quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

"Jumanji: Próxima Fase" tem ação e emoção que valem uma sessão da tarde

Elenco do primeiro filme está de volta e mais aventuras e novos personagens (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Trazendo de volta o elenco do primeiro filme, "Jumanji - Próxima Fase" ("Jumanji - The Next Level") tem muita ação no retorno ao jogo de videogame, trabalha mais a emoção e é mais um do mesmo. Para quem não viu "Jumanji: Bem Vindo à Selva", de 2017, recomendo assistir para entender melhor como tudo começou e a troca de corpos dos personagens - essa é a parte mais engraçada de ambos os filmes. Além de Dwayne Johnson (Dr. Smolder Bravestone), Kevin Hart (Mouse Finbar), Karen Gillan (Ruby), Nick Jonas (Jefferson), Jack Black (Dr. Shelly Oberon), Alex Wolff (Spencer), Morgan Turner (Martha), Ser' Darius Blain (Fridge) e Madison Iseman (Bethany), o novo elenco conta com dois ícones do cinema - Danny DeVito (Eddie) e Danny Glover (Milo), além da indicada ao Oscar, Awkwafina, no papel de Ming.


Novamente sob a direção de Jake Kasdan, o filme avança vários anos e apresenta nossos heróis na rotina da vida real, enfrentando frustrações e sucessos, cada um num ponto diferente do país. Spencer está insatisfeito com seu trabalho e o namoro à distância com Martha. Quando os quatro amigos resolvem se encontrar na cidade onde nasceram, Spencer decide jogar Jumanji novamente sem contar a ninguém. Nem mesmo ao avô Eddie e ao amigo dele, Milo. Preocupados com o sumiço do amigo, Martha, Fridge e Bethany descobrem que ele entrou de novo no jogo e vão atrás dele. Só não contavam que o game estava "bugado" e mudaria a fase e os personagens.


Como era esperado, "Jumanji: Próxima Fase" tem muita ação, caras e bocas, mas o diretor focou mais na relação das pessoas - namoros abalados, amizade entre neto e avô, sentimentos de solidão e incapacidades provocados pela velhice, amizades antigas que precisam ser recuperadas, decisões de carreiras - tudo junto e misturado. Dwayne Johnson ainda ocupa o papel principal (claro, ele também é o produtor), mas os demais personagens ganharam importância e vão ajudar Spencer em toda a nova fase do jogo e na vida real.


Karen Gillan ganha mais espaço na trama, assim como Jack Black e Kevin Hart, que proporcionam os momentos mais divertidos, especialmente quando estão com Awkwafina. Pena que as cenas dedicadas à parte cômica são menores que os do primeiro filme. "Jumanji: Próxima Fase" também tem ótimos efeitos visuais e gráficos - a fuga dos macacos na floresta e a do bando de avestruzes no deserto são os melhores. O grupo de aventureiros precisa vencer todos estes obstáculos para conseguir sair do jogo e voltar à realidade.


Destaque também para a ótima trilha sonora, também de Henry Jackman, responsável também pela do primeiro filme e de sucessos como "Capitão América - Soldado Invernal" (2014), "Kingsman: Serviço Secreto" (2015) e "Crime Sem Saída" (2019). Boa produção, sem grandes pretensões ou novidades, exceto no elenco, "Jumanji: Próxima Fase" repete o estilo adotado por Dwayne Johnson para seus filmes de muita ação e aventura. Vale como uma boa sessão da tarde.


Ficha técnica:
Direção: Jake Kasdan
Produção: Sony Pictures
Distribuição: Sony Pictures
Duração: 2h04
Gêneros: Aventura / Comédia / Ação
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #JumanjiProximaFase, #JumanjiTheNextLevel, @DwayneJohnson, #KarenGillan, @KevinHart, @DannyDeVito, #ação, #comédia, #aventura, @SonyPictures, @cinemaescurinho, @cinemanoescurinho

domingo, 26 de janeiro de 2020

"1917" surpreende com jogo de sombra e luz, efeitos especiais e narrativa humanizada

George MacKay entrega ótima atuação para mostrar uma das muitas histórias da Primeira Guerra Mundial (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


De tirar o fôlego. Essa talvez seja a melhor definição para o filme "1917", do diretor Sam Mendes ("007 Contra Spectre" - 2015, "007 - Operação Skyfall" - 2012 e "Beleza Americana" - 1999), em cartaz no cinema e com 11 indicações ao Oscar 2020, inclusive de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Fotografia. A produção, ambientada na Primeira Guerra Mundial, já faturou outras premiações, este ano, entre elas a de Melhor Filme Dramático e Melhor Diretor no Globo de Ouro. Poderia ser somente mais um filme de guerra, como o excelente "Dunkirk" (2017) ou "Midway - Batalha em Alto Mar" (2019), mas "1917" é surpreendente na parte técnica. 


A começar pela forma mágica como o diretor de fotografia Roger Deakins ("Blade Runner 2049" - 2017) mescla luzes de bombas e fogos e sombras em meio a escombros de uma cidade destruída. Ou na cena do cabo Schofield (George MacKay, de "Capitão Fantástico" - 2016) correndo na frente das trincheiras no sentido contrário aos outros soldados. Estas imagens, aliadas a uma bela trilha sonora, sob o comando de Thomas Newman, e ótimos efeitos especiais e maquiagem, resultam nas mais belas e bem feitas cenas de guerra dos últimos tempos, sem que fosse necessário mostrar a matança do conflito. 


A fotografia é um dos pontos altos do filme, empregando tons pastéis e alaranjados que deixam a ambientação mais real e desumana. A guerra serve apenas de pano de fundo para um roteiro feito a partir de uma das muitas histórias contadas de geração em geração - esta, no caso, foi contada ao diretor por seu avô, que combateu no conflito mundial. Seria apenas mais uma se não fossem os recursos técnicos usados por Sam Mendes e sua equipe.


O mais surpreendente foi filmar em uma sequência única em primeira pessoa. Claro que houve cortes de cenas, mas são tão sutis e disfarçados entre travellings e trucagens que o público não percebe e acompanha os jovens soldados em toda a jornada. A câmera segue cada passo dos personagens, com derivações para detalhes importantes na narrativa, como mapas e armas, retornando a eles, sem que nada se perca. É tenso e de tirar o fôlego de quem está assistindo.


Sam Mendes também tornou a narração mais humana, focando no drama dos personagens principais de personalidades diferentes, que vão sendo reavaliadas ao longo da trajetória. Na história, Schofield e Blake (Dean-Charles Chapman) são jovens cabos britânicos durante a Primeira Guerra Mundial. Eles recebem como missão atravessar o território inimigo, lutando contra o tempo, para entregar uma mensagem cancelando o ataque do esquadrão e evitando que caia em uma armadilha que irá matar 1600 companheiros. Blake ainda tem a preocupação de salvar o irmão, comandante de uma das tropas deste batalhão.


Para explicar melhor toda a produção e o conflito, a Universal Pictures produziu vídeos especiais com o professor e historiador Leandro Karnal. Dividida em “A Grande Guerra”, “Os Heróis” e “As Perdas”, a série aborda o que foi a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), as mudanças que ocorreram após o seu fim e a importância do ano 1917 para a história como um todo. Para conferir basta clicar nos links abaixo:
1º episódio -"A Grande Guerra" - https://bit.ly/2TXrLNl
2º Episódio - "Os Heróis" - https://bit.ly/2O0omJT
3º Episódio -  "As Perdas" - https://bit.ly/36rJFKH


"1917" é uma obra de arte de guerra em que os efeitos técnicos e visuais são as grandes estrelas. Mas não se pode desmerecer o elenco, formado em sua maioria por conhecidos atores britânicos em pequenas participações - Colin Firth, Mark Strong, Benedict Cumberbatch e Richard Madden. Mas são George MacKay e Dean-Charles Chapman que entregam marcantes atuações, fazendo o público se envolver na desesperada missão. A produção de Sam Mendes é nada mais que excelente.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Sam Mendes
Produção: Amblin Entertainment / DreamWorks Pictures / Neal Street Productions
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h59
Gêneros: Drama / Guerra / Histórico
Países: Reino Unido / EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 5 (0 a 5)

Tags: #1917Filme, @SamMendes, @UniversalPictures, #drama, #guerra, #GeorgeMacKay, #PrimeiraGuerraMundial, @DreamworksPictures, @cinemaescurinho, @cinemanoescurinho

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Vencedores de outras premiações confirmam favoritismo no SAG Awards 2020

Os escolhidos da noite: Brad Pitt, Laura Dern, Renée Zellweger, Joaquin Phoenix, e os filmes "Parasita" e "Vingadores:Ultimato" (Montagem sobre fotos de divulgação)

Maristela Bretas


Realizado neste domingo (19) em Los Angeles (EUA), o SAG Awards 2020, prêmio do Sindicato de Atores de Hollywood.escolheu os melhores do cinema. A  e é considerado uma das principais indicativos de possíveis ganhadores do Oscar, que acontece dia 9 de fevereiro em sua 92ª edição.O homenageado deste ano foi o ator Robert De Niro. Confira os vencedores.

MELHOR ELENCO DE FILME
Parasita

MELHOR ATRIZ
Renée Zellweger – Judy - Muito além do Arco-Íris

MELHOR ATOR
Joaquin Phoenix – Coringa

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Laura Dern – História de um Casamento

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Brad Pitt – Era Uma Vez… em Hollywood

MELHOR ELENCO DE DUBLÊS EM FILME
Vingadores: Ultimato

MELHOR ELENCO DE SÉRIE DE DRAMA
The Crown

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA
Jennifer Aniston – The Morning Show


MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA
Peter Dinklage – Game of Thrones

MELHOR ELENCO DE SÉRIE DE COMÉDIA
The Marvelous Mrs. Maisel

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Phoebe Waller-Bridge – Fleabag

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Tony Shalhoub – The Marvelous Mrs. Maisel

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU FILME PARA A TV
Michelle Williams – Fosse/Verdon

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU FILME PARA A TV
Sam Rockwell – Fosse/Verdon

MELHOR ELENCO DE DUBLÊS EM SÉRIE DE COMÉDIA OU DRAMA
Game of Thrones


HOMENAGEADO DO ANO
Robert DeNiro

Tags: SAGAwrads2020, #RobertDeNiro, #bradPitt, #RenéeZellweger, #LauraDern, #JoaquimPhoenix, #Oscar2020, @cinemaescurinho, @cinemanoescurinho

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

"Adoráveis Mulheres" - um clássico revisitado

Elenco é formado por talentos da nova geração de Hollywood como Eliza Scanlen, Saiorse Ronan, Emma Watson e Florence Pugh (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)

Carol Cassese


O público é predominantemente feminino, mas as idades são variadas. Há tanto os grupos de senhoras da terceira idade quanto jovens, interessadas tanto numa história de viés feminino quanto na nova empreitada da atriz e diretora norte-americana Greta Gerwig, 36, já há muito alçada ao posto de cult - como esquecer a cena de "Frances Ha" (2012) na qual ela corre pelas ruas de Nova York ao som de "Modern Love", de David Bowie, em imagens em P&B? Mas, bem, aqui estamos falando de "Adoráveis Mulheres" ("Little Women"), único filme com direção feminina que fez bonito nas indicações do Oscar - concorre, por exemplo, a Roteiro Adaptado e a Melhor Filme.  Em cartaz na cidade, trata-se de mais uma adaptação para o cinema do célebre romance de 1868 de Louisa May Alcott, também conhecido como "As Filhas do Dr. March" ou "Mulherzinhas".  


Na adaptação anterior, a de 1994, dirigida por Gillian Armstrong, Winona Ryder capitaneava o elenco, interpretando Josephine, ou simplesmente Jo, uma garota adiante de seu tempo. O cast ainda trazia Claire Danes e Kirsten Dunst.  Agora, o papel de Jo é delegado a Saiorse Ronan, que já havia trabalhado com Greta em "Ladybird - A Hora de Voar" (2017). Conhecida também por filmes como "Um Olhar do Paraíso", "Brooklyn" e "Duas Rainhas", Saiorse, 25, é uma atriz que cresceu diante do público (começou a atuar ainda criança, em filmes como "Desejo e Reparação") e, aqui, dá um banho de interpretação, o que explica o fato de estar sendo indicada a Melhor Atriz nos principais prêmios da temporada, como o Globo de Ouro e, claro, o Oscar.

Mas o elenco como um todo é estelar. A começar de Laura Dern, perfeita como a Sra. March, a matriarca da família, que cuida da criação das quatro filhas enquanto o marido está servindo o país, na Guerra Civil Americana. Além de Jo, a prole é composta por Beth (Eliza Scanlen, da série da HBO "Sharp Objects"), Meg (a britânica Emma Watson, da saga "Harry Potter") e Amy (Florence Pugh, outra britânica). Florence, aliás, está indicada a Atriz Coadjuvante no Oscar. 


As quatro meninas têm personalidades distintas, que por vezes se chocam, mas o amor que une a família sempre fala mais alto. De saúde mais frágil, a caçula é o xodó de todas. Jo, como já pontuado, é uma mulher avant la lettre, e, longe de sonhar com um casamento, como seria esperado por uma garota de sua idade naquela época, prefere se debruçar sobre a escrita e vender seus textos para, com o dinheiro obtido, ajudar a família. Ficou faltando Meryl Streep? Sim... Ela é a rabugenta e (por que não?) divertida Tia March. Mas, bem, falar do talento de Meryl é gastar linhas em vão. Afinal, taí uma atriz cujas performances dispensam comentários. E por último, mas não menos importante, já que optamos por ratificar o poderio do elenco feminino, tem Hannah, a "maid" da família, vivida por Jayne Houdyshell. 

Nesta nova versão, a história é narrada em dois tempos. Greta, talvez frustrando os que esperavam dela mais arrojo, opta por uma narrativa basicamente tradicional, com direito a cenas que algumas vezes até soam edulcoradas demais (como as da praia, com crianças soltando pipas e correndo, às gargalhadas). Das poucas inovações a que se permite está a narração do conteúdo das cartas, lidas, na tela, pelos próprios autores, em um enquadramento no qual eles olham para o público.


Quanto a falar da história, é um pouco chover no molhado, posto que estamos nos referindo a um clássico. Aliás, um parêntesis: o livro é um dos norteadores das personagens da saga "A Amiga Genial", de Elena Ferrante. Sim, teremos lágrimas na plateia. Mas também risos suaves e muito enternecimento.  Aqui, a felicidade se sobrepuja a uma realidade difícil, no qual a falta do dinheiro muitas vezes bate à porta para desfazer sonhos e planos. No entanto, a história aponta como a união e solidariedade acabam sendo o caminho para uma sobrevivência que, não raro, até surpreende, por ser menos árdua do que o previsto em frente a tanta adversidade.  

Assim, mesmo com pouco, a Sra. March não deixa a família pobre que mora nas cercanias enfrentar o inverno rigoroso com a barriga vazia. E ao ver o belo gesto das mulheres, o vizinho Mr. Laurence (Chris Cooper) também entra em cena, repondo a mesa, abrindo sua biblioteca para saciar a fome de saber de Jo e disponibilizando seu piano (que o remete à ausência da filha) para que Beth exercite seu dom. O velho "gentileza gera gentileza". E move o mundo para lugares melhores.



E, sim, se falamos do elenco feminino, vale também situar o masculino para além do já citado Cooper. Destaque para Timothée Chalamet (Laurie, postulante ao amor de Jo) e para o francês Louis Garrel, como o professor Friedrich Bhaer, e James Norton como John Brooke, que arrebanha o coração de Meg. Chalamet firma-se como um talento da nova geração, enquanto Garrel confirma também seu carisma e presença cênica. Ah, sim... E há um prêmio Pulitzer no elenco. O dramaturgo Tracy Letts faz o Sr. Dashwood, que julga (e compra) os textos de Jo. Já o Sr. March cabe a Bob Odenkirk. Com tantas credenciais e falas que merecem ser sublinhadas e guardadas na memória, "Adoráveis Mulheres" é outro ponto positivo na carreira dessa encantadora garota de Sacramento, de nome Greta Celeste Gerwig.



Ficha técnica:
Direção: Greta Gerwig
Produção: Sony Pictures
Distribuição: Sony Pictures
Duração: 2h15
Gêneros: Drama / Romance
País: EUA
Classificação: 10 anos
Nota: 4 (0 a 5)

Tags: #AdoraveisMulheres, #LittleWomen, #GretaGerwig, #SaiorseRonan, #EmmaWatson, #LauraDern, #MerylStreep, #romance, #drama, @SonyPictures, @CinemaEscurinho, @cinemanoescurinho

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

"O Escândalo": os bastidores da TV que o público não vê

Charlize Theron, Nicole Kidman, Margot Robbie formam o trio principal desta produção basada em fatos reais (Fotos: Hilary Bronwyn Gayle/Divulgação)

Maristela Bretas


O que chama mais atenção em "o Escândalo" ("Bombshell"): a história de assédio sexual numa das maiores redes de TV dos EUA ou a mudança radical no rosto de uma das mais belas atrizes de Hollywood da atualidade - Charlize Theron? Difícil saber. A transformação no rosto (graças à maquiagem e intervenções) a deixou quase idêntica à personagem que ela interpreta, Megyn Kelly, âncora e comentarista política do telejornal. E garantiu a indicação como Melhor Atriz no Oscar 2020. A ponto de o filho da verdadeira Megyn Kelly confundir a foto de Charlize no pôster na entrada do cinema com a mãe, no dia em que a família foi assistir a pré-estreia do filme nos EUA.

À esquerda: Gretchen Carlson e Nicole Kidman;à direita,
Megyn Kelly e Charlize Thenor (Fotomontagem)
E foi também este quesito que levou o filme a conquistar o Critics´Choise Awards 2020 como Melhor Maquiagem e Cabelo e ser um dos indicados ao Oscar deste ano nesta categoria. Além de Charlize, o trabalho também foi muito bem feito em Nicole Kidman, no papel de outra âncora famosa da Fox News. Gretchen Carlson. Foi ela quem deu início às denúncias de assédio sexual dentro da emissora e perdeu o emprego por isso.

Além das duas tarimbadas atrizes, destaque também para Margot Robbie, cuja atuação como Kayla Pospisil (personagem fictício que representa todas as mulheres assediadas no trabalho) foi suficiente para sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. 


Para quebrar um pouco a hegemonia feminina, que vai prevalecer e dar o tom da história temos a excelente atuação de John Lithgow, no papel de Roger Ailes. Ele é o todo poderoso presidente e executivo-chefe do grupo televisivo Fox, acusado por Gretchen Carlson e Megyn Kelly de assediá-las sexualmente e várias outras mulheres que entraram na empresa e tinham que passar pelo "teste da lealdade" para serem aceitas.


Chega a ser podre a forma sórdida com que Ailes ameaça e se dirige a suas funcionárias, exigindo pernas de fora, decotes ousados e saias curtas (nunca podiam usar calças). Ou seja, exposição máxima para seu prazer e audiência. Segundo o filme, Gretchen teria iniciado as denúncias após anos de "avanços" do executivo que ela não aceitou e foi demitida por isso. Começa a luta para provar todas as acusações, especialmente porque quem havia sofrido o assédio se recusava a contar sua história.

Foi preciso a confirmação das acusações por parte de outra estrela da emissora, Megyn Kelly, para que o caso se tornasse o maior escândalo dos bastidores da mídia norte-americana daquela época. E mostrasse ao público o que se passava por trás das câmeras e que nem tudo é tão glamoroso nas TVs como aparece na tela.


Além da ótima atuação do trio feminino principal, o elenco contou ainda com outros nomes famosos que cumpriram satisfatoriamente seus papéis: Allison Janney, Kate McKinnon, Connie Britton e Malcom McDowell. A história fluiu fácil, num tempo justo, sem esticar muito para não ficar chata e sem grandes surpresas até mesmo na revelação dos assédios. Não fosse o elenco, a trama não passaria hoje de um episódio comum sobre fatos que marcaram os bastidores da TV. 

O diretor Jay Roach soube aproveitar muito bem o talento de Charlize Theron, Nicole Kidman, Margot Robbie e John Lithgow. Só a participação deles já vale o filme, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas.


Ficha técnica:
Direção: Jay Roach
Produção: Denver and Delilah Productions // Bron Studios 
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h49
Gêneros: Biografia / Drama
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #OEscândalo, #Bomshell, #CharlizeTheron, #NicoleKidman, #MargotRobbie, #drama, #biografia, #FoxNews, #MegynKelly, #GretchenCarlson, @CinemaEscurinho, @cinemanoescurinho

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

"Coringa" é 11 vezes indicado ao Oscar 2020 e documentário brasileiro entra na lista

(Montagem sobre fotos de Divulgação)

Maristela Bretas


Dirigido por Todd Phillips e tendo como ator principal Joaquin Phoenix, "Coringa" foi a produção com o maior número de indicações - 11 no total - a prêmios do Oscar 2020 anunciado nessa segunda-feira pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. O anúncio foi feito pelos atores John Cho e Issa Era e a cerimônia dos melhores do cinema acontece no dia 9 de fevereiro em Los Angeles. Na sequência, “1917” e “O Irlandês” concorrem a dez indicações cada. Em terceiro lugar, com seis indicações, estão “Parasita”, “História de um Casamento”, “Jojo Rabbit” e “Adoráveis Mulheres”. O documentário brasileiro “Democracia em Vertigem", da diretora Petra Costa, que mostra o processo de impeachment de Dilma Rousseff,  concorre a Melhor Documentário. Confira a lista dos Indicados ao Oscar 2020.

MELHOR FILME
"Coringa"



"Adoráveis Mulheres"
"Ford vs Ferrari"
"O Irlandês"
"Jojo Rabbit"
"História de um Casamento"
"1917" (venceu o Globo de Ouro)
"Era uma Vez em...Hollywood"  (venceu o Critics’ Choice Awards)
Parasita

MELHOR ATOR
Antonio Banderas - "Dor e Glória"
Leonardo DiCaprio - "Era Uma vez em... Hollywood"
Adam Driver - "História de um Casamento"
Joaquim Phoenix - "Coringa" (venceu o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards)
Jonathan Pryce - "Dois Papas"

MELHOR ATRIZ
Cynthia Erivo - “Harriet”
Scarlett Johansson - “História de um Casamento”
Saoirse Ronan - “Adoráveis Mulheres”
Charlize Theron - “O Escândalo”
Renée Zellweger - “Judy - Muito Além do Arco-Íris (venceu o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards)

MELHOR DIRETOR
Martin Scorsese - "O Irlandês"



Todd Phillips - "Coringa"
Sam Mendes - "1917" (venceu o Globo de Ouro e empatou no Critics’ Choice Awards)
Quentin Tarantino - "Era Uma Vez em... Hollywood"
Bong Joon Ho - "Parasita" (empatou no Critics’ Choice Awards)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Kathy Bates - "O Caso Richard Jewell"
Laura Dern - "História de um Casamento" (venceu o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards)
Scarlett Johansson - "Jojo Rabbit"
Florence Pugh - "Adoráveis Mulheres"
Margot Robbie - "O Escândalo"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Tom Hanks - "Um Lindo Dia na Vizinhança"
Anthony Hopkins - "Dois Papas"
Al Pacino - "O Irlandês"
Joe Pesci - "O Irlandês"
Brad Pitt - "Era Uma Vez em... Hollywood" (venceu o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"O Irlandês" - Steven Zaillian
"Jojo Rabbit" - Taika Waititi
"Coringa" - Todd Phillips e Scott Silver
"Adoráveis Mulheres" - Greta Gerwig (venceu o Critics’ Choice Awards)
"Dois Papas" - Anthony McCarten

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Entre Facas e Segredos" - Rian Johnson
"História de um Casamento" - Noah Baumbach
"1917" - Sam Mendes e Krysty Wilson-Cairns



"Era Uma Vez em... Hollywood" - Quentin Tarantino (venceu o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards)
"Parasita" - Bong Jooh Ho e Han Jin Won

MELHOR DOCUMENTÁRIO
"Indústria Americana"
"The Cave"
"Democracia em Vertigem"
"For Sama"
"Honeyland"

MELHOR EDIÇÃO
"Ford vs Ferrari"
"O Irlandês"
"Jojo Rabbit"
"Coringa"
"Parasita"

MELHOR FOTOGRAFIA
 “O Irlandês”
“Coringa”
"Lighthouse"
"1917" (venceu o Critics’ Choice Awards)
"Era Uma Vez em... Hollywood"

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
"O Escândalo" (venceu o Critics’ Choice Awards)



"Coringa"
"Judy"
"1917"
"Malévola: Dona do Mal"

MELHOR MIXAGEM DE SOM
"Ad astra"
"Ford vs Ferrari"
"Coringa"
"1917"
"Era Uma Vez em... Hollywood"

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
"Ford vs Ferrari"



"Coringa"
"1917"
"Era Uma Vez em... Hollywood"
"Star Wars: A Ascensão Skywalker"

MELHOR CURTA-METRAGEM
“Brotherhood”
“Nefta Football Club”
“The Neighbors’ Window”
“Saria”
“A Sister”

MELHOR DESIGN DE FIGURINO
“O Irlandês”
“Jojo Rabbit”
“Coringa”
“Adoráveis Mulheres”
“Era Uma Vez em… Hollywood”

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“I can’t let you throw yourself away” - Randy Newman (“Toy Story 4” )
“(I’m gonna) love me again” - Elton John e Bernie Taupin (“Rocketman”) (venceu o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards)



“I’m standing with you” - Diane Warren (“Breakthrough”)
“Into the unknown” - Kristen Anderson-Lopez e Robert Loopez (“Frozen 2”)
“Stand up” - Joshuan Brian Campbell e Cynthia Erivo (“Harriet”)

MELHOR TRILHA ORIGINAL
"Coringa" - Hildur Guadnotóttir (Venceu o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards como Melhor Compositora)
"Adoráveis Mulheres" - Alexandre Desplat
"História de Um Casamento" - Randy Newman
"1917" - Thomans Newman
"Star Wars - A Ascensão Skywalker" - John Williams

MELHOR ANIMAÇÃO
"Como Treinar Seu Dragão 3"
"I Lost My Body"
"Klaus"
"Link Perdido" (venceu Globo de Ouro)
"Toy Story 4" (venceu o Critics’ Choice Award)

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
"Dcera (daughter)"
"Hair Love"
"Kitbull"
"Memorable"
"Sister"

MELHOR CURTA DOCUMENTÁRIO
"In the Absence
"Learning to Skateboard in a Warzone"
"Life Overtakes Me"
"St Louis Superman"
"Walk Run Cha-cha"

MELHOR FILME INTERNACIONAL
"Corpus Christi" - Polônia
"Honeyland" - Macedônia do Norte
"Os Miseráveis" - França
"Dor e Glória" - Espanha
"Parasita" - Coreia do Sul (venceu o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards)




MELHOR DESIGN  DE PRODUÇÃO
"O Irlandês"
"Jojo Rabbit"
"1917"
"Era Uma Vez... em Hollywood"
"Parasita"

MELHORES EFEITOS VISUAIS
"Vingadores: Ultimato" (venceu o Critics’ Choice Awards)
"O Irlandês"
"O Rei Leão"
"1917"
"Star Wars: A Ascensão Skywalker"

Tags: #Oscar2020, #Coringa, #1917Filme, #EraUmaVezEmHollywood, #OIrlandes, JojoRabbit, #MartinScorsese, #Parasita, #DemocraciaEmvertigem, #drama, #policial, #ação, #aventura, #melhoresdocinema, @CinemaEscurinho, @cinemanoescurinho

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

"O Caso Richard Jewell" - uma história sobre heróis e vilões fabricados por interesses

Sam Rockwell, Kathy Bates e Paul Walter Hauser formam o trio principal da trama, baseada em fatos reais (Fotos: Claire Folger/Warner Bros. Pictures)

Maristela Bretas


Poderia ser mais um filme sobre um herói comum norte-americano que sofre injustiça ao ser falsamente acusado de terrorismo. Mas nas mãos de Clint Eastwood, dirigindo seu 39º filme, a produção ganhou uma roupagem marcante. E ainda contou com as ótimas interpretações de Sam Rockwell ("Vice" - 2018 e "Três Anúncios Para um Crime" - 2017, que lhe valeu um Oscar), Kathy Bates ("Meia Noite em Paris" - 2011) e de Paul Walter Hauser ("Infiltrado na Klan" - 2018). A fotografia e o dilema do segurança que queria ser policial são bem explorados pelo diretor que gosta e sabe bem contar histórias de pessoas simples. 


No filme, baseado em fatos reais, além da ótima direção, o destaque é para Paul Walter Hauser, como Richard Jewell, o segurança de eventos que sempre sonhou em ser policial. Nada flexível quando o assunto era lei e ordem, para muitos que conviviam com ele, isso representava um problema. Um homem obeso, acima dos 30 e ainda vivendo com a mãe Bobi (interpretada por Kathy Bates), Richard era motivo de críticas e chacotas.


Como vigilante, não aceitava arruaça de jovens e coisas deixadas fora do lugar. Foi numa dessas situações que ele descobriu uma bomba e conseguiu afastar dezenas de pessoas antes da explosão, evitando uma tragédia maior durante as festividades dos Jogos Olímpicos de Atlanta (EUA) em 1996, quando morreram duas pessoas e 111 ficaram feridas. Ao mesmo tempo em que o comportamento submisso e inocente demais do personagem irrita em algumas situações (como um homem velho pode ser tão ingênuo), ele também se torna simpático e faz o público torcer por ele e para que consiga provar sua inocência.


De uma hora para outra ele se tornou herói nacional. E na mesma velocidade com que conquistou glória e fama, foi transformado em vilão nacional. Richard, um homem tranquilo e ingênuo que acreditava nas autoridades que um dia sonhava integrar, foi usado como bode expiatório para justificar os erros, a incompetência, os métodos escusos e a preguiça destas mesmas forças de segurança para buscar o verdadeiro responsável pelo atentado. 

O caso ainda contou com a participação de uma mídia sem ética, que só buscava o furo de reportagem que garantiria as manchetes, confiando apenas nas fontes, sem checar nada e acabando com a vida de uma família. É quando entra em cena o ótimo Sam Rockwell, no papel do advogado de Richard, Watson Bryant, que vai defender o segurança.


Clint Eastwood, com 89 anos, nos últimos tempos tem buscado em fatos marcantes ocorridos nos Estados Unidos para extrair personagens e suas histórias, transformando-os em heróis ou vilões. Os dramas diários ganham destaques que passariam despercebidos se não houvesse um “garimpeiro” como ele para identificar e transformar fatos simples em uma boa produção cinematográfica. Nem sempre isso dá certo, mas tem funcionado com o diretor e produtor. Um ponto negativo, no entanto, é o fato de, em "O Caso Richard Jewell", ele reforçar seu discurso armamentista, homofóbico e machista que sempre marcaram sua carreira. 

Paul Walter Hauser conversa com Clint Eastwood no set de filmagem

Um dos exemplos é o estereótipo criado para a repórter policial Kathy Scruggs (papel de Olivia Wilde) - a bela e sexy jornalista que só conseguia grandes furos indo pra cama com suas fontes. Mas na hora de escrever o texto precisava de um colega homem para redigir porque não teria competência para usar as palavras. Muito feia e dispensável essa colocação do diretor e do roteirista Billy Ray, mesmo que existam casos assim na imprensa americana. Olívia também tem boa interpretação e até merecia mais espaço na trama. 



O filme foca no drama de Richard Jewell em provar sua inocência e o que ele, sua mãe e seu advogado tiveram que passar. Considero um ponto falho na narrativa o intervalo de seis anos até a prisão do verdadeiro terrorista - Eric Rudolph, que ainda cometeu outros três atentados antes de ser pego. Não há informações se houve alguma reparação de danos ou indenização recebida por Jewell e sua mãe pelas acusações ou se foi só um "desculpa e tchau" do FBI. Nem que fosse nos créditos finais. Apesar dos pontos negativos, "O Caso Richard Jewell" é uma boa história e merece ser visto, especialmente porque expõe situações bem semelhantes de fatos atuais.



Ficha técnica:
Direção: Clint Eastwood
Produção: Warner Bros Pictures / The Malpaso Company / Applan Way / Misher Films
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 2h09
Gênero: Drama
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 3 (0 a 5)

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domingo, 12 de janeiro de 2020

"O Irlandês" é o melhor filme sobre máfia desde "O Poderoso Chefão"

Joe Pesci e Robert De Niro, juntamente com Al Pacino, formam o elenco principal desta longa e excepcional produção da Netflix (Fotos: Netflix/Divulgação) 

Jean Piter


O que te passa pela cabeça quando se fala em filme sobre a máfia? Famílias poderosas, ricas, influentes, respeitadas... Chefões muito inteligentes, disciplinados, bondosos com seus amigos e afilhados e ao mesmo tempo cruéis com seus inimigos. É uma relação de amor e ódio. Você até questiona algumas ações desses mafiosos, mas não deixa de admirá-los. As histórias são cheias de traições e reviravoltas, planos bem articulados e, claro, muito sangue. Assassinos frios e precisos são personagens indispensáveis nessas tramas. "O Irlandês", de Martin Scorsese, tem um pouco de tudo isso aí. Mas vai além e trás um olhar mais humano sobre o mundo do crime.


"O Irlandês" é baseado no livro “I Heard You Paint Houses” (“Eu Ouvi Você Pintando As Casas”, em tradução livre), de Charles Brandt, que narra a história real de Frank Sheeran (Robert De Niro). Um veterano da Segunda Guerra Mundial que acaba se envolvendo com mafiosos nos Estados Unidos. Trabalhando como caminhoneiro, ele entra em um esquema de desvio de carga para vender a mercadoria no mercado clandestino. E nesse cenário que ele conhece um dos chefes da máfia, Russell Bufalino (Joe Pesci). Eles se tornam amigos. Sheeran vira então um “faz tudo” para os negócios, recebe várias missões e executa todas com precisão e muita discrição, inclusive a de matar pessoas.


O olhar humano que Scorsese trás para a história está nos erros que os personagens cometem. Erros que qualquer pessoa normal comete. Escolhas erradas, decisões precipitadas e atos que a gente se arrepende depois. Diálogos que chegam a ser engraçados de tão idiotas, a ponto de você se perguntar: Nossa, como um chefão desses consegue ser tão burro? O filme mostra o lado da vaidade desses personagens, o quanto vivem em função do poder e de sempre quererem mais e mais, como se nunca fossem envelhecer, como se fossem imortais. O quanto eles se ocupam com isso e que eles acabam deixando de viver ao escolher esse tipo de vida. É um filme sobre as conquistas dos mafiosos, mas que dá destaque aos fracassos, ao saldo negativo que sobra no fim da vida, ao conjunto de uma obra que traz o questionamento: Valeu a pena essa vida?

Computação gráfica usada para contar a história do personagem de Robert De Niro (Montagem sobre fotos/Netflix)
Vale destacar o uso de computação gráfica para rejuvenescer os personagens, algo que ainda não tínhamos visto nessa intensidade. O mesmo ator fazendo um papel que envelhece ao longo de décadas. Por vezes, é visível o uso dessa tecnologia, o que deixa a imagem meio artificial, como a de personagens de videogame. Mas nada que comprometa a obra. É o recurso disponível e que foi usado da melhor forma possível.


"O Irlandês" é uma obra para se assistir mais de uma vez, mesmo tendo três horas e meia de duração, que é um tempo suficiente e adequado pra contar essas histórias. É um filme muito bem feito, com uma narrativa leve, que não cansa. Tem atuações maravilhosas de De Niro, Pesci e Al Pacino. Um trio que talvez a gente não veja mais atuando juntos. Uma obra prima de Scorsese que já nasceu como clássico. É o melhor filme sobre máfia desde "O Poderoso Chefão".



Ficha técnica:
Direção: Martin Scorsese
Produção: Netflix / Sikelia Productions / Tribeca Productions
Distribuição: Netflix Brasil
Duração: 3h29
Gêneros: Suspense / Drama / Biografia
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 5 (0 a 5)

Tags: #OIrlandês, #TheIrishman, #Netflix, NetflixBrasil, #RobertDeNiro, #JoePesci, #AlPacino, #MartinScorsese, #drama, #máfia, #suspense, #biografia, #CharlesBrandt, #cinemaescurinho, #cinemanoescurinho

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Globo de Ouro 2020 surpreendeu por algumas escolhas, um apresentador ofensivo e cerimônia corrida

"Era Uma Vez em... Hollywood", "Coringa" e "Parasita" confirmaram algumas de suas indicações (Fotos Divulgação)

Maristela Bretas


Com uma cerimônia mais corrida que o convencional, o 77º Globo de Ouro contou pela quinta vez com a apresentação do comediante Ricky Gervais. Fazendo piadas grotescas e comentários ofensivos aos convidados presentes, suas atuações e filmes ou séries, ele foi o ponto muito ruim da noite de premiações. Ele literalmente ligou o "foda-se" e metralhou geral, sem papas na língua e, em alguns casos, sem respeito. Totalmente dispensável e nem deveria ter participado desta edição, como havia prometido na edição passada.

Realizado em Los Angeles, o Globo de Ouro, promovido pela Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood (HFPA, na sigla original), premiou 25 categorias, 14 delas de cinema e 11 de TV e abriu a temporada de premiações deste ano. O grande vencedor da noite foi Quentin Tarantino, com "Era Uma Vez em... Hollywood", seu nono filme, que conquistou as estatuetas de Melhor Filme Cômico ou Musical, Melhor Roteiro e Melhor ator Coadjuvante (Brad Pitt).


A surpresa ficou para "1917", dirigido por Sam Mendes, ambientado na Primeira Guerra Mundial. Além do prêmio de Melhor Filme Dramático, levou também o de Melhor Diretor, entregue pelos atores Helen Mirren e Antonio Banderas. Sam Mendes agradeceu primeiramente a Martin Scorsese e dedicou o prêmio ao avô, que lutou na Primeira Guerra Mundial.

Com o mesmo número de estatuetas, "Coringa" confirmou duas de suas indicações; Melhor Ator - Drama, para Joaquin Phoenix, o que era mais que esperado por sua brilhante atuação, e Melhor Trilha Sonora Original para Hildur Guðnadóttir. Esta foi a sexta indicação do ator ao prêmio. Em seu discurso, ele agradeceu a todos que o aguentaram durante as filmagens.


Reese Witherspoon e Jennifer Aniston entregaram a primeira estatueta da noite para Melhor Ator em Série de TV - Musical ou Comédia, recebido por Ramy Youssef (“Ramy”). Elas continuaram no palco e anunciaram Russell Crowe (“The Loudest Voice”) como Melhor Ator em Série Limitada ou Filme para TV.

O prêmio de Melhor Ator Coadjuvante em Série, Série Limitada ou Filme para TV saiu para o ator sueco Stellan Skarsgård, de “Chernobyl”, da HBO, escolhida também como a Melhor Série Drama ou Filme para TV. Ted Danson e Kerry Washington anunciaram a vencedora do prêmio de Melhor Atriz em Série de TV - Musical ou Comédia - Phoebe Waller-Bridge (“Fleabag”). A atriz britânica subiu duas vezes ao palco para receber também o troféu de Melhor Série - Musical ou Comédia para “Fleabag”, criada, escrita e estrelada por ela.

Elton John, ao subir ao palco para anunciar "Rocketman" na disputa de Melhor Filme foi aplaudido de pé pela plateia. E teve a alegria dobrada ao confirmar a vitória em duas categorias do filme que conta parte de sua vida: Melhor Ator - Musical ou Comédia, para Taron Egerton, e Melhor Canção Original - “(I’m Gonna) Love Me Again”, composta por ele. O cantor comemorou muito a vitória e recebeu agradecimento de Tharon pelas músicas que compõe.


Kate McKinnon anunciou o prêmio Carol Burnett para Ellen DeGeneres, após fazer um breve resumo da carreira da atriz e apresentadora. Ela recebeu o prêmio de Excelência na Televisão por seu trabalho em defesa dos homossexuais e da Fundação que ela criou de proteção animal. Ellen elogiou Carol Burnett em seu discurso e falou que a atriz, presente à premiação, esteve presente em toda a sua vida. Disse que a TV inspirou tudo o que ela é hoje e que só quer fazer em seu programa com que as pessoas se sintam bem, sorriam e se inspirem para fazer o mesmo para outras pessoas.

"Parasita" confirmou seu favoritismo e vence como Melhor Filme em Língua Estrangeira. E o diretor Bong Joon-ho, acompanhado de uma tradutora, agradeceu em coreano a premiação e a oportunidade de estar junto a outros grandes diretores. E encerrou afirmando que "todos ali falam uma só língua, a do cinema".


“Succession” conquistou  o troféu de Melhor Série Dramática e garantiu também a Brian Cox o prêmio de Melhor Ator em Série de TV – Drama. Ele agradeceu aos participantes da disputa e à esposa.

Patricia Arquette nova prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Série Limitada ou Filme para TV por “The Act”. Ela fez duras críticas ao presidente Trump e seus tweets sobre os ataques ao Irã, e lembrou o drama dos incêndios que estão devastando florestas na Austrália. Olivia Colman conquistou a estatueta de Melhor Atriz em Série de TV – Drama por “The Crown”.

“Link Perdido” desbancou grandes e caras produções como "Frozen 2", "Toy Story 4" e "Rei Leão" e conquistou a estatueta de Melhor Animação. Gwyneth Paltrow anunciou Laura Dern como Melhor Atriz Coadjuvante em Filmes por “História de um Casamento”.


Charlize Theron foi a escolhida para entregar o prêmio Cecil B de Mille a Tom Hanks por sua importância no cinema. A atriz fez grandes elogios à pessoa e ao colega de trabalho, seu primeiro incentivador na carreira. Em seguida houve a exibição de um clipe com os sucessos do ator em todos os anos de cinema. Ele foi aplaudido de pé pelo público, e agradeceu a todos os presentes e, principalmente ao amor e paciência de sua família.

Com mais de 40 premiações em sua carreira, Michelle Williams foi a escolhida para receber a estatueta de Melhor Atriz em Série Limitada ou Filme para TV por “Fosse/Verdon”. Ela fez um discurso feminista e pediu maior consciência e engajamento das mulheres na hora de eleger seus representantes.

“Chernobyl” foi reconhecida com o prêmio de Melhor Série Limitada ou Filme para TV e Melhor Ator Coadjuvante em série, minissérie ou filme para TV - Stellan Skarsgård. Chris Evans e Scarlett Johansson entregaram a premiação de Melhor Atriz em Filme - Musical ou Comédia a Awkwafina, por "A Despedida", primeira indicação que a atriz recebe no Globo de Ouro.

Ramy Malek anunciou Renée Zellweger como Melhor Atriz de Filme - Drama por sua interpretação de Judy Garland no filme "Judy: Muito Além do Arco-Íris", que conta um período conturbado da vida da estrela dos grandes musicais de Hollywood. A última premiação da noite, de Melhor Filme - Drama - foi entregue por Sandra Bullock a "1917" a Sam Mendes. A produção estreia dia 23 de janeiro nos cinemas brasileiros.



LISTA DOS VENCEDORES

CINEMA

Melhor Filme - Drama: 1917

Melhor Atriz - Drama: Renée Zellweger ("Judy: Muito Além do Arco-Íris")
Melhor Ator de Filme – Drama: Joaquin Phoenix (“Coringa”) - https://bit.ly/2s1y1Io
Melhor Filme - Musical ou Comédia: Era Uma vez em... Hollywood
Melhor Diretor : Sam Mendes (“1917”)
Melhor Roteiro: Quentin Tarantino (“Era uma Vez em... Hollywood”)
Melhor Atriz  - Musical ou Comédia: Awkwafina (“A Despedida”)
Melhor Ator - Musical ou Comédia: Taron Egerton ("Rocketman")
Melhor Ator Coadjuvante: Brad Pitt ("Era uma Vez em... Hollywood")
Melhor Atriz Coadjuvante: Laura Dern (“História de um Casamento”)
Melhor Filme em Língua Estrangeira: Parasita” (Coreia do Sul) - dirigido por Bong Joon-ho
Melhor Animação:“Link Perdido”
Melhor Canção Original: “(I’m Gonna) Love Me Again” (“Rocketman”)
Melhor Trilha Sonora Original: Hildur Guðnadóttir (“Coringa”)

TV

Melhor Série – Drama; “Succession”
Melhor Atriz em Série de TV – Drama: Olivia Colman (“The Crown”)
Melhor Ator em Série de TV – Drama: Brian Cox (“Succession”)
Melhor Série - Musical ou Comédia:“Fleabag”, criada, escrita e estrelada por Phoebe Waller-Bridge
Melhor Atriz em Série de TV - Musical ou Comédia: Phoebe Waller-Bridge (“Fleabag”)
Melhor Ator em Série de TV - Musical ou Comédia: Ramy Youssef (“Ramy”)
Melhor Série Limitada ou Filme para TV: “Chernobyl”
Melhor Atriz em Srie Limitada ou Filme para TV: Michelle Williams (“Fosse/Verdon”)
Melhor Ator em Série Limitada ou Filme para TV: Russell Crowe (“The Loudest Voice”)
Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Série Limitada ou Filme para TV: Patricia Arquette (“The Act”)
Melhor Ator Coadjuvante em Série, Série Limitada ou Filme para TV: Stellan Skarsgård (“Chernobyl”)

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