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08 setembro 2026

“Minha Melhor Amiga": quando a amizade vira reencontro com a própria vida

Comédia nacional reúne no elenco principal as atrizes e amigas de longas datas na vida real Mônica
Martelli e Ingrid Guimarães (Fotos: Desirée do Valle)
 
 

Marcos Tadeu
Blog Jornalista de Cinema

 
O que acontece quando duas melhores amigas chegam aos 50 anos e percebem que a vida está mudando — e que talvez seja hora de mudar com ela? É a partir dessa pergunta que “Minha Melhor Amiga”, nova comédia dirigida por Susana Garcia, coloca Mônica Martelli e Ingrid Guimarães lado a lado em uma história sobre amizade, amadurecimento, maternidade e a descoberta de que nunca é tarde para recomeçar.

Distribuída pela Paris Filmes, a produção chega aos cinemas quebrando o recorde de maior abertura de um filme nacional de todos os tempos. O filme está em exibição em 1.531 telas de 773 cinemas, em 436 cidades brasileiras, superando “Minha Mãe É Uma Peça 3” (2019), segunda maior bilheteria do cinema nacional nos últimos dez anos.

Estrelado por Mônica Martelli e Ingrid Guimarães, o filme, rodado no Rio de Janeiro, Sevilha (Espanha) e Lisboa (Portugal), é dirigido por Susana Garcia, que já possui uma trajetória muito ligada à comédia brasileira e ao cinema protagonizado por mulheres.


Susana Garcia dirigiu “Minha Mãe É Uma Peça 3”, “Minha Vida em Marte” (2018), com Mônica Martelli e o falecido ator Paulo Gustavo, e “Minha Irmã e Eu” (2023), com Ingrid Guimarães e Tatá Werneck. Seus filmes anteriores somaram mais de 20 milhões de ingressos vendidos, segundo a Paris Filmes.

Na história, conhecemos Júlia (Ingrid Guimarães) e Clara (Mônica Martelli), que chegam aos 50 anos diante de uma nova fase da vida. Entre os efeitos da menopausa e a saída das filhas de casa - Manu (Giulia Benite) e Isadora (Gabi Amaral) -, as duas se encontram por acaso em um aeroporto e descobrem que as meninas estão no mesmo voo para Portugal onde farão um intercâmbio.


O encontro dá início a uma amizade inesperada. Ao viajarem para visitar as filhas, Júlia e Clara deixam a rotina de lado e se envolvem em uma série de aventuras, com viagens, festas, romances, shows e situações inusitadas. Ao longo da jornada, as duas passam a questionar escolhas, relações e a própria maneira de enxergar as filhas.

O que começa como uma viagem para acompanhar as jovens se transforma em uma oportunidade de redescobrir a própria vida e perceber que nunca é tarde para mudar os planos.

No longa, feito por mulheres para mulheres, podemos ver como o conceito de sororidade, palavra muito usada hoje em dia, cabe nessa obra de Susana Garcia. A definição está associada à ideia de irmandade entre mulheres, valorizando a cooperação, o respeito e o fortalecimento umas das outras, especialmente diante de situações de desigualdade, preconceito ou violência.


Segundo o Dicionário Michaelis, amizade é o vínculo estabelecido entre pessoas por meio de uma relação de afeição, simpatia, estima e confiança. Mais do que uma simples convivência, a amizade pressupõe proximidade, respeito, lealdade e reciprocidade, criando um laço afetivo que se constrói e se fortalece ao longo do tempo.

Isso fica claro dentro e fora da tela. Podemos ver como Mônica e Ingrid, de fato, conseguem representar esse conceito, cada uma com sua personalidade, e como as duas, juntas, em meio a tantos anos de amizade, estabelecem uma relação de respeito e simpatia.

O filme acerta ao aproximar o público de Mônica e Ingrid. A sinergia entre ambas e todas as histórias, confusões, perrengues, crises e conflitos trazem o telespectador para perto dessa amizade tão bem construída ao longo de vários anos, que vai além do roteiro do filme.


Algumas curiosidades ajudam a dar o tom da narrativa: a história nasceu da amizade real das protagonistas. Em vez de simplesmente interpretarem duas amigas, Ingrid e Mônica levaram para a ficção experiências que  efetivamente viveram juntas, como a viagem real com as filhas adolescentes pela Europa, que serviu de inspiração para a história.

Apesar de a cena da “chave não está aqui” provocar boas risadas, senti falta das filhas no carro e de como essa parte do roteiro poderia ter sido mais bem trabalhada, incluindo as jovens no perrengue das mães. Um sofrimento a quatro poderia ser mais divertido.


Conflitos emocionais

Júlia, uma jornalista, se depara com um ambiente de trabalho que descarta as mulheres mais maduras para colocar rostos jovens em suas mídias e no mercado. Ela se encontra em conflito, com medo de ficar perdida profissionalmente e também emocionalmente.

Já Clara tem uma visão bonita de um casamento que acabou há muito tempo, mas que precisa encontrar novas formas de viver a vida e de lutar pelo que acredita. Sempre fica a sensação de que ela é muito velha para viver novas experiências e de que não irá conseguir acompanhar a modernidade.

O filme talvez deixe a desejar por apenas “pincelar” vários conflitos que afetam o universo feminino no campo profissional e afetivo, como o das mães acima dos 50 anos. 


O roteiro poderia explorar mais momentos dramáticos. O que se vê, no geral, são as personagens interpretando quem são. As atrizes não precisam sair de sua zona de conforto. Não que isso seja um problema, mas não mostra nada diferente do que já vimos em seus filmes anteriores.

Mesmo com essas ressalvas, “Minha Melhor Amiga” cumpre aquilo que promete: divertir, emocionar e lembrar que a vida não termina quando os filhos crescem, quando um casamento acaba ou quando os 50 chegam. Pelo contrário. Pode ser justamente aí que começa uma nova história.

É um filme solar, leve, para sair do cinema com o coração quentinho e querendo encontrar o seu melhor amigo ou amiga. Porque amizade verdadeira é isso: estar ao lado nos melhores momentos, dividir as confusões, enfrentar os perrengues e, principalmente, lembrar ao outro que nunca é tarde para viver aquilo que ainda falta. 

As diferenças e os embates só reforçam esse laço que podemos levar para o resto da vida, para o que der e vier.


Ficha técnica:
Direção: Susana Garcia
Produção: Paris Entretenimento
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h58
Classificação: 12 anos
País: Brasil
Gênero: comédia

01 janeiro 2024

Tatá Werneck e Ingrid Guimarães têm a química perfeita do humor em "Minha Irmã e Eu"

Longa dirigido por Susana Garcia é muito divertido, tem emoção e ainda atores e cantores tarimbados do passado e do presente
(Fotos: Paris Filmes)


Maristela Bretas


Garantia de boas gargalhadas e também momentos de emoção. Ingrid Guimarães e Tatá Werneck têm a química perfeita para divertir o público na comédia "Minha Irmã e Eu", em cartaz nos cinemas. São quase duas horas de trapalhadas, diálogos escrachados, com duplo e até triplo sentido e situações tão ridículas que fica impossível não rir (e muito).

A diretora Susana Garcia ("Minha Mãe é Uma Peça 3" - 2019, "Minha Vida em Marte" - 2018) acertou novamente na escolha do elenco e do roteiro, entregando um longa que deixa a gente leve quando sai do cinema, especialmente pela interpretação das duas comediantes protagonistas. 


Tatá interpreta Mirelly, a irmã caçula, que mora no Rio de Janeiro, se passa por descolada, amiga de famosos, vivendo de luxo e glamour. Puro "fake". 

Mentirosa compulsiva, mora num "apertamento", vive de bicos pra se sustentar e faz postagens arranjadas para se dar bem nas redes sociais. Ela é a mais doida das duas, mas também a que entrega as cenas e diálogos mais divertidos do filme.

Ingrid é Mirian, a mais velha, que nunca saiu de Rio Verde no interior de Goiás, vive para o lar, é casada com Jayme (Márcio Vito), tem dois filhos - Jayme Jr. e Marcelly - e cuida da mãe Dona Márcia, a tarimbada Arlete Salles. 


Mirian representa bem a esposa certinha, mas insatisfeita, que gostaria de ter a vida da irmã, apesar de estar sempre às turras com ela. E para desilusão de Dona Márcia, as filhas nunca realizaram seu sonho de formarem uma dupla sertaneja.

As duas quase não se encontram, até que uma discussão no lugar errado e na hora errada entre as irmãs leva Dona Márcia a desaparecer. Começa aí o Road movie de Miriam e Mirelly.


Em busca da mãe perdida, a dupla vai percorrer as estradas de Goiás de carro, a pé, de bicicleta, em caminhão pau-de-arara, o transporte que aparecer na hora. E por onde passam, vão deixando um rastro de boas risadas.

Bastariam as duas atrizes para o filme ter tudo para ser bom, mas o elenco ainda ganha peso com a participação de Lázaro Ramos e Taís Araújo, no papel deles mesmos, o grande Antônio Pedro, que infelizmente morreu em março deste ano, além de Leandro Lima, que faz o papel do cowboy sarado, e o colunista Hugo Gloss. 


Na parte musical, como participações especiais, estão a cantora Iza e a dupla Chitãozinho e Xororó, que tem uma história passada com Dona Márcia.

Durante sua jornada, a partir do Rio de Janeiro, de onde Mirelly agora precisa fugir por uns tempos, as duas irmãs vão conhecendo e encontrando personagens, retomando a amizade de infância e descobrindo uma nova realidade.


Além das belas locações da região Centro-Oeste do pais, "Minha Irmã e Eu" foi muito bem dirigido por Susana Garcia a partir de um roteiro leve e cativante. Como se os roteiristas estivessem contando suas próprias experiências familiares. 

Ele é isso, um filme produzido para divertir toda a família, falando sobre a relação entre mães e filhos e, especialmente, entre irmãs, com direito a brigas, picuinhas e acertos. Mas não mexa com uma delas, porque com certeza vai arranjar problema com a família toda. Não perca nos cinemas, vale muito a pena.


Ficha técnica:
Direção: Susana Garcia
Ideia original: Ingrid Guimarães e Tatá Werneck
Roteiro: Célio Porto, Ingrid Guimarães, Veronica Debom, Leandro Muniz
Produção: Paris Entretenimento, com coprodução da Paramount Pictures, Telecine, Simba e Globo Filmes
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h52
Classificação: 14 anos
País: Brasil
Gênero: comédia nacional
Nota: 4 (0 a 5)