (sábado), às 19h30, e 20/9 (quinta), às 19h30


"L.A.P.A." - Emílio Domingos e Cavi Borges, Brasil, 2008 - 1h15
Quem mora no Rio de Janeiro e gosta de hip hop, tem endereço certo: a Lapa. Um bairro tradicional que passou da mais absoluta decadência a ponto de referência da música carioca. MCs, DJs, B-Boys, grafiteiros, produtores e fãs se reúnem para criar e compartilhar a cultura de rua. “L.A.P.A.” mostra os personagens mais destacados de um coletivo em constante movimento.
Datas e horários exibição: 16/9 (domingo) e 20/9 (quinta), às 17h30

"Filhos de João - O admirável mundo novo baiano" - Henrique Dantas, Brasil, 2009 - 1h15
Horas e horas de música com pausas para históricas peladas. Assim viviam os Novos Baianos no Cantinho do Vovô, a comunidade onde moravam em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, durante os anos de chumbo. Nessa época, os jovens músicos já conheciam João Gilberto e, aconselhados por ele, começavam a tocar sambas de compositores como Assis Valente e os mestres do choro, mas sem esquecer suas referências roqueiras. Este documentário conta a história desta convivência.
Datas e horários exibição: 16/9 (domingo), às 15h30, e 21/9 (sexta), às 17h30

"A Farra do Circo" - Roberto Berliner e Pedro Bronz, Brasil, 2013 - 1h37
Roberto Berliner resgatou o material que filmou sobre o Circo Voador, desde a colocação da lona no calçadão do Arpoador até a viagem para a Copa do México, em 1986. Liderado por Prefeito Fortuna, o Circo foi plataforma de lançamento para toda uma geração que veio anos mais tarde escrever seu nome entre os grandes da música brasileira. Utilizando apenas imagens da época, o filme surpreende com um discurso vivo e atual. Cenas com Barão Vermelho, Caetano Veloso e o grupo Asdrúbal Trouxe O Trombone, entre outros, são um presente para os olhos e ouvidos. Uma lição de ativismo, divertida e necessária, ontem, hoje e sempre.
Datas e horários exibição: 16/9 (domingo), às 19h30 / e 23/9 (sexta), às 17h30

"Gretchen Filme Estrada" - Eliane Brum, Paschoal Samora, Brasil, 2010 - 1h30
No ano de 2008, Gretchen dividiu seu rebolado entre o picadeiro e o palanque. A cantora e dançarina percorreu vilarejos do Nordeste ganhando a vida como artista nos circos locais e fazendo barulho em sua campanha para prefeita da Ilha de Itamaracá - PE. De circo em circo, o filme registra as experiências da artista para enfrentar seus adversários políticos e seu novo público, o eleitorado.
Datas e horários exibição:18/9 (terça), às 17h30, e 22/9 (sábado), às 17h30

"O Piano que Conversa" - Marcelo Machado, Brasil, 2017 - 1h18
O diretor Marcelo Machado nos convida para uma viagem com o pianista Benjamin Taubkin. Nela, o personagem principal é o piano, que aparece em vários lugares do Brasil e do Mundo, como Bolívia e Coréia do Sul. Neste encontro, o piano interage com diferentes músicos e culturas, criando ambientes sonoros de grande beleza. Enquanto isso, o olhar atento e apurado do diretor revela a intensidade e os detalhes de cada momento. Um diálogo entre a música e o cinema em que tudo fica dito sem que nenhuma palavra seja mencionada.
Datas e horários exibição:18/9 (terça), às 19h30, com a presença do pianista Benjamin Taubkin/ e 23/9 (domingo), às 15h30

"Vou Rifar Meu Coração" - Ana Rieper, Brasil, 2011 - 1h18
“Eu vou rifar meu coração”, “me suja de carmim, me põe na boca o mel” são trechos de canções que pertencem a um estilo de música romântica conhecido no Brasil como brega. Odair, Amado, Waldick, Lindomar, Wando fazem música para os personagens reais deste documentário. Para esses músicos, o amor não vê cor, classe, opção sexual, nem diploma. O filme capta histórias de amor reais na intimidade e trata a música brega como legítima expressão do imaginário popular brasileiro.
Datas e horários exibição:19/9 (quarta), às 17h30, e 22/9 (sábado), às 15h30

"Waiting for B." - Paulo Cesar Toledo, Abigail Spindel Brazil, 2015 - 1h11
Quando o assunto é a espera por um grande show, a expectativa dos fãs não tem limites. Em 2013, dezenas de pessoas acamparam em frente ao estádio do Morumbi durante dois meses para ver Beyoncé. Usando barracas e um sistema de rodízio para dormir no local e garantir o lugar mais próximo do palco, jovens montaram guarda até o tão sonhado dia. Os diretores Paulo César Toledo e Abigail Spindel acompanharam essa espera e as relações desse grupo aparentemente tão homogêneo, que enfrentou meses, dias, horas, chuva, vizinhos e torcedores do estádio onde foi realizado o show, e a incredulidade de todos.
Datas e horários exibição:19/9 (quarta), às 19h30 / e 22/9 (sábado), às 19h30

Serviço:
Mostra In-Edit Brasil - 10 anos 
Data: 14 a 23 de setembro de 2018
Ingressos: gratuitos com retirada 30 minutos antes de cada sessão  na bilheteria, de terça-feira a domingo, das 9 às 21 horas
Local: Sesc Palladium - Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro
Informações: 31 3270-8100

Aula show - Benjamim Taubkin e convidados: Paulo Santos (Uakti) e de Nelson Soares e Marcos Moreira (O Grivo)
Data: 19/9 (quarta-feira), às 20 horas
Local: Teatro de Bolso 

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