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16 junho 2021

Homenagem do diretor às artes cênicas, o filme “Veneza” é pura poesia

Produção conta com grande elenco e atores de renome internacional como a espanhola Carmem Maura, ao centro sentada (Fotos: Mariana Vianna/Imagem Filmes)


Mirtes Helena Scalioni


Há pelo menos duas inspirações claras no filme “Veneza”, de Miguel Falabella, que entra em cartaz nos cinemas de todo o Brasil nesta quinta-feira (17). A alusão a matriarcas sofridas vem nitidamente de Almodóvar, mas há cores, sombreados e cenas que remetem ao cinema italiano com suas divas de seios fartos e decotes generosos. Ou seja: o diretor acertou em cheio ao construir um filme poético que, ao final, não deixa de ser um elogio aos sonhos, à esperança e à arte de representar.


“Veneza” é, antes de tudo, um filme de mulheres. O roteiro foi adaptado por Falabella a partir da peça teatral "Venecia", do argentino Jorge Accame. Criativo e sensível, o ator e diretor usou o melhor da peça e ainda a enriqueceu com histórias paralelas, todas elas envolventes e emocionantes. Junte-se a isso um elenco estelar e eis uma pequena obra-prima que tem tudo para comover plateias país afora.


Gringa é dona de um bordel localizado em algum lugar desse imenso Brasil. Está velha, demente e cega, mas ainda alimenta o desejo de conhecer a cidade de Veneza onde, acredita, vai se encontrar com seu único e grande amor, a quem precisa pedir perdão por um erro do passado.

Acontece que Gringa é vivida por Carmem Maura, atriz espanhola preferida de Almodóvar e isso faz toda a diferença. A artista está inteira no papel e fisga o espectador desde suas primeiras aparições.


Na gerência do bordel está Rita, interpretada pela sempre talentosa Dira Paes, que comanda com afeto, carinho e sororidade as meninas Jerusa (Danielle Winits), Madalena (Carol Castro) e Janete (Maria Eduarda de Carvalho), entre outras, cada uma carregando sua história de abandono e solidão. Lindas em seus figurinos clássicos de profissionais do sexo, elas esbanjam sensualidade.

Como uma espécie de figura masculina que protege as prostitutas, está Tonho, feito por Eduardo Moscovis totalmente desprovido de vaidades e em bela atuação. Numa das histórias paralelas, aparece Júlio, feito pelo jovem ator Caio Manhente, que vive um romance nada convencional com a romântica Madalena.


Completam o elenco de "Veneza" a bela uruguaia Camila Vives, que faz a Gringa jovem, e Magno Bandarz, interpretando seu amado Giácomo, além de participações internacionais da argentina Georgina Barbarossa (Madame) e da colombiana Carolina Virgüez (Dora). A produção conta ainda com a música-tema "Pecado", clássico bolero de Andrés Carlos Bahr, Enrique Francini e Armando Francisco Punturero, interpretada em espanhol pela cantora Ludmilla, a convite de Miguel Falabella.

Para fazer com que Gringa chegue até Veneza, o pessoal do bordel se une à trupe de um circo que está passando pela cidade. O plano é tão bonito quanto mirabolante, tão improvável quanto poético. Surpreendente como sempre, Miguel Falabella brinda os amantes das artes cênicas com uma história inesquecível e comovente.


O longa-metragem foi filmado em Montevidéu, no Uruguai, e em Veneza, na Itália, sendo premiado com os Kikitos de melhor direção de arte (Tulé Peake) e melhor atriz coadjuvante (Carol Castro) no Festival de Gramado. Recebeu quatro troféus no Los Angeles Brazilian Film Festival – melhor direção de fotografia (Gustavo Hadba), melhor ator (Eduardo Moscovis), melhor ator coadjuvante (André Mattos) e melhor atriz coadjuvante (Carol Castro), além de melhor roteiro (Miguel Falabella) no Brazilian Film Festival of Miami.


Ficha técnica:
Direção: Miguel Falabella
Exibição: nos cinemas (sem previsão de exibição nas plataformas de streaming)
Produção: Ananã Produções / Globo Filmes / FM Produções
Distribuição: Imagem Filmes
Duração: 1h31
Classificação: 16 anos
País: Brasil
Gênero: Drama

29 abril 2021

"O Auto da Boa Mentira" no estilo bem humorado do grande Ariano Suassuna

Longa é inspirado em frases famosas do escritor e conta com grande elenco (Fotos: Helena Barreto)

Maristela Bretas


Quatro histórias apenas. Mas o suficiente para apresentar àqueles que não conhecem (difícil de acreditar) a obra do grande escritor Ariano Suassuna. Um nordestino danado de porreta, nascido na Paraíba e radicado em Recife, cujos romances e poesias encantam milhares de pessoas até hoje. 

Estas breves histórias inspiradas nos contos do romancista estão no filme "O Auto da Boa Mentira", que estreia nesta quinta-feira (29) em cinemas brasileiros, que adotaram medidas de segurança sanitária. Dirigido por José Eduardo Belmonte ("Carcereiros - O Filme" - 2019 e "Entre Idas e Vindas" - 2016), o filme tem roteiro de João Falcão, Tatiana Maciel e Célio Porto e produção associada de Guel Arraes. 

(Divulgação)

O elenco é bem conhecido do público, de novelas e do cinema, o que é um atrativo a mais para quem deseja matar a saudade de uma poltrona em frente à telona. Leandro Hassum, Nanda Costa, Jackson Antunes, Renato Góes, Cássia Kis, dentre outros, entregam ótimas interpretações. Algumas chegam a parecer que os personagens foram feitos para eles, como nas histórias de Hassum e Antunes. Mais do que o elenco de peso é a presença de Ariano Suassuna, intercalando cada conto, o maior destaque ao filme, tornando mais simpático e agradável de ver.


As diferentes situações mostrada no longa foram criadas a partir de frases relacionadas à mentira. E ninguém melhor que Suassuna para explicar com bom humor, como ela está presente em nossas vidas. Com certeza muitas pessoas poderão se identificar com algumas delas. Afinal, quem nunca mentiu? E que nunca passou aperto depois de ter mentido?


A primeira história - Fama - mostra o subgerente de RH Helder (Leandro Hassum), um “Zé ninguém” que durante uma convenção é confundido com um comediante de sucesso e passa a gostar do mal-entendido. Mas um encontro inesperado com Caetana (Nanda Costa) pode fazê-lo mudar de opinião. 

O próprio Hassum contou, em entrevista à imprensa, que viveu (e ainda vive) esta situação de ser confundido com seu "eu gordo". Na produção, inclusive foram usadas imagens de shows antigos dele antes de emagrecer.


Na sequência, temos "Vidente".  Fabiano (Renato Góes), um jovem que não acredita em nada, filho de Luzia (Cássia Kis), que confessa abertamente que "mãe também mente". Certa noite, um desconhecido conta que o pai que ele julgava estar morto, trabalha como palhaço num circo que está na cidade e se chama Romeu (Jackson Antunes). 

Fabiano vai atrás da história e confronta a mãe, mas o que está por trás de sua história pode ser bem diferente. Antunes, também na coletiva, contou que uma de suas maiores paixões é o circo.


O terceiro conto foi batizado de "Furão" e se passa no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro com direito a gringo falando português e como uma mentira pode acabar com uma amizade. No papel de Pierce, o americano metido a carioca temos Chris Mason (da série "Pretty Little Liars") é um gringo metido a carioca. 

Depois de faltar ao aniversário do amigo Zeca (Sérjão Loroza), ele inventa que foi assaltado na favela. Só não contava que o caso fosse parar no ouvido do chefão do tráfico (Jesuíta Barbosa), que agora quer fazer justiça. 


A última história - Disney - fala do preconceito sofrido por quem nunca foi à Disney. Mas também é a cara da maioria das festas de fim de ano "da firma", com direito a gafes, discussões, demissões e até a famosa frase - "a culpa é do estagiário", no caso Lorena (Cacá Ottoni). 

Ela trabalha numa agência de publicidade e se sente invisível na empresa de Norberto (Luis Miranda). Para piorar, tem um amor platônico pelo “pseudointelectual” Felipe (Johnny Massaro).  Mas é na festa de Natal na casa do chefe que os podres vão aparecer. E Lorena também.


O elenco do filme conta também com Rocco Pitanga, Giselle Batista, Michelle Batista (“O Negócio”), Bruno Bebianno (“Minha Mãe é Uma Peça”), Leo Bahia (“Chacrinha: O Velho Guerreiro”), Letícia Novaes/Letrux (“Qualquer Gato Vira-Lata 2”), Letícia Isnard (“Carlinhos e Carlão”), Karina Ramil ("Porta dos Fundos"), entre outros. 

Um lembrete: Nesta quinta-feira, às 18 horas, o Instagram da Globo Filmes, uma das coprodutoras do longa, promove uma live com Nanda Costa, Cássia Kis, Renato Góes e Luís Miranda; Eles vão falar de suas participações no filme e contar histórias dos bastidores da gravação. Para quem quiser conferir a coletiva online ocorrida no dia 26 com o diretor José Eduardo Belmonte, a produtora Luciana Pires e outros artistas, basta acessar o link  https://www.youtube.com/watch?v=RmGcqCsCSHw.


Ficha técnica:
Direção: José Eduardo Belmonte
Exibição: nos cinemas
Produção: Cinegroup / Globo Filmes
Distribuição: Imagem Filmes
Duração: 1h40
Classificação: 12 anos
País: Brasil
Gênero: Comédia

22 novembro 2019

"Um Dia de Chuva em Nova York": Mais Woody Allen, impossível

Selena Gomez e Timothée Chalamet estão no elenco principal desta comédia romântica de encontros e desencontros (Fotos: Mars Films/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


"Um Dia de Chuva em Nova York" ("A Rainy Day in New York") reúne todos os ingredientes que não podem faltar em um filme assinado por Woody Allen: o diretor de cinema atormentado e excêntrico que, em crise, ameaça parar de trabalhar; o jovem universitário burguês que, para tentar negar sua origem, cultiva gostos e hábitos singulares e antigos; a loira lindíssima e meio caipira que, para ascender intelectualmente consome obras que nem sempre compreende; o roteirista que, em nome de salvar um filme, se transforma numa espécie de babá do diretor e esquece a própria família. 


E, claro, tem também o inusitado, detalhe primordial nas histórias de Allen, cuja marca mais característica é a surpresa. Junte-se a isso tudo o cenário que não pode faltar: ruas, trânsito, táxis, metrô, parques, restaurantes, hotéis e bares de Nova York, a cidade preferida do cineasta. 

O longa demorou um pouco para ser lançado devido a problemas de Allen com seus produtores após o escândalo das denúncias de sua própria filha envolvendo-o num caso de abuso sexual. Demorou, mas chegou. E entra em cartaz em Belo Horizonte com todos os requisitos para agradar aos fãs do diretor. No elenco, um equilíbrio de estrelas de diferentes portes: Timothée Chalamet como o universitário Gatsby; Elle Fanning como a estudante Ashleigh; Liev Schreiber como o cineasta Roland Pollard; Jude Law como o roteirista Ted Davidoff; Diego Luna como o ator canastrão Francisco Vega; Selena Gomez como Chan, entre outros.


Estudantes de uma universidade no interior, Gatsby e Ashleigh planejam passar um fim de semana em Nova York. Aluna de Jornalismo, ela tem uma entrevista marcada com Rolland Pollard, diretor que admira e de quem já viu todos os filmes. Por sua vez, o jovem vê, nessa oportunidade, a chance de mostrar à namorada a cidade como ele concebe e gosta: restaurantes e recantos antigos, onde não faltam pianos bem tocados e cantores à meia-luz. Imprescindível para Gatsby é não se encontrar, em hipótese alguma, com seus pais, tradicionais figuras da sociedade nova-iorquina dos quais ele quer manter distância.


Os desencontros começam a partir da primeira crise do diretor excêntrico assim que ele recebe a estagiária para a entrevista. A partir daí, é uma sucessão de acasos e surpresas, todas, claro, agravados com a chuva que não para de cair na cidade. Dessa vez, pode ser até que Woody Allen tenha exagerado nas tramas. 


Algumas situações ficaram com cara de trapalhadas, o que pode prejudicar a credibilidade. Um exemplo: a moça que tem que sair fugida e praticamente nua da casa do rapaz porque a mulher dele chega antecipadamente de uma viagem. Parece comedinha barata. Outro detalhe: Jude Law merecia uma participação maior. Enfim, é Woody Allen. É o de sempre. Mas convém assistir.
Classificação: 14 anos
Distribuição: Imagem Filmes
Duração: 1h33


Tags: #UmDiaDeChuvaEmNovaYork, #WoodyAllen, #TimotheeChalamet, #ElleFanning, SelenaGomez, #JudeLaw, #comedia, #romance, #ImagemFilmes, @cinemaescurinho, @cinemanoescurinho

22 abril 2019

"O Gênio e o Louco", uma irresistível e contundente demonstração de amor à palavra

Mel Gibson e Sean Penn interpretam os criadores do famoso dicionário inglês Oxford (Fotos: Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Pessoas que gostam de - ou trabalham com - palavras não devem perder a mais recente empreitada de Mel Gibson, que conseguiu colocar nas telas um projeto com o qual sonhava desde 1998, quando leu "O Gênio e o Louco" ("The Professor And The Madman"), de Simon Winchester, e imediatamente adquiriu os direitos autorais da obra. O livro, que conta a história da real criação do primeiro dicionário inglês de Oxford, joga luz sobre um episódio histórico sui generis que, certamente, mudou os rumos da humanidade e, de certa forma, apontou caminhos para o que hoje conhecemos como gramática, literatura, linguagem, poesia. Enfim, o mundo das letras. Mas não só ele.


Contam que Gibson, que além de ator é um dos produtores do filme "O Gênio e o Louco", é obstinado. E obstinação, quase obsessão, é uma das tônicas do personagem que ele próprio interpreta: o professor James Murray que, em 1857, se dispõe, com a ajuda de uma pequena equipe, a catalogar e definir todas as palavras da Língua Inglesa. Como a tarefa era praticamente impossível de ser cumprida, Murray pediu ajuda de voluntários que, pelo correio, sugeriam palavras e definições. Entre esses voluntários, chama a atenção a colaboração de um certo Doutor W.C Minor, que contribui brilhantemente com mais de 10.000 verbetes. Com um detalhe: de dentro de um hospício para criminosos.


Convenhamos: o fato que deu origem ao livro e ao filme é, por si só, deliciosamente tão inverossímil quanto genial. E genial está também a atuação de Sean Penn, que se entregou de corpo e alma ao atormentado Minor, deixando confuso o público, que balança entre a admiração, a compaixão e o medo do criminoso louco que ele criou. As poucas cenas em que Gibson e Penn contracenam seriam suficientes para se indicar o filme, mas há outros motivos que tornam "O Gênio e o Louco" imperdível.


Além do resgate de uma verdade histórica, o longa merece aplausos também pela excelente reconstituição de época, pelos figurinos, pela iluminação cuidadosamente fraca como convinha aos anos de 1800 e pelas corretas interpretações de coadjuvantes como Natalie Dormer, no papel de Eliza Merret, viúva do homem assassinado por Minor, e Jennifer Ehle, como Ada Murray - a nos fazer lembrar que há sempre grandes mulheres envolvidas em grandes projetos, mesmo que elas nem sempre tenham o destaque merecido. Na verdade, todo o elenco está brilhante.


"O Gênio e o Louco" não é um filme leve. Nem fácil. Há tensão, dúvidas, mistérios, violência, ignorância. Mas tudo acaba ficando em segundo plano diante da obsessão e, principalmente, do amor de Murray e Minor pelas palavras. Essa parece ser também a obsessão de Farhad Safinia, o diretor iraniano-americano que conseguiu equilibrar com talento a tênue linha que separa a genialidade da loucura. Afinal, é a linguagem que nos torna diferentes dos bichos.
Duração: 2h04
Classificação: 14 anos
Distribuição: Imagem Filmes


Tags: #OGênioEOLouco, #MelGibson, #SeanPenn, #DicionarioOxford,  #ImagemFilmes, #cinemaescurinho, @cinemanoescurinho

18 março 2019

"Maligno" - Até que ponto uma mãe iria para proteger seu filho?

Produção aposta no terror envolvendo um garoto dominado por uma entidade sobrenatural e a luta da mãe para salvá-lo (Fotos Orion Releasing/Divulgação)

Maristela Bretas


Terror, suspense, relação familiar e uma alta dose de psicopatia estão reunidos na produção "Maligno" ("The Prodigy"), em cartaz nos cinemas. Há quem aposte que se trata de um dos melhores filmes do gênero deste ano. Realmente, trata-se de uma boa produção e interpretação de Taylor Schilling como Sarah, a mãe do garoto Miles (Jackson Robert Scott), que está possuído por uma alma perdida. Ela na verdade é o suporte da trama, uma vez que Jackson, apesar de sua experiência com "It - A Coisa" (2017), não ter conseguido provocar o impacto esperado para seu personagem, que é o principal.

"Maligno" é bem conduzido, mas o diretor Nicholas McCarthy segue uma linha bem previsível, o que reduz muito as cenas de susto e suspense. Poderia ter prendido mais o expectador na cadeira do cinema. Cheguei a ouvir alguns gritinhos na sessão. Como um bom filme de terror, as cenas na escuridão são obrigatórias e clichês - por que ninguém acende uma luz para andar dentro de uma casa onde estão ocorrendo fatos estranhos e barulhos vindos de um dos cômodos?

Além do suspense provocado por cada manifestação de Miles, a produção explora muito a relação entre ele e Sarah que, como toda mãe zelosa está sempre procurando participar e entender o dia a dia do filho prodígio. Mesmo após identificar um comportamento anormal no jovem e procurar ajuda de um especialista, papel vivido por Colm Feore, ela se recusa a acreditar que Miles está sob o domínio de uma entidade (ou alma, como colocam) sobrenatural. Até sua família começar a ser vítima dos ataques.

A atriz Taylor Schilling contou em uma entrevista que, em um filme de terror, é preciso gritar e enfrentar situações verdadeiramente tensas. Mas o mais desafiador em "Maligno" foram os momentos de silêncio entre seu personagem e o filho. "Existe uma linha tênue entre o amor e o terror absoluto. Ainda que essa seja a história de uma mãe que precisou ir a lugares que nunca imaginou para proteger o seu filho, sendo forçada a descobrir uma parte muito mais resiliente de si mesma, a qual ela nunca havia tido acesso antes.".

Com roteiro que provoca tensão em alguns momentos, "Maligno" perde para outras produções anteriores do gênero que mesclam suspense e família, como "Annabelle 2" (2017), "Invocação do Mal 2" (2016), "Mama" (2013), "A Visita"  (2015) ou "Hereditário"(2018). E ainda conta com uma boa trilha sonora de trilha sonora de Joseph Bishara ("Invocação do Mal" - 2013, "Annabelle" - 2014 e "Sobrenatural" - 2010). Mas é um filme que vale a pena ser conferido por suas reviravoltas e um final não tão previsível e que deve agradar ao público.


Ficha técnica:
Direção: Nicholas McCarthy
Produção: Orion Pictures Corporation
Distribuição: Imagem Filmes
Duração: 1h32
Gêneros: Terror / Suspense
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #Maligno, #TheProdigy, #TaylorSchilling, #terror, #suspense, #ImagemFilmes, #cinemaescurinho, @CinemanoEscurinho

12 novembro 2018

"Entrevista com Deus" é raso, não vai além de mensagens óbvias de autoajuda

Brenton Thwaites se sai bem como o jornalista que entrevista David Strathaim no papel de um Deus humano (Fotos: Imagem Filmes/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Pode até ser que pessoas religiosas gostem de "Entrevista com Deus" ("An Interview With God"). Vai depender da religião, do nível de fé, do compromisso com a divindade constituída. Dificilmente o filme vai agradar aqueles que preferem a religiosidade, o respeito ao sagrado e ao ecumênico. Já os incrédulos, os ateus, esses têm tudo para não gostar nada do longa que pode, no máximo, ser classificado no rol das obras de autoajuda. Mesmo assim, das mais fracas. 


Dirigido por Perry Lang, o filme, todo passado em Nova York, mistura citações bíblicas, força questionamentos para dar um ar de imparcialidade, se alonga em eternas conversas pouco produtivas e não convence. A ideia é até boa: o repórter Paul Asher, que acaba de retornar de uma cobertura da guerra do Afeganistão, entra numa espécie de conflito pessoal depois de presenciar tanto sofrimento e dor. Com a fé abalada e o casamento em crise, marca uma entrevista com ninguém menos do que Deus, que promete responder, em três encontros, a todas as perguntas e dúvidas do jornalista. 

E o que ele quer saber, na verdade, é o que todos querem: desvendar o grande mistério da vida. Só que os diálogos são pobres, simplistas e nada eloquentes. Tema semelhante foi desenvolvido de forma muito mais original e irônica na comédia brasileira "Deus é brasileiro", de Cacá Diegues.


Como era de se esperar, o que fica, no final da história, é pueril e reduz as grandes questões da humanidade a mensagens que vão da culpa à salvação, do bom mocismo à moralidade. E o que é mais grave: é como se todos os habitantes do planeta Terra fossem cristãos. Jesus é apresentado como único filho de Deus, como a única verdade e a única salvação. Estão fora do paraíso, portanto, os adeptos do politeísmo, os muçulmanos, os índios, os ateus...

A história paralela também é fraca: a crise vivida por Paul e sua jovem mulher Sarah Asher é mal contada e precariamente desenvolvida. Sarah, interpretada por Yael Grobglas, aparece muito pouco no filme. David Strathaim dá seu recado de forma apenas correta como um Deus humano, quase um psicanalista, e Brenton Thwaites se sai bem como o jornalista questionador. Na verdade, nenhum papel do filme exige muito. "Entrevista com Deus" exige mesmo é do espectador, que tem que lutar para permanecer acordado até o final da exibição.
Duração: 1h37
Classificação: Livre
Distribuição: Imagem Filmes 


Tags: #EntrevistaComDeus, #religião, #autoajuda, #DavidStrathaim, #BrentonThwaites, #ImagemFilmes, #CinemarkPatioSavassi, #CinemaNoEscurinho

28 outubro 2018

"Fúria em Alto Mar" exalta poderio militar dos EUA e vale só pela ação

Gerard Butler tem o papel principal e mesmo como um dos produtores não consegue salvar filme fraco (Fotos: Concorde Filmverleih/Divulgação)

Maristela Bretas


Depois de "Invasão a Londres" (2017) e "Invasão à Casa Branca" (2013), Gerard Butler volta ao papel do mocinho mal-humorado salvador da pátria. Só que em "Fúria em Alto Mar" ("Hunter Killer")  ele troca tiros, explosões e mortes por decisões arriscadas e apostando no bom senso do inimigo. Ele é o capitão Joe Glass, que comanda o submarino USS Arkansas e assume uma tripulação desconhecida, a qual precisa ganhar a confiança.

E como primeira missão, ele e sua equipe são escalados para descobrir o que aconteceu com outro submarino norte-americano que desapareceu enquanto espionava um submarino russo no Mar de Barents. Durante a investigação, eles acabam sendo escalados para salvar o presidente russo durante uma rebelião e evitar a 3ª Guerra Mundial.

A história não tem muitas novidades, é fraca, mas o final convence pelos efeitos visuais e a ação é boa, não deixando o filme naufragar totalmente. Gerard Butler reforça o papel de "bam bam bam" da história, com uma postura bem canastrona, como nas duas e repete o cargo de produtor. E claro, concentra todas as atenções e decisões em seu personagem, mesmo com posição contrária de sua tripulação.

Dividindo o elenco principal está Gary Oldman ("O Destino de Uma Nação" - 2017), que até tenta, mas o papel não faz jus a seu talento. Ele interpreta o Ministro da Defesa Charles Donnegan, que está doidinho por um confronto armado. Destaque também para Michael Nyqvist, no papel do capitão Andropov que comanda o submarino russo investigado pelo desaparecimento da embarcação dos EUA.


"Fúria em Alto Mar" tem até algum suspense e consegue prender o público por sua dinâmica, embalada por uma boa trilha sonora. A ação é maior nas cenas de combate no fundo do mar e no resgate do presidente russo (um ator totalmente sem sal que lembra Tarcísio Meira mais novo). Desta parte participam quatro integrantes de uma força especial comandada pelo SEAL Bill Beaman (interpretado por Toby Stephens, de "13 Horas" - 2017).

Um entretenimento para quem gosta de filmes de espionagem e Guerra Fria nos dias atuais, Tem até mensagem de paz no final e, diferentemente das produções anteriores de Butler, não termina com uma bandeira dos EUA tremulando ao vento.


Ficha técnica:
Direção: Donovan Marsh
Produção: Original Films / Millenium Films
Distribuição: Imagem Filmes
Duração: 2h02
Gêneros: Ação / Suspense
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags: #FuriaEmAltoMar, #HunterKiller, #GerardButler, #GaryOldman, #ação, #suspense, #ImagemFilmes, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho

05 outubro 2018

Refilmagem de "Papillon" é mais um bom filme sobre a briga pela liberdade

Charlie Hunnam e Rami Malek interpretam os papéis que na primeira versão foram de Steve McQueen e Dustin Hoffman (Fotos: José Haro/Constantin Film)


Mirtes Helena Scalioni


Remakes costumam ser perigosos por vários motivos. Um deles: todo mundo já sabe o final da história. Outro: as comparações são inevitáveis, principalmente quando a primeira versão fez muito sucesso. Esse é o caso de "Papillon", filme inesquecível dirigido em 1973 por Franklin J. Schaffner e estrelado por ninguém menos que Steve McQueen e Dustin Hoffman nos principais papéis e que agora chega às telas pelas mãos de Michael Noer.

Se agora, em pleno ano 2018, o diretor dinamarquês decide contar de novo a história de Henri Charrière, o Papillon, um homem que passa praticamente a vida inteira tentando fugir da prisão, é sinal de que o assunto continua interessando. Na verdade, o personagem, baseado na autobiografia de Charrière, é mesmo fantástico.

Sua ânsia de liberdade, sua resistência física e inteligência para criar planos mirabolantes de fuga continuam atraindo o público, que já mostrou esse interesse em produções similares como "Um Sonho de Liberdade" e "À Espera de um Milagre", ambos de Frank Darabon - para ficar só nos mais famosos.


Pequeno resumo para quem não conhece a história, baseada em fatos reais: Henri Charrière é um bandidinho chinfrim que vive na Paris dos anos de 1930. Aventureiro e exímio arrombador de cofres, vive nas altas rodas entre malandros, ladrões e prostitutas, sem qualquer preocupação com o futuro, até ser preso acusado de um assassinato que não cometeu.

Traído por ex-comparsas que montaram para ele uma armadilha, Papillon - que é chamado assim por ter uma borboleta (em francês, papillon) tatuada no peito - é condenado à prisão perpétua e levado para um presídio na Guiana Francesa, de onde ninguém jamais conseguiu fugir.

Steve McQueen e Dustin Hoffman (Divulgação)
Como todo personagem de presídio que se preza precisa de um parceiro, Charrière vira amigo e protetor de um falsário, Louis Dega, vivido na primeira versão pelo grande Dustin Hoffman e, agora, pelo também talentoso Rami Malek. E já que as comparações são inevitáveis, Charlie Hunnam se sai bem como protagonista da versão atual, embora fique a alguns quilômetros de distância do carismático Steve McQueen.


Inesquecível também a trilha sonora da versão de 1973, em especial a música-tema de "Papillon" sob a batura de Jerry Goldsmith, indicada ao Oscar como Melhor Música em 1974. Na nova versão, a trilha é toda composta por músicas francesas orquestradas, algumas com a participação de corais, sob a direção de David Buckley. Bonita, mas não causa o mesmo impacto da anterior.


O resto, todo mundo já sabe: muita violência, muito sofrimento, torturas e truculência entremeadas de lições de lealdade e companheirismo. No fundo, "Papillon", como quase todos os filmes e histórias que tratam da privação da liberdade, falam mesmo é de como o homem pode ser forte e persistente em seu sonho de ser livre, a ponto de levar uma vida inteira correndo atrás dele.
Classificação: 16 anos
Duração: 1h57
Distribuição: Imagem Filmes


Tags: #Papillon, #HenriCharrière, #baseadoemfatosreais, #MichaelNoer, #RamiMalek, #CharlieHunnam, #drama, #SteveMcQueen, #DustinHoffman, #ImagemFilmes, #liberdade,  #CinemanoEscurinho

27 setembro 2018

"10 Segundos Para Vencer" - drama emocionante de luta, determinação e amor

Interpretações impecáveis de Daniel Oliveira e Osmar Prado conquistam o público com filme sobre a vida do pugilista Eder Jofre (Fotos: Imagem Filmes/Divulgação)

Maristela Bretas


Um filme com atuações excelentes, com boa ambientação de época e um emocionante drama de família que ajudou a formar um dos maiores boxeadores do país. Esta é a história de "10 Segundos Para Vencer", filme dirigido por José Alvarenga Jr. que tem no elenco principal os atores Daniel de Oliveira, no papel do pugilista brasileiro Eder Jofre, e Osmar Prado, numa interpretação inesquecível de José Aristides Jofre, mais conhecido como Kid Jofre, pai e implacável treinador do bicampeão mundial de boxe. Por seu papel, o ator conquistou merecidamente o Kikito de Melhor Ator no Festival de Cinema de Gramado deste ano.

Marcante e envolvente, o filme é uma biografia bem detalhada da vida do campeão nacional e mundial Eder Jofre, narrada desde a sua infância pobre no bairro do Peruche, em São Paulo (o que deixa a produção um pouco arrastada em alguns momentos). Com muitos sonhos e pouca comida no prato, Eder é o filho mais velho de uma família cuja única profissão de valor era a de pugilista. O pai, o argentino e ex-lutador de boxe Kid Jofre, com dez títulos pelo São Paulo Futebol Clube, era seu exemplo, mas também um homem que não aceitava a ideia de o filho ou qualquer um de seus discípulos "beijasse a lona".


Kid foi o responsável por Eder abandonar os sonhos de estudar desenho arquitetônico, de deixar mulher e filhos em segundo plano e, com punhos de ferro, fazer dele um campeão mundial em 1961, nos Estados Unidos, na categoria peso-galo. O filme mostra como o inabalável pai controlava a família com rigor quase militar, dentro e fora do ringue.

Ricardo Gelli é Zumbanão, tio do lutador, primeiro grande astro do boxe brasileiro, mas bon vivant que não conseguiu seguir na carreira. Por sua interpretação, ele conquistou o prêmio de melhor Ator Coadjuvante no Festival de Gramado. A mãe Argelina, interpretada por Sandra Corveloni, é uma pessoa submissa ao marido, mas sempre amorosa e presente na vida dos filhos. Dogalberto, o caçula, que tem no irmão mais velho seu ídolo, é vivido por Rafael Andrade Munhoz. O papel de Cida, esposa de Eder, foi entregue a Keli Freitas. 

O filme tem uma falha no roteiro: Lucrécia Maria e Mauro, os outros irmãos do pugilista mostrados numa cena rápida no início foram esquecidos nos restante do filme. Como se nunca tivessem existido. Nem cenas, nem citações por nenhum membro da família. Ponto negativo.

Daniel de Oliveira também está impecável, mostrando bom conhecimento e aprendizado dos golpes e do estilo de luta de Éder, que tinha no soco com a esquerda um de seus principais trunfos. O diretor José Alvarenga Jr. soube mesclar muito bem os vídeos originais das principais lutas e premiações do campeão do boxe com as do filme, ambas em preto e branco, como nas décadas de 50 e 60.

Eder Jofre (Reprodução SBT)
Conhecido como "Galinho de Ouro", por ter sido eleito o maior peso galo da história do boxe, Eder Jofre é considerado também um dos maiores boxeadores de todos os tempos. Nem a infância difícil conseguiu detê-lo e após uma aposentadoria de seis anos, voltou ao ringue e consagrou-se campeão mundial em 1961, nos Estados Unidos na categoria peso pena, tornando-se um herói nacional do boxe. Atualmente com 82 anos, é portador de encefalopatia traumática crônica, doença que afeta a memória e as funções motoras, comum em atletas que sofrem pancadas repetidas na cabeça.

"10 Segundos Para Vencer" tem uma narrativa forte, principalmente nos diálogos entre Osmar Prado e Daniel de Oliveira. A dupla arrasa e proporciona as cenas mais emocionantes, capazes de levar o público às lágrimas. Uma cinebiografia imperdível que ressalta orgulho, determinação, respeito e, principalmente, amor entre pai e filho. Uma homenagem digna de um grande e respeitável campeão.



Ficha técnica:
Direção: José Alvarenga Jr. 
Produção: Globo Filmes / Tambellini Filmes
Distribuição: Imagem Filmes
Duração: 2 horas
Gêneros: Drama / Biografia
País: Brasil
Classificação: 14 anos
Nota: 4,8 (0 a 5)

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29 maio 2018

"Antes que eu me esqueça" - É preciso falar de demência senil

José de Abreu e Danton Mello são pai e filho que tentam se acertar nesta comédia dramática (Fotos: Imagem Filmes/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Filmes sobre velhos estão em alta. Depois da contundência de "Ella e John" e do romantismo de "Acertando o Passo" - só para ficar nos mais recentes - está em cartaz o brasileiro "Antes que eu me esqueça", primeira longa de ficção de Tiago Arakilian, que há mais de 30 anos trabalha com produção de cinema. Desta vez, a história utiliza - e até privilegia - o humor para falar de relações familiares, desencontros e, principalmente, de solidão.

O grande trunfo do filme, o que fisga o espectador do início ao fim, é a atuação brilhante de José de Abreu interpretando um irascível e arrogante juiz aposentado de 80 anos às voltas com os primeiros sintomas de uma demência senil. A expressão corporal e facial do ator impressiona, emociona e surpreende, principalmente quando seu personagem, Polidoro, decide, àquela altura da vida, se tornar sócio de uma boate de strip-tease de Copacabana. Os demais personagens e intérpretes giram em torno dele.

É quando uma das filhas de Polidoro, Bia (Letícia Isnard) tenta interditar o pai na Justiça que o filme parece discutir e abordar o outro tema da história: a relação pai e filho. Como Paulo (Danton Mello) o outro filho do velho, anda afastado, o juiz determina que os dois refaçam os laços antes de conceder a interdição. Pianista frustrado, pessimista e derrotado, o jovem se vê obrigado a encontros periódicos com o pai, sempre sob a supervisão da rígida promotora Maria Pio (Mariana Lima).


Estão ainda no elenco Guta Stresser, exagerando no estereótipo como a garçonete bailarina da boate; Augusto Madeira como o amigo pianista de Paulo; Eucir de Souza como o enfadado genro Alceu, e até um inesperado Dedé Santana, vivendo um dos amigos do juiz.

Como quase toda comédia dramática, "Antes que eu me esqueça" exagera um pouco nos clichês e obviedades. Há também situações que parecem carregar propositalmente no humor, talvez por se tratar da terceira idade e de demência senil - o que se revela um equívoco. Velhos, boate, strip-tease, bailarinas - tudo parece uma associação feita para o riso.


Mas o que fica, ao final, é a sensação de que é preciso sim falar da velhice e de todos os desconfortos, esquisitices e problemas que ela traz, não apenas aos velhos, mas principalmente às suas famílias. Num dos momentos mais desconcertantes do filme, Polidoro decreta: "O pior da velhice é a gente lembrar que está esquecendo". Felizmente, a delicadeza e a emoção vencem. 
Duração: 1h40
Classificação: 14 anos



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