29 abril 2026

Cineart Open Air volta a BH mais sofisticado, acessível e ultra sensorial

Programação acontece de quinta a domingo no Espaço 356, com filmes, shows e atividades para a família
(Fotos: Cineart/Divulgação)
 
 

Da Redação

 
De 30 de abril a 31 de maio, o Cineart Open Air está de volta a Belo Horizonte no Espaço 356, bairro Olhos D'Água, em uma edição mais ambiciosa, mais sofisticada e muito mais expandida, com sessões Premium a céu aberto a partir de R$ 40,00.

O projeto retorna com mais força em uma parceria com a produtora de eventos Box. A promessa é transformar novamente o céu da capital em telão, mas com um upgrade claro de proposta. 

O cinema continua sendo o coração da experiência, só que agora pulsa cercado por música ao vivo, DJs, festas temáticas, ambientação sensorial, gastronomia de primeira e uma programação pensada para prolongar a emoção muito além dos créditos finais. 


De quinta a sábado, as noites começam com um filme e seguem com diferentes desdobramentos. Às quintas, o espaço recebe noites de jazz e arte assinadas pelo DJ Leandro Rallo, Amy Wine Bar e Forninho, com sessões mais intimistas e intervenções artísticas. Às sextas, a programação se desdobra em happy hours com DJs convidados e bebidas especiais. 

As noites de sábado terão sessões temáticas seguidas de after parties assinadas por marcas aclamadas em BH, como Cafofo, Baile do Birico e Jack in the House. Todas especialmente desenhadas para conversar com a atmosfera do longa exibido. 

Já os domingos serão dedicados às famílias, com atividades infantis, oficinas e brincadeiras durante o dia ao ar livre, em parceria com o Extremo Park, o parque indoor do Espaço 356, antes de uma sessão ao final da tarde pensada para todas as idades. As atividades estão incluídas no valor do ingresso.


Uma estreia de peso

A edição deste ano também ganha um gancho pop poderoso. A estreia da temporada coincide com a chegada de “O Diabo Veste Prada 2”, um dos títulos mais aguardados de 2026 e capaz de conectar moda, cultura pop e cinema de forma quase irresistível. 

A programação reúne ainda outros títulos de forte apelo, como “Michael”, a cinebiografia que conta a história do Rei do Pop, Michael Jackson. Além desses, também serão exibidos títulos como “Super Mario Galaxy” e "Marte Um" (2022), promovendo o cinema nacional, dentre outros filmes que ainda serão divulgados.

Para Lúcio Otoni, diretor da Rede Cineart, o novo formato nasce de uma escuta atenta ao que o público demonstrou desejar na primeira edição. “O primeiro Open Air já mostrou que Belo Horizonte queria mais do que uma sessão especial ao ar livre. Queria viver uma noite ou tarde inteira em torno do filme e para além. Esta nova edição nasce justamente desse entendimento. O cinema continua sendo o centro, mas agora a experiência cresce em volta dele, com música, atmosfera, permanência e uma curadoria pensada para transformar a ida ao cinema em um acontecimento”, afirma.


Tudo em volta da tela

O público encontrará uma tela de 11m x 6m, projeção Barco 2K, som Dolby Digital 5.1, além de cadeiras estilo praia, pufes, mantas personalizadas e aquecedores para as noites mais frias.

Em volta da sessão, a experiência se completa com gastronomia, assinada pelo restaurante Barolio, carta de vinhos, drinques selecionados, bomboniére gourmet, um lounge com vista panorâmica para Belo Horizonte (onde música ao vivo e DJs ajudam a construir a atmosfera do evento) e muito mais.


Segundo Otoni, o projeto reafirma uma visão de experiência para a marca e representa um “universo sensorial completo”, em que gastronomia, cenografia e entretenimento se unem para criar momentos únicos. 

“A Cineart acredita cada vez mais no cinema como experiência. A sala escura continua sendo um lugar insubstituível, mas há formatos que permitem expandir essa potência e criar novos rituais em torno da sétima arte. O Open Air é uma forma de valorizar o filme e, ao mesmo tempo, tudo o que pode nascer em volta dele: encontro, cidade, música, celebração e memória”, comenta.

Funcionamento

Serão vendidos 120 ingressos por sessão, todos com direito ao filme e à programação do dia, incluindo as after parties ou atividades correspondentes. Esses ingressos custam R$ 80,00 a inteira e R$ 40,00 a meia, com vendas pelo site da Cineart


Além disso, a parte noturna terá também venda de ingressos avulsos para quem quiser participar apenas das festas posteriores à sessão, comercializados pelo app da Ingresse.

Os links das duas modalidades podem ser conferidos nos canais oficiais da Cineart e Ingresse. Os assentos das sessões serão livres, numa escolha que favorece um clima mais solto e convida o público a chegar antes, circular, ocupar o espaço com mais liberdade e entrar gradualmente no ritmo da noite (ou da tarde, no caso dos domingos).

Para o diretor da Cineart, o Open Air ajuda a consolidar Belo Horizonte como uma praça preparada para experiências culturais mais autorais, mais Premium e mais híbridas.


Serviço:
Cineart Open Air 2026
Período: de 29 de abril a 31 de maio
Dias: quinta a domingo
Horários: quintas a sábados, a partir das 18h
                domingos, a partir das 12h (com atividades infantis incluídas no ingresso)
Local: Espaço 356 - Rua Adriano Chaves e Matos, 100 - Olhos D'Água, Belo Horizonte
Ingresso cinema + experiência do dia: R$ 80,00 inteira / R$ 40,00 meia 
Venda: site da Cineart - https://cineart.com.br/cinema/cineart-open-air
Ingresso só after party: R$ 80,00 em média
Venda: app ou site da Ingresse - https://www.ingresse.com/cineart-open-air-30-de-abril-a-31-de-maio/



26 abril 2026

Crítica de "Zico, O Samurai de Quintino" – O Legado do Camisa 10 da Gávea

Documentário descreve a construção do mito que fez do atleta uma unanimidade para uma parcela da população que gosta de futebol (Fotos: Divulgação, Peter Wrede e Pedro Curi)
 
 

Wallace Graciano

 
Transportar para a telona a essência de um atleta que é tratado pelo público como uma divindade exige muito mais do que devoção: exige a coragem de, em certa medida, profanar o que, para muitos, é um mito para encontrar o lado mundano. 

E, em "Zico, O Samurai de Quintino", que estreia na próxima quinta-feira, dia 30, o diretor João Wainer explora um arquivo biográfico incomum — que inclui registros em Super-8, fitas VHS tateadas pelo tempo e diários pessoais — para seguir um caminho no qual a reverência e a ousadia narrativa tabelam como Bebeto e Romário certa vez já fizeram. 


O resultado é uma obra que não explora o camisa 10 da Gávea apenas como detentor da pedra mais alta, o que seria um caminho fácil. Ela também expõe sua carne. Esqueça o clubismo. O filme é, acima de tudo, uma obra que prende o cinéfilo apaixonado por futebol. 

Ao descrever a construção do mito que fez de Zico uma unanimidade para uma parcela da população, o diretor usa um ritmo frenético para escapar do academicismo biográfico. Ele vai e volta na narrativa, como um camisa 8 que dita os rumos de um meio-campo, dando fôlego aos acontecimentos sem precisar de uma linearidade para explicar por que o “Galinho de Quintino” chegou ao panteão onde o colocam.


Mas, como dito lá atrás, essa obra não é apenas uma construção de exaltação à figura mítica. Wainer sabe como inserir contrapontos de profundo potencial dramático e histórico, não fugindo de temas como a perseguição política sofrida por seu irmão, Nando, durante a ditadura militar, ou o impacto sociopolítico da fundação do Kashima Antlers no Japão.

E toda essa dualidade de construção do personagem, seja pela doce memória dos torcedores ou pelo sabor amargo da lona, tem um ponto focal que Wainer soube explorar bem: Sandra, esposa do craque há cinco décadas. Ela é o principal fio condutor do relato, sendo a guardiã da memória íntima que humaniza o ídolo.


Por meio dela e dos depoimentos sensíveis dos filhos — que não hesitam em expor as fraturas emocionais causadas pelas constantes ausências de um pai sugado por sua própria grandeza —, o documentário acessa o custo invisível da glória. É nesse terreno de vulnerabilidade que a narrativa ganha a textura que lhe falta em outros momentos. 

A dor lancinante da eliminação na Copa de 1982, o trauma físico imposto pela criminosa entrada de Márcio Nunes em 1985 e o peso do pênalti perdido contra a França em 1986 não são enquadrados apenas como obstáculos superados, mas como feridas abertas. E é nesse ponto que o estoicismo blindado do "Samurai" finalmente cede espaço às angústias do homem nascido em Quintino.


"Zico, O Samurai de Quintino" é um filme que escolhe desafiar seu público. Obviamente que ele afaga a memória coletiva de uma torcida, entregando uma filmagem quase litúrgica para seus devotos e uma introdução eficiente para quem ainda não foi apresentado ao camisa 10 da Gávea. 

Porém, não mergulha na fácil narrativa de exaltação contínua que faz do homem um mito. Se não reinventa a roda do documentário, sabe como explorar a fragilidade do ser humano, tratando com sensibilidade sua memória.

Obs.: De acordo com o perfil do Flamengo na rede social “X” (antigo Twitter), quem for trajado com a camisa do rubro-negro para assistir ao filme pagará meia-entrada. A promoção será válida exclusivamente durante a primeira semana em que a película estiver em cartaz. Consulte os cinemas participantes.


Ficha Técnica
Direção: João Wainer
Roteiro: Thiago Iacocca
Produção: Vudoo Filmes e Guará Entretenimento, com a coprodução da Globo Filmes, SporTV, Pontos de Fuga, Investimage e Clube de Regatas do Flamengo
Distribuição: Downtown Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h43
Classificação: 12 anos
País: Brasil
Gênero: documentário
Avaliação: 4,5 (0 a 5)