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01 julho 2026

"Anatomia do Caos": relembrar para jamais esquecer

Filme escancara as bizarrices de um governante negacionista que foi responsável por mais de 700 mil
mortes na pandemia de Covid-19 (Fotos: Divulgação)
 
 

Mirtes Helena Scalioni

 
Imprescindível. Talvez seja essa a palavra que melhor define "Anatomia do Caos", filme que mostra, com riqueza de detalhes, o que se passou no Brasil a partir da decretação da pandemia de Covid 19 em março de 2020 pela Organização Mundial da Saúde, lembrando que o país era governado por Jair Messias Bolsonaro.

Com roteiro e direção de Dandara Ferreira ("Meu Nome éGal" - 2023), o documentário, que estreia nesta quinta-feira (2) no Cine Belas Artes, é peça importante para que não caia no esquecimento os absurdos inacreditáveis vividos pelos brasileiros naqueles dias.


A começar pelo gigantesco número de mortes - mais de 700 mil - o filme escancara as bizarrices de um governante negacionista, anticiências e adepto de um chamado tratamento preventivo à base de Hidroxicloroquina, comprovadamente ineficaz.

O filme, que ao final faz questão de deixar clara a intenção de ser um documento de interesse público e de finalidade informativa, mostra a instalação e desenvolvimento da CPI da Covid-19 que levou milhões de brasileiros para a frente das TVs todas as manhãs.

Tornou populares figuras como Omar Aziz, Renan Calheiros, Randolfe Rodrigues, Simone Tebet, Osmar Terra, a médica Nise Yamaguchi e o senador Flávio Bolsonaro, sempre pronto a defender o pai.


São inacreditáveis as muitas falas do presidente da República durante a pandemia. Em live ou entrevistas, ele chama a doença de gripezinha, debocha dos doentes com falta de ar, chama os brasileiros de 'maricas', indica medicamentos que não funcionam e responde mal aos jornalistas quando a pergunta é sobre as mortes.

Todos se lembram da famosa frase "eu não sou coveiro" e da campanha contra as máscaras e vacinas. Ou do discurso dele na ONU, quando disse ter salvado o Brasil que estava à beira do socialismo.

Igualmente inesquecível é o chamado gabinete paralelo, que tinha à frente Osmar Terra, defensor intransigente da imunização de rebanho junto com o desastroso ministro da Saúde, Eduardo Pazzuello.


Outra lembrança importante ativada pelo documentário é a crise de escassez de oxigênio em Manaus, quando milhares de pessoas morreram literalmente por falta de ar.

O Brasil perdeu também grupos indígenas que foram exterminados pela doença levada pelos brancos, mas a CPI pegou fogo mesmo quando o deputado federal Luis Miranda denunciou o que passou a ser chamado de escândalo da Covaxin, quando veio à tona a proposta de pagar muito além do preço de tabela por essa vacina.

Não faltou também menção ao caso da Prevent Sênior, com seus números duvidosos e a surpreendente declaração da médica responsável: "Óbito também é alta".


Com placas indicando o número de mortes aumentando a cada dia, a CPI ouviu também os empresários Carlos Wizard, que defendia o tratamento precoce com Cloroquina enquanto citava versículos bíblicos.

E o impagável e estranhíssimo Luciano Hang, conhecido como "veio da Havan", que marcou presença com suas fanfarronices e convites a motociatas enquanto o Brasil se tornava responsável por 33% das mortes por Covid 19 em todo o mundo.

O tempo costuma apagar tudo, até mesmo as dores mais cruéis. Nesse sentido, "Anatomia do Caos" faz seu papel importante, usando a arte para reativar a memória e para que episódios como esses jamais se repitam. 

Vale ressaltar que, em 2022, Jair Bolsonaro torna-se o primeiro presidente desde a redemocratização a não ser reeleito.


Ficha técnica:
Direção: Dandara Ferreira
Roteiro: Dandara Ferreira e Élcio Verçosa Filho
Produção: Movioca Casa de Conteúdo, Las Margaridas e LabV
Distribuição: Descoloniza Filmes
Exibição: Cine Belas Artes BH
Duração: 1h29
Classificação: 12 anos
País: Brasil
Gêneros: documentário, drama

03 setembro 2021

Com Nathalia Dill e Marcos Veras, “Um Casal Inseparável” é uma comédia romântica boa de assistir

Produção nacional dirigida por Sérgio Goldenberg estreia exclusivamente nos cinemas (Fotos: Rachel Tanugi e Reprodução)


Jean Piter Miranda


Manuela (Nathalia Dill) é jogadora e professora de vôlei de praia. Léo (Marcos Veras) é um médico pediatra bem sucedido. Ela é independente e tem personalidade forte. Ele é do tipo certinho, boa praça. Apesar das diferenças, eles se apaixonam e começam um relacionamento. Mas um mal entendido pode colocar tudo a perder. Essa é a história de “Um Casal Inseparável”, nova comédia romântica nacional que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 09 de setembro.


A história dos dois começa por acaso. Ele parece se apaixonar à primeira vista e faz de tudo para se aproximar. Ela não está em busca de um relacionamento e nem tem isso como prioridade. Mas dá uma chance para o cara. Manu, por sinal, é bem focada no trabalho, determinada e não abre mão das suas convicções. Léo faz o tipo mocinho, um tanto romântico e engraçado. E mesmo com essas diferenças, elas acabam formando um belo casal.

O casal tem química, funciona bem junto. O resto é tudo clichê. Não que isso seja ruim. Apenas típico de comédias românticas. Os pais da menina são engraçados e fazem de tudo para ajudar o casal. Claro, ela tem sua melhor amiga e ele tem seu melhor amigo. E estão quase sempre juntos. Tem ainda os coadjuvantes que sempre aparecem para dar bons conselhos, pra render bons diálogos, participações importantes.


O filme é bem leve. Dá pra gostar do casal e torcer por eles logo de cara. As partes de humor são bem dosadas e não deixam a história cair no besteirol. É previsível que haverá uma separação e está aí o ponto fraco. A confusão que põe fim ao relacionamento de Léo e Manu é um tanto forçada. Os mais exigentes vão apontar isso como furo de roteiro. Mas é perfeitamente aceitável para quem vê o filme como entretenimento.


As atuações são muito boas. Nathalia Dill e Marcos Veras mandam muito bem, inclusive nos momentos de emoção. Sim dá pra se emocionar e também pra rir de várias situações. É uma comédia romântica boa de se ver, muito bem produzida e que acerta inclusive na trilha sonora. O elenco tem ainda Danni Suzuki, Stepan Nercessian e Totia Meirelles (os pais de Manu), Claudio Amado, Ester Dias, Carlos Bonow, Junno de Andrade e Cridemar Aquino.


O diretor de “Um Casal Inseparável” é Sérgio Goldenberg, que também assina o roteiro em parceria com George Moura. Os dois fizeram juntos as séries de TV “O Canto da Sereia” (2013), “Amores Roubados” (2014) e “Onde Nascem os Fortes” (2018), além da minissérie “Onde Está Meu Coração” (2021). A produção é da TvZERO com Trópico Arte & Comunicação, Globo Filmes e Telecine e distribuição da H2O Films.


Ficha técnica:
Direção: Sérgio Goldenberg
Roteiro: Sérgio Goldenberg e George Moura
Produção: TVZero
Distribuição: H2O Films
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h38
Classificação: 12 anos
País: Brasil
Gêneros: comédia // romance
Nota: 4 (de 0 a 5)